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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A Cabala

A palavra "cabala" vem do hebraico gaballah, que significa tradição ou transmissão. Designa a doutrina esotérica ou secreta dos judeus que se foi formando aos poucos desde o início da era cristã, e no século XII d.C. atingiu sua configuração mais elaborada. Resulta da fusão de genuínos elementos bíblicos (o texto sagrado é básico nas especulações cabalísticas) com o neoplatonismo panteísta e outros segmentos místicos da antigüidade e da Idade Média.

1. O que é cabala?

Os cabalistas assim explicam a origem da cabala: Henoque (cf. Gn 5,21-24) ensinou ao patriarca Abraão (século XIX a.C.) uma doutrina oculta, que este transmitiu oralmente aos seus filhos e netos. No século XIII a.C., Moisés redigiu por escrito esses ensinamentos no Livro da Lei ou Pentateuco.

Acontece, porém, que Moisés fora iniciado nos mistérios do Egito. Por isso, escreveu em estilo simbólico, servindo se da língua egípcia, idioma que havia chegado ao mais alto grau de perfeição.
Moisés previu que a sua mensagem, pura como era, não se conservaria nas mãos do seu povo, que peregrinava pelo deserto. Assim tencionando evitar falsas interpretações, confiou as chaves do entendimento de seus escritos a homens seguros, de fidelidade comprovada, entregando-lhes de viva voz os esclarecimentos necessários para uma autêntica compreensão da Torá (lei).

Os discípulos de Moisés confiaram esses ensinamentos secretos a outros homens, que os passaram adiante. Assim, de geração em geração, chegou até nós essa doutrina esotérica ou oculta que os rabinos chamam de "cabala".

Moisés tinha acesso ao templo egípcio de Tebas, o qual continha os arquivos sacerdotais da extinta raça vermelha ou atlântida e os da seita de Ram, que tinha sede na Índia. Ele, portanto, foi iniciado em todos esses conhecimentos, como também nos mistérios da raça negra, guardados no templo de Jetro, seu sogro, que foi o último sobrevivente dos sacerdotes desta raça (cf Ex 3,1). Assim, a tradição oral que Moisés deixou aos seus discípulos continha o essencial de todos os ensinamentos ocultos existentes na face da terra.

Dizem também os cabalistas que Moisés escreveu em caracteres vattam; todavia, no século VI a.C. o sacerdote Esdras os substituiu pelos caracteres hebraicos atualmente utilizados. Isso deve ter criado distancia entre o texto primitivo e o atual do Pentateuco. A genuína interpretação deste foi entregue por Moisés não à tribo sacerdotal (levítica), mas a comunidades leigas de profetas e videntes, das quais a principal foi a dos essênios.

Para se conservar inalterado o texto sagrado, os profetas ditaram normas aos leitores e copistas, normas estas derivadas do esoterismo de Israel e que hoje se chamam "Masorah". Esta, juntamente com outras tradições secretas (Michná, Gemará, Targum), constitui a chamada "cabala judaica".

A cabala pode ser teórica ou prática. A teórica ensina algo sobre o mistério da divindade, a criação e a queda dos anjos, a origem do mundo em sete dias, a criação e a queda do homem, os caminhos para a restauração deste... Seu livro principal é o Zoharou Livro do Esplendor, escrito por Simeão bem Jochai "sob ordem vinda do 'alto"'.

A cabala prática ou mágica é conservada em manuscritos, as Clavículas de Salomão. Procura orientar o comportamento do homem, observando símbolos sagrados, especialmente as letras hebraicas, às quais é atribuído valor numérico e valor qualitativo. Em conseqüência, foram criados baralhos ou séries de cartas, portadores de imagens simbólicas e números; estas cartas, tiradas segundo certas regras, devem definir o caráter e o comportamento das pessoas interessadas. O mais importante de tais baralhos é o tarô, que consta de 22 símbolos (Arcanos Maiores).

2. Exercícios cabalísticos

A primeira palavra da Escritura Sagrada é "Bereasyth" (no principio). Consta de seis consoantes ou semiconsoantes: B, R, A, SH, Y, TH; dizem que essas seis letras correspondem às seis fases (ou aos seis dias) da criação do mundo (cf Gn 1,1-2,4).

O ano dos antigos era lunar; tendo 355 dias. É o que parece indicar o próprio nome hebraico "Shanah" (ano): SH =300, N =50, H =5, donde 300 + 50 + 5 = 355 Notemos que as vogais não são valorizadas no hebraico.

A cabala moderna também faz a correspondência entre letras latinas e nú­meros Donde: "O navio Titanic foi destruído por um bloco de gelo em 14/4/1912, perecendo então centenas de riquíssimos passageiros". Ora, o nome "Titanic" tem o seguinte valor numérico:
T = 100, I = 9, T = 100, A = 1, N = 40, I = 9, C = 3; donde a soma é 262, sendo que 262 = 2 + 6 + 2 = 10. O número 10 corresponde ao Arcano X do tarô, cujo significado é: "Elevação dos humildes e queda dos orgulhosos". Pois bem, o Titanic estava cheio de gente orgulhosa; por isso, naufragou...!

Mas a data do naufrágio também era azarenta, conforme a cabala: 14/4/1912. Somando tais números, vamos ter:

14+4+1912 1930; e 1930 é 1 +9+3+0= 13. Pois bem, 13 é o número do Arcano da Morte no tarô!

Ainda outro jogo pode ser feito: somando-se os algarismos contidos na data 14/04/1912, tem-se: 1+4+4+1+9+1 + 2 = 22. Ora, 22 é o número do Arcano da Loucura ou da catástrofe final do tarô!

3. Noções complementares

A cabala admite a reencarnação, necessária para que a alma humana possa se purificar e atingir a felicidade celeste, que consiste na plena união com Deus. Acredita também que no início da história houve o que se chama­ria de "pecado original" ou uma desobediência do homem a Deus; movido pela serpente da tentação ou a concupiscência, Adam-Kadmon (= o homem primitivo) cedeu ao amor egoísta de si, abandonando a divindade. A fim de reencontrá-la, o homem utiliza práticas mágicas ou a magia branca, que atrai a influência de espíritos superiores.

Todos os seres humanos são dotados de faculdades mágicas, em diferen­tes graus; todavia, não costumam cultivá-las. O mago pode entrar em comu­nicação com os espíritos superiores para receber deles instrução e sabedoria. Existe também a magia negra, que utiliza as forças invisíveis para cometer o mal; esta é condenável, porque os demônios que ajudam o mago negro na execução das suas práticas abomináveis o levam à perdição.

4. Conclusão

Vê-se que a cabala é um tecido de proposições imaginosas, destituídas de fundamento histórico, literário ou científico. Abrange a numerologia, a astrologia, a magia, a comunicação com os espíritos do além, o curandeirismo... Comparando os autores cabalistas, verificamos que nem sempre concordam entre si ao indiciar o significado dos números e das letras do alfabeto. A interpretação desses sinais é altamente subjetiva e pessoal, pois para um mesmo sinal podem ser atribuídas mensagens diferentes ou mesmo contra­ditórias.

Embora tão fragilmente construída, a cabala atrai muita gente, porque parece oferecer soluções prontas e eficientes por vias sobre-humanas a pessoas cansadas ou que colocam a razão de lado para atender à fantasia desenfreada.

Se todo homem, ao receber uma mensagem "maravilhosa", fosse capaz de exercer uma crítica sadia, questionando as credenciais de tal mensagem ou em que fundamentos lógicos e objetivos ela se apóia, veria então muitas fantasias se dissiparem...

FONTE:


3 comentários:

  1. Você fez um apanhado bem geral da Cabala, e isso foi interessante, principalmente para os leigos. Porém, quando você foi fazer sua crítica, escorregou em argumentos frágeis:

    1. Você diz que: ''(...) questionando as credenciais de tal mensagem ou em que fundamentos lógicos e objetivos ela se apóia, veria então muitas fantasias se dissiparem...''

    Porém, você esquece que a revelação cristã também não se apóia em fundamentos lógicos, e sim é um artigo de fé.

    2. Você fragmenta a Cabala por aquilo que os homens fizeram dela (curandeirismo, comunicação com espíritos, magia e etc), e apartir daí tece sua crítica. A Santa Igreja Católica não pode ser tomada por aquilo que os homens na história fizeram dela, pois o homem é pecador, enquanto a Igreja é santa. E, por fim, você não consegue atingir a essência da Cabala e daí tecer uma crítica consistente; o que você apenas faz é fragmentá-la e criticr alguns fragmentos.

    Não sou cabalista, nem protestante. Sou católico. E, na verdade, a verdadeira não adesão da Santa Igreja por a Cabala se funda no pressuposto básico de que esta última proclama a união do homem com Deus a partir de seus próprios esforços, retirando o papel da Santa Igreja de mediadora.

    Paz e Luz.

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  2. O meu comentário é que vocês deveriam estudar mais a Cabala. Há grandes distorções quanto ao sentido da CABALA. Só se fala de algo quando se é sabedor do que se fala. Estudar faz bem; quem não estuda diz o que não é devido. Só faço mais uma vez o pedido:ESTUDEM!!!

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  3. Quem não sabe o que é a Cabala, não deve falar sobre ela. É tudo, menos curandeirismo, magia, espiritismo. A Igreja Católica não gosta da Cabala, por duas grandes razões: reduto de livres-pensadores, estudar a Bíblia, mais concretamente a Torah (Pentateuco). Vem do hebraico Qaballah, que significa Tradição, a tradição da revelação de Moisés no Sinai ao qual Deus disse: "Estas palavras revelarás, estas palavras ocultarás". Quem não conhece o hebraico, não pode aceder à verdadeira Escritura. O cabalista recusa o dogma "Fora da Igreja não há salvação". O homem só chega a Deus por si, pela tentativa de compreender o mistério dos "Dez Nomes" em que se revelou. O Cristianismo, ao contrário do Judaísmo, é um apofatismo: não nomeia Deus pelo Seu Nome. Não sou católica, nem ovelha de qualquer igreja, sou cabalista, o meu pai era judeu, foi com ele que comecei a aprender hebraico. Aquilo que me leva a não me aproximar da Igreja Católica chama-se Inquisição, a minha família paterna foi uma vítima nas unhas da Igreja. Ajo em nome do sangue que me corre nas veias, mas respeito os católicos, e eles nem preisam de mim. Permaneço independente de cismas religiosos, mas não digam que a Cabala é o que não é. Quanto ao meu sangue, metade até é cristão. Nasci em 1963, o meu pai não deixou que fosse baptizada, eu que me baptizasse em consciência quando a tivesse madura. Baptizei-me aos 30 anos, pelo Judaísmo, em consciência. Foi a escolha da religião dos perseguidos. Quanto ao Cristianismo, quanto a Cristo teríamos pano para mangas, mas o assunto ultrapassa este tema. Sei aramaico, porque quem sabe hebraico, sabe aramaico, há Evangelhos em tradução, que quando forem disponibilizados, tudo muda no Cristianismo. Como eu costumo dizer, nada tenho contra Cristo (Christus), mas tenho contra quem fez mau uso deste nome, começando por trair quem vestiu a pele de "Yeschua", que não agiu na História com este nome. Aquilo que ele pregou não se conjuga com o Cristianismo que conhecemos, aquele que venceu com a chamada "Revolta de Corinto", o "momento dramático do Cristianismo" como os historiadores lhe chamam.
    São palavras de uma pobre criatura de Deus que encontrou na Torah a sua razão de existir, de compreender, e por isso não encontra lugar na Igreja Católica, porque ela não quer, não sou eu.
    Gostava que o Cristianismo se tornasse verdadeiramente cristão. Nem chamo para aqui o Protestantismo. Lutero, em vez de reformar verdadeiramente o Cristianismo, lançou o cristão no caminho do "Nada". Era como ele dizia: "enquanto o homem não for nada, Deus nada poderá fazer com ele". Recuso o "Nada", mesmo sendo nada, em nome dessa recusa, procuro Deus, só O encontro na Bíblia, em que nada pode ser interpretado literalmente, porque "aquele que entende o véu pela Escritura, mais vale não a abrir ". Palavras de Moisés de Leão, numa obra magistral: Sefer ha-Zohar. Quem escreveu este artigo sobre Cabala deve ler o Zohar, já agora o Sefer ha-Bahir, ou os escritos dos chamados "Cabalistas de Gerona", ou os escritos sobre Isaac Lúria, que deu ao mundo a "Nova Cabala", ainda que nada tivesse escrito, como Jesus, Sócrates, ou Buda. Os grandes homens, pela apoteose da revelação divina e da procura do "ser humano verdadeiro", nada escreveram.
    Para terminar, resta-me dizer que a Cabala não é totalmente judaica, tem muitas influências orientais. É panteísta: Deus e a Natureza/Universo são um só, um está no outro. Por causa disto, a Igreja Católica condenou à fogueira Giordano Bruno, os seus livros só saíram do Índex no século XX. Todas as Escrituras são sagradas, desde que se retire o véu que as cobre. E quanto à religião, não é santa porque Deus quer, mas porque o homem decide.

    Paz e Luz, sim, ou Or Adonai (a luz de Deus).

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