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domingo, 22 de janeiro de 2012

A Certeza Sobrenatural da Fé PARTE 2

Ele tem como que um senso musical que lhe permite apreciar a pina sinfonia da palavra de Deus, enquanto o demônio perdeu o senso superior desta harmonia pina. Como disse Mons. Gay, a luz da fé é "a coroação pina da nossa inteligência, um diadema de luz celeste, com que a mão terna de Deus circunda nossa fronte invisível, numa imensa extensão de nossas fronteiras espirituais... nossa proporção intelectual com a vida íntima de Deus." "Ela é, acrescenta ele, como que um ouvido sobrenatural, e também um olho, ou melhor ainda, ela é a aurora da visão sobrenatural, enquanto que a razão não é a aurora da fé."

"Fides est sperandaraum substantia rerum argumentum non apparentium" (Heb 11) "A fé é a substância das coisas que devemos esperar, a certeza daquelas que não vemos".

Os bens futuros estão na nossa fé, como a árvore está na semente, a flor na pivide, esperando o desabrochar.

A luz da fé não somente sobrenaturaliza nossa inteligência, mas lhe dá uma certeza infalível dos mistérios da salvação. Esta certeza que descansa sob a primeira verdade reveladora, sob a autoridade de Deus, Criador da graça, é superior à dos sentidos, à da razão. Estamos mais certos do valor infinito de uma Missa do que da existência da terra sobre a qual nós andamos, ou da impossibilidade do círculo quadrado. É por esta certeza, toda pina, que os mártires morreram. Mais vale perder a vida do que a fé.

Por que então, apesar desta luz sobrenatural, os mistérios da salvação permanecem obscuros?

É porque nós não os vemos imediatamente neles mesmos, mas somente na palavra pina que no-los revela. E não os podemos ver diretamente, porque são luminosos demais para nossos olhos. Por causa de seu demasiado esplendor nos parecem obscuros, como o sol deve parecer obscuro ao pássaro da noite, que não pode suportar seu brilho.

Esta virtude da fé está tão profundamente impregnada na alma, que só o pecado da infidelidade pode fazer perdê-la. Pode-se perder a Caridade e a graça santificante, sem perder a fé; ela fica no pecador como a raiz da árvore que foi cortada e quer nascer de novo. Por isso é que é tão grave o pecado contra a fé, que rejeita a autoridade infalível de Deus. Mais vale perder a vista que perder a fé, melhor ainda, mais vale perder a razão ou a vida, que perder a fé.

Se é esta a necessidade e a natureza da fé, como viver no espírito de fé?

Para viver humanamente e não como um animal, é preciso viver à luz da razão, e não somente à luz dos sentidos: para viver cristãmente e não como um pagão, é preciso viver à luz da fé e não somente à luz da razão. São Paulo na Epistola aos Hebreus, cita os mais heróicos exemplos de espírito de fé. (11, 8 ss). "É pela fé que Abraão, por ordem de Deus, deixa seu país, parte sem saber para onde ia, para os países desconhecidos, que ele devia receber como herança. É pela fé que o mesmo Abraão prontificou-se a imolar seu filho único, Isaac, apesar de Deus lhe ter dito: 'É de Isaac que terás tua posteridade.' Ele prontificou-se no entanto a imolá-lo por ordem do Altíssimo, pensando que nada é impossível a Deus, mesmo ressuscitar os mortos. Foi pela fé que Moisés deixou o Egito, sem temer a fúria do rei, e ficou inabalável como se tivesse visto o Invisível. Foi pela fé que os Israelitas atravessaram o mar Vermelho que engoliu os egípcios. Foi pela fé que os profetas venceram os reis, efetuaram a justiça, obtiveram o efeito das promessas, fecharam a goela dos leões. Foi pela fé que outros sofreram os ultrajes e os chicotes, as prisões e as correntes, foram lapidados, esfolados e morreram pelo fio da espada. Eles partiram errantes, pelas montanhas, na indigência, na aflição e angústia, aqueles dos quais o mundo não era digno. "Todos, diz São Paulo (5, 14), morreram na fé, não tendo ainda recebido o bem prometido, não tendo ainda visto o Cristo, mas eles contemplavam-no e saudavam-no de longe, confessando que eles eram estrangeiros e viajantes sobre a terra; pois homens que falam assim, mostram bem que procuram uma Pátria.

Eis os exemplos que nos deram aqueles que vieram antes de Jesus Cristo. Que faremos nós, que viemos depois de Jesus Cristo, beneficiados pela sua luz e pela sua graça para viajar para o céu sob a conduta de sua Igreja?

Para viver no espírito da fé, é preciso sempre considerar à luz da fé: Deus, nós mesmos, o próximo e os acontecimentos.

1. — Deus. Haverá necessidade de dizer que é preciso considerar Deus à luz da fé? Infelizmente é, e é muito necessário. Não consideramos muitas vezes Deus através dos nossos preconceitos, à luz de nossos sentimentos muito humanos, mesmo de nossas pequeninas paixões, contrariamente ao testemunho que Ele dá de si mesmo na Sagrada Escritura? Não nos acontece pensar, em nossa presunção, duma maneira mais ou menos consciente, que a Misericórdia de Deus é para nós, e a Justiça para os outros? E ao contrário, em certos momentos de desânimo, não nos acontece duvidar do Amor de Deus por nós, de sua misericórdia sem limite?
Nós consideramos às vezes a infinita perfeição de Deus do miserável ponto de vista de nosso egoísmo, de nosso amor-próprio, de nossas suscetibilidades ressentidas, em vez de considerá-la no ponto de vista de nossa salvação e do bem geral da Igreja. No ponto de vista da fé, Deus aparece, não através de nosso egoísmo, mas através da vida e da morte de Jesus, através dos mistérios da Igreja, da Eucaristia e da Comunhão dos Santos.

Oh, como o olhar dos santos era puro! E como desde este mundo entreviam Deus pelos olhos da fé!

Santa Catarina de Sena, em seu admirável "Diálogo", nos fala destes olhos da fé e das necessidades da mortificação interior da vontade própria e do julgamento próprio. Somente esta mortificação pode purificar nosso olhar e fazer cair esta venda de nosso orgulho, este terrível "velamen", este véu do qual nos fala São Paulo, que impede ver as coisas pinas, ou deixa ver apenas as sombras e as dificuldades.

Consideremos Deus à luz da fé e também a humanidade toda santa de nosso doce Salvador Jesus Cristo, seu Coração Sagrado, sempre aberto para nós; a Virgem Maria, a Igreja, corpo místico de Jesus Cristo. Consideremos do ponto de vista da fé os Sacramentos, nossa comunhão quotidiana, a absolvição de cada semana, nosso ofício, nossa leitura espiritual, a Sagrada Escritura, palavra de Deus. Como tudo isto é prodigiosamente grande à luz da fé! E como tudo isto empalidece à luz de nossos preconceitos e da rotina. Sob esta luz apagada, as coisas mais sublimes tornam-se banais, a Santa Comunhão não é senão uma cerimônia.

2. — Devemos nos ver, a nós mesmos, à luz da fé.

Se não nos virmos senão à luz natural, só vemos em nós as nossas qualidades naturais e nos exaltamos; vemos também às vezes os nossos defeitos e desanimamos.

Freqüentemente esquecemos de ver à luz da fé os tesouros sobrenaturais que o Senhor depositou em nós, e os obstáculos que os impedem de frutificar.

O tesouro sobrenatural que trazemos em nós é a graça recebida no Batismo e restituída na absolvição; não é a graça a vida pina, germe da glória? O tesouro sobrenatural que trazemos em nós é o fruto das comunhões quotidianas. O tesouro sobrenatural que trazemos em nós é a Santíssima Trindade que habita em nós. O tesouro sobrenatural que trazemos em nós é a vocação que nos alcançará, se não resistirmos a ela, todos os socorros necessários, para chegar à perfeição e finalmente ao céu.

Os obstáculos são falta de espírito sobrenatural, de espírito de fé, a leviandade que nos faz falar e agir como pagãos, que nos tira o recolhimento pelo qual se reconhece um discípulo de Jesus Cristo. Os obstáculos são ainda o desejo de ser a cabeça, quando talvez devemos nos contentar de ser a mão.

3. — Consideramos bastante o próximo à luz da fé?

Muitas vezes vivemos à luz natural da razão deformada pelos nossos preconceitos, nossas paixões, nosso orgulho, nosso ciúme, e desde então aprovamos no próximo aquilo que humanamente, naturalmente nos agrada. Aquilo que é conforme aos nossos gostos naturais, aos nossos caprichos, aquilo que nos é útil, aquilo que nos faz valer, aquilo que ele nos deve. Condenamos nele aquilo que nos incomoda, muitas vezes o que o torna superior a nós, aquilo que nele nos faz sombra. Quantos julgamentos temerários, julgamentos duros, impiedosos provém do nosso olhar obscurecido pelo amor próprio e pelo orgulho. Quantas maledicências e calúnias mais ou menos conscientes.

Se nós soubéssemos ver o próximo à luz da Fé, com o olhar espiritual muito puro, então veríamos em nossos superiores, os representantes de N. S. e nós lhe obedeceríamos sem os criticar, ao pé da letra e de todo coração, como a Nosso Senhor Ele mesmo.

Nas pessoas, que naturalmente não nos são simpáticas, nós veríamos antes de tudo, as almas resgatadas por Nosso Senhor, que fazem parte do seu corpo místico e que talvez estejam mais perto do que nós do seu Coração Sagrado.

Nosso olhar sobrenatural atravessaria este envelope opaco de carne e de sangue que nos impede de ver as almas, e faz com que muitas vezes vivamos longos anos ao lado de belas almas sem perceber.

É necessário merecer ver as almas, o que nos permitirá de lhes dizer verdades salutares e de ouvi-las da parte delas.

Não é por acaso que duas almas se encontram. Assim como as pessoas que naturalmente nos agradam, se nós as víssemos bem à luz da Fé, descobriríamos nelas qualidades e virtudes sobrenaturais que elevariam muito nossa afeição e a purificariam. Veríamos nelas também, com benevolência, os obstáculos ao reino perfeito de Nosso Senhor, e nós poderíamos, com a verdade caridade, dar-lhes um conselho amigo, aplicar o que Santo Agostinho diz em sua regra sobre as delicadezas da correção fraternal, que deve proceder do amor de Deus e o fazer crescer na alma de nosso próximo.

4. — São os acontecimentos que precisaríamos ver à luz da Fé, para viver verdadeiramente no espírito da Fé. Os acontecimentos felizes, para que eles não nos exaltem e os acontecimentos infelizes, para que eles não nos desanimem.

Digamos que tudo, mandado ou permitido por Deus, e que tudo, mesmo o mal, deve finalmente, queira ou não queira, concorrer para sua glória.

Em todo acontecimento podemos encontrar um aspecto sensível, acessível aos sentidos, um aspecto racional, acessível à razão, à história profana; são as leis naturais que governam os fatos — depois há um aspecto sobrenatural, acessível à Fé. E o lado pelo qual este acontecimento concorre à Glória de Deus é o dos eleitos.

Vede, à luz da Fé, a expulsão dos religiosos e das religiosas, ou das atrocidades cometidas ultimamente pelos Comunistas na Espanha.

Existe nestes acontecimentos qualquer coisas que escapa à razão, mesmo à perspicácia maligna dos perseguidores. Os sentidos vêm nesses acontecimentos um manancial de dores, a razão, uma obra iníqua. Em face da Fé, existe neles muito mais. Existe aí um castigo para muitos. Existe aí uma provação para todos, provação que não nos deve lançar no abatimento, mas que é a condição dum bem superior.

A Igreja é perseguida. Nosso Senhor está ao seu lado; Ele parece dormir como dormia na barca durante a tempestade no Lago de Genesareth; mas uma só palavra foi suficiente para apaziguar os ventos e as vagas.

Se vemos este acontecimento à Luz da Fé, não ficaremos muito surpreendidos. Nosso Senhor o anunciou no seu Evangelho. Não ficaremos irritados nem desanimados. Rezaremos pelos perseguidores, pelos perseguidores os mais aguerridos, e pensaremos que nossa vida religiosa deve ser mais fervorosa que no passado. Vede as guerras à luz da Fé, as pisões dum país, as rivalidades mesmo entre os católicos. Vede todos esses acontecimentos à luz da Fé, os acontecimentos felizes não nos exaltarão, os infelizes não nos abaterão.

Mesmo as injúrias, depois do primeiro sobressalto da natureza, nos parecerão como permitidas por Deus para o progresso de nossa alma, como quando Davi foi insultado por Semei.

Nossa Mãe do céu viveu plenamente do espírito de Fé, sobretudo aos pés da Cruz. Quando Jesus parecia definitivamente vencido, ela não cessou de crer que Ele era o Filho de Deus vivo e que dentro de três dias ressuscitaria como Ele havia predito.

Para entrar na profundidade ou nas atitudes de Deus, é preciso que a Fé se torne penetrante e saborosa; é preciso que, esclarecida pelo dom da inteligência e da sabedoria, ela se torne contemplativa. Para isto, é preciso saber sacrificar certas exigências injustificáveis da razão raciocinadora; é preciso lembrar-se que acima da evidência racional, existe o mundo infinitamente superior dos mistérios sobrenaturais. Da mesma maneira, diz Santo Tomás, é preciso que o sol se esconda para que se vejam as estrelas e as profundidades insondáveis do firmamento, aquele que não quer ver senão à luz da razão e não se deixa conduzir mais alto, pela luz da Fé, assemelha-se àquele que não quis contemplar o esplendor do céu estrelado porque não o podia ver à luz do sol. Se, ao contrário, o sol desaparecesse, é um número imenso de estrelas, outros sóis, que nos aparecem na beleza da noite: é o símbolo esplêndido das verdades da Fé e de sua harmonia na obscuridade, superior à noite do espírito.
(A Ordem, Janeiro de 1939. Digitação e atualização ortográfica: PERMANÊNCIA).

Fonte: http://permanencia.org.br/drupal/node/415.


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