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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Seita ressurge em mais de 170 aldeias da Amazônia

Ordem católico-messiânica prolifera entre comunidades indígenas do Alto Solimões
A marca é invariavelmente uma cruz vermelha, com 14 metros de altura, plantada no ponto mais alto da comunidade. As iniciais RDSM (Recordação da Santa Missão) também são obrigatórias, bem como a data de fundação de cada irmandade, gravada em números brancos.
O dízimo é lei: 10% de toda a renda vai para a igreja. Quem não tiver, contribui com bens domésticos --um rádio, um animal de estimação, o que for-- sempre na proporção de 10% de tudo o que houver na casa. Quem ainda assim não tiver o que dar, dá seu próprio trabalho.
Perdida nos cafundós da Amazônia, a Missão da Ordem Cruzada, Católica, Apostólica e Evangélica --ou simplesmente Irmandade da Santa Cruz-- cresce a passos largos entre as comunidades indígenas do Alto Solimões, especialmente nas etnias ticuna e cocama.
A congregação segue o rastro do rio Solimões e se espalha em mais de cem pequenas aldeias entre os 500 quilômetros que separam Tabatinga de Tefé.
Na região de Tabatinga, na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, já existem 49 comunidades ostentando a cruz vermelha no ponto mais alto da vila. No Amazonas, único Estado do Brasil onde a seita tem seguidores, a Santa Cruz está presente em 109 aldeamentos.
Do outro lado da fronteira, nas comunidades indígenas do Peru, a seita já colheu adeptos em 52 comunidades, incluindo a reserva do Javari --uma das mais isoladas da Amazônia.
Na capital, Lima, a primeira igreja foi aberta há dois anos. Nos anos de 1980, até então auge da congregação, a seita estava presente em pouco mais de 40 aldeias.
A expansão acaba de chegar à Argentina: em janeiro, foi estabelecida a primeira missão em Buenos Aires.
Cacalos Garrastazu/Eder Content
Nova igreja em obras na comunidade de Mato Grosso, frequentada por índígenas


Fundada pelo pregador José Francisco da Cruz em 1972, a igreja quase se extinguiu após a morte de seu líder espiritual. O retorno é consistente: na região amazônica há mais de 170 comunidades que voltaram a seguir seus dogmas, que incluem restrições severas a festas e a bebidas alcoólicas e aos direitos femininos.
"A gente pode se pintar, mas bem pouquinho. Quando está nos dias [menstruada], não nos deixam entrar na igreja ", descreve a indígena cocama Tirça Penedo Felipe, 32, moradora da comunidade de Mato Grosso, às margens do Solimões.
A ticuna Elisabeth Perez de Souza, 52, viu a igreja florescer na sua aldeia, a vila do Bom Caminho, quando ainda era uma adolescente. Hoje não frequenta mais os cultos, embora diga não ter "nada contra" a Santa Cruz. E, mesmo sem ser congregada, faz doações regulares, de dinheiro e de bens.
"Na época em que chegaram aqui, mulher não podia falar com homem. Se falasse, tinha que ficar de joelhos toda a madrugada. Isso não existe mais, mas as congregadas ainda não podem usar calças compridas e nem deixar os cabelos soltos", relata.
Cacalos Garrastazu/Eder Content
Elizabeth não frequenta mais os cultos, mas ainda faz doações regulares


Trabalho voluntário

A igreja da comunidade do Mato Grosso, na margem direita do Solimões, ainda está em obras, apesar de a missão ter plantado a cruz por ali em setembro de 1997. As divisões pelo controle da seita, que se radicalizaram a partir de 1999, quase acabaram com os fiéis.
Desde então, os 142 moradores da vila se dividem entre a Santa Cruz e a igreja católica, cujo templo mais próximo fica a quase duas horas de barco, na cidade de Benjamin Constant. A predominância é de fiéis da congregação.
Tirça e a família dão todos os meses entre R$ 10 e R$ 20 para a igreja --uma enormidade para a pobreza da região. Quando não têm dinheiro, ela e o marido trabalham às sextas-feiras, das 7h às 14h, na construção ou na limpeza do templo --uma estrutura muito simples, apenas com um altar para os cultos e espaço para a assistência em bancos de madeira.
Os cultos começam às 4h30 nos dias de semana e podem se estender até por volta das 7h. Aos domingos o início é às 7h30, mas a leitura do Velho Testamento --outra regra que não pode ser quebrada-- pode perdurar até as 11h. À tarde a rotina é semelhante.
"Ajuda muito. Todo mundo se adestra e sai da oração preparado para o trabalho ou para o estudo. A mente fica pronta para receber a palavra de Deus", diz o indígena Richardson Garcia Sevalhos, 30, em defesa dos rigores da seita.
Sevalhos, morador de Mato Grosso, também defende a restrição ao álcool determinada pela igreja, embora a comunidade ainda misture cachaça à casca de copaíba para fazer xaropes e anti-inflamatórios.
Segundo ele, depois que a Santa Cruz voltou a ter adeptos "não tem mais bebedeira e nem drogas" entre os índios.
O ribeirinho Floriano Pinto de Souza, 78, que fundou a igreja junto com a comunidade de Bom Caminho há 38 anos, encontrou na seita uma resposta para a morte de quase toda a família.
Devido às más condições sanitárias das aldeias no Alto Solimões, restaram apenas Floriano e o pai.
A Santa Cruz serviu como estímulo para voltar a trabalhar. Entre as 94 famílias do local, a seita contabiliza 90 fiéis – dos quais 36 são crianças. Há dois anos eram apenas 20.
Cacalos Garrastazu/Eder Content
Nas casas simples das comunidades ribeirinhas, vestes brancas e imagens do fundador


Uma vez por mês, a cada dia 30, é feita uma procissão para adorar a pequena cruz vermelha, miniatura do símbolo principal. Todos os fiéis têm que ir aos cultos de branco.
"Quando fomos jogados na beira do rio, eu disse ao papai que ia plantar uma cruz para adorarmos. Então viemos para cá. Tem que fazer penitência para poder ter salvação e crescer alguma coisa para a comunidade. Sem Deus não podemos fazer nada. Só Deus é que dá alguma coisa. Por isso a gente sai de madrugada para fazer pregação" conta.
Floriano, que é capitão na hierarquia da Ordem, diz que "tem o direito" de pagar R$ 20 todo mês para a igreja. O dinheiro do dízimo é encaminhado para a sede comercial da congregação em Santo Antônio do Içá e, dali, para um escritório de contabilidade em Tabatinga --a cerca de quatro dias de barco.
O atual presidente da Ordem, Dalmácio Pinheiro de Castro, vive isolado na comunidade do Juí, a sete dias de barco de Tabatinga, e não foi localizado pela reportagem.
"Ele [pastor Dalmácio] vem aqui uma ou duas vezes por ano fazer a contabilidade da igreja. É o único que tem autorização para mexer com o dinheiro da congregação", narra o auxiliar Einer Batista, funcionário da empresa.
As ofertas espontâneas que os fiéis fazem aos domingos --peixes, animais silvestres, utensílios domésticos e dinheiro-- são direcionadas à tesouraria da igreja na própria comunidade.
Ali, abastecem as obras e servem para custear as missões de evangelização por outras aldeias.

Fonte Eletrônica;

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2016/02/12/seita-ressurge-em-mais-de-170-aldeias-da-amazonia.htm

sábado, 9 de janeiro de 2016

A noção que de toda ‘igreja’ é igual não vem de Deus

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Teto da Catedral de Toledo
Previamente tratamos aqui no blog da realidade da Comunhão de todos os Cristãos numa Igreja Una e Visível. A postagem foi publicada aqui sob o título de  A Igreja de Cristo é Visível. Sua leitura pode auxiliar no entendimento do texto de hoje.
A Igreja Católica é a entidade viva e visível do Corpo de Cristo na Terra, Sua Igreja. A Negação da visibilidade da Igreja de Cristo é chamada de Docetismo Eclesial, onde Docetismo quer dizer uma heresia que considerava o corpo de Cristo como pura aparência, negando a humanidade de Cristo, rejeitava o mistério da Encarnação, e, por conseguinte, toda a sua obra redentora realizada por sua morte na cruz. Esta heresia foi definitivamente condenada pelo concílio de Calcedônia.
Na eclesiologia católica, o fundamento da unidade da Igreja é Cristo, que é tanto espírito e carne. Estamos unidos a Cristo por estarmos unidos a Seu Corpo Místico, por meio do sacramento do batismo. Estamos ainda mais profundamente unidos a Cristo e à Igreja através dos sacramentos da Confirmação e da Eucaristia. Um ato de cisma separa a pessoa da Igreja, e, portanto, de Cristo, porque a Igreja é próprio Corpo Místico de Cristo.
O catolicismo é sacramental, na medida em que procura o espiritual através do material, do mesmo modo como conhecemos a natureza divina de Cristo somente através de Sua natureza humana. Nós não tentamos ignorar o material, como no gnosticismo, tentando aqui nesta vida contornar o sacramental e ver diretamente a natureza divina ou tomar o ponto de vista divino, porque está presentemente além de nós como criaturas materiais. Se quisermos saber sobre o nosso estado no céu, nos questionamos sobre nosso estado no Seu Corpo Místico aqui na Terra. Este sentido Terra-Céu da epistemologia da fé é visto na bíblia, por exemplo, quando Jesus diz aos Apóstolos: “Tudo o que ligares na terra será ligado no céu” O visível e o invisível estão unidos por causa da encarnação, de modo que o que é feito para a carne de Cristo é feito à Pessoa de Cristo. É precisamente por isso que excomunhão “tem dentes”, pois ela realmente corta uma pessoa fora de Cristo.
Considere a posição protestante, segundo a qual todos os cristãos são igualmente unidos a Cristo pela fé, e, portanto, são igualmente unidos à Igreja. Nós descrevemos esta posição no post anterior (link acima) como o modelo “almofada de alfinetes”. De acordo com essa noção de Igreja, a cisma não prejudica a unidade de todos os cristãos, ela fere apenas a manifestação exterior da nossa unidade espiritual, que do contrário segue intacta. Esta é uma noção desmaterializada (ou seja, é uma noção espiritualizada) de eclesiologia que neste respeito é ambas gnóstica e docética. Uma vez que o Cristo encarnado é tanto espírito quanto carne, a unidade visível do Seu Corpo Místico não é meramente uma “expressão externa” da verdadeira unidade espiritual e invisível da Igreja, assim como a união sexual de um casal não é meramente uma expressão física do unidade espiritual de marido e mulher. A união sexual realmente deve ser uma expressão corporal de uma união espiritual. Mas a união sexual não é apenas uma expressão externa de unidade espiritual; ela própria é uma verdadeira união de marido e mulher. Da mesma forma, a unidade visível da Igreja (incluindo a unidade hierárquica) é uma unidade real do Corpo Místico, não apenas uma expressão externa da unidade real que é espiritual e invisível.
A raiz do problema aqui é uma espécie de dualismo que trata o espiritual como de fato real, e o material como um mero contexto para a expressão do espiritual. Isso reduz o Corpo Místico a um espírito tendo alguns membros visíveis, uma almofada de alfinetes invisível com alguns alfinetes visíveis. Onde quer que o cisma é tratada como não separador de uma pessoa (até certo ponto) de Cristo, a Igreja está sendo tratada como fundamental e intrinsecamente invisível, com alguns membros visíveis. Negar a unidade essencial da hierarquia visível, é tratar o Corpo Místico de Cristo como se ele não fosse, na verdade, e, essencialmente, um Corpo, porque a unidade hierárquica visível é essencial e intrínseca a um corpo. Se um corpo deixa de ser visível hierarquicamente, ela deixa de ser. É por isso que um ser humano não pode sobreviver a desintegração de seu corpo. Então, se a unidade visível é apenas acidental a alguma coisa, essa coisa não é um corpo vivo; isto é, no máximo, apenas a aparência de um corpo. Assim, aqueles que afirmam que o Corpo Místico de Cristo é uma forma invisível e visivelmente divididos estão tratando o Corpo de Cristo como se fosse meramente um corpo aparente, não um corpo real. É por isso que esta posição é justamente descrita como docetismo, porque docetismo é a heresia que alegou que Cristo só apareceu para ser um homem.

B. Como é o Docetismo na prática?

A espiritualidade e visibilidade da Igreja não são mais opostas do que a alma e o corpo de um homem, ou melhor ainda, do que a divindade e humanidade em Cristo. . . . Por ignorar este duplo caráter inseparável da Igreja, o protestantismo, Luterano e Reformado, não conseguiu resistir à tentação de distinguir as duas realidades da Igreja, opondo-as, por um lado, numa igreja evangélica invisível e única, e, por outro, visível, humana e pecadora.
Na prática, o docetismo implica consumismo eclesial, porque elimina a noção de encontrar e submeter-se à Igreja que Cristo fundou. Na mentalidade de docetista, o que se procura, na medida em que se olhe, é uma comunidade de pessoas que compartilham de sua própria interpretação das Escrituras. No docetismo a identidade da Igreja não é determinada pela forma e matéria, mas pela forma apenas. Que forma? A forma de uma interpretação própria da Escritura. Isso revela por que existem tantas denominações protestantes diferentes, centros de adoração, e comunidades eclesiais, nenhum deles compartilhando os três laços de unidade com qualquer um dos outros.
Assim como o efeito prático de docetismo é um Cristo de nossa própria fabricação, desconectado do Cristo histórico de carne e sangue, de modo que o efeito prático de docetismo é uma Igreja feita à imagem da nossa própria interpretação, desligada da Igreja histórica.
Isto é expresso doutrinariamente como uma negação da materialidade ou sacramentalidade da sucessão apostólica. O Docetismo redefine a a realidade da “sucessão apostólica”, como a preservação da forma, ou seja, a preservação da doutrina dos apóstolos. Mas sem o componente de material de sucessão apostólica, o indivíduo se torna o árbitro interpretativo final do que a doutrina apostólica vem a ser. E assim, a ‘igreja-shopping’ começa a existir. E onde há uma grande variação de demanda, uma grande variação de oferta surge. A “Igreja” é reduzida a uma empresa orientada para o consumidor, com base na própria percepção interna de cada pessoa de suas próprias necessidades espirituais e como os concorrentes organizações, instituições ou comunidades atender a essas necessidades. Isso transforma “igreja” em algo egocêntrico ao invés de centrada em Deus.
Outro efeito necessário de docetismo é a apatia em relação às divisões visíveis entre os cristãos, comunidades e denominações. Se a unidade da Igreja é espiritual, na medida em que cada cristão é invisivelmente unido a Cristo pela fé, então preservar a unidade visível é supérfluo, e até mesmo presunçoso em sua tentativa de ‘superar’ a Cristo. Se não houver essencialmente hierarquia visível unificada, em seguida, enquanto pode haver algumas razões pragmáticas para a cooperação ecumênica, como existem no seio dos partidos políticos, não pode haver mandato divino de que não haja cismas entre nós. O docetismo redefine o termo “Igreja” para se referir a uma entidade invisível em que todos os crentes são perfeitamente unidos, não importa a que visível instituição (se houver) pertencer o crente atualmente.
Aqui reside um ponto digno de nota. O Docetismo conceitualmente elimina a própria possibilidade de cisma. Fá-lo não por conciliar as partes separadas, mas ao redefinir unidade como algo meramente espiritual, e a de-materialização do cisma como algo invisível e espiritual, ou seja, apenas uma deficiência na caridade. O Docetismo trata divisões visíveis de hierarquias separadas como ramos e nega a pecaminosidade do cisma, não abertamente ou explicitamente, mas por definição e, portanto, sub-repticiamente (fraudulentamente). Ele classifica o que é realmente mal (ou seja, o cisma) como inócuo, e até bom. Ele esconde dos cristãos cismáticos seu estado de não estarem em plena comunhão com o Corpo Místico de Cristo, privando-os da plenitude da graça que receberiam em plena comunhão com a Igreja de Cristo.
Este post é uma continuação do texto postado anteriormente neste blog sob encontrado aqui. Na parte final deste post, tratarei do seguinte tema:
IV. O que a Igreja Católica ensina sobre a visibilidade da Igreja
A. Igreja Hierarquia e Unidade
Este post é uma adaptação do Blog Ecclesia Militans da obra deBrian Cross em Called to Communion Reformation meets Rome.
 
Fonte Eletrôncia;
 

Mais uma resposta católica à um equívoco grave dos evangélicos contra a Nossa Senhora



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Maria pecou, porque Romanos 3:23 diz:  “Todos pecaram e carecem da glória de Deus.”  A primeira carta de  João 1:8 acrescenta:
“Se alguém diz que não tem pecado é mentiroso e a verdade não está nele”. Estes textos não poderiam ser mais clarospara milhões de protestantes, será que os Católicos não percebem isso? Como alguém poderia acreditar que Maria estava livre de todo pecado à luz dessas passagens da Escritura, ainda mais quando a própria Maria disse: “A minha alma se alegra em Deus, meu Salvador em Lucas 1:47 . Maria compreendia claramente ser uma pecadora e admite precisar de um salvador!!

A resposta católica

Muitos protestantes ficariam surpresos ao descobrirem que a Igreja Católica, na verdade, afirma que Maria foi “salva”. De fato, Maria precisava de um salvador como qualquer outro mortal! No entanto, Maria foi “salva” do pecado de uma forma mais sublime. Ela foi dada a graça de ser “salva” completamente do pecado, para que nunca cometesse a menor transgressão. Os evengélicos tendem a enfatizar a “salvação”  quase que exclusivamente como o perdão dos pecados já cometidos. No entanto, a Sagrada Escritura indica que a salvação também pode se referir ao homem  no sentido de protegê-lo do pecado antes do fato :
Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos irrepreensíveis diante da presença de sua glória, com alegria, ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo nosso Senhor, glória, majestade , domínio e poder, antes de todos os tempos e agora e para sempre. (Judas 24-25)
Seiscentos anos atrás, o grande teólogo franciscano Duns Scotus explicou que a queda em pecado poderia ser comparada a um homem se aproximando inadvertidamente à uma vala profunda. Se ele cai na vala, ele precisa de alguém para baixar uma corda e salvá-lo. Mas se alguém avisá-lo do perigo à frente, impedindo-o de cair na vala, ele seria salvo de cair em primeiro lugar. Da mesma forma, Maria foi salva do pecado, recebendo a graça de ser preservada dele. Mas ainda assim, foi salva.

Todos pecaram, exceto . . .

Mas o que dizer das passagens “todos pecaram ” ( Rom. 3:23 ), e “se alguém diz que não tem pecado é mentiroso e a verdade não está nele ” (1 João 1:8 ) ? Não seria “todo” e “qualquer homem” incluindo Maria? Em princípio, isso soa razoável e parece lógico. Mas esta maneira de pensar, levada à sua conclusão lógica, significaria incluir TODOS, inclusive um recém-nascido inocente, como parte desse “todos”. Nenhum cristão fiel ousaria dizer isso. No entanto, nenhum cristão pode negar a clareza dos textos da Escritura afirmando a plena humanidade de Cristo. Assim, tomar 1 João 1:8 em um sentido estrito, literal, seria aplicar “qualquer homem” também a Jesus, porque o texto diz TODOS, não diz: TODOS, exceto Jesus.
A verdade é que Jesus Cristo foi uma exceção a Romanos 3,23 e 1 João 1,8. E a Bíblia nos diz isso em Hebreus 4,15 – “Cristo foi tentado em todos os pontos como nós somos e ainda assim ele estava sem pecado”. A questão agora é: Existem outras exceções a esta regra? Sim, provavelmente muitas delas.
Tanto Romanos 3,23 e 1 João 1,8 lidam com pecado pessoal ao invés de pecado original. (Romanos 5 trata de pecado original). E há duas exceções a essa norma bíblica em geral. Mas, por agora, vamos simplesmente lidar com Romanos 3,23 e 1 João 1,8. Primeiro a Carta de João 1,8, obviamente, refere-se ao pecado pessoal porque, no próximo verso, João nos diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados … “Nós não confessamos o pecado original; confessamos os pecados pessoais.
O contexto de Romanos 3,23 deixa também deixa claro que ele se refere a pecado pessoal:
Não há justo, nem sequer um, ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram de errado, ninguém faz o bem, nem um sequer. As suas garganta são um sepulcro aberto. Eles usam suas línguas para enganar. O veneno  está nos seus lábios. Suas bocas estão cheia de maldição e amargura. (Romanos 3,10-14 )
O pecado original não é algo que fazemos, é algo que herdamos. Romanos capítulo 3 lida com o pecado pessoal, porque fala de pecados cometidos pelo pecador. Com isso em mente, considere o seguinte: Um bebê no útero ou uma criança de dois anos já cometeu um pecado pessoal? Não. Porque para pecar a pessoa tem que saber que o ato que ele está prestes a realizar é pecaminoso, e ao mesmo tempo,  livremente engajar a sua vontade em realizá-lo.  Portanto, sem as faculdades adequadas que lhes permitam o pecado, as crianças antes de alcançarem a idade da responsabilidade  e da razão, bem como quem não tem o uso de seu intelecto, e não pode pecar. Assim, existem e existiram milhões de exceções a Romanos 3,23 e 1 João 1,8!!!
Mas então podemos com isso concluir que a Bíblia mentiu ou errou? Claro que não, o mais provável é que a interpretação protestante, essa sim esteja em erro!! Para negar isso o protestante deve necessariamente afirmar que um bebezinho recém-nascido está incluído na palavra TODOS pecaram!
Mesmo assim, como sabemos que Maria é uma exceção à norma do “todos pecaram” ? E mais importante, há apoio bíblico para essa afirmação? Sim, há muito apoio bíblico!

O nome já diz tudo

E [o anjo Gabriel ] veio à [ Maria ] e disse: “Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo ! ” Mas ela ficou perturbada com a palavra, e considerado-as em sua mente que tipo de saudação seria essa. E o anjo disse-lhe: “Não temas, Maria, pois achaste graça diante de Deus.” (Lucas 1:28-30 )
Muitos protestantes insistirão que este texto não passa de uma saudação comum do Arcanjo Gabriel a Maria.” O que isso tem a ver com Maria não ter pecado? “No entanto, a verdade é que, de acordo com a própria Maria , esta não era uma saudação comum. O texto revela que Maria ficou “muito perturbada com o dito e considerou em sua mente que tipo de saudação seria essa” (Lucas 1:29 , ênfase adicionada) . O que havia nesta saudação que era tão incomum para Maria reagir desta maneira? Podemos considerar pelo menos dois aspectos chaves:
Primeiro, de acordo com os estudiosos bíblicos (bem como o Papa João Paulo II) , o anjo fez mais do que simplesmente cumprimentar Maria. O anjo realmente comunicou um novo nome ou título a ela. ( cf. Redemptoris Mater, 8, 9). Em grego, a saudação foi Kaire, kekaritomene, ou seja, “Ave, cheia de graça”. Geralmente, quando alguém é saudado com Kaire (Salve), um nome ou título é adicionado no contexto imediato. “Salve, rei dos judeus” em João 19,03 e “Claudias Lysias, a Sua Excelência o governador Felix, Salve” (Atos 23,26 ) são dois exemplos bíblicos deste fato. O fato de que o anjo substitui o nome de Maria na saudação por “Kekaritomene” ou “cheia de graça” não foi nada comum. Isso seria análogo a alguém, por exemplo,  ao falar a um técnico em computação, por exemplo, dizer: “Olá, Aquele Que Conserta Computadores.” Na cultura hebraica, nomes e mudanças de nome nos dizem algo permanente sobre o caráter e a vocação e do chamado daquele indivíduo.
Apenas para ilustrar a importância deste ponto, vamos recordar as mudanças de nome de Abrão para Abraão ( de “pai ” para ” pai das multidões”) em Gênesis 17,05, de Saray para Sara ( “minha princesa” para “princesa” ), em Gênesis 17,15 e Jacó para Israel (“suplantador” para “ele que prevalece com Deus” ) em Gênesis 32,28. O nome na era Bíblica, principalmente na cultura Hebraica, era algo seríssimo, escolhido com critério e grande seriedade. Portanto, não se deixe levar pela frivolidade dos nossos tempos ao olhar para temas da Bíblia, isso é um grande erro cometido por amadores ao estudarem as escrituras.
Em cada caso, os nomes revelam algo permanente sobre o nomeado. Abraão e Sara transição de ser um “pai” e “princesa” de uma família para serem “pai” e “princesa” ou ” mãe” de todo o povo de Deus (cf. Rom 4:1-18 , é 51. . : 1-2). Eles se tornam patriarca e matriarca do povo de Deus para sempre. Jacó para Israel se torna patriarca cujo nome, “ele que prevalece com Deus”, continua para sempre na Igreja, que é chamada de “o Israel de Deus” (Gl 6:16) . O povo de Deus sempre vai ” mprevalecer com Deus” na figura do patriarca Jacó. Pedro, antes Simão, recebeu um nome Cephas (Petrus – Pedro), tornando-se a pedra. etc…

O que há em um nome ? Segundo as Escrituras, muito.

São Lucas usa o particípio passivo perfeito, kekaritomene, como o seu “nome” para Maria. Esta palavra significa literalmente “aquela que foi agraciada” em um sentido completo.  Este adjetivo verbal, “agraciada “, não está apenas descrevendo uma ação simples passada. O Grego tem outra conjugação para convir esse sentido. O tempo perfeito é usado para indicar que uma ação foi concluída no passado, resultando em um estado atual de ser. “Cheia de graça” é o nome de Maria. Então, o que isso nos diz sobre Maria ?  Bem, o cristão comum não é pleno em graça e em um sentido permanente (ver Phil 3,8-12). Mas de acordo com o anjo, Maria é. Você e eu pecamos , não por causa da graça, mas por causa de uma falta de graça, ou a falta de nossa cooperação com a graça, em nossas vidas.  Esta saudação do anjo é uma indicação para o caráter e o chamado único da Mãe de Deus. Só à Maria é dado o nome de “cheia de graça” e no tempo verbal perfeito, indicando que este estado permanente de Maria foi concluído.

Arca da (Nova) Aliança

A Arca do Antigo Testamento da Aliança era um verdadeiro ícone do sagrado. Porque continha a presença de Deus simbolizada por três ‘tipos’ (ou tipologia) da vinda do Messias – o maná, os Dez Mandamentos, o cajado de Aarão, que tinha que ser pura e intocada pelo homem pecador (ver 2 Sam. 6,1-9 e Ex. 25,10 ss; Num 4,15).
No Novo Testamento, a nova Arca não é um objeto inanimado, mas uma pessoa: a Mãe de Deus. Quão mais pura seria a nova Arca, quando consideramos que a velha arca era uma mera “sombra ou prefiguração” em relação à nova (ver Hb 10, 01 )? Esta imagem de Maria como a Arca da Aliança é um indicador de que Maria seria oportunamente livre de todo contágio do pecado para ser um vaso digno de levar Deus em seu ventre. E o mais importante , assim como a Arca da Antiga Aliança foi preservada desde o momento em que foi construída, com instruções divinas explícitas em Êxodo 25 , do mesmo modo Maria foi pura a partir do momento de sua concepção. Deus, em certo sentido, preparou sua própria moradia, tanto no Antigo como no Novo Testamento .
A Arca da Aliança continha três “tipologias” de Jesus dentro de si: o maná , o cajado de Arão, e os Dez Mandamentos. Em hebraico, mandamento (dabar ) pode ser traduzido como “palavra”. Compare: Maria carregou a realização de todos esses tipos em seu corpo. Jesus é o “verdadeiro [ maná ] que vem do céu ” (João 6,32) , o verdadeiro “sumo sacerdote” (Hb 3,1) , e ” a palavra que se fez carne ” (João 1:14) .
A nuvem de glória (hebraico Anan) foi representativa do Espírito Santo, e ” ofuscou ” a Arca quando Moisés a consagrou em Ex . 40, 32-33. A palavra grega para “ofuscar ou encobrir” encontrada na Septuaginta é uma forma do termo episkiasei. Compare: “O Espírito Santo virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te encobrirá, por isso a criança que vai nascer será chamado santo, Filho de Deus” (Lucas 1:35 ) . A palavra grega para “ofuscar ou encobrir” é episkiasei.  David “pulou e dançou” perante a Arca quando estava sendo levada para Jerusalém em procissão em 2 Sam . 6,14-16. Compare: Assim que Isabel ouviu o som de saudação de Maria, João Batista “pulou de alegria” em seu ventre (cf. Lc 1,41-44 ) .
Após a manifestação do poder de Deus trabalhando através da Arca, David exclama: “Como é que a Arca do Senhor, vem a mim ? ” Compare: Depois da revelação de Isabel sobre a verdadeira vocação de Maria, que estava carregando Deus em seu ventre, Isabel exclama: “Por que me é dado, que a mãe do meu Senhor venha me visitar ? ” (Lucas 1:43)
A Arca do Senhor “permaneceu na casa de Obede-Edom … por três meses “em 2 Samuel 6,11 . Compare: “Maria permaneceu com [ Isabel ] por cerca de três meses” ( Lucas 1:56 ) .

O Novo

É importante para nos lembrarmos que as realizações da Nova Aliança são sempre mais gloriosas e mais perfeitas do que as ‘tipologias’ do Antigo Testamento, que são ” apenas uma sombra das boas coisas por vir” na Nova Aliança (Hb 10,1). Com isto em mente , vamos considerar a revelação de Maria como a “Nova Eva “. Após a queda de Adão e Eva em Gênesis 3 , Deus prometeu o advento de uma outra “mulher ” em Gênesis 3:15 , ou uma “Nova Eva” que iria se opor à Lúcifer, e cuja “semente” iria esmagar a cabeça dele. Esta “mulher” e “a semente” iriam reverter a maldição, por assim dizer, que o “homem” original e “mulher” trouxeram à humanidade através de sua desobediência.
É mais importante aqui notar “Adão” e “Eva ” são revelados simplesmente como “homem ” e “mulher” antes do nome da mulher ser mudado para “Eva” ( hebraico, “mãe dos viventes ” ) depois da queda ( veja Gn 2,21 ss). Quando, em seguida, olhamos para a Nova Aliança, Jesus é explicitamente chamado de co “último Adão”, ou o “Novo Adão” em 1 Coríntios. 15,45. E o próprio Jesus indica que Maria é a profética “mulher ” ou ” Nova Eva” de Gênesis 3,15 , quando ele se refere à sua mãe como “mulher” em João 2,4 e 19,26. Além disso, São João refere-se à Maria como “mulher ” oito vezes em Apocalipse 12. Assim
como a primeira Eva trouxe a morte a todos os seus filhos através da desobediência ao ouvir as palavras da antiga serpente, o diabo, a “Nova Eva” do Apocalipse 12 traz vida e salvação a todos os seus filhos através de sua obediência. A mesma “serpente” que enganou a mulher original do Genesis é revelada, em Apocalipse 12, ao falhar em sua tentativa de superar esta nova mulher. A Nova Eva vence a serpente e, como resultado , “A serpente zanga-se com a mulher, e faz guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus, e dão testemunho de Jesus” (Ap . 12:17) .
Se Maria é a nova Eva e as realizações do Novo Testamento são sempre mais gloriosas do que as que as antecedem no Antigo Testamento, seria impensável que Maria fosse concebida em pecado. Se não o fosse assim, ela seria inferior a Eva, a qual foi criada em um estado perfeito, livre de todo pecado.
 
Fonte Eletrônica;
 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Afinal, por que os evangélicos não encontram a palavra papa na Bíblia ?

    
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S. Pedro – o Primeiro Papa e as Chaves do Reino de Deus
Apologética relâmpago – Dentre as muitas acusações feitas contra a Igreja Católica está a de que, em nenhum momento, a Bíblia faz referência à palavra “Papa”. Sendo o pontificado, portanto, uma mera invenção da Igreja Católica.
Antes de fazer uma investigação dos textos bíblicos, proponho, entretanto, uma breve explicação do significa a palavra papa. Comum à vários idiomas de origem latina, o termo tem sua origem no latim eclesiástico, que derivou seu significado do grego “papas“,  que quer dizer bispo ou patriarca, originada da palavra também grega  “pappas“, ou seja, pai. Assim, no contexto do uso católico a palavra papa conota a noção de pai espiritual. Sentido esse que, por sua vez, reflete exatamente o papel do pontífice em sua missão de liderar a Igreja de Cristo enquanto Seu vigário na terra, e apacentar as ovelhas do rebanho do Senhor.
Esclarecido este conceito, não fica difícil encontrar na Bíblia inúmeras referências dos Santos Apóstolos – explícitas ou não – à essa “paternidade espiritual” assumida por eles em suas missões de pregar o santo evangelho.  A mais nítida delas está na frase de S. Paulo:
“Porque ainda que tivessem tido dez mil pessoas a ensinar­-vos sobre Cristo, lembrem­-se que só a mim tiveram como pai espiritual; pois que fui quem vos levou a Cristo quando vos anunciei o evangelho.” – 1 Coríntios 4:15
Além desta, lemos ainda em várias passagem – como nas cartas de S. João – as saudações dirigidas às comunidades de crentes onde os apóstolos, ao se referirem aos cristãos como filhos, automaticamente atribuíam a si um papel paterno em relação àqueles aos quais escreviam. É importante lembrar, contudo, que assim como os apóstolos viam as comunidades cristãs como autenticos filhos espirtuais, os fiéis da recém-nascida Igreja de Cristo viam os santos apóstolos, desde o princípio, como verdadeiros pais espirituais.
Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. 1 João 2:1
Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade.  1 João 3:18
 
Tendo em vista a recusa dos evangélicos de aceitarem o testemunho da história – registrada nos livros e, obviamente, a sagrada tradição apostólica – e que nitidamente atestam para a legítima existência da sucessão apostólica, me abstenho de fazer referência aos escritos patrísticos para comprovar minha argumentação. O argumento católico fica portanto, obrigatoriamente sustentado nas sagradas escritura. E quem, em sã consciência poderia honestamente contestar o que demonstrei acima?
 
Fonte Eletrônica;
 
https://igrejamilitante.wordpress.com/2015/12/12/afinal-por-que-os-evangelicos-nao-encontram-a-palavra-papa-na-biblia/

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Quantos anjos existem?

Existe um anjo para cada pessoa? Ou um só anjo cuida de várias pessoas?


little angel playing violin - detail of cemetery decor, Italy - pt

Ao tratar do tema dos anjos, é muito frequente que surja a pergunta: "Mas quantos anjos existem?". Esta é uma pergunta importante, pois da sua resposta depende a visão que podemos ter do anjo da guarda: se é um para cada pessoa ou, pelo contrário, os anjos são tão reduzidos que, ao invés de haver um anjo para cada ser humano, haveria um anjo para um grupo inteiro de pessoas.

Há quem afirme, recordando a parábola da ovelha perdida (Lc 15, 4), que o número dos anjos seria 99 vezes maior que o número de pessoas.

Outros, pelo contrário, defendem que o número dessas criaturas espirituais seria o mesmo número dos seres humanos ou, pelo menos, o mesmo número de pessoas que no final se encontrarão no céu.

E, claro, não falta quem diga, em clara contradição com a fé e o ensinamento da Igreja, que o número de anjos depende do número de signos do zodíaco. Esta ideia é defendida pela Nova Era e por movimentos esotéricos.

Segundo a Bíblia, o número de anjos é imenso, incalculável. O livro do profeta Daniel fala de "milhares e milhares, dezenas de milhares" (Dn 7, 10).

Igualmente, encontramos outros textos bíblicos que abordam o tema, como o livro de Jó (38, 7), no qual os anjos são comparados com o número das estrelas do céu. Já o profeta Isaías fala do exército celestial (Is 40, 26).

No Novo Testamento, a Carta aos Hebreus volta a falar de "miríades de anjos" (Hb 12, 22).

O apóstolo São João, na visão que tem da Jerusalém celeste, ouve a voz de uma "multidão de anjos" (Ap 5, 11).

Também Jesus Cristo faz alusão ao número dos anjos no momento de ser preso: "Crês tu que não posso invocar meu Pai e ele não me enviaria imediatamente mais de doze legiões de anjos?" (Mt 26, 53). Na época de Jesus, uma legião romana era formada por 6 mil homens.

Estas informações da Sagrada Escritura nos permitem afirmar que o número de anjos é limitado, pois são criaturas, mas mesmo assim é imenso. Precisamente por esta quantidade enorme de anjos, no mundo angelical existe uma ordem, uma hierarquia (da qual trataremos em outro artigo).

Nesta imensidade de seres, o homem está cercado, protegido, guiado e custodiado. Os textos da Bíblia que nos falam do número de anjos não os quantificam, porque os anjos, como criaturas de Deus, protetores das pessoas e da criação, são um presente do Senhor que não pode ser quantificado.

O mundo dos anjos é mais uma expressão do amor de Deus, e isso não se quantifica. Apenas se acolhe com humildade e gratidão.

Há milhões de anjos ao nosso lado, protegendo-nos, mostrando-nos o amor de Deus. Milhões de anjos que abrem suas asas para nos mostrar um amor extremo: o amor de Deus por nós.

Acolhamos com gratidão, com alegria e amor esses companheiros. Unamo-nos a eles e juntos demos graças a Deus pelo seu amor.

http://pt.aleteia.org/2015/08/07/quantos-anjos-existem/

Por que os anjos não são iguais?

Para entender o tema dos anjos é preciso ir às fontes da nossa fé
<a href="http://www.shutterstock.com/pic.mhtml?id=55203718&src=id" target="_blank" />Angel with sudarium</a> © Sootra / Shutterstock

Meu último artigo, "Você sabia que alguns anjos estão mais perto de Deus que outros?", gerou algumas dúvidas e questionamentos entre os leitores. Por isso, dedicarei o presente texto a fazer alguns esclarecimentos sobre o tema. 
1. Questionamentos sobre a origem da hierarquia dos anjos
 
Estes interrogantes são importantes, porque permitem reafirmar a fonte da nossa fé. O estudo dos anjos está dentro do marco domagistério da Igreja.
 
A Bíblia apresenta vários textos que mencionam o coro dos anjos: o Gênesis fala dos querubins (3, 24); o profeta Isaías menciona os serafins (6, 2); São Paulo faz alusão aos tronos, dominações, potestades, principados (Ef 1, 21; Col 1, 16).
 
Além da Bíblia, temos a Tradição da Igreja que, como recordou Bento XVI, é parte essencial da estrutura católica (audiência de 28 de janeiro de 2009). Por isso, é necessário recorrer ao testemunho da Tradição, que é unânime, desde o século VI d.C., ao apresentar uma ordem existente entre os anjos.
 
João Paulo II, em sua catequese de 6 de agosto de 1986, retoma este ensinamento ao afirmar que "os autores antigos e a própria liturgia também falam dos coros angelicais – nove, segundo Dionísio Areopagita".
 
Dionísio Aeropagita, do século VI, escreveu precisamente, em sua obra intitulada "A hierarquia celestial", que "a Escritura cifrou em nove os nomes de todos os seres celestes", e atribui a ordem que ele dá a estes nove "nomes" ao seu mestre, quem "os classificou em três hierarquias de três ordens cada uma" (serafins, querubins, tronos etc.).
 
Mencionei aqui somente Dionísio, mas há vários padres e doutores da Igreja que trataram do tema, como São Gregório Magno, São Boaventura, São Tomás de Aquino e outro que falam da existência de uma ordem angelical.
 
O Catecismo da Igreja também faz alusão a esta existência, ao dizer que "Deus quis a diversidade das suas criaturas e a bondade peculiar de cada uma, sua interdependência e sua ordem" (n. 353).
 
2. O lugar dos anjos dentro desta hierarquia
 
Alguns leitores se surpreenderam ao saber que, dentro da hierarquia, os arcanjos não são os mais elevados ou os superiores. Para compreender a posição de cada um na hierarquia angelical, é preciso recordar que todos eles recebem a luz de Deus, todos contemplam Deus (Mt 18, 10).
 
O lugar que cada um ocupa na hierarquia se deve às suas perfeições espirituais ou à sua missão (cf. Tomás de Aquino, Summa Theologica, q. 108, art. 5). Por esta razão, os arcanjos têm a luz divina, a transmitem, mas não chegam à perfeição de um serafim. Mas isso é belo, ao pensar, por exemplo, que a vitória de São Miguel é a vitória de um pequeno, de alguém do oitavo coro. O triunfo de São Miguel tem muito a nos ensinar sobre a vitória dos pequenos e humildes.
 
3. Significado da ordem angelical (não seria uma discriminação?)
 
O fato de que alguns anjos estejam mais perto de Deus não implica em uma discriminação. Assim como existem inúmeras flores e nem todas podem ser orquídeas ou rosas, e isso manifesta a riqueza que há em Deus, o mesmo acontece com os coros angelicais: eles mostram a beleza e harmonia que existe em Deus.
 
4. A hierarquia angelical e nossa vida de fé
 
Tudo o que vimos anteriormente nos leva a uma meta: Deus. De fato, toda a visão da hierarquia angelical se baseia no fato de os anjos estarem orientados a Deus. Se há três coros, é porque Deus é trino; se há uma ordem, é porque Deus é uno.
 
O centro do mundo dos anjos é Deus. E esta diversidade de seres espirituais está continuamente louvando Deus e, por isso, a hierarquia angelical traz a harmonia e o louvor a Deus.
 
Os anjos nos levam a Deus, e é necessário conhecer sua missão e sua tarefa. É preciso conhecer que tipo de ajuda nos dá cada anjo, cada ordem, pois, como ensina São Boaventura: "Se elevássemos nossa mente a esta hierarquia que nos oferece tudo o que Deus quer dar, não seríamos pobres. Se houvesse algum pobre, e alguém lhe oferecesse todos os bens, ele seria muito bobo se não lhe abrisse a porta. Os anjos nos dizem: ‘Recebam nossos exemplos, serviços e ministérios’; e nós somos grosseiros, porque fechamos nossas portas à sua influência".

Santo do Dia / Comemoração (COMEMORAÇÃO DOS FALECIDOS)

A Igreja, guardiã e intérprete da divina Revelação, ensina que todos os que morrem na graça de Deus e entram na vida eterna não rompem suas relações com os irmãos que sobrevivem: vivos e mortos, santificados pelo mesmo Espírito, formam o Corpo Místico de Cristo, a Igreja. 

Igreja triunfante, celebrada no dia anterior a este, com a solenidade de Todos os Santos; Igreja militante, peregrina sobre a terra, a caminho do Reino prometido por Cristo aos redimidos; e Igreja da purificação, um estado intermediário, temporário, que tem seu fundamento na Revelação. 

São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, para esclarecer essa verdade, usa a imagem de um edifício em construção: entre os operários há aquele que faz um trabalho cuidadoso, perfeito e usa bom material; e há o que, pelo contrário, ao bom material mistura madeira ou palha. Houve tempo em que as casas dos pobres tinham telhado de palha sustentado por frágeis traves. Na metáfora paulina, aquela madeira ordinária e aquela palha são a vanglória e o pouco zelo no serviço do Senhor. Na hora da verificação, acrescenta são Paulo, isto é, na prova do fogo, a palha desaparecerá, mas “se a obra construída [...] subsistir, o operário receberá uma recompensa. Aquele, porém, cuja obra for queimada perderá a recompensa. Ele mesmo, entretanto, será salvo, mas como que através do fogo”. 

A estas almas, imersas na chama purificadora à espera da plena bem-aventurança celeste, a Igreja dedica neste dia uma recordação particular, para soldar com a caridade do sufrágio aqueles vínculos de amor que ligam vivos e mortos na mística união com Cristo. Em 1915, Bento XV estendeu a todos os sacerdotes o privilégio — concedido em 1748 apenas à Espanha — de celebrarem três missas em sufrágio dos mortos. 

Na liturgia de hoje, a Igreja condensa em três palavras a resposta à interrogação sobre a “vida além da vida”: vita mutatur, non tollitur, a vida continua. São as palavras de Jesus: “Eu sou a ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E quem vive e crê em mim, jamais morrerá” (Jo 11,25-26). E, sempre no evangelho de João (6,54.58), Jesus insiste na mesma verdade consoladora: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia... Este é o pão que desceu do céu. Ele não é como o que os pais comeram e pereceram; quem come este pão viverá eternamente...” 

“Nós cremos que o Verbo de Deus Pai, que é a vida por natureza, tendo-se unido ao corpo animado de uma alma racional, gerado pela Virgem Santa, tenha-o tornado vivificante, com esta inefável e misteriosa união, para que, fazendo-nos participar dele, espiritual e corporalmente (por meio da eucaristia), eleve-nos acima da corrupção (são Cirilo de Alexandria, Ad. Nestor. 4,5).