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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Ex-evangélico explica porque retornou ao Catolicismo

Testemunho de A. Silva Originalmente publicado por Voz da Igreja
Eu, que por muitos anos frequentei igrejas evangélicas de diversas denominações, e por muito tempo fui enganado e explorado pelos seus pastores, dedico este testemunho a todos aqueles que se declaram “ex-católicos”, sem nunca terem sido católicos de fato, mas sobem aos púlpitos protestantes “evangélicos”, que eles, por pura ignorância, chamam de “altar” – se não há sacrifício não é e nem pode ser altar: só existe Altar na Igreja Católica –  para induzirem ao erro seus irmãos mais ingênuos.
 
Não creio que um dia tenham sido católicos os que depõem seus falsos testemunhos dizendo que encontraram a salvação em alguma “igreja evangélica”, porque os verdadeiros católicos já encontraram Jesus e a Salvação na Igreja que Ele mesmo nos deu, e não podem abandonar a Comunhão com Deus, seu Criador e Salvador, a não ser que nunca tenham comungado, de fato, com o Senhor Jesus Cristo.
 
 
Enumero abaixo algumas das razões porque deixei o protestantismo e retornei à primeira e única Igreja de Jesus Cristo.
 
1) O princípio “só a Bíblia” (Sola Scriptura)
 
 
Nada mais falso do que esse princípio. Os cristãos do primeiro século não dispunham de Bíblia. E nem os cristãos dos séculos seguintes. Na verdade, os cristãos só puderam contar com a Bíblia para consulta, como hoje, muitos anos depois da invenção da imprensa, que só aconteceu no ano de 1455. Então, será que o Senhor Jesus esperaria quase um milênio e meio para revelar sua verdadeira doutrina para o mundo? Se assim fosse, Ele teria mentido, pois disse antes de partir para o martírio que estaria com a sua Igreja até o fim do mundo (conf. Mateus 28, 19-20).
 
Além disso, para que a Bíblia fosse a única fonte de revelação, seria no mínimo necessário que ela mesmo se proclamasse assim; e não é o caso, pelo contrário. A Bíblia diz que a Igreja é a coluna e o sustentáculo da verdade (1 Tim 3, 15), e não as Escrituras. Nela, Jesus Cristo diz ainda: “Vocês examinam as Escrituras, buscando nelas a vida eterna. Pois elas testemunham de Mim, e vocês não querem vir a Mim, para que tenham a Vida!”(João 5, 39-40).
 
Sim, a Bíblia diz que as Escrituras são ÚTEIS para instruir, mas nunca diz, em versículo algum, que somenteas Escrituras instruem, ou que só o que as Escrituras dizem é que vale como base para a fé. Isso é uma invenção humana sem nenhum fundamento. E a Bíblia também diz que devemos guardar a Tradição (conf. 2 Tessalonicenses 2, 15 e 2 Tessalonicenses 3, 6, entre outros).
 
 
Contrariando a Bíblia, os “evangélicos” rejeitam a Tradição
 
 
2) O princípio “Só a fé salva”
 
 
A mesma Bíblia ensina que a fé sem obras é morta, na Epístola de Tiago (2, 14-26). A mesma Bíblia ensina que o cristão deve perseverar até o fim para ser salvo (Mt 24, 13). E ainda acrescenta que seremos julgados,todos, por nossas ações boas ou más. Existem várias passagens que dão conta de um julgamento futuro e, sendo assim, é falso que alguém aqui na terra já esteja salvo só porque “aceitou Jesus”. Não basta ir à frente de uma assembleia e dizer “Aceito Jesus como meu Senhor e Salvador” para ganhar o Céu. Não, não. É preciso muito mais do que isso. Conversão não é da boca para fora: é preciso que cada um tome a sua cruz e siga o Senhor, que, aliás, nunca prometeu prosperidade para quem o seguisse.
 
Portanto, é totalmente mentirosa a afirmação de que basta ter fé para ser salvo. Ora, os demônios também creem (Tiago 2, 19)…
 
 
3) Lutero
 
 
Foi Martinho Lutero quem começou com as “igrejas” protestantes, que deram origem às “igrejas evangélicas” de hoje. Mas o que ele pensava é seguido apenas em parte pelos “evangélicos” de hoje. Eles seguem somente os princípios “Só a Bíblia” e “Só a Fé”. Embora Lutero seja o fundador de todas as igrejas evangélicas que existem hoje, por que não são todos luteranos? Na verdade, isso seria bem menos pior…
 
Por outro lado, se reconhecem que Lutero é um homem falível, como é possível a um “evangélico” ter tanta certeza de que os princípios que ele inventou sejam dignos de confiança absoluta? Mais do que o que ensina a única Igreja que tem 2.000 anos e foi instituída diretamente por Jesus Cristo?
 
Mais: o próprio Lutero contestou o Papa e decretou que não se deve confiar num sacerdote. Mas ele mesmo era um ex-sacerdote católico. Então, se ele mesmo se descarta como pessoa confiável, quem é tolo o suficiente para dar crédito ao que ele disse ou escreveu?
 
 
4) Subjetivismo religioso I
 
 
Uma denominação evangélica não é igual a outra em matéria de fé. Isso é fato pois:
Umas batizam crianças, outras não;
Umas admitem o divórcio, outras o repudiam;
Umas aceitam mulheres como “pastoras”, outras não;
Umas praticam a “santa ceia”, outras não;
Umas ensinam que devemos guardar o sábado, outras não;
Algumas ensinam a teologia da prosperidade, outras a repudiam;
 
Por aí vai… Tem “bispo evangélico” por aí defendendo até o aborto, só porque a Igreja Católica é (claro) contra! É comum ouvirmos frases como estas: “Nesta ‘igreja’ está o verdadeiro caminho”, ou “Deus levantou este ministério” ou ainda “a tua vitória está aqui”. Mais comum ainda é os “pastores” dizerem que as igrejas deles são “ungidas”… Ora, se todas essas igrejas ditas “evangélicas” são tão diferentes entre si, e a Verdade é uma só, como é possível um “evangélico” ter certeza que está na caminho certo, ou que o seu “pastor” está pregando a “Verdade”, se existem tantos outros “pastores” (que também dizem seguir a Bíblia e afirmam que são “ungidos”) que discordam dele?
 
 
5) Subjetivismo religioso II
 
 
Cada “crente” pode interpretar a Bíblia do jeito que quiser, segundo a tese protestante de Lutero. Mas todos nós sabemos que um “crente” não concorda com outro em todas as coisas. Muitas vezes divergem entre si mais do que convergem. Se cada qual interpreta a Bíblia do seu jeito, e nem poderia ser diferente, então, como é possível um “evangélico” ter a certeza de que está certo na sua interpretação? E por quê, meu Deus, por quê apenas a interpretação da Igreja Católica é que está totalmente errada, em tudo? Essa é a mais cruel de todas as incoerências das “igrejas” ditas “evangélicas”: praticamente todas elas se reservam o direito de criticar umas às outras, mas todas são unânimes em criticar a Igreja Católica! O mais incrível é não percebem que, agindo assim, estão cumprindo as profecias bíblicas do próprio Senhor Jesus Cristo: “Sereis odiados de todos por causa do meu Nome” (Lucas 21, 17); “Bem aventurados sereis quando, mentindo, disserem toda espécie de mal contra vós, por amor ao meu Nome” (Mateus 5, 11-12)…
 
Os pastores se ajoelham e se prostram diante de réplicas da Arca da Antiga Aliança, mas eles não chamam esses pastores de “idólatras”. Só os católicos são chamados assim. Eles idolatram até lencinhos embebidos no suor de alguns pastores mas não acham que isso é idolatria… Em algumas denominações, acontece a distribuição de lembrancinhas, sabonetinhos para espantar “olho gordo”, vidrinhos de óleo “ungido”, “rosas consagradas”, etc, etc… Mas nada disso, para eles, é idolatria. Somente os católicos é que são idólatras. Todos pensam assim, porque todos sofreram a mesma lavagem cerebral, que é muito difícil de reverter.
 
 
6) Subjetivismo religioso III
 
 
A interpretação pessoal da Bíblia por cada “crente” e “pastor” afronta claramente a Bíblia. De acordo com a santa Palavra de Deus, interpretação alguma é de caráter individual. Examinar a Bíblia não é o mesmo queinterpretá-la. Posso examinar uma pessoa e lhe informar que encontrei uma mancha na sua pele. Mas o diagnóstico deve ser feito pelo médico, e não por mim, que sou leigo.
 
 
7) “Igreja não importa” e “igreja não salva”…
 
 
Todo “crente” diz em alto e bom som: “Igreja não salva ninguém”.Ora, se igreja não salva ninguém e cada um pode interpretar a Bíblia pessoalmente, para quê frequentar alguma denominação? Quando ocorre algum escândalo envolvendo algum “pastor”, o crente também diz: “Olha para Jesus e não para o pregador”. Mas se o pregador ensina tolices e princípios contrários ao verdadeiro cristianismo, por que eu deveria ouvir o que ele diz? Não é possível “olhar para Jesus” assim. Pelo contrário, isso só vai colocar em risco a minha alma! Se cada crente pode interpretar pessoalmente a Bíblia, se “igreja” não salva ninguém e o pastor não é confiável (ele é só um homem falível), então por que os “evangélicos” continuam dando tanto crédito aos pregadores?
 
 
8- Evangelização ou PROSELITISMO ?
 
 
E se cada um de fato pode interpretar a Bíblia a partir da sua leitura pessoal, que conta com a assistência do Espírito Santo, por que ao invés de pregar não se imprimem Bíblias e se distribui à população? Ora, se basta ter fé para ser salvo e se cada um pode ser o próprio intérprete da Bíblia, para que servem as denominações, os cultos, os “pastores”, as pregações, livros, CDs e DVDs? Ao invés dos milhões em dízimos e ofertas, que sustentam toda uma estrutura que é desnecessária (afinal todos os que crerem já estão salvos…), por que não reunir esses recursos e construir gráficas e mais gráficas para a impressão de Bíblias e distribuí-las para todos aqueles que não conhecem Jesus?
 
Eu digo porquê: porque os “pastores” se encarregam de passar a sua interpretação pessoal da Bíblia aos ingênuos que os seguem. E essa interpretação é deturpada e não tem nada a ver com a Mensagem original nos Evangelhos. Os “evangélicos” pensam que entendem a Bíblia, mas na verdade tudo o que eles conhecem é a interpretação pessoal deste ou daquele “pastor”.
 
Se nem o pregador é digno de confiança, razão pela qual o crente deve confrontar o seu entendimento pessoal da Palavra com a pregação do palestrante, por que razão alguém deveria dar crédito a um desconhecido que lhe vem falar como porta-voz de Jesus?
 
 
9) Interpretação bíblica
 
 
Agora, se cada um pode interpretar a Bíblia e se todas as interpretações estão corretas, mesmo que sejam todas diferentes entre si, por quê só a interpretação católica está errada? A Bíblia só pode ser interpretada se a pessoa está sob o rótulo de “evangélico”? Nesse caso, o que salva não é a fé, é o rótulo. E se for assim, ao contrário do que eles afirmam, a placa da igreja ou o rótulo de “evangélico” é que salva.
 
Pela visão protestante, milhares e milhares de denominações estão corretas nas suas interpretações bíblicas, mesmo que sejam diferentes entre si. Todas elas estão certas e apenas uma está errada, que seria a Igreja Católica. Justamente a primeira igreja que existiu é que não conta com a assistência do Espírito Santo. Nesse caso, Jesus mentiu quando disse que os portais do inferno não prevaleceriam contra a Igreja (Mat 16, 18) pois o inferno teria triunfado contra a Igreja Católica, e também quando disse que estaria com a sua Igreja até o fim do mundo: ele só se faz presente para quem carrega o rótulo de “evangélico”…
 
 
10) O Pai Nosso
 
 
A oração é bíblica. Foi ensinada pelo Senhor Jesus. O “evangélico” a repudia. Por quê? Para não parecer católico!
O “crente” jura defender a Bíblia, mas é o primeiro a não obedecê-la…
Ele decidiu que não irá recitar o Pai Nosso e fim de papo. E pior. Quem o faz está errado, ainda que esteja obedecendo à Bíblia. O crente se acha melhor do que Jesus. Jesus fez a oração do Pai Nosso, mas o “evangélico” não tem que fazê-la…
 
 
11) Maria
 
 
Isabel, que ficou cheia do Espírito Santo com a visita de Maria, chamou-a de “mãe do meu Senhor”. O crente a chama de “mulher como outra qualquer”…
Isabel, recebeu o Espírito Santo com a chegada de Maria, grávida de Jesus Cristo, Deus Todo-Poderoso. O “evangélico” fica cheio de ira quando se menciona o nome de Maria…
João Batista estremece no ventre de Isabel ao ouvir a voz de Maria. O crente se enfurece quando ouve o nome Maria…
A Bíblia diz que Maria será chamada de bem aventurada por toda as gerações. O crente a chama de mulher pecadora como qualquer outra.
 
O protestante rasga os Textos Sagrados. E jura defender a Bíblia. Seguem o que querem e desprezam o que não lhes interessa!
 
 
12) Confissão
 
A Bíblia é clara: aos Apóstolos foi dado o poder de reter e perdoar pecados (Lucas 20, 21-23). Como é possível reter ou perdoar se alguém não lhes confessa? Desnecessário falar mais a respeito.
 
 
13) Fundação de “igrejas”
 
A Bíblia não faz qualquer referência à milhares de “igrejas” diferentes e separadas, mundo afora. Mas para fundarem suas denominações, os “evangélicos” não fazem questão da tal da base bíblica de que tanto falam. A Bíblia diz que devemos ser um só corpo. Eles fazem o contrário. Dividem-se, subdividem-se, de novo e de novo. Se uma igreja não está agradando, procuram outra mais ao seu gosto, e os mais espertos fundam as suas próprias igrejas, do jeito que acham mais certo (ou do jeito que dá mais lucro, em muitos casos), segundo sua própria interpretação da Bíblia. E todos dizem que estão sendo guiados por Deus. Existe um Deus ou muitos deuses? Se é um só Deus, como tantas igrejas podem ensinar coisas diferentes, e todas estão certas, menos a católica?
 
Eles fragmentam o Corpo e pulverizam a mensagem do Evangelho.
 
Fazem o contrário do que o Senhor ordenou! Basta um crente discordar do outro, – e isso é a coisa mais fácil de acontecer, – que já surge uma nova denominação. Seus líderes podem ter “visões” para fundarem novas denominações. Mas somente as revelações católicas aprovadas pela Santa Igreja é que são refutadas…
 
 
O crente acredita no que deseja. E rejeita tudo que é católico. Sempre dois pesos e duas medidas.
O pastor falou que teve uma visão e todo mundo engole. Nessa hora o “biblicamente” ou “a Palavra de Deus” não tem qualquer importância.
 
Fonte Eletrônica;
 

Fora da Igreja não há salvação – Entenda essa importante doutrina Católica

Igreja, Arca da Salvação
Igreja, Arca da Salvação
Há poucas doutrinas católicas mais controversas e mal-entendidas que a doutrina Extra ecclesiam nulla salus, ou seja, Fora de Igreja não há salvação, uma expressão que vem dos escritos de São Cipriano de Cartago, um bispo do século III em sua carta LXXII, Ad Jubajanum de haereticis baptizandis. O axioma é muitas vezes usado como abreviação para a doutrina que a Igreja é necessária para a salvação. É um dogma da Igreja Católica e das Igrejas Ortodoxas Orientais (e algumas denominações protestantes) em referência a suas próprias comunhões, embora a definição do que constitui a Igreja seja diferente no entendimento católico.
A cerca desta doutrina, citando o Santo católico Agostinho, o Bispo da Igreja Ortodoxa Grega, Kallistos Ware, escreveu:
Salus extra Ecclesiam nulla. Toda a força categórica e ponto deste aforismo está em sua tautologia. Fora da Igreja não há salvação, porque a salvação é a Igreja.” (G. Florovsky, “Sobornost: a catolicidade da Igreja”, na Igreja de Deus, p. 53). Será que, portanto, significa que qualquer pessoa que não esteja visivelmente dentro da Igreja está necessariamente condenada? Claro que não; menos ainda segue-se que todo o que está visivelmente dentro da Igreja está necessariamente salvo. Como Agostinho sabiamente comentou: “Quantas ovelhas há fora, quantos lobos há dentro!” (Homilias sobre João, 45, 12). Enquanto não há uma divisão entre uma “Igreja visível” e uma “Igreja invisível”, ainda pode haver membros da Igreja que não são visivelmente tal, mas cuja associação é conhecida só a Deus. Se alguém é salvo, ele deve, em algum sentido ser um membro da Igreja; em que sentido, não podemos dizer sempre.
As declarações católicas desse ensinamento foram repetidas por inúmeros santos e Padres da igreja através dos séculos desde S. Irineu (morto em 202 dC), S. Origines (morto em 254 dC) e S. Cipriano (morto em 258) à S. Tomas de Aquino (morto em 1254) e o Papa Bonifácio VIII em 1302.
Contudo, antes de propor uma exposição da doutrina, sugiro uma reflexão aos leitores católicos que eventualmente não tenham dado-se conta da importância deste ensinamento. Com o aumento das diversas denominações evangélicas no Brasil, somos mais constantemente assediados pelas inquisitivos membros das igrejas evangélicas à despeito de fé católica. Alguns, por vezes, parecem exigir explicações como se tivéssemos um dever inerente de lhes justificar as doutrinas da fé. Apesar disso, devido às inúmeras distorções, formulam conclusões imprecisas seja porque (i) não conhecem a totalidade dos textos católicos e-ou (ii)  porque descontextualizam seus conteúdos.
A Salvação provém de Jesus, o Caminho
Todos os grupos cristãos aceitam que «toda salvação provém de Cristo (Cf João 14,6). Entretanto, diferentemente do protestantismo, a Igreja Católica historicamente sempre viu a necessidade de explicar os meios pelos quais a salvação é oferecida por Cristo.  Contudo, seria correto afirmar que a fé somente nos basta para a salvação? A própria bíblia nos oferece algumas pistas:
Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. (Marcos 16,16)
Não, digo-vos, antes, se não vos arrependerdes, perecereis todos do mesmo modo. (Lucas 13,3)
Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. (João 6,54)
Nas passagens acima, Jesus indica alguns elementos adicionais igualmente importantes à fé, como também necessários para a salvação; a saber, o batismo, a confissão, a Eucaristia, todos eles administrados ao crente através do Corpo de Cristo, a Igreja. Porém, dois dentre os três sacramentos acima citados, pressupõe necessariamente a participação de um ministro validamente ordenado. O que poderia levar-nos a concluir que o sacramento da ordenação – marca característica da Igreja desde os seus primórdios – também se faça um importante instrumento para a salvação.
A Igreja:
Sacramento Universal da Salvação
O catecismo da Igreja Católica  (774 CIC) afirma a Igreja como “Sacramento Universal da Salvação” e nos explica que “A Igreja é, neste mundo,  o sinal e o instrumento da comunhão de Deus e dos homens.” (780 CIC). Como deve entender-se esta afirmação, tantas vezes repetida pelos Padres da Igreja? Formulada de modo positivo, significa que toda a salvação vem de Cristo-Cabeça pela Igreja que é o seu Corpo” (CIC 846). Percebe-se que há dois elementos importantes na explicação da Igreja: Cristo Salvador e a Igreja pela qual a salvação é dada. A lógica desta doutrina está calcada em verdades bíblicas e tem sido repedidas pelos Padres da Igreja através dos séculos.
O Povo de Deus, A Esposa de Cristo e Templo do Espirito Santo
«Em todos os tempos e em todas as nações foi agradável a Deus aquele que O teme e pratica a justiça. No entanto, aprouve a Deus salvar e santificar os homens não individualmente, excluída qualquer ligação entre eles, mas constituindo-os em povo que O conhecesse na verdade e O servisse na santidade. Foi por isso que escolheu Israel para ser o seu povo, estabeleceu com ele uma aliança e instruiu-o progressivamente manifestando-se a Si mesmo e os desígnios da Sua vontade na história desse povo, e santificando-o para Si. Mas tudo isso aconteceu como preparação da Aliança nova e perfeita, que seria concluída em Cristo […]. Esta nova Aliança instituiu-a Cristo no seu Sangue, chamando um povo, proveniente de judeus e pagãos, a juntar-se na unidade, não segundo a carne, mas no Espírito» (II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 9)
Deste modo, a Igreja é o povo de Deus, ao qual foi conferido um sacerdócio real, da qual se fez uma “nação santa” (1 Pe 2, 9); e vem-se a ser membro deste povo, não pelo nascimento físico, mas pelo «nascimento do Alto», «da água e do Espírito» (Jo 3, 3-5), isto é, pela fé em Cristo e pelo Batismo. Contudo, este povo tem por Cabeça Jesus Cristo (o Ungido, o Messias): porque a mesma unção, o Espírito Santo, flui da Cabeça por todo o Corpo, este é o «povo messiânico».
A missão da Igreja, enquanto povo de Deus, é ser o sal da terra e a luz do mundo. «Constitui para todo o gênero humano o mais forte gérmen de unidade, esperança e salvação e seu destino, finalmente, é «o Reino de Deus, o qual, começado na terra pelo próprio Deus, se deve dilatar cada vez mais, até ser também por Ele consumado no fim dos séculos. Assim, vemos que a própria bíblia associa a Igreja, o povo de Deus, ao Redentor de forma Intima e inseparável, pois a Igreja é o Corpo Místico de Cristo e Comunhão com Jesus.
Uma vez que o Espírito Santo é a unção de Cristo, é Cristo, a Cabeça do corpo, quem O derrama nos seus membros para os alimentar, os curar, os organizar nas suas mútuas funções, os vivificar, os enviar a dar testemunho, os associar à sua oferta ao Pai e à sua intercessão pelo mundo inteiro. É pelos sacramentos da Igreja que Cristo comunica aos membros do seu corpo o seu Espírito Santo e santificador
Christus Totus «A CABEÇA DESTE CORPO É CRISTO» (Cl 1, 18)
Ele é o Princípio da criação e da Redenção. Elevado à glória do Pai, «tem em tudo a primazia» (Cl 1, 18), principalmente sobre a Igreja, por meio da qual estende o seu reinado sobre tudo quanto existe. Cristo e a Igreja são, pois, o «Cristo total» (Christus totus). A Igreja é una com Cristo. Os santos têm desta unidade uma consciência muito viva:
Uma palavra de Santa Joana d’Arc aos seus juízes resume a fé dos santos Doutores e exprime o bom-senso do crente: «De Jesus Cristo e da Igreja eu penso que são um só, e não há que levantar dificuldades a esse respeito»
Na verdade, Santa Joana d’Arc apenas ecoava as palavras Jesus que, ao indagar São Paulo, então Saulo, associa Sua Pessoa à própria Igreja à qual Paulo perseguia; Saulo, Saulo, por que me persegues? (Atos 9:4, ênfase do Blog). Ao invés de, “por que persegues ao meu povo ou àqueles que creem em mim?
O próprio Senhor Se designou como «o Esposo» (Mc 2, 19) (243). E o Apóstolo apresenta a Igreja e cada fiel, membro do seu Corpo, como uma esposa «desposada» com Cristo Senhor, para formar com Ele um só Espírito. Ela é a Esposa imaculada do Cordeiro imaculado (245) que Cristo amou, pela qual Se entregou «para a santificar» (Ef 5, 26)
Visto, assim, a unidade da Igreja com Cristo, podemos refletir sobre a segunda parte da afirmação da Igreja: Salvação POR MEIO da Igreja. Como abordado acima, os sacramentos são os meios ordinários através dos quais Cristo oferece a graça necessária para a salvação, e a Igreja católica que Cristo estabeleceu é o ministro ordinário dos sacramentos, por esse motivo é adequado afirmar que a salvação vem por meio da Igreja.
Isto não é diferente da situação que existia antes do estabelecimento do cristianismo e da Igreja Católica. Mesmo antes de ter sido totalmente revelado que ele era o Messias, o próprio Jesus ensinou que “a salvação vem dos judeus” (Jo 04:22). Ele apontou á mulher de Samaria o corpo de crentes existentes na época, através do qual a salvação seria oferecida à toda a humanidade: os judeus.
Em reconhecimento desta realidade a Igreja, especialmente em tempos de grande conturbações e heresias, foi enfática na maneira pela qual ensinou esta doutrina. Em vez de simplesmente indicar como Deus oferece salvação de Cristo, através da Igreja, ela tem advertido que não há salvação á parte de Cristo, fora de sua Igreja.
A Salvação dos não católicos: Ignorância Invencível
A Igreja reconhece que Deus não condena aqueles que são inocentemente ignorantes da verdade sobre sua oferta de salvação. Em relação à doutrina em questão, o Catecismo da Igreja Católica (citando documento do Vaticano II Lumen gentium, 16) afirma:
«Com efeito, também podem conseguir a salvação eterna aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo e a sua Igreja, no entanto procuram Deus com um coração sincero e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a sua vontade conhecida através do que a consciência lhes dita».
Este ensinamento é consistente com o próprio ensinamento de Jesus sobre aqueles que inocentemente o rejeitam: “Se eu não tivesse vindo e falado a eles, eles não teriam pecado” (Jo 15:22). Assim, a Igreja reconhece que, embora ela seja o sacramento da salvação, aqueles não visívelmente unidos è ela, podem salvar-se. Ela declara também que “ela está unida em muitos aspectos com os baptizados, honrados pelo nome de cristãos, mas que não professam a fé católica em sua totalidade ou não conservam a unidade da comunhão sob o sucessor de Pedro”, e ainda que “aqueles que ainda não receberam o Evangelho estão relacionados com o Povo de Deus de várias maneiras.” [CIC 838-839].
Conclusão
A base para o ensinamento da Igreja é que Jesus Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida; e que ninguém vem ao Pai senão por Ele (Jo 14: 6). Em outras palavras, o fundamento da doutrina da Igreja é que fora de Cristo não há salvação. Mas a Igreja não pára por aí, porque Cristo não parou por aí.
Jesus ensinou enfaticamente que Ele iria estabelecer e construir a Sua Igreja – e não apenas por conveniência, mas também por uma questão de que Seu Corpo iria continuar seu trabalho de salvação do mundo depois de sua ascensão ao céu. São Paulo explica esta doutrina ao proclamar que a Igreja é nada menos que o Corpo de Cristo, e Jesus Cristo é a Cabeça. Desta forma, São Paulo recorda-nos que Cristo e Sua Igreja estão inseparavelmente UNOS. Não se pode estar em Cristo se não se está em seu corpo, a Igreja.
E esta é uma razão pela qual o Novo Testamento constantemente nos lembra que o batismo é necessário para a salvação – porque o batismo é a “porta” através da qual entramos na Igreja – é através do batismo que nascemos de novo na família de Deus (que é outra imagem que São Paulo usa para a Igreja em 1 Tm 3:15). Assim, a razão pela qual a Igreja ensina “extra Ecclesiam nulla salus” é porque ela é inseparavelmente una a Cristo, e fora de Cristo não há salvação, exceto é claro, quando se há ignorância invencível.
Source: Catecismo da Igreja Católica. Publicado por Blog Ecclesia Militans

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Sola Scriptura: uma doutrina insustentável em si mesma


Por: Eduardo Moreira.


Uma das doutrinas que é de aceitação unânime no meio protestante é a Sola Scriptura. Essa doutrina diz que a Bíblia é a única fonte infalível de doutrina e cada um deve ser inspirado pelo Espírito Santo para lê-la. É sobre essa doutrina e seus equívocos que faremos uma breve exposição nos parágrafos abaixo.

Em primeiro lugar devemos dizer que é importante reconhecer o grande amor às Sagradas Escrituras que nossos irmãos protestantes têm. De fato, se pretendemos vencer o protestantismo devemos reconhecer suas virtudes e essa é uma delas. Entretanto, isso não nos isenta da obrigação de corrigir os equívocos e exageros originados nessa doutrina a fim de mostrar aos nossos irmãos separados o caminho reto que leva a Deus, isto é, a Santa Igreja Católica, o Corpo Místico de Cristo.

            A doutrina protestante se baseia em interpretações distorcidas de vários versículos da Bíblia que, de fato, é um livro inspirado. Para uma refutação mais detalhada que a exposta nesse artigo, recomendamos ao leitor que leia o livro “Somente a Bíblia? 21 razões para rejeitar a Sola Scriptura” que pode ser encontrado nesse link.

Deus nos deixou Sua palavra para nos instruir e essa palavra é, em parte, a Bíblia. Entretanto, por mais sagrada que seja, a Bíblia é um texto e sendo um texto Ela possui interpretações. Os protestantes alegam que o Espírito Santo é quem deve guiar o leitor para uma correta interpretação da Bíblia. No entanto, dizer isso é, na prática, o mesmo que dar a quem a lê o direito à Livre Interpretação, doutrina abertamente condenada por São Pedro em II Pd I, 20. O resultado dessa livre interpretação protestante é uma divisão cada vez maior no seio do protestantismo com os mais variados tipos de doutrina. De fato, as doutrinas protestantes vão desde a negação da divindade de Cristo a aceitação do casamento homossexual.

            Não obstante aos efeitos catastróficos da livre interpretação, é importante notar também que a doutrina da Sola Scriptura é pautada em um absurdo chamado “raciocínio circular”. O raciocínio circular coloca uma causa como efeito num momento e em outro coloca o efeito como causa de forma e não dar uma resposta lógica. Dessa forma, os protestantes afirmam que creem na Bíblia porque ela é inspirada. Quando se pergunta a eles o porquê da inspiração, eles dizem que a própria Bíblia diz isso. Se perguntarmos novamente por que creem no que está escrito nela, respondem que é porque ela é inspirada. Assim sendo, o raciocínio fica andando em círculos.

            Além disso, se o simples fato de “estar escrito” torna um texto inspirado, qualquer um pode escrever qualquer coisa e no fim da coisa escrita dizer que a mesma é inspirada. Entretanto, mesmo os protestantes admitirão, sem problemas, que isso é um absurdo. Além do problema da inspiração, não há na Bíblia um cânon definido de livros citado em nenhum lugar, portanto, nem mesmo a Bíblia define o que é Bíblia.

            Houve, pois, alguém que definiu quais livros compõem a Bíblia e que disse que ela é inspirada. Esse “alguém” é a Igreja Católica que, guiada infalivelmente pelo Espírito Santo, definiu a lista dos Livros Sagrados ao longo dos séculos. Ora, essa mesma Igreja que escreveu e selecionou os livros da Bíblia deixou-nos também uma riquíssima Tradição, tão sagrada quanto a Bíblia e com documentos de mesma autoria daqueles que escreveram as Sagradas Escrituras. Se os autores sagrados deixaram ensinamentos fora da Bíblia e pediram para que os seguíssemos como seguimos as Sagradas Escrituras, por que então os protestantes seguem uma parte e rejeitam outra? Se os mesmos autores, os mesmos bispos disseram sob a mesma inspiração que ambas as coisas são sagradas, por que então aceitar apenas uma parte do que eles disseram?

            A verdade é que existe aqui uma clara negação às origens do cristianismo por parte dos protestantes. Os autores sagrados sob ação do Espírito Santo deixaram não apenas o Livro Sagrado, mas também uma rica Tradição igualmente inspirada. Basta vermos que antes do Novo Testamento ser escrito ele foi anunciado por vários anos na forma de Tradição até passar a forma escrita e só depois de tudo isso passar a fazer parte das Sagradas Escrituras, antes compostas apenas pelos livros do Antigo Testamento.

            Alguns podem objetar: Se Deus queria mesmo que a Tradição fosse considerada Sagrada, por que ela não está na Bíblia? A resposta para essa pergunta está em Mt. XVI, 18: Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja. Ora, Jesus fundou uma Igreja para transmitir a fé aos fiéis, não uma biblioteca. Fazemos, pois, parte de uma Igreja que é um Corpo Místico, não de uma Biblioteca que é um Corpo Místico. Essa Igreja, fundada por Cristo em São Pedro, é a Igreja Católica, a coluna e sustentáculo da verdade (I Tm III, 15).

            Os protestantes tentam negar a fundação da Igreja em São Pedro dizendo que a pedra à qual Cristo se refere é Ele mesmo e não São Pedro. Para isso usam algumas interpretações errôneas do idioma grego, interpretações essas refutadas aqui, em um artigo de Alessandro Ricardo Lima. Entretanto, mesmo sem explicações teológicas profundas conseguimos ver que, se a pedra é Jesus e não Pedro, a sentença de Mt. XVI, 18, perde completamente seu sentido.

            Deus nos deixou, portanto, uma Bíblia que atesta os primeiros anos do Cristianismo, as primeiras definições e certamente uma fonte riquíssima de verdades sobre Jesus Cristo que não deve ser desprezada. Entretanto, a Igreja vive e no decorrer da história e vivência da Igreja foi estruturada a Tradição em plena concordância com o Evangelho. Ademais, a própria Bíblia é parte dessa Tradição, mas em forma escrita. Por fim, todo esse tesouro não só é guardado como também é ensinado pela Igreja de forma infalível através do Espírito Santo. Também a essa Igreja, formada por homens santos e pecadores, foi incumbida a missão de interpretar todo o tesouro da fé, dando ao mesmo seu real significado. Apoiada nesses três pilares: a Bíblia, a Tradição e o Magistério, está sustentada toda fé da Santa Igreja, a única instituída por Cristo para a Salvação dos homens.
 
Fonte Eletrônica;

O uso do incenso na Igreja Católica



RECEBEMOS DA LEITORA Raíssa de Alcântara a seguinte mensagem:
“(...)Estou noiva de uma pessoa que cresceu em meio as tradições evangélicas e tem sido difícil fazê-lo entender as tradições católicas. Apesar de sempre irmos à missa e participarmos de grupos na igreja, ainda assim ele se encontra com muitas dúvidas. E pelo blog consigo mostrá-lo, com base na Bíblia que é o que mais pesa pra ele, e tenho conseguido fazer com que ele entenda muitas coisas. E graças a Deus já consegui até que ele se interessasse em fazer catequese para entender melhor e posteriormente receber os sacramentos. (...) Minha dúvida é com relação a Santa Missa. Qual é o significado do incenso na celebração? Aqui na minha paróquia eles utilizam, mas ainda não sei o porque e o que representa. Desde já agradeço muito por tudo. E peço a Deus que continue iluminando seus dons e que muitos possam partilhar desse conhecimento e despertar o discernimento."
Caríssima Raíssa, como você bem sabe, esta é uma questão entre muitas outras semelhantes. Os líderes das novas e novíssimas seitas neopentecostais, ditas "evangélicas", são pródigos em elaborar todo tipo de barreira contra a primeira e única Igreja instituída diretamente por Nosso Senhor Jesus Cristo. Qualquer detalhe é pretexto para caluniar os católicos, e nada escapa às suas construções caluniosas.
Além das famigeradas questões das imagens, do culto aos santos e uma série de outras que já esclarecemos por aqui (veja nesta lista as repostas para estas e outras acusações protestantes/'evangélicas'), novos questionamentos não param de surgir a todo instante. Um destes está relacionado ao uso do incenso, que na boca de alguns teria algo a ver com "paganismo", "idolatria" ou coisa que o valha. Deixando de lado as malucas teorias da conspiração, ou, ainda melhor, lançando-as no lixo, que é o seu devido lugar, procuraremos esclarecer o verdadeiro significado do incenso na liturgia católica, sua origem e finalidades.
A maioria de nós deve saber que o incenso é composto de grãos de cor amarelo-acastanhada, e que é feito de resinas aromáticas. Nem todos saberão que, normalmente, esta resina provém de árvores da família das bosuélias (boswellias), originárias do Oriente.

Nas celebrações em que se usa o incenso, o celebrante coloca-se em pé, dois coroinhas ou acólitos se aproximam; um traz o turíbulo, onde estão as brasas e o outro traz a naveta, onde está o incenso. Normalmente, o celebrante deposita três colherinhas de incenso sobre as brasas. Em seguida, toma o turíbulo com a mão esquerda e com a mão direita faz o movimento de incensação. Qual é o simbolismo do incenso?

A incensação, desde a mais longínqua antiguidade, exprime reverência e oblação, adoração e honra, como ficou registrado nas Sagradas Escrituras:
“Suba minha prece como incenso em vossa Presença, minhas mãos erguidas como oferta vespertina."
(Sl 140,2)
“Outro anjo veio postar-se junto ao Altar, com um turíbulo de ouro. Deram-lhe uma grande quantidade de incenso para que o oferecesse com as orações de todos os Santos, sobre o Altar de ouro que está diante do Trono."
(Ap 8,3)
“Escolhi-os entre todas as tribos de Israel para serem meus sacerdotes, subirem ao meu Altar, queimarem o incenso e se vestirem diante de Mim."
(lSm 2,28)

Para quem aceitou e assumiu como princípio a ideia equivocada de que o cristão só pode aceitar aquilo que esteja escrito literalmente na sagrada Bíblia, aí acima está a tão solicitada "prova bíblica" de que o incenso sempre foi usado no culto a Deus. Mas há ainda muito mais. O Livro do Êxodo descreve o uso do Incenso no Antigo Testamento e como entrava na composição dos perfumes usados no culto, segundo a orientação divina:
“O SENHOR disse a Moisés. 'Escolhe ingredientes, bálsamo, unha aromática, gálbano, diversos ingredientes e incenso puro em partes iguais. Farás com esta mistura um perfume composto segundo a arte de perfumista; misturado, será coisa pura e santa. Reduzi-lo-ás a um pó fino e colocá-lo-ás diante do testemunho na tenda da reunião, onde Me encontrarei contigo. Este perfume será para vós uma coisa santíssima. Não fareis para vosso uso outro perfume com a mesma composição. Considerá-lo-ás coisa sagrada, reservada ao SENHOR. Quem dela fizer uma imitação para aspirar o aroma, será excluído do seu povo."
(Ex 3,34-38)
Nas descrições bíblicas, vemos como desde sempre a Liturgia sagrada
fez uso do incenso: nesta ilustração do 'Santo dos santos', vemos o
candelabro de ouro, a altar com pães e o incenso, – elementos
ainda hoje presentes na liturgia católica

O uso do incenso é apresentado também nos Livros dos Provérbios e do Cântico dos Cânticos:
“O perfume e o incenso alegram o coração."
(Pr 27,9)
“Que é isto que sobe do deserto como uma coluna de fumo, como aroma de mirra e de incenso?"
(Ct3,6)
“Antes que refresque o dia e desapareçam as sombras, irei ao monte da mirra e ao outeiro do incenso."
(Ct 4,6)
É necessário lembrar e deixar claro que o uso do incenso na liturgia da Igreja Católica nada tem a ver com os "defumadores" usados nos cultos ditos "afrobrasileiros", e nem com as varetas usadas nas religiões asiáticas e orientais no geral. Para nós, católicos, o uso do incenso é o mesmíssimo que os antigos sacerdotes em Jerusalém faziam diante da tenda da antiga Aliança, no lugar chamado Santo dos santos, onde se encontrava o altar do incenso. Também a primeira página da história da Nova Aliança foi escrita enquanto Zacarias, – pai de São João Batista, – oferece sacrifício de incenso no Santuário do Templo (Lc 1,9).
Interessa notar que o uso litúrgico do incenso é compartilhado com as igrejas ortodoxas e também com algumas comunidades protestantes históricas. É uma riqueza litúrgica, no início das Missas solenes, quando se rodeia o Altar onde se oferecerá o Sacrifício incruento, – renovação do Sacrifício no Calvário, do Corpo e Sangue do Cordeiro de Deus, – incensando-o. É glorificação e honra ao Rei e Senhor, pois o Altar da igreja representa Cristo.

Já no Ato Penitencial o incenso se destina a purificar, limpar, expiar os pecados.
No Evangelho que vai ser lido o incenso é respeito e veneração ao Livro Sagrado, outra homenagem ao Cristo que nos fala.

Note-sem que a incensação, em nossas celebrações, é feita também aos ministros e à assembleia, como um gesto de reverência, porque formam um só Corpo com Cristo. 
Quando se incensa as oferendas do pão e do vinho, o Altar, o celebrante e outros sacerdotes presentes e/ou o povo de Deus, meditamos dentro de nós: "Eleve-se Senhor, minha oração como este incenso à vossa presença,e desça sobre nós a Vossa Misericórdia".
Quando no momento da consagração se incensa o Corpo e Sangue do Senhor, elevados para adoração dos fiéis, recordamos a Epifania:
“Ao entrar na casa viram o Menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o homenagearam. em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra."(Mt 2,11)
Vemos no Evangelho como esse material, que segundo alguns "pastores" seria "símbolo de paganismo" foi o primeiro presente entregue a Nosso Senhor, – e exatamente aquele pelo qual a Sagrada Escritura identifica aquele Menino, – Jesus, – como Deus.
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Fonte:
• Cap. 'Incensação' do Secretariado Nacional de Liturgia, disp. em:
http://www.liturgia.pt/documentos/incenso.php
Acesso 10/9/015
• ALDAZÁBAL, Jose. Gestos e símbolos, vol. I, São Paulo: Loyola, 2005, pp. 77-84

Se a Igreja é Católica, pode ser também Romana?

A Celebração solene da Santa Missa na Santa Igreja Católica
A Celebração solene da Santa Missa na Santa Igreja Católica
O Credo que recitamos aos domingos e dias santos fala de uma una, santa, católica e apostólica Igreja. Como todos sabem, no entanto, a Igreja à qual se refere o presente credo é mais comumente chamada apenas de a Igreja Católica.
O termo Católica Romana não é utilizado pela própria Igreja; é um termo relativamente moderno, e que além disso, se limita em grande parte à alguns idiomas, como o Português. Por exemplo, os bispos de língua Inglesa no Concílio Vaticano I, em 1870, de fato, conduziram uma campanha vigorosa e bem-sucedida para garantir que o termo Católica Romana não fosse incluído em nenhum dos documentos oficiais do Concílio sobre a própria Igreja, e o termo de fato, não foi incluído .
Da mesma forma, em nenhum lugar nos 16 documentos do Concílio Vaticano II, se encontrará o termo Católica Romana. O Papa Paulo VI assinou todos os documentos do Concílio Vaticano II como “Eu, Paulo, Bispo da Igreja Católica.” Bastando-se  – Igreja Católica. Há referências à Cúria Romana, ao Missal Romano, o Rito Romano, etc., mas quando o adjetivo Romano é aplicado à própria Igreja, refere-se à Diocese de Roma!
Os Cardeais, por exemplo, são chamados de Cardeais da Santa Igreja Romana, mas essa designação significa que quando eles são convocados a serem cardeais, eles assim tornam-se clero honorários da diocese casa do Santo Padre, a Diocese de Roma. Cada cardeal recebe uma igreja titular em Roma, e quando participam da eleição de um novo papa, eles estão participando de um processo que nos tempos antigos foi realizado pelo clero da Diocese de Roma.
Embora a Diocese de Roma seja central para a Igreja Católica, isto não significa que o Rito Romano, ou, como às vezes se diz, o rito latino, seja co-terminal com a Igreja como um todo; isso significaria negligenciar os Bizantinos, Caldeus, Maronitas ou outros ritos Orientais, que são todos uma parte muito importante da Igreja Católica tanto hoje, como no passado.
Em nossos dias, muito maior ênfase tem sido dada a estes ritos “não-romanos” da Igreja Católica. O Concílio Vaticano II dedicou um documento especial, Orientalium Ecclesiarum (Decreto sobre Igrejas Católicas Orientais), com os ritos orientais que pertencem à Igreja Católica, e o novo Catecismo da Igreja Católica dá de forma semelhante considerável atenção às tradições distintas e espiritualidade destes ritos orientais.
Assim o nome apropriado para a Igreja universal não é a Igreja Católica Romana. Longe disso. Esse termo pegou principalmente em países de língua Inglesa; ele foi promovido principalmente pelos anglicanos, os defensores da “teoria da sucursal” da Igreja, ou seja, que o una, santa, católica e apostólica do credo deveria consistir em três grandes ramos, a Anglicana, Ortodoxa e assim – a chamada Católica Romana. Foi para evitar esse tipo de interpretação que os bispos de língua Inglesa no Concílio Vaticano I seguiram alertando a Igreja a nunca usar o termo oficialmente sobre si mesma: pois muito facilmente poderia ser mal interpretada.
Hoje, em uma era de dissidência generalizada na Igreja, e de confusão igualmente generalizada a respeito do que a identidade católica autêntica deve consistir em, muitos católicos fiéis têm recentemente pasado a usar o termo Católica Romana para afirmar seu entendimento de que a Igreja Católica do credo do domingo é a mesma Igreja que está unida ao Vigário de Cristo em Roma, o Papa. Esse entendimento deles é correto, mas tais católicos devem, no entanto, ter cuidado com o uso do termo, não apenas por causa de suas origens duvidosas em círculos anglicanos que pretendem sugerir que não só poderia haver alguma outra Igreja Católica em algum lugar além daquele de Roma, mas também porque que muitas vezes é usado ainda hoje para sugerir que a Igreja Católica Romana seja algo diferente e menor do que a Igreja Católica do credo. É comumente utilizado por alguns teólogos dissidentes, por exemplo, que parecem estar tentando classificar a Igreja Católica Romana como apenas mais uma “denominação cristã” contemporânea – não o corpo que é idêntico à una, santa, católica e apostólica Igreja de o credo.
O bom nome da Igreja, então, é a Igreja Católica. Não seja tampouco jamais chamada de “a Igreja Cristã”. Embora a prestigiosa Oxford University Press tenha publicado atualmente um livro de referência bastante útil chamado de “O livro de Oxford da Igreja Cristã,” o fato é que nunca houve uma entidade importante na história chamada por esse nome; o Oxford University Press adotou um equívoco, pois a Igreja de Cristo nunca foi chamada de a Igreja Cristã.
Há, naturalmente, uma denominação protestante nos Estados Unidos que se faz chamar a si mesma por esse nome, mas essa denominação  em particular não é nem de longe o que a Oxford University Press tinha em mente ao atribuir ao seu livro de referência do título que ela fez. A atribuição do título em questão parece ter sido mais um método, como  tantos ao longo da história, de se recusar a admitir que há, de fato, uma – e apenas uma – entidade existente no mundo hoje à qual a designação “a Igreja Católica” no Credo, eventualmente, se aplica.
A entidade em questão, é claro, é apenas isso: a muito visível, e de nível mundial Igreja Católica, na qual o sucessor 263 do apóstolo Pedro, o Papa Franciso, ensina, governa e santifica, juntamente com cerca de 3.000 outros bispos ao redor do mundo, que são sucessores dos apóstolos de Jesus Cristo.
Como mencionado nos Atos dos Apóstolos, é verdade que os seguidores de Cristo logo se tornaram conhecidos como “cristãos” (At 11,26). O nome “cristãos”, no entanto, nunca foi comumente aplicado à própria Igreja. No próprio Novo Testamento, a Igreja é chamada simplesmente de “Igreja”. Havia apenas uma. Naquele tempo ainda não havia quaisquer organismos separatistas substanciais o suficiente para serem pretendentes rivais do nome, e dos quais a Igreja necessitasse distinguir-se a si mesma.
Muito cedo no tempos pós-apostólicos, no entanto, a Igreja fez adquirir um nome próprio – e precisamente para distinguir-se dos corpos rivais que até então já estavam começando a se formar. O nome que a Igreja adquiriu, quando se tornou necessário que tivesse um nome próprio, foi o nome pelo qual ela tem sido conhecida desde então, a Igreja Católica.
O nome aparece na literatura cristã, pela primeira vez por volta do final do primeiro século. No momento em que foi escrito pela primeira vez,  certamente já estava em uso, pois as indicações são de que todos entenderam exatamente o que significava o nome quando foi escrito.
Por volta do ano 107 dC, um bispo, Santo Inácio de Antioquia no Oriente Médio, foi preso, levado à Roma por guardas armados e eventualmente lá martirizado em uma arena. Em uma carta de despedida que este bispo primitivo e mártir escreveu para seus companheiros cristãos em Esmirna (Izmir hoje na Turquia moderna), ele fez a primeira menção escrita na história da “Igreja Católica”. Ele escreveu: “Onde o bispo está presente, aí está a Igreja Católica” (Para as Smyrnaeans 8: 2). Assim, o segundo século do cristianismo mal começara quando o nome da Igreja Católica já estava em uso.
Depois disso, menções do nome tornaram-se mais e mais freqüentes no registro escrito. Ele aparece no registro escrito mais antigo que possuímos fora do Novo Testamento no martírio de um cristão por sua fé, o “Martírio de São Policarpo,” bispo da mesma Igreja de Esmirna à qual Santo Inácio de Antioquia havia escrito. São Policarpo foi martirizado em torno de 155, e o relato dos seus sofrimentos remonta a esse tempo. O narrador nos informa que em suas orações finais, antes de dar a sua vida por Cristo, St. Polycarpio “se lembrou de todos que haviam se encontrado com ele a qualquer momento, pequenos e grandes, tanto aqueles com e sem renome, e toda a Igreja Católica em todo o mundo”
Sabemos que São Policarpo, no momento da sua morte, em 155, tinha sido cristão por 86 anos. Ele não poderia, portanto, ter nascido muito mais tarde do que aon de  69 ou 70. No entanto, parece ter sido uma parte normal do vocabulário de um homem desta era, ao ponto de ser capaz de falar de “toda a Igreja Católica em todo o mundo.”

O nome pegou, e, sem dúvida, por boas razões.

O termo “católico” simplesmente significa “universal”, e ao empregá-lo nos tempo primitivos, Santo Inácio de Antioquia e São Policarpo de Esmirna estavam se referindo à Igreja que já estava “em todos os lugares”, como a distinguir-se de quaisquer as seitas, cismas ou grupos dissidentes, que pudessem ter crescido aqui e ali, em oposição à Igreja Católica.
O termo já era entendido até mesmo no princípio, como um nome apropriado especialmente porque a Igreja Católica era para todos, não apenas para os entusiastas adeptos, ou aqueles especialmente iniciados que pudussem ter sido atraídos por ela.
Mais uma vez, já foi entendido que a Igreja era “católica”, porque – para adotar uma expressão moderna –  possuía a plenitude dos meios de salvação. Ela também estava destinada a ser “universal” no tempo, bem como no espaço, e foi-lhe aplicada a promessa de Cristo a Pedro e aos outros apóstolos que “as portas do inferno não prevalecerão” contra ela (Mt 16: 18).
O Catecismo da Igreja Católica em nossos dias tem concisamente resumido todas as razões porque o nome da Igreja de Cristo tem sido a Igreja Católica: “A Igreja é católica”, o Catecismo ensina “, [porque] ela proclama a plenitude da fé. Ela carrega em si mesma e administra a totalidade dos meios de salvação. Ela é enviada para todos os povos. Ela fala a todos os homens. Ela abrange todos os momentos. Ela é “missionária de sua própria natureza ‘” (n. 868).
Assim, o nome ficou ligado à ela para sempre. Até o momento do primeiro concílio ecumênico da Igreja, realizado em Nicéia, na Ásia Menor, no ano 325 dC, os bispos do concílio que estavam legislando muito naturalmente em nome do corpo universal que chamaram nos documentos oficiais do Concílio de Nicéia “a Igreja Católica”. Como a maioria das pessoas sabe, foi esse mesmo concilio foi quem formulou o credo básico em que o termo “católico” foi retido como uma das quatro marcas da verdadeira Igreja de Cristo. E é o mesmo nome, que pode ser encontrado em todos os 16 documentos do XXI Concílio Ecuménico da Igreja, o Concílio Vaticano II.
O termo voltou no quarto século quando São Cirilo de Jerusalém escreveu apropriadamente, advertindo ao viajante que ao chegar à um lugar novo “Indague não simplesmente onde é a casa do Senhor, pois as seitas dos profanos também fazem uma tentativa de chamar suas próprias tocas as casas do Senhor, nem indague apenas onde a igreja está, mas  onde está a Igreja Católica. Pois este é o nome peculiar deste Corpo Santo, a Mãe de todos, que é a Esposa de Nosso Senhor Jesus Cristo “(Catequeses, xviii, 26).
A mesma pergunta precisa ser feita exatamente da mesma maneira hoje, pois o nome da verdadeira Igreja de Cristo em nada foi alterado. Era inevitável que o Catecismo da Igreja Católica adotasse o mesmo nome, hoje, que a Igreja teve em toda a sua longa história.
 
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