top

create your own banner at mybannermaker.com!

domingo, 15 de março de 2015

A sucessão dos bispos de Roma segundo os padres da Igreja

Qual é o sentido de trazer o testemunho dos Padres da Igreja sobre a sucessão dos bispos de Roma? Nós queremos simplesmente apresentar ao leitor os testemunhos dos primeiros séculos do cristianismo sobre quem foi o primeiro bispo de Roma e quais seus sucessores, e a razão é simples: hoje, muitos protestantes dizem que a sucessão dos bispos de Roma a partir de Pedro é uma invenção da Igreja Católica. É fácil entender esta posição, porque se o que a Igreja Católica ensina sobre a sucessão apostólica dos bispos de Roma for verdade, todo o seu corpo doutrinário cai por terra.
Neste artigo ficará claro que os grandes pastores, reconhecidos em toda a igreja pós-apostólica, e muitos dos quais deram a vida por Cristo, acreditavam firmemente que os bispos de Roma sucederam Pedro no cargo de guiar a Igreja com autoridade. Em outras palavras, se hoje um cristão diz que no Evangelho não há “nenhum traço” que Pedro foi bispo de Roma, com o presente artigo ficará claro o que pensavam os primeiros cristãos, com a diferença de que estes últimos (dos Padres Igreja) estão cronologicamente muito mais perto de Jesus e os Apóstolos do que qualquer um de nós (com uma diferença de uns 1800 anos).
Recentemente o Vaticano colocou a lista de todos os papas em seu site (pode ser visto aqui), portanto o leitor pode comparar a lista apresentada pelo Vaticano e a lista apresentada pelos padres da Igreja, dos quais colocaremos o testemunho a seguir.
 
IRINEU DE LIÃO

Santo Irineu (bispo e Mártir). Foi discípulo de São Policarpo que por sua vez foi discípulo do apóstolo São João. Conhecido por seu tratado “Contra as Heresias” onde combate as heresias de seu tempo, em especial a dos gnósticos. Contra estes mesmos Gnósticos ele diz que a sucessão dos bispos prova que a doutrina dele é apostólica por causa da sucessão continua, ao contrário dos gnósticos que não tinha qualquer sucessão de bispos que remetesse aos apóstolos. Para então provar que o que ele falava era verdade ele elenca a sucessão dos bispos da Igreja e Roma, que para ele começa com os dois grandes apóstolos Pedro e Paulo:
 
“Mas visto que seria coisa bastante longa elencar numa obra como esta, as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma, pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelas sucessões dos bispos, refutaremos todos os que de alguma forma, quer por enfatuação ou vanglória, quer por cegueira ou por doutrina errada, se reúnem prescindindo de qualquer legitimidade. Pois é uma questão de necessidade que cada Igreja concorde com esta Igreja, com relação à preeminente autoridade, ou seja, os fiéis em todos os lugares, na medida que a tradição apostólica tem sido preservada continuamente por aqueles [homens fiéis] que existem em todos os lugares.
 
Os bem-aventurados apóstolos que fundaram e edificaram a igreja transmitiram o governo episcopal a Lino, o Lino que Paulo lembra na carta a Timóteo. Lino teve como sucessor Anacleto. Depois dele, em terceiro lugar, depois dos apóstolos, coube o episcopado a Clemente, que vira os próprios apóstolos e estivera em relação com eles, que ainda guardava viva em seus ouvidos a pregação deles e diante dos olhos a tradição. E não era o único, porque nos seus dias viviam ainda muitos que foram instruídos pelos apóstolos. No tempo de Clemente, surgiram divergências graves entre os irmãos de Corinto. Então a Igreja de Roma enviou aos coríntios uma carta importantíssima para reuni-los na paz, reavivar-lhes a fé e reconfirmar a tradição que há pouco tinham recebido dos apóstolos, isto é, a fé num único Deus todo-poderoso, que fez o céu e a terra, plasmou o homem e provocou o dilúvio, chamou Abraão, fez sair o povo do Egito, conversou com Moisés, deu a economia da Lei, enviou os profetas, preparou o fogo para o diabo e os seus anjos. Todos os que quiserem podem aprender desta carta que este Deus é anunciado pelas igrejas como o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo e conhecer a tradição apostólica da Igreja, porque mais antiga do que os que agora pregam erradamente outro Deus superior ao Demiurgo e Criador de tudo o que existe.
A este Clemente sucedeu Evaristo; a Evaristo, Alexandre; em seguida, sexto depois dos apóstolos foi Sisto; depois dele, Telésforo, que fechou a vida com gloriosíssimo martírio; em seguida Higino; depois Pio; depois dele, Aniceto. A Aniceto sucedeu Sotero e, presentemente, Eleutério, em décimo segundo lugar na sucessão apostólica, detém o pontificado. Com esta ordem e sucessão chegou até nós, na Igreja, a tradição apostólica e a pregação da verdade. Esta é a demonstração mais plena de que é uma e idêntica a fé vivificante que, fielmente, foi conservada e transmitida, na Igreja, desde os apóstolos até agora.”(Contra as heresias – Livro III, 3, 2-3).
A lista de Santo Irineu termina no pontificado do Papa Eleutério, então temos a lista ininterrupta de Pedro a Eleutério. O leitor deve se perguntar: Por que Santo Irineu menciona “Pedro e Paulo” na sucessão? Isto porque Paulo também foi bispo em Roma, isto é, ele exerceu lá papel de bispo, não como bispo “empossado” da cidade em si como Pedro, mas exerceu função de bispo, ensinando e guiando os romanos na fé, assim como Pedro.
 
EUSÉBIO DE CESARÉIA (304 d.C)

Eusébio de Cesareia também chamado de Eusebius Pamphili, foi bispo de Cesareia. É o principal historiador da Igreja primitiva. Ele nasceu em 265 e morreu em 339 d.C, e ficou famoso por sua obra chamada de “História Eclesiástica”.
Eusébio usa basicamente duas fontes para a lista dos bispos de Roma. A primeira é a lista de Irineu, já mencionada acima. A segunda é a perdida “Crônica” de Hipólito, bispo de Portus, escrita cerca de meio século depois de Irineu.  Na História Eclesiástica ele também confirma a lista dos bispos de Roma deixada por Irineu:
“No livro terceiro de sua obra Contra as heresias expõe a sucessão dos bispos de Roma até Eleutério, de cuja época também investigamos os acontecimentos, e estabelece a lista como se, de fato, sua obra fosse composta nos tempos deste; escreve como segue: "Os bem-aventurados apóstolos, depois de haverem fundado e edificado a Igreja, puseram o ministério do episcopado em mãos de Lino. Este Lino é mencionado por Paulo em sua carta a Timóteo [2 Timóteo 4:21] Sucede-o Anacleto, e depois deste, em terceiro lugar a partir dos apóstolos, obtém o episcopado Clemente, que também havia visto os bem-aventurados apóstolos e tratado com eles, e tinha ainda ressoando-lhe nos ouvidos a pregação dos apóstolos e diante dos olhos sua tradição. E não apenas ele, porque então ainda sobreviviam muitos que haviam sido instruídos pelos apóstolos. Quando nos tempos deste Clemente surgiu entre os irmãos de Corinto uma não pequena dissensão, a igreja de Roma escreveu aos Coríntios uma carta importantíssima tentando reconciliá-los na paz e renovar sua fé e a tradição que tinham recebido dos apóstolos."  E depois de breve espaço diz: ‘A este Clemente sucede Evaristo, e a Evaristo, Alexandre; depois é instituído Sixto, o sexto portanto a partir dos apóstolos; e depois deste, Telésforo, que também sofreu gloriosamente o martírio; logo Higinio; depois Pio, e depois deste, Aniceto; havendo Sotero sucedido a Aniceto, agora é Eleutério que ocupa o cargo do episcopado, em décimo segundo lugar a partir dos apóstolos.  Pela mesma ordem e com a mesma sucessão chegaram até nós a tradição e a pregação da verdade que procederam dos apóstolos na Igreja.”  (História Eclesiástica, Livro V, capítulo 5 e 6)
Antes disto, Eusébio já havia dado a lista e atividades dos bispos de Roma até seu tempo. Sua lista começa em Pedro e termina em Marcelino em 304 d.C que era seu contemporâneo. Abaixo estão todas as referências à lista dos bispos de Roma deixadas por Eusébio em suas obras:
 
1º Pedro
“Pedro, de nacionalidade Galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade.” (Crônicas de Eusébio Página 261 parágrafo 2)[1]
 "Imediatamente depois, ainda no começo do império de Cláudio, a Providência universal, boníssima e cheia de amor aos homens, conduziu pela mão a Roma, qual adversário deste destruidor da vida, o valoroso e grande apóstolo Pedro, o primeiro dentre todos pela virtude. autêntico general de Deus, munido de armas divinas (Ef 6,14-17; 1Ts 5,8), trazia do Oriente ao Ocidente a preciosa mercadoria da luz inteligível, e anunciava, como a própria luz (cf. Jo 1,9) e palavra de salvação para as almas, a boa nova do reino dos céus." (Livro II, Capitulo 14 Versículo 6)
“Segundo se conta, sob Cláudio, Fílon em Roma relacionou-se com Pedro, que então pregava aos seus habitantes. Isto é verossímil, visto que o escrito a que nos referimos, exarado por ele muito mais tarde, encerra evidentemente normas da Igreja, agora ainda observadas entre nós.” (História Eclesiástica Livro II, Capítulo 17, Versículo 17(1))
 “Diz-se que o apóstolo conheceu o fato por uma revelação do Espírito. Alegrou-se com o desejo deles e aprovou o livro por meio de leitura nas assembleias. Clemente, no sexto livro das Hypotyposes conta essa história e a confirma com seu testemunho o bispo de Hierápolis, chamado Papias. Pedro menciona marcos na sua primeira carta que, diz-se, ele mesmo compôs em Roma, assinalando-a com o nome simbólico de Babilônia, no seguinte trecho: “A que está em Babilônia, eleita como vós, vos saúda, como também Marcos, o meu filho” (1Pd 5,13).” (História Eclesiástica – Livro II, Capítulo 15, Versículo 2)
 2º Lino
“...Lino, que é mencionado na II carta a Timóteo indicando que se encontra com ele em Roma, já foi demonstrado anteriormente que foi designado para o episcopado da igreja de Roma, o primeiro depois de Pedro....”  (História Eclesiástica: Livro III, capítulo 4 Versículo 8 )
 “Depois do martírio de Paulo e de Pedro, o primeiro a ser eleito para o episcopado da Igreja de Roma foi Lino. Ele é mencionado por Paulo quando escreve de Roma a Timóteo, na despedida ao final da carta.” (História Eclesiástica: Livro III, capítulo II, verso 1)
3º - Anacleto
 “Depois de imperar Vespasiano durante dez anos, sucede-o como imperador seu filho Tito. No segundo ano de seu reinado, Lino, bispo da igreja de Roma, depois de exercer o cargo durante doze anos, transmite-o a Anacleto. Tito, que imperou dois anos e uns poucos meses, foi sucedido por seu irmão Domiciano.” (História Eclesiástica: Livro III, capítulo 13)
 4º - Clemente
“No duodécimo ano do mesmo reinado, Clemente sucede a Anacleto, que havia sido bispo da igreja de Roma durante doze anos. O apóstolo, em sua carta aos Filipenses, faz saber a estes que Clemente era colaborador seu, dizendo: “Com Clemente também e os demais colaboradores meus, cujos nomes estão no livro da vida” [Fp 4:3]. (História Eclesiástica: Livro III, capítulo 15)
“Paulo também atesta que Clemente - instituído terceiro bispo da Igreja de Roma - foi seu colaborador e companheiro de luta.” (História Eclesiástica: Livro III, capítulo 4 versículo 8 )
Aqui Eusébio diz que Clemente é o “terceiro bispo”, quando na realidade é o quarto, isto se deve porque  Eusébio está contanto a sucessão depois de Pedro, o que não inclui o próprio Pedro, como veremos mais adiante.
5º - Evaristo
“Dos bispos de Roma, no terceiro ano do imperador anteriormente citado, Clemente terminou sua vida depois de transmitir seu cargo a Evaristo e de haver estado no total de nove anos à frente do ensinamento da palavra divina.” (História Eclesiástica: Livro III, capítulo 15)
6º - Alexandre I
“Neste tempo também, tendo Evaristo cumprido seu oitavo ano, o episcopado de Roma passa para Alexandre, quinto na sucessão a partir de Pedro e Paulo.” (História Eclesiástica, Livro IV, capítulo 1, versículo 1)
7º - Sisto I
“No terceiro ano do mesmo reinado, morre Alexandre, bispo de Roma, depois de cumpridos dez anos de governo. Sucedeu-o Sixto.” (História Eclesiástica, Livro IV, capítulo 1, verso 1)
 8º - Telesforo
“Achava-se o reinado em seu décimo segundo ano quando Sixto, que havia cumprido seu décimo ano no episcopado de Roma, foi sucedido por Telesforo, sétimo a partir dos apóstolos.” (História Eclesiástica, Livro IV, capítulo 5)
Como dito antes Eusébio não conta Pedro, apenas sua sucessão, dai ele falar “sétimo a partir dos”.

9º - Higino
“Depois de pagar este sua dívida, depois de vinte e um anos, o Império romano é recebido em sucessão por Antonino, o chamado Pio. Em seu primeiro ano morre Telesforo, que cumpria o décimo primeiro [ano] de seu ministério, e Higinio assume o episcopado de Roma.” (História Eclesiástica, Livro IV, capítulo 10)
10 º Pio I
“Agora bem, tendo morrido Higinio depois do quarto ano de episcopado, encarrega-se do ministério em Roma Pio. Em Alexandria foi proclamado pastor Marcos, depois que Eumenes cumpriu no total treze anos. Morto Marcos depois de dez anos de ministério, Celadion recebe o ministério da igreja de Alexandria.”. (História Eclesiástica, Livro IV, capítulo 11)
11º - Aniceto
“Na cidade de Roma, falecido Pio no décimo quinto ano de seu episcopado, assume a presidência dali Aniceto. Hegesipo conta sobre si mesmo que no tempo deste veio a estabelecer-se em Roma e que ali viveu até o episcopado de Eleutério." (História Eclesiástica, Livro IV, capítulo 11)
 12º - Sotero
“Havia avançado já até seu oitavo ano o reinado mencionado quando Sotero sucedeu Aniceto no episcopado da igreja de Roma, tendo este passado nele onze anos completos.” (História Eclesiástica, Livro IV, capítulo 11)
 13º - Eleutério
“Assim pois, Sotero, o bispo da igreja de Roma, morreu depois de governar até seu oitavo ano, e foi sucedido por Eleutério, décimo segundo a partir dos apóstolos. Corria o décimo sétimo ano do imperador Antonino Vero.” (História Eclesiástica, Livro V, capítulo 1)
 14º - Victor
“No décimo ano do reinado de Cômodo, Victor sucede a Eleutério, que havia exercido o episcopado durante treze anos.” (História Eclesiástica: Livro V, capítulo 22)
“Dizem mesmo que todos os primeiros, inclusive os próprios apóstolos, receberam e ensinaram isto que agora eles estão dizendo, eque se conservou a verdade da pregação até os tempos de Victor, que era o décimo terceiro bispo de Roma desde Pedro, mas que, a partir de seu sucessor, Zeferino..” (História Eclesiástica: Livro V, capítulo 28)
15º - Zeferino
“Estes são os fatos dos tempos de Victor. Tendo estado ele à frente do ministério por dez anos, é instituído seu sucessor Zeferino, era o nono ano do império de Severo.” (História Eclesiástica: Livro V, capítulo 28)
16º - Calixto
“Mas tendo Antonino reinado sete anos e seis meses, sucedeu-o Macrino, este manteve-se por um ano, e novamente recebeu o principado dos romanos outro Antonino. Em seu primeiro ano morreu Zeferino, bispo dos romanos, depois de ter exercido o ministério pelo espaço de dezoito anos completos. Depois dele se confiou o episcopado a Calixto, que viveu ainda cinco anos e deixou o ministério a Urbano.” (História Eclesiástica: Livro VI, capítulo 21)
17º - Urbano
"Depois dele se confiou o episcopado a Calixto, que viveu ainda cinco anos e deixou o ministério a Urbano.” (História Eclesiástica: Livro VI, capítulo 21)
18º - Ponciano
“Enquanto isto ocorria assim, Ponciano sucedia a Urbano, que havia sido bispo da igreja de Roma durante oito anos” (História Eclesiástica: Livro VI, capítulo 23)
19º - Antero
“Depois de Maximino, Gordiano [imperador] recebeu em sucessão o principado dos romanos, e a Ponciano, que havia exercido o episcopado da igreja de Roma por seis anos, sucedeu Antero...” ( História Eclesiástica: Livro VI, capítulo 23)
20º - Fabiano
“Antero, que depois de servir no cargo durante um mês, teve como sucessor Fabiano.” (História Eclesiástica: Livro VI, capítulo 23)
Eusébio também conta-nos como foi a eleição de Fabiano ao episcopado da Igreja de Roma:
“Conta-se que Fabiano, junto com outros, depois da morte de Antero, veio do campo e se estabeleceu em Roma, e que ali, por graça divina e celestial chegou ao cargo episcopal da maneira mais extraordinária. Efetivamente, estando todos os irmãos reunidos para eleger o que haveria de receber em sucessão o episcopado e sendo numerosíssimos os varões ilustres e célebres que estavam na mente de muitos, a ninguém ocorreu pensar em Fabiano, ali presente; ainda assim, prontamente, segundo contam, uma pomba vinda do alto pousou sobre sua cabeça, imitando manifestamente a descida do Espírito Santo em forma de pomba sobre o Salvador. Ante este fato, todo o povo, como que movido por um único espírito divino, pôs-se a gritar com todo entusiasmo e unanimemente que este era digno, e sem mais tardar tomaram-no e o colocaram sobre o trono do episcopado. Por este tempo também, morto Zebeno, bispo de Antioquia, sucedeu-o no cargo Babilas. E em Alexandria, assim como depois de Demétrio Heraclas havia recebido o ministério episcopal, a este sucedeu na escola de catequese Dionísio, outro discípulo de Orígenes.” (História Eclesiástica: Livro VI, capítulo 23)
21º - Cornélio
“Agora pois, a Felipe, que havia imperado por sete anos, sucede Décio, que por ódio a Felipe suscitou uma perseguição contra as igrejas. Nela Fabiano consumou seu martírio em Roma e Cornélio o sucedeu no episcopado.”  (História Eclesiástica: Livro VI, capítulo 29)
22º - Lúcio
“Na cidade de Roma, depois que Cornélio exerceu o episcopado em torno de três anos, estabeleceu-se como seu sucessor Lúcio...” (História Eclesiástica: Livro VII, capítulo 2)
23º - Estêvão
“...Lúcio, que no entanto viveu em seu ministério algo menos que oito meses, e ao morrer transmitiu seu cargo a Estevão.” (História Eclesiástica: Livro VII, capítulo 2)
24º - Sisto II
“Isto diz Dionísio. Quanto a Estevão, depois de ter cumprido seu ministério durante dois anos, sucede-o Sixto.” (História Eclesiástica: Livro VII, capítulo 5)
“Neste tempo Sixto seguia ainda regendo a igreja de Roma; Demetriano a de Antioquia, em sucessão a Fábio; e Firmiliano a de Cesaréia da Capadócia; além destes, regiam as igrejas do Ponto Gregório e seu irmão Atenodoro, discípulos de Orígenes. Quanto a Cesaréia da Palestina, tendo morrido Teoctisto, recebe o episcopado em sucessão Domno, mas tendo este sobrevivido pouco tempo, foi instituído sucessor Teotecno, nosso contemporâneo, que também é da escola de Orígenes. Mas também em Jerusalém, morto Mazabanes, recebe em sucessão o trono Himeneo, o mesmo que brilhou muitos anos em nossa época.” (História Eclesiástica: Livro VII, capítulo 7)
25º - Dionísio
“A Sixto, que presidiu a igreja de Roma durante onze anos, sucedeu Dionísio, homônimo do de Alexandria.” (História Eclesiástica: Livro VII, capítulo 27)
“A quarta de suas cartas sobre o batismo ele escreveu a Dionísio em Roma, então honrado com o presbiterado, mas que não muito depois recebeu também o episcopado daquela igreja.”(História Eclesiástica: Livro VII, capítulo 7)
26º - Félix
“Agora bem, muito pouco tempo antes disto, Félix sucede no ministério ao bispo de Roma Dionísio, que nele havia passado nove anos.” (História Eclesiástica: Livro VII, capítulo 30)
27º - Eutiquiano
 “Por este tempo, havendo Félix presidido a Igreja de Roma durante cinco anos, sucede-o Eutiquiano.....” (História Eclesiástica: Livro VII, capítulo 32)
28º – Caio
“.... Eutiquiano. Este, que não sobreviveu dez meses inteiros, deixou o cargo a Caio, contemporâneo nosso...” (História Eclesiástica: Livro VII, capítulo 32)
29º - Marcelino [304 d.C]
“...Caio, contemporâneo nosso, e havendo este exercido a presidência uns quinze anos, institui-se como sucessor Marcelino, a quem também arrebatará a perseguição.” (História Eclesiástica: Livro VII, capítulo 32)
Eusébio nos dá a Lista ininterrupta de 29 papas de Pedro a Marcelino, que governou Roma durante seu tempo. A lista de Eusébio é continuada por Optato de Milevis que vermos adiante.
O Autor Protestante George Edmundson em seu Livro “A Igreja em Roma no século I” comenta sobre as fontes de Eusébio:
“Eusébio de Cesaréia nos deixou duas listas dos bispos romanos, um na sua “História Eclesiástica”, a outra em sua Crônica. A primeira é a lista de Irineu, o início do que acaba de ser citado. O segundo é derivado da perdida “Crônica” de Hipólito, bispo de Portus, escrita cerca de meio século depois. Na ‘crônica’ o episcopado de São Pedro em Roma, é indicado ter durado 25 anos. Na ‘História Eclesiástica’ lemos - ‘Sob o reinado de Cláudio pela providência benigna e da graça de Deus, Pedro aquele grande e poderoso apóstolo, que por sua coragem assumiu a liderança de todo o resto, foi conduzido a Roma.’ Em outras passagens seu martírio com o de Paulo é representado como tendo lugar após a perseguição de Nero. O intervalo entre as duas datas seriam aproximadamente de cerca de 25 anos. Agora, é evidente que esses números, derivados como eles são, de homens como Irineu e Hipólito, que tiveram acesso aos arquivos e tradições em Roma em si, não podem ser descartados como pura ficção. Eles devem ter uma base de verdade por trás deles. Eusébio nos diz que, “após o martírio de Pedro e Paulo, Lino foi o primeiro que recebeu o episcopado em Roma.”.  Agora, a data deste martírio, de acordo com a tradição, recebeu lugar no décimo quarto ano de Nero ou 67 d.C; se, em seguida, deduzimos 25 anos, chegamos a 42 d.C, que é precisamente a data prevista para a primeira visita de São Pedro a Roma por São Jerônimo, em sua obra “De Viris Illustribus”. Lembrando que Jerônimo foi o tradutor da Crônica de Eusébio suas palavras podem ter sido tomadas por ser muito acostumado com as obras de Eusébio, incluindo o seu perdido ‘Registros dos Martírios Antigos’, e com as fontes que ele usou. Jerônimo escreve o seguinte: “Simão Pedro, príncipe dos Apóstolos, depois do episcopado da Igreja de Antioquia e pregando para a dispersão e os da circuncisão, que tinham acreditado no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, no segundo ano de Cláudio vai a Roma para se opor a Simão, o Mago, e lá por 25 anos ocupou a cadeira sacerdotal até o último ano de Nero, isto é, o décimo quarto.’ Agora, aqui no meio de uma certa confusão, que serão tratadas com atualmente, uma data definitiva é dada para a primeira chegada de Pedro em Roma, e, note-se, é a data de sua fuga da perseguição de Herodes Agripa e seu desaparecimento da narrativa de Atos.
Esta evidência de Jerônimo, será vista assim, repousa sobre a de Eusébio, e aquelas das autoridades anteriores que esse historiador consultou. Tem sido dito que uma das condições da solidez de uma tradição histórica foi a amplitude e a unanimidade da sua recepção. Agora, provavelmente, nunca houve qualquer tradição tão universalmente aceita, e sem uma única voz discordante, como aquela que associa a fundação e organização da Igreja de Roma, com o nome de São Pedro e que fala de sua conexão ativa com a Igreja como estendida por um período de cerca de 25 anos.
É desnecessário multiplicar referências. No Egito e na África, no Oriente e no Ocidente, nenhum outro lugar nunca disputou com Roma a honra de ser a sede de São Pedro; nenhum outro lugar jamais afirmou que ele morreu lá ou que possuía seu túmulo. O mais significativo de tudo é o consenso das Igrejas Orientais, que não falam grego. Um exame atento do armênio e sírio MSS., 121 e, no caso deste último, tanto das autoridades nestorianas quanto jacobitas, através de vários séculos, não foi capaz de descobrir um único escritor que não aceitou a tradição petrina romana.” (http://www.ccel.org/ccel/edmundson/church.v.html)
 
CATÁLOGO LIBERIANO (354 d.C)

A mais importante prova é trazida através do documento intitulado “Catálogo liberiano” - assim chamado por causa do Papa cujo nome termina a lista. A coleção de escritos do qual faz parte foi editada (aparentemente por um Furius Dionísio Philocalus) em 354 d.C. O catálogo consiste de uma lista dos bispos romanos de Pedro a Libério, com tempo de seus respectivos episcopados, as datas consulares, o nome do imperador reinante, e em muitos casos, outros detalhes. Há o mais forte motivo para acreditar que a primeira parte do catálogo, até Ponciano (230-35), é a obra de Hipólito de Portus. É claro que até este ponto o compilador do quarto século estava fazendo uso de uma autoridade diferente da que ele emprega para os papas subseqüentes: e há evidências que tornam quase certo que a obra de Hipólito “Chronica” continha uma lista desse tipo. O reinado do Ponciano, aliás, seria o ponto em que essa lista teria parado: Hipólito e ele foram condenados à servidão nas minas da Sardenha - um fato que cronografista faz menção quando fala do episcopado do Ponciano.
 
Esta cronografia traz tanto o nome dos papas, quanto o tempo de duração do seu episcopado, e também quais imperadores reinavam durante seu tempo. Daremos aqui o texto em latim e em seguida sua tradução em português:
 
“IMPERANTE TIBERIO CAESARE PASSVS EST DOMINVS NOSTER IESVS CHRISTVS DVOBVS GEMINIS CONS. VIII KAL. APR. ET POST ASCENSVM EIVS BEATISSIMVS PETRVS EPISCOPATVM SVSCEPIT.  EX QVO TEMPORE PER SVCCESSIONEM DISPOSITVM, QVIS EPISCOPVS QVOT ANNIS PREFVIT VEL QVO IMPERANTE.
Petrus ann XXV mens. uno d. VIIII.  fuit temporibus Tiberii Caesaris et Gai et Tiberi Claudi et Neronis, a consul. Minuci et Longini usque Nerine et Vero. Passus autem cum Paulo die III kal. Iulias consul. ss. imperante Nerone.
Linus  ann XII m. IIII d. XII.  fuit temporibus Neronis, a consulatu Saturnini et Scipionis usque Capitone et Rufo.
Clemens  ann. VIIII m. XI d. XII.  fuit temporibus Galbe et Vespasiavi, a cons. Tracali et Italici usque Vespasiano VI et Tito.
Cletus  ann. VI m. duo dies. X.  fuit temporibus Vespasiani et Titi et initia Domitiani, a cons. Vespasiano VIII et Domitiano V usque Domitiano VIIII et Rufo.
Anaclitus  ann. XII m. X d. III.  fuit temporibus Domitiani, a cons. Domitiano X et Sabino usque Domitiano XVII et Clemente.
Aristus  annos XIII m. VII d. duos.  fuit temporibus novissimis Domitiani et Nervae et Traiani, a cons. Valentis et Veri usque Gallo et Bradua.
Alexander  ann. VII m. II d. uno.  fuit temporibus Traiani a cons. Palmae et Tulli usque Veliano et Vetere.
Sixtus  ann. X m. III d. XXI.  fuit temporibus Adriani a cons. Nigri et Aproniani usque Vero III et Ambibulo.
Telesforus  annos XI m. III d. III.  fuit temporibus Antonini Macrini a cons. Titiani et Gallicani usque Caesare et Balbino.
Higinus  ann. XII m. III d. VI.  fuit temporibus Veri     a cons. Gallicani et Veteris usque Presente et Rufino.
Pius  ann. XX m. IIII m. XXI.   fuit temporibus Antonini Pii, a cons. Clari et Severi usque duobus Augustis.  sub huius episcopatu frater eius Ermes librum scripsit, in quo mandatum continetur, quae ei precepit angelus, cum venit ad illum in habitu pastoris.
Soter  ann. IX    m. III d. II.  fuit temporibus Antonini et Commodi, a cons. Veri et Hereniani usque Paterno et Bradua.
Victor  ann. VIIII m. II d. X.   fuit temporibus   Antonini, a cons. Saturnini et Galli  usque Presente et Extricato.
Calixtus  ann. V m. II d. X.  fuit temporibus Macrini et Eliogabali, a cons. Antonini et Adventi usque Antonino III et Alexandro.
Urbanus ann. VIII mens. XI d. XII.  fuit temporibus Alexandri, a cons. Maximi et Eliani usque Agricola et Clementino.
Pontianus ann. V m. II d. VII.  fuit temporibus Alexandri, a cons. Pompeiani et Peligniani. Eo tempore Pontianus episcopus et Yppolitus presbiter exoles sunt deportati in Sardinia in insula uocina Severo et Quintiano cons.  in eadem insula discinctus est IIII kal. Octobr. et loco eius ordinatus est Antheros XI kal. Dec. cons. ss. 
Antheros m. uno dies. X.  Dormit III non. Ian. Maximo et Africano cons.
Fabius  ann. XIIII m. I d. X.   fuit temporibus Maximini et Cordiani et Filippi, a cons. Maximini et Africani usque Decio II et Grato.  passus XII kal. Feb.  hic regiones divisit diaconibus et mul|tas fabricas per cimiteria fieri iussit.  post passionem eius Moyses et Maximus presbyteri et Nicostratus diaconus comprehensi sunt et in carcerem sunt missi.  eo tempore supervenit Novatus ex Africa et separavit de ecclesia Novatianum et quosdam confessores, postquam Moises in carcere defunctus est, qui fuit ibi m. XI d. XI.
Cornelius ann. II m. III d. X.  a cons. Decio IIII et Decio II usque Gallo et Volusianuo.  sub episcopatu eius Novatus extra ecclesiam ordinavit Novatianum in urbe Roma et Nicostratum in Africa.  hoc facto confessores, qui se separaverunt a Cornelio, cum Maximo presbytero, qui cum Moyse fuit, ad ecclesiam sunt reversi.  post hoc Centumcellis expulsi.  ibi cum gloria dormitionem accepit.
Lucius  ann. II m. VIII d. X.  fuit temporibus Galli et Volusiani usque Valeriano III et Gallieno II.  hic exul fuit et postea nutu dei incolumis ad ecclesiam reversus est  III non. Mar. cons.  ss. 
Steffanus  ann. IIII m. II d. XXI.  fuit temporibus Valeriani et Gallieni, a cons. Volusiani et Maximi usque Valeriano III et Gallieno II.
Xystus  ann. II m. XI. d. VI.  coepit a cons. Maximi et Glabrionis usque Tusco et Basso et passus est VIII id. Auga cons. Tusci et Bassi usque in diem XII kal. Aug. Aemiliano et Basso cons.
Dionisius  ann. VIII m. II d. IIII.   fuit temporibus Gallieni, ex die XI kal. Aug. Aemiliano et Basso cons. usque in diem VII kal. Ian. cons. Claudi et Paterni.
Felix  ann. V m. XI d. XXV.  fuit temporibus Claudi et Aureliani, a cons. Claudi et Paterni usque in consulatum Aureliano II et Capitolino.
Eutycianus  ann. VIII m. XI d. III.  fuit temporibus Aureliani, a cons. Aureliano III et Marcellino usque in diem VII idus Dec. Caro II et Carino cons.
Gaius  ann. XII m. IIII d. VII.  fuit temporibus Cari et Carini, ex die XVI kal. Ian. cons. Carino II et Carino usque in X kal. Mai.  Diocletiano VI et Constantio II.
Marcellinus  ann. VIII m. III d. XXV.  fuit temporibus Diocletiani et Maximiani ex die prid. kal. Iulias a cons. Diocletiano VI et Constantio II usque in consul.  Diocletiano VIIII et Maximiano VIII.  ||  quo tempore fuit persecutio et cessavit episcopatum ann. VII m. VI d. XXV.
Marcellus annum unum m. VI d. XX.  fuit temporibus || Maxenti, a cons. X et Maximiano usque post consulatum X et septimium.
Eusebius  m. IIII d. XVI, a XIIII kal. Maias usque in diem XVI kal. Sept.
Miltiades  ann. III m. VI d. VIII, ex die VI nonas Iulias a consulatu Maximiano VIII solo, quod fuit mense Sep. Volusiano et Rufino, usque in III idus Ianuarias Volusiano et Anniano coss.
Silvester  ann. XXI m. XI.  Fuit temporibus Constantini, a consulatu Volusiano et Anniani [314] ex die prid. kal. Feb. usque in diem kal. Ian. Constancio et Albino coss. [335]
Marcus mens. VIII dies XX.  et hic fuit temporibus Constantini, Nepotiano et Facundo coss. [336] ex die XV. kal. Feb. usque in diem non. Octob. coss. ss.
Iulius  ann. XV m. I d. XI.  fuit temporibus Constantini, a consulatu Feliciani et Titiani [337] ex die VIII id. Feb. in diem pridie idus Apr. Constancio V et Constancio Caes. [352].  hic multas fabricas fecit: basilicam in via Portese miliario III; basilicam in via Flaminia mil. II quae appellatur Valentini; basilicam Iuliam, quae est regione VII iuxta forum divi Traiani; basilicam trans Tiberim regione XIIII iuxta Callistum; basilicam in via Aurelia mil. III ad Callistum.
 Liberius  fuit temporibus Constanti et Constanti ex die XI kal. Iun. in diem a consulatu Constantio V et Constantio Caes. coss. [352]”
Tradução:
“QUANDO TIBÉRIO CÉSAR REINAVA, NOSSO SENHOR JESUS CRISTO MORREU, OS DOIS GÊMEOS SENDO CONSULES, NO OITAVO DIA ANTES DAS CALENDAS DE ABRIL. E DEPOIS DE SUA ASCENSÃO O ABENÇOADO PEDRO ASSUMIU O EPISCOPADO. A PARTIR DESSE MOMENTO MOSTRAREMOS PELA SUCESSÃO DE ORDENAÇÕES, QUEM FOI BISPO, QUANTOS ANOS PRESIDIU OU QUEM ERA IMPERADOR.
Pedro - 25 anos, 1 mês, 9 dias. Ele esteve nos tempos de Tibério César e Caio e Tibério Cláudio e Nero, junto do consulado de Minucius e Longinus [30 d.C] ao de Nero e Verus [AD 55]. No entanto, ele morreu com Paulo no 3º dia antes das calendas de julho, como o Imperador Nero sendo cônsul.
Lino - 12 anos, 4 meses, 12 dias. Ele esteve na época de Nero, do consulado de Saturnino e Scipio [56] ao de Capito e Rufus [67].
Clemente - 9 anos, 11 meses, 12 dias. Ele estave nos tempos de Galba e Vespasiano, do consulado de Tracalus e Italicus [68] ao de Vespasiano pela 6ª vez e Tito [76].
Cleto - 6 anos, 2 meses, 10 dias. Ele estava nos tempos de Vespasiano e Tito e o início de Domiciano, do consulado de Vespasiano pela 8ª vez e Domiciano pela 5ª [77] ao de Domiciano pela 9ª vez e Rufus [83].
Anacleto -12 anos, 10 meses e 3 dias. Ele estava no tempo de Domiciano, do consulado de Domiciano pela 10ª vez e Sabino [84] ao de Domiciano pela 17ª vez e Clemente [95].
Evaristo - 13 anos e 7 meses, 2 dias. Ele estava nos últimos tempos de Domiciano, e de Nerva e Trajano, do consulado de Valente e Vero [96] ao de Gallus e Bradua [108].
Alexandre - 11 anos, 2 meses, 1 dia. Ele estava no tempo de Trajano, do consulado de Palma e Tullus [109] ao de Velianus e Vetus [116].
Sisto 10 anos, 3 meses, 21 dias. Ele estava no tempo de Adriano, do consulado de Níger e Apronianus [117] ao de Vero pela 3ª vez e Ambibulus [126].
Telésforo 11 anos, 3 meses, 3 dias. Estava na época de Antoninius Macrinus do consulado de Titianus e Galicano [127] ao de César e Balbino [137].
Higino 12 anos, 3 meses, 6 dias. Ele estava na época de Vero, do consulado de Galicano e Vetus [150] ao de Praesens e Rufino [153].
Pio - 20 anos, 4 meses, 21 dias. Ele estava no tempo de Antonino Pio, do consulado de Clarus e Severo [146] ao dos dois imperadores [161]. Sob o seu episcopado, seu irmão Hermas escreveu o livro, no qual estão contidos os mandatos, que um anjo lhe ensinou, quando ele veio a ele na roupa de um pastor.
Sotero 9 anos 3 meses, 2 dias. Ele estava nos tempos de Antonino e Cômodo, do consulado de Vero e Herenianus [171] ao de Paternus e Bradua [185].
Victor 9 anos, 2 meses 10 dias. Ele estava no tempo de Antonino, do consulado de Saturnino e Gallus [198] ao de Praesens e Extricatus [217].
Calisto 5 anos, 2 meses, 10 dias. Ele estava nos tempos de Macrino e Heliogábalo, do consulado de Antonino e Adventus [218] ao de Antoninus pela 3ª vez e Alexandre [222].
Urbano 8 anos e 11 meses, 12 dias. Ele estava na época de Alexandre, do consulado de Máximo e Elianus [223] ao de Agricola e Clementinus [230].
Ponciano 5 anos, 2 meses e 7 dias. Ele estava na época de Alexandre, do consulado de Pomeianus e Peignianus [231]. Nesse tempo, o exilado bispo Ponciano e o presbítero Hipólito foram deportados para a Sardenha, na ilha de Vocina, Severo e Quintianus sendo cônsules [235]. Na mesma ilha que ele morreu no 4º dia antes das calendas de outubro e em seu lugar Antero foi ordenado no 11º dia antes das calendas de dezembro, os imperadores sendo cônsules [235].
Antero um mês, 10 dias. Ele dormiu no 3º dia antes das nonas de Janeiro, Máximo e Africanus sendo cônsules. [236]
Fábio 14 anos, 1 mês, 10 dias. Ele estava nos tempos de Maximino e Gordiano e Filipe, do consulado de Maximino e Africanus [236] ao de Décio pela segunda vez e Gratus [250]. Ele morreu no 12º dia antes das calendas de fevereiro. Nesta época, ele dividiu as regiões entre os diáconos e ordenou muito trabalho de construção feita pelos cemitérios. Depois de seu martírio os presbíteros Moisés e Máximo e o diácono Nicóstrato foram presos e jogados na prisão. Ao mesmo tempo Novato veio da África e o separado da Igreja, Novaciano e alguns desses confessores, depois que Moisés morreu na prisão, que tinha sido há 11 meses e 11 dias.
Cornélio 2 anos, 3 meses, 10 dias. Do consulado de Décio pela 4ª vez e Decius pela 2ª vez [251] ao de Gallus e Volusianus [252]. Sob seu episcopado Novato ordenou Novaciano fora da igreja na cidade de Roma e Nicóstrato na África. Depois disto, os confessores, que se haviam se separado de Cornélio, com Máximo, o presbítero, que tinha estado com Moisés, voltou para a igreja. Depois disso, ele foi expulso de 100 edifícios. Lá com a glória, ele morreu.
Lúcio 2 anos, 8 meses, 10 dias. Ele estava nos tempos de Gallus e Volusianus até Valeriano pela 3ª vez e Galiano pela 2ª [255]. Nesta época, ele foi exilado e, posteriormente, pela vontade de Deus, ele foi restaurado ileso à igreja no terceiro dia antes das nonas de março, os imperadores sendo cônsules.
Estevão 4 anos, 2 meses, 21 dias. Ele estava nos tempos de Valeriano e Galieno, do consulado de Volusianus e Máximo [253] ao de Valeriano pela 3ª vez e Galiano pela 2ª [255].
Sisto 2 anos e 11 meses, 6 dias. Ele começou a partir do consulado de Máximo e Glabrio [256] ao de Tuscus e Bassus [258] e morreu no 8º dia antes dos idos de agosto do consulado de Tuscus e Bassus [258] ao 12º dia antes das calendas de agosto, Aemilianus e Bassus sendo cônsules. [259]
Dionísio 8 anos e 2 meses, 4 dias. Ele estava no época de Galiano, do 11º dia antes das calendas de agosto, Emiliano e bassus sendo cônsules [259] ao 7º dia antes das calendas de Janeiro, no consulado de Claudius e Paternus [269].
Félix 5 anos, 11 meses, 25 dias. Ele estava nos tempos de Cláudio e Aureliano, do consulado de Claudius e Paternus [269] ao consulado de Aureliano pela 2ª vez e Capitolinus [274].
Eutiquiano 8 anos, 11 meses, 11 dias. Ele estava na época de Aureliano, do consulado de Aurelian pela 3ª vez e Marcelino [275] ao o 7º dia antes dos idos de Dezembro, Caro pela 2ª vez e Carino sendo cônsules [283].
Caio 12 anos, 4 meses e 7 dias. Ele estava nos tempos de Caro e Carino, desde o dia 16, antes das calendas de Janeiro, no consulado de Carinus pela 2ª vez e Carino [283] ao 10º dia antes das calendas de Maio, Diocleciano pela 6ª vez e Constâncio pela 2ª vez (sendo cônsules) [296].
Marcelino 8 anos, 3 meses, 25 dias. Ele estava nos tempos de Diocleciano e Maximiano desde o dia antes das calendas de julho, do consulado de Diocleciano pela 6ª vez e Constâncio pela 2ª [296] ao consulado de Diocleciano pela 9ª vez e Maximiano pela 8ª [304 ]. Neste tempo houve uma perseguição e o episcopado cessou por 7 anos, 6 meses e 25 dias.
Marcelo 1 ano, 6 meses, 20 dias. Ele estava no tempo de Maxêncio, do consulado dele mesmo pela 10ª vez e Maximiano [308] ao o ano após seu 10º consulado e do 7º (de Maximiano) [309].
Eusébio de 4 meses, 16 dias, a partir do 14º dia antes das calendas de maio ao dia 16º antes das calendas de setembro.
Melquíades 3 anos, 6 meses, 8 dias, a partir do 6º dia antes das nonas de julho no consulado de Maximiano pela  8ª vez sozinho, que foi no mês de setembro, de Volusianus e Rufino [311] ao terceiro dia antes idos de Janeiro, Volusianus e Annianus sendo cônsules [314].
Silvestre - 21 anos, 11 meses. Ele estava no tempo de Constantino, do consulado de Volusianus e Annianus [314] do dia antes das calendas de fevereiro, até as calendas de Janeiro, Constâncio e Albinus sendo cônsules. [335]
Marcus - 8 meses e 20 dias. E este estava na época de Constantino, Nepociano e Facundus sendo cônsules [336] do 25º dia antes das calendas de fevereiro até as nonas de outubro, os imperadores sendo cônsules.
Júlio 15 anos, 1 mês, 11 dias. Ele estava na época de Constantino, do consulado de Felicianus e Titianus [337] do oitavo dia antes dos idos de fevereiro até a data antes dos idos de abril, Constâncio pela quinta vez e Constâncio Caesar (sendo cônsules) [352]. Este fez muito trabalho de construção: a basílica na via Portese na 3ª etapa; uma basílica na Via Flamínia na segunda etapa, que é chamada de valentiniana; basílica Julia, que está na região 7 perto do forum do Trajano deificado; uma basílica através do Tibre, na região 14 perto de Calisto; uma basílica na via Aureliana na 3ª etapa em Calisto.
Liberio -  Ele esteve nos tempos de Constâncio e Constâncio, do 11º dia antes das calendas de junho, à partir do consulado de Constâncio pela 5ª vez e Constâncio César sendo cônsul. [352]” (Catálogo Liberiano. Cronografia de 354 -  Parte XIII)
 
OPTATO DE MILEVIS (380 d.C)

Optato foi bispo na cidade de Milevi na Numídia, no século IV, ele é lembrado principalmente por suas obras contra o donatismo. E é em uma destas obras contra o donatismo que ele cita a lista dos bispos de Roma de Pedro até o seu tempo, nela temos:
 
“Você não pode, então, negar que você sabe que sobre Pedro pela primeira vez na cidade de Roma foi concedido a Cathedra Episcopal, em que sentou Pedro, o chefe de todos os Apóstolos (razão pela qual ele foi chamado Cefas), que, nesta Cathedra, a unidade deve ser preservada por todos, se os outros Apóstolos pudessem alegar ---- cada um por si ---- separadas cátedras, de modo que aquele que colocasse uma segunda Cathedra contra a única Cathedra já seria um cismático e um pecador.
Bem, então, por uma Cathedra, que é a primeira dos legados, Pedro foi o primeiro a sentar.
A Pedro sucedeu Lino, a Lino sucedeu Clemente, a Clemente Anacleto, a Anacleto Evaristo, a Evaristo Sisto, a Sisto Telesforo, a Telesforo Higino, a Higino Anaceto, a Anaceto Pio, a Pio Sotero, a Sotero Alexandre, a Alexandre Victor, a Victor Zeferino, a Zeferino Calisto, a Calisto Urbano, a Urbano Ponciano, a Ponciano Antero, a Antero Fabiano, a Fabiano Cornélio, com Cornélio Lúcio, a Lúcio Estevão, a Estevão Sisto, a Sisto Dionísio, a Dionísio Felix, a Felix Marcelino, a Marcelino Eusébio, Eusébio Melquíades, a Melquíades Silvestre, a Silvestre Marcus, a Marcus Júlio, a Júlio Libério, a Libério Dâmaso, a Dâmaso Sirício, que hoje é o nosso colega, com quem "o mundo inteiro", através da relação sexual de cartas de paz, concorda com a gente em um vínculo de comunhão.
Agora você mostre a origem da sua Cathedra, vocês que pretendem reclamar a Santa Igreja para si!” (Contra os Donatistas- Livro 2, Capítulo 2,3)
 
SÃO JERÔNIMO (396 d.C)

Jerônimo de Stridon (ou do latim: Eusebius Sophronius Hieronymus) viveu entre os séculos IV e V. Nasceu em Stridon, uma cidade na Dalmácia e Pannonia, por volta do ano 340 d.C; morreu em Belém, em 30 de setembro de 420.
 
Apesar de São Jerônimo não ter uma lista corrida de bispos de Roma, ele menciona a ordem de alguns em seus escritos, o que nos mostra que a lista dos bispos de Roma era bem conhecida dentre os primeiros Cristãos:
1º Pedro
“Simão Pedro, O filho de João, da Vila de Betsaida na província da Galiléia, irmão de André o Apóstolo, e ele mesmo príncipe dos Apóstolos, depois do episcopado da Igreja de Antioquia e pregando para a dispersão e os da circuncisão, que tinham acreditado no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, no segundo ano de Cláudio vai a Roma para se opor a Simão, o Mago, e lá por 25 anos ocupou a cadeira sacerdotal até o último ano de Nero, isto é o décimo quarto.” (Dos homens ilustres - Capitulo 1)
4º Clemente
"Clemente, de quem o apóstolo Paulo escreve aos Filipenses diz: "Com Clemente e outros de meus companheiros de trabalho, cujos nomes estão escritos no livro da vida", (cf. Fl 4:3) o quarto bispo de Roma depois de Pedro, se de fato o segundo foi Lino e o terceiro Anacleto, embora a maioria dos latinos pensam que Clemente foi o segundo depois do apóstolo.” (Dos Homens Ilustres - Capítulo 15)
13º Victor
“Victor o décimo terceiro Bispo de Roma, escreveu: Sobre a controversa da pascoa e algumas outras obras pequenas. Ele governou a Igreja por dez anos no reinado do imperador Severo.” (Dos Homens Ilustres - Capítulo 34)
22º Estevão
“Cipriano de abençoada memória tentou evitar as cisternas e não beber das águas estranhas, e, portanto, rejeitando batismo herético, convocou seu Sínodo Africano em oposição a Estevão que era o vigésimo segundo sucessor do bem-aventurado Pedro na Sé de Roma. Eles se reuniram para discutir o assunto, mas a tentativa falhou. Por último aqueles bispos que tinham se reunido com ele e determinado que os hereges deveriam ser re-batizados, voltaram para o velho costume e publicaram um novo decreto...” (Contra os Luciferianos 23)
Assim,  São Jerônimo também confirma a lista de Eusébio e Santo Irineu.
 
AGOSTINHO DE HIPONA (400 d.C)

Agostinho foi bispo de Hipona (litoral noroeste da África). Nasceu em Tagaste (Numídia) em 13 de Novembro de 354 e morreu em Hipona em 28 de Agosto de 430. Ele é um dos mais proeminentes doutores da Igreja. Em seu ministério combateu fortemente as heresias dos Maniqueus e Pelagianos. Em sua Epístola 53, nos dá a lista de bispos de Roma:
 
“Se vamos considerar a ordem dos Bispos que se vão sucedendo, más certa e consideradamente empezaremos a contar desde Pedro, figura de toda a Igreja, a quem disse o Senhor:  “sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (cf. Mt 16:18) - A Pedro Sucedeu Lino, Clemente, Anacleto, Evaristo, Alexandre, Sisto, Telésforo, Higino, Aniceto, Pio, Sótero, Eleutério, Victor, Zeferino, Calisto, Urbano, Ponciano, Antero, Fabiano, Cornélio, Lúcio, Estêvão, Sisto, Dionísio, Félix, Eutiquiano, Caio, Marcelino, Marcelo, Eusébio, Miltíades, Silvestre, Marcos, Júlio, Libério, Dâmaso e Sirício, cujo sucessor é o presente bispo Anastácio.  Em esta ordem de sucessão nenhum Bispo donatista é encontrado.  Só recentemente enviaram de Improviso uma pessoa ordenada que com alguns africanos se ganhou em Roma o apelido de monenes ou cutzuptas.” (EPÍSTOLA 53, 1.2)
 
Vemos então acima o Santo afirmar que Pedro “portou a figura da Igreja inteira” e ainda citar a ordem ininterrupta da sucessão apostólica a partir de São Pedro. O escrito acima foi feito pelo Santo Bispo de Hipona principalmente para combater os donatistas.
 
CONCLUSÃO

A verdade dos fatos testifica, portanto, a ininterrupta lista dos bispos de Roma, demonstrada e confirmada pelos mais grandiosos Padres da Igreja que viveram pouco tempo após os apóstolos, e cujo pensamento influenciou várias gerações até a modernidade.
 
É difícil imaginar como há quem, mesmo diante de tão claras provas, ainda queira objetar contra a fundação petrina da Igreja de Roma, só mesmo a cegueira intelectual e espiritual para fazer com que alguém negue o que é facilmente atestado por uma pessoa com um pouco de inteligência.
 
BIBLIOGRAFIA

A bibliografia a seguir, serve para o estudioso pesquisar a lista dos papas da Igreja em fontes originais e históricas, a partir delas toda a sucessão dos bispos de Roma até poucos séculos atrás pode ser traçada:
 
Liber Pontificalis, escrito provavelmente pelo Papa São Dámaso I (366-384) e que foi sendo sucessivamente complementado no decorrer dos séculos; foi editado em termos críticos e científicos por Louis Duchesne.
Chronicon Pontificum et Imperatorum, de Martinho de Tropau O. P. (+ 1278). A terceira edição desta obra vai até Nicolau II (1277-1280). Cf. ed. L. Welland, em Monumenta Germanie Historica, Scriptoros XXII, pp. 327-345;
Liber de Vita Christi ae omnium Pontificum, de Platina. Editio Princeps, Venetiis 1479.
Epitome Pontificum Romanorum a S. Pedro usque ad Paulum III. Gestorum electionis singulorum et conclavium compandiaria narratio, de O. Panvínio, Roma 1557.
Annales de Barônio, Roma 1588. A cronografia de Barônio, que vai até 1198, foi reconhecida por quase todos os historiadores até o século passado.
Conatus chronologico-historicus ad universam seriem Romanorum Pontificum - Daniel Papebroch.
Mémoires -  Tillemont, Paris 1693-1712.
Chronologia Romanorum Pontificum in pariete australi basilicae S. Pauli Viae Ostiensis depicta saee. V seu aetate S. Leonis Pp. Magni cum additione reliquorum Summorum Pontificum nostra ad hace tempora perducta, -  G. Marangoni, Roma 1751.
Regesta Pontificum -  Jaffé até 1198, e de Potthast até 1304.
Hierarchia Catholica -  Eubel, de 1198 em diante.
 
NOTAS

[1] Ler sobre a controvérsia da passagem aqui:
 
PARA CITAR

RODRIGUES, Rafael. A sucessão dos bispos de Roma pelos padres da Igreja. Disponível em: . Desde: 25/02/2015

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Estudo sobre os livros dos Macabeus


O PRIMEIRO LIVRO DOS MACABEUS (Makkabaion A; Liber Primus Machabaeorum).

 
Conteúdo
O Primeiro Livro dos Macabeus é uma história da luta do povo judeu pela liberdade religiosa e política sob a liderança da família Macabeu, com Judas Macabeus como a figura central. Após uma breve introdução (I, 1-9), explicando como os judeus chegaram a passar da dominação persa à dos Seleucidas, relata as causas do insurreição sob Matatias e os detalhes da revolta até sua morte (I, 10-II); os feitos gloriosos e morte heróica de Judas Macabeus (III-IX, 22); a história de sucesso da liderança de Jonatã (ix, 23-XII), e da sábia administração de Simão (xiii-xvi, 17). Conclui (xvi, 18-24) com uma breve menção às dificuldades enfrentadas com a acessão de João Hircano e com um breve resumo de seu reinado. O livro abrange, portanto, o período entre os anos 175 e 135 a.C.

Características
A narrativa, tanto em estilo quanto em forma segue o modelo dos livros históricos anteriores do Antigo Testamento. O estilo é geralmente simples, mas às vezes se torna eloqüente e até mesmo poético, como, por exemplo, no lamento de Matatias sobre as desgraças do povo e da profanação do Templo (II, 7-13), ou no elogio de Judas Machabeus (III, 1-9), ou ainda na descrição da paz e da prosperidade das pessoas após os longos anos de guerra e sofrimento (XIV, 4-15). O tom é calmo e objetivo, o autor como uma regra abstem-se de qualquer comentário direto sobre os fatos que ele está narrando. Os eventos mais importantes são cuidadosamente datados de acordo com a era Selêucida, que começou com o outono de 312 a.C. Deve notar-se, no entanto, que o autor começa o ano com primavera (o mês Nissan), ao passo que o autor de II Macabeus. começa com o outono (o mês Tishri). Em razão dessa diferença alguns dos eventos são datados de um ano depois, no segundo do que no primeiro livro. (Cf. Patrizzi, “De consensu Utriusque Libri Mach.”, 27 sq .; Schürer, “Hist. Do Povo Judeu”, I, i, 36 sq.).

Língua original
O texto a partir do qual todas as traduções foram derivadas é o grego da Septuaginta. Mas há pouca dúvida de que a Septuaginta é a própria tradução de um original hebraico ou aramaico, com as probabilidades a favor do hebraico. Não é apenas a estrutura das frases decididamentes hebraicas (ou aramaicas); mas muitas palavras e expressões que ocorrem são representações literais de hebraismos (por exemplo, I, 4, 15, 16, 44; II, 19, 42, 48; v, 37, 40; etc.). Essas peculiaridades dificilmente podem ser explicadas assumindo que o escritor foi pouco versado em grego, para um número de casos mostram que ele estava familiarizado com as sutilezas da linguagem. Além disso, há expressões inexatas e obscuridades que podem ser explicadas apenas na suposição de uma tradução imperfeita ou uma leitura errada de um original hebraico (por exemplo, I, 16, 28; IV, 19, 24; XI, 28; XIV, 5) . A evidência interna é confirmada pelo testemunho de São Jerônimo e de Orígenes. O primeiro escreve que ele viu o livro em hebraico: “Machabaeorum primum librum Hebraicum reperi” (Prol Galeat..). Como não há razões para supor que São Jerônimo refere-se a uma tradução, e como ele não é susceptível de ter aplicado o termo hebraico para um texto aramaico, o seu testemunho é fortemente a favor de um texto hebraico contra um aramaico original. Orígenes relata (Eusébio, História da Igreja VI, 25) que o título do livro era Sarbeth Sarbane el, ou mais corretamente Sarbeth Sarbanaiel. Embora o significado deste título seja incerto (foram propostas uma série de explicações diferentes, especialmente da primeira leitura), é manifestamente ou hebraico ou aramaico. O fragmento de um texto Hebreu publicada por Chwolson em 1896, e mais tarde novamente por Schweitzer, dificilmente podem ser considerados como parte do original.

Autor e data de composição
Não há dados podem ser encontrados tanto no próprio livro quanto em escritores posteriores que nos dêem uma pista sobre a pessoa do autor. Nomes têm sido mencionados, mas em conjecturas sem base. Que ele era um nativo da Palestina é evidente a partir da língua em que ele escreveu, e do profundo conhecimento da geografia da Palestina que ele possui. Embora ele raramente expressa seus próprios sentimentos, o espírito que permeia sua obra é a prova de que ele era profundamente religioso, zeloso pela Lei, e simpatizante do movimento dos Macabeus e seus líderes. No entanto, por mais estranho que pareça, ele evita cuidadosamente o uso das palavras “Deus” e “Senhor” (que é do melhor texto grego; no texto ordinário “Deus” é encontrado uma vez, e “Senhor” três vezes; na Vulgata ambos ocorrem repetidamente). Mas isto é, provavelmente, devido a reverência pela nomes Divinos, “Yahweh” e Adonai”, já que muitas vezes ele usa o equivalente “céu”, “Tu”, ou “ele”. Não há absolutamente nenhum motivo para o parecer, mantido por alguns estudiosos modernos, que ele era um saduceu. Ele não menciona, é verdade, os altos-sacerdotes indignos, Jason e Menelau; mas como ele menciona a Alcimus não menos indigno, e isso nos termos mais severos, não pode-se dizer que ele pretende poupar a classe sacerdotal.
Os últimos versos revelam que o livro não pode ter sido escrito até algum tempo após o início do reinado de João Hircano (135-105 aC), pois menciona a sua aascenção e alguns dos atos de sua administração. A última data possível é geralmente admitida como sendo antes de 63 a.C, o ano da ocupação de Jerusalém por Pompeu; mas há alguma diferença no que fixa a data exata aproximadamente. Se ela pode ser colocada logo no reinado de Hircano depende do significado do verso concluindo: “Eis que estes [Atos dos Hircano] estão escritos no livro dos dias do seu sacerdócio, a partir do momento (xx xx “ex quo”) que ele foi feito sumo sacerdote depois de seu pai”. Muitos entendem que isso indica que Hircano ainda era vivo, e este parece ser o sentido mais natural. Outros, no entanto, levam a concluir que Hircano já estava morto. Nesta última hipótese a composição do trabalho deve ter seguido perto a morte do legislador. Pois não só o personagem da narrativa vívida sugere um breve período após os acontecimentos, mas a ausência de ter a menor alusão aos acontecimentos mais tardios depois da morte de Hircano, e, em particular, a ascenção de seus dois sucessores que despertaram ódio popular contra os Macabeus, faz uma data muito posterior ser improvável. A data estaria, portanto, em qualquer caso, dentro dos últimos anos do século II a.C.

Historicidade
No século XVIII, os dois irmãos E.F e G. Wernsdorf tentanram desacreditar I Macanbeus, mas com pouco sucesso. Os estudiosos modernos de todas as escolas, mesmo as mais extremas, admitem que o livro é um documento histórico do mais alto valor. “No que diz respeito ao valor histórico de I Macabeus”, diz Cornill, (Einl, 3ª ed, 265..) “não há senão uma só voz; Nele possuímos uma fonte de primeira ordem, um conto absolutamente confiável de uma das épocas mais importantes na história do povo judeu.” A precisão de alguns pequenos pormenores relativos a nações estrangeiras tem, no entanto, sido negado.
Quando um escritor simplesmente relata as palavras dos outros, um erro pode só pode ser posto em sua contra quando ele reproduz as suas declarações inadequadamente. A afirmação de que Alexandre dividiu seu império entre seus generais (de ser entendida à luz do vv. 9 e 10, onde é dito que eles “fizeram-se reis... E colocar coroas sobre si mesmos após a sua morte”), não pode ser demonstradas que são erradas. Quintus Curtius, que é a autoridade do ponto de vista contrário, reconhece que houve escritores que acreditavam que Alexandre fez uma divisão das províncias por sua vontade. Assim o autor do I Macabeus é um historiador cuidadoso e escreveu cerca de um século e meio antes de Q. Curtius, então merece mais crédito do que este, mesmo que ele não fosse apoiado por outros escritores. Quanto ao exagero dos números, em alguns casos, na medida em que eles não são erros de copistas, deve-se lembrar que os autores antigos, tanto sagrados quanto profanos, muitas vezes não dão números absolutos, mas estimativas ou números popularmente conhecidos. Os números exatos não podem ser razoavelmente esperados em um conto de uma insurreição popular, como a de Antioquia (XI, 45,48), porque eles não podem ser verificados. Agora, o mesmo foi frequentemente o caso no que diz respeito à resistência das forças do inimigo e do número de inimigos mortos em batalha. A cláusula de modificação, tal como “é relatado”, devem ser fornecidas nesses casos.

Fontes
Que o autor usou fontes escritas, até certo ponto é testemunhado pelos documentos que ele cita (VIII, 23-32; X, 3-6, 18-20, 25-45; XI, 30-37; XII, 6-23 ; etc.). Mas há pouca dúvida de que ele também derivou a maior parte de outros assuntos de registros escritos dos acontecimentos, a tradição oral é insuficiente para dar conta das muitas informações e detalhes minuciosos; Há todos os motivos para acreditar que tais registros existiam para os Atos de Jonatã e Simão, bem como para aqueles de Judas (IX, 22), e de João Hircano (XVI, 23-24). Para a última parte, ele também pode ter contado com as reminiscências de contemporâneos mais velhos, ou mesmo das suas próprias.

Texto Grego e Versões antigas
A tradução grega provavelmente foi feita logo depois que o livro foi escrito. O texto é encontrado em três códices uniciais, ou seja, o Sinaiticus, o de Alexandrinus e o Venetus, e em dezesseis manuscritos cursivos O Texto Receptus é o da edição Sixtine, derivado do Codex Venetus e alguns cursivos. As melhores edições são os de Fritzsche (“Libri Apocryphi VT”, Leipzig, 1871, 203 sq.) e o de Swete “AT, em grego”, Cambridge, 1905, III, 594 sq.), Ambos baseados no Codice Alexandrino. A versão latina antiga na Vulgata é a da Itala, provavelmente irretocado por São Jerônimo. Parte de uma versão ainda mais antiga, ou melhor, recensão (cap. I a XIII), foi publicada por Sabatier (Biblior. Sacror. Latinae verisiones Antiquae, II, 1017 sq.), o texto completo do que foi recentemente descoberto em manuscritos em Madrid. Duas versões Siríacas existem: a da Peshitta, que segue o texto grego da recensão Luciana, e outro publicado por Ceriani (“Translatio Syra photolithographice edita, Milão, 1876, 592-615), que reproduz o texto grego comum.

O SEGUNDO LIVROS DOS MACABEUS (Makkabaion B; Liber Secundus Machabaeorum).

Conteúdo
O segundo livro de Macabeus não é, como o nome pode sugerir, uma continuação do primeiro, mas abrange parte do mesmo assunto. O livro (II, 20 XV, 40) é precedido por duas cartas dos judeus de Jerusalém para seus correligionários egípcios (I, 1-II, 19). A primeira (I, 1-10a), datada do ano 188 da era Seleucida (ou seja, 124 a.C), além das manifestações de boa vontade e uma alusão a uma carta anterior, não contém nada além de um convite para os judeus do Egito para comemorarem a festa da Dedicação do Templo (instituído para comemorar a sua reinauguração, I Macabeus 4, 59; 2 Macabeus 10, 8). O segundo (I 10b-II, 19), que não tem data, é do “senado” (gerousia) e Judas (Machabeus) para Aristóbulo, o preceptor ou conselheiro de Ptolomeu (D.V Ptolomeu) (Philometor), e para o judeus no Egito. Ele informa os judeus egípcios da morte de Antíoco (Epifânes) enquanto tentava assaltar o templo de Nanea, e convida-os a juntarem-se aos seus irmãos palestinos na celebrando da festa da dedicação e da recuperação do Fogo Sagrado. A história da recuperação do fogo sagrado é, então, descrita, e em conexão com ela,  a história da clandestinidade do profeta Jeremias do tabernáculo, a arca e o altar do incenso. Depois de uma oferta de enviar cópias dos livros que Judas tinha recolhido após o exemplo de Neemias, que repete o convite para celebrar as duas festas, e conclui-se com a esperança de que os dipersos de Israel em breve poderão estar reunidos na Terra Santa.
O livro em si começa com um prefácio elaborado (II, 20-33), em que o autor depois de mencionar que o seu trabalho é um epítome da história maior em cinco livros de Jason de Cirene, afirma o motivo de ter scrito o livro, e comenta sobre os respectivos deveres do historiador e do resumista. A primeira parte do livro (III-IV, 6) refere-se a tentativa de Heliodóro, primeiro-ministro de Seleuco IV (187-175 a.C), de roubar os tesouros do templo na instigação de um certo Simão, e os problemas causados através deste último indivíduo para Onias III. O resto do livro é a história da rebelião Macabeana até a morte de Nicanor (161 a.C), e, portanto, corresponde a I Mac., I, 11-VII, 50. Seção IV, 7-X, 9, lida com o reinado de Antíoco Epifânio (1 Macabeus 1: 11-6: 16), enquanto a seção x, 10-xv, 37, registra os acontecimentos dos reinados de Antíoco Eupator e Demétrio I (1 Macabeus 6: 17-7: 50) . II Macabeus conseguinte, abrange um período de apenas 15 anos, 176-161 a.C. Mas, enquanto o campo é mais estreito, a narrativa é muito mais abundante em detalhes do que I Macabeus. E envolve muitos detalhes, por exemplo, nomes de pessoas, que não são encontrados no primeiro livro.

Objetivo e Características
Na comparação entre os dois livros de Macabeus, é claramente visto que o autor do segundo não, como o autor do primeiro, escreve a história apenas para familiarizar os leitores com os eventos que agitam do período com o qual ele está lidando. Ele escreve a história com vista à instrução e edificação. Seu primeiro objetivo é exaltar o Templo de Jerusalém como o centro de culto judaico. Isto é resultado das dores que ele o levam a exaltar em todas as ocasiões a sua dignidade e santidade. Isto é “o grande templo”, (ii, 20), “os mais renomados” e “o mais sagrado em todo o mundo” (ii, 23; v, 15), “o grande e santo templo” (xiv, 31 ); Até mesmo príncipes pagãos estimam-o como dignos de honra e glorificam com grandes presentes (iii, 2-3; V, 16; xiii, 23); a preocupação dos judeus no tempo de perigo foi mais para a santidade do Templo do que para suas esposas e filhos (xv, 18); Deus o proteje por interposições miraculosas (iii, XIV, 31 sq.) E pune os culpados de sacrilégio contra ele (iii, 24 sq .; ix, 16; xiii, 6-8; xiv, 31 sq .; xv, 32) ; se Ele permitiu que fosse profanado, foi por causa dos pecados dos judeus (v, 17-20). É, sem dúvida, com este projeto que as duas cartas, que não têm outra ligação com o livro, foram prefixadas para ele. O autor, aparentemente destinada seu trabalho especialmente para os judeus da Dispersão, e mais particularmente para aqueles do Egito, onde um templo cismático tinha sido erigido em Leontopolis cerca de 160 a.C. O segundo objectivo do autor é exortar os judeus a fidelidade à Lei, imprimindo-lhes que Deus ainda está consciente de sua aliança, e que Ele não os abandonará, a menos que primeiro eles o abandonem; as tribulações que enfrentam são um castigo por sua infidelidade, e cessará quando se arrependem (iv, 17; v, 17 e 19, vi, 13, 15, 16; vii, 32, 33, 37, 38; viii, 5, 36; xiv, 15; xv, 23, 24). Pois a diferença de objetivo corresponde a uma diferença de tom e de método. O autor não está satisfeito com os fatos meramente relativos, mas comenta livremente sobre pessoas e atos, distribuindo elogios ou culpa, pois podem merecer quando julgados do ponto de vista de um verdadeiro israelita. A intervenção sobrenatural em favor dos judeus é enfatizada. O estilo é retórico, as datas são relativamente poucas. Como já foi observado, a cronologia da II Macabeus, é ligeiramente diferente da de I Macabeus.

Autor e Data
II Macabeus é, como já foi dito, uma epítome de um trabalho maior feito por um certo Jason de Cirene. Nada mais se sabe deste Jason exceto que, a julgar pelo seu conhecimento geográfico exato, ele deve ter vivido durante algum tempo na Palestina. O autor da epítome é desconhecido. Desde o destaque que ele dá para a doutrina da ressurreição dos mortos, foi inferido que ele era um fariseu. Alguns até já sustentaram que seu livro era um escrito partidário farisaico. Este último, sustentado por poucos, é uma afirmação sem fundamento. II Macabeus não fala mais severamente de Alcimus que i Macabeus e o fato de que ele menciona os sumos sacerdotes, Jason e Menelau, por nome não prova mais que ele seja um escrito partidário farisaico do que a omissão de seus nomes na I Macabeus prova que ser uma produção dos saduceus. Jason deve ter terminado o seu trabalho logo após a morte de Nicanor, e antes do desastre ultrapassou Judas Macabeus, pois ele não só omite aludir à morte daquele herói, mas faz a declaração, o que seria visivelmente falsas se ele tivesse escrito mais tarde, que depois a morte de Nicanor Jerusalém sempre permaneceu na posse dos judeus (XV, 38). O epítome não pode ter sido escrito antes da data da primeira carta, que é de 124 a.C.
Quanto à data exata há grande divergência. Na suposição muito provável que a primeira carta foi enviada com uma cópia do livro, este último seria de aproximadamente da mesma data. Ele não pode, em qualquer caso, ser muito mais tardio, já que a demanda de uma forma abreviada da história de Jason, a que alude o autor no prefácio (II, 25-26), deve ter surgido dentro de um tempo razoavelmente curto após a publicação do referido trabalho. A segunda carta deve ter sido escrita logo após a morte de Antíoco, antes das circunstâncias exatas sobre a questão tornarem-se conhecidas em Jerusalém, portanto, cerca de 163 a.C. Que o Antíoco lá mencionado é Antíoco IV e não Antíoco III, como muitos comentaristas católicos mantém, é claro pelo fato de que sua morte está relacionada em conexão com a celebração da Festa da Dedicação, e que ele é representado como um inimigo da os judeus, o que não é verdade se fosse a respeito de Antíoco III.

Língua Original
As duas cartas que foram dirigidas aos judeus do Egito, que conheciam pouco ou nada de hebraico ou aramaico, foram com toda a probabilidade escritas em grego. Que o próprio livro foi composto na mesma língua, é evidente a partir do estilo, como São Jerônimo já comentou (Prol. Gal.). Hebraismos são em menor número do que seria esperado, considerando o assunto, enquanto expressões e construções gregas são muito numerosas. A origem helenística de Jason, e a ausência no epítome de todos os sinais de que iriam marcá-lo como uma tradução, são suficientes para mostrar que ele também escreveu em grego.

Historicidade
O Segundo Livro dos Macabeus é muito menos pensado como um documento histórico por estudiosos não-católicos do que o primeiro, embora Niese saiu fortemente recentemente em sua defesa.
As acusações levantadas contra as duas cartas não precisam, no entanto, nos preocupar, a não ser na medida em que elas afetam a sua autenticidade, daqui por diante. Estas cartas estão em pé de igualdade com os outros documentos citados em I e II Macabeus; o autor não é, portanto, responsável pela veracidade do seu conteúdo.
A seguir estão as principais objecções com algum fundamento real: (1) A campanha de Lysias, que eu Macabeus, IV, 26-34, coloca no último ano de Antíoco Epifânio, é transferido em II Macabeus XI, para o reinado de Antíoco Eupator; (2) Os ataques judeus em tribos vizinhas e as expedições para a Galiléia e Gileade, representadas em II Macabeus V, tal como decorre da rápida sucessão após a reinauguração do templo, são separados em II Macabeus e colocado num ambiente histórico diferente (viii, 30; x, 15-38; xii, 10-45); (3) O relato feito em II Macabeus IX, difere da de I Macabeus VI em relação à morte de Antíoco Epifânio, que é falsamente declarado como tendo escrito uma carta aos judeus.; (4) A imagem dos martírios em VI, 18-VII, é muito colorida, e é improvável que Antíoco estivesse presente para eles.
Para essas objeções que podem ser respondidas brevemente: (1) a campanha de que fala II Macabeus XI, não é a mesma que a relatada em I Macabeus IV; (2) Os eventos mencionados em VIII, 30 e X, 15 sss, não são narrados em I Macabeus V. Antes da expedição em Galaad (XII, 10 ss) Pode ser considerado como estando fora de seu contexto histórico adequado, que teria que provar que I Macabeus invariavelmente adere a ordem cronológica, e que os eventos agrupados em cap. V ocorreram em rápida sucessão; (3) As duas narrativas da morte de Antíoco Epifânio diferem, é verdade, mas elas se encaixam muito bem uma na outra. Considerando o caráter de Antíoco e a condição em que estava no momento, não é de todo improvável que ele escreveu uma carta aos judeus; (4) Não há nenhuma razão para duvidar de que, apesar da forma retórica a história dos martírios é substancialmente correta. Como o local onde ocorreu é desconhecido, é difícil vê porque razão a presença de Antíoco é negada. Deve notar-se, além disso, que o livro revela um conhecimento exato em uma infinidade de pequenos detalhes, e que são muitas vezes apoiados por Josefo, que não tinha conhecimento dela. Mesmo seus detratores admitem que a porção anterior é de grande valor, e que em tudo o que se relaciona com a Síria o seu conhecimento é extenso e minuto.

Texto e Versões Gregas
O texto grego é normalmente encontrado nos mesmos manuscritos como I Macabeus; ele está faltando, no entanto, no Cod. Sinaiticus, a versão latina na Vulgata é a de Itala. Uma versão mais antiga foi publicada por Peyron e novamente por Ceriani a partir do Codex Ambrosianus. Um terceiro texto latino é encontrado nos manuscritos de Madrid, que contém uma versão antiga do I Macabeus. A versão siríaca é muitas vezes uma paráfrase, em vez de uma tradução.

BIBLIOGRAFIA

GIGOT, Spec. Introd., I (New York, 1901), 365 sq.;
CORNELY, Introd., II (Paris, 1897), I, 440 sq.;
KNABENBAUER, Comm. in Lib. Mach. (Paris, 1907);
PATRIZZI, De Consensu Utriusq. Lib. Mach. (Rome, 1856);
FRÖLICH, De Fontibus Historiae Syriae in Lib. Mach. (Vienna, 1746);
KHELL, Auctoritas Utriusq. Lib. Mach. (Vienna, 1749);
HERKENNE, Die Briefe zu Beginn des Zweiten Makkabäerbuches (Freiburg, 1904);
GILLET, Les Machabées (Paris, 1880);
BEURLIER in Vig. Dict. de la Bible, IV, 488 sq.;
LESÊTRE, Introd., II (Paris, 1890);
VIGOUROUX, Man. Bibl., II (Paris, 1899), 217 sq.;
IDEM, La Bible et la Critique Ration., 5th ed., IV, 638 sq.;
SCHÜRER, Hist. of the Jewish People (New York, 1891), II, iii, 6 sq.; 211 sq.; 244 sq.;
FAIRWEATHER in HASTINGS, Dict. of the Bible, III, 187 sq.;
 NIESE, Kritik der beiden Makkabäerbücher (Berlin, 1900);
GRIMM, Kurzgefasstes Exeg. Handbuch zu den Apokryphen, Fasc. 3 and 4 (Leipzig, 1853, 1857);
KEIL, Comm. über die Bücher der Makkabäer (Leipzig, 1875);
KAUTZSCH (AND KAMPHAUSEN), Die Apokryphen und Pseudepigraphen des A. T. (Tübingen, 1900).

FONTE
BECHTEL, Florentine. Estudo Sobre o Livro de Macabeus. The Catholic Encyclopedia. Vol. 9. New York: Robert Appleton Company, 1910.  Disponível em <http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/apologetica/deuterocanonicos/762-estudo-sobre-os-livros-dos-macabeus>. Desde . Tradução: Rafael Rodrigues.

São Jerônimo falsificou os 25 anos de Pedro em Roma nas Crônicas de Eusébio?

INTRODUÇÃO

Há alguns dias, um amigo veio até nosso Grupo de Estudos Patrísticos no facebook, nos fazer a seguinte pergunta:
 
“Boa noite a todos! É verdade que Eusébio não disse que Pedro passou 25 anos em Roma? Vi alguns protestantes dizendo que São Jerônimo adulterou as Crônicas de Eusébio, que os 25 anos não se encontram nos manuscritos antigos.” TE.
Esta é uma questão bem interessante de ser estudada, e mais interessante ainda porque há algum tempo quando eu trouxe esta citação a tona em uma das matérias deste site, alguns protestantes acusaram que era falsa, que tinha sido forjada por nós, e que não existia em lugar algum das obras de Eusébio. Depois que lhes esfregamos a fonte na face, agora querem descredibilizá-la, afirmando que foi adulterada por São Jerônimo ou por alguém desconhecido.
Porém, antes de responder a questão de que “Jerônimo adulterou”, primeiro é preciso notar se as obras de Eusébio como um todo dão margem a Pedro estar em Roma 25 anos antes de sua morte ou realizando alguma atividade lá durante esses 25 anos.

A HISTÓRIA ECLESIÁSTICA DE EUSÉBIO CONFIRMA A ESTADIA DE PEDRO EM ROMA

Primeiro, mesmo que são Jerônimo tivesse adulterado alguma coisa, a História Eclesiástica de Eusébio nos dá fartas referências da estadia de Pedro em Roma durante o Reinado do Imperador Cláudio:
"Imediatamente depois, ainda no começo do império de Cláudio, a Providência universal, boníssima e cheia de amor aos homens,conduziu pela mão a Roma, qual adversário deste destruidor da vida, o valoroso e grande apóstolo Pedro, o primeiro dentre todos pela virtude. autêntico general de Deus, munido de armas divinas (Ef 6,14-17; 1Ts 5,8), trazia do Oriente ao Ocidente a preciosa mercadoria da luz inteligível, e anunciava, como a própria luz (cf. Jo 1,9) e palavra de salvação para as almas, a boa nova do reino dos céus." (Eusébio de Cesaréia - Livro II, Capitulo 14 Versículo 6)
Cláudio começou a reinar por volta do ano 41 d.C (ou 42), Pedro morreu por volta do ano 67 d.C sob o reinado de Nero, como o próprio Eusébio conta:
 "Pedro, contudo, parece ter pregado aos judeus da Diáspora, no Ponto, na Galácia, na Bitínia, na Capadócia e na Ásia (cf. 1Pd 1,1), e finalmente foi para Roma, onde foi crucificado de cabeça para baixo, conforme ele mesmo desejara sofrer.” (Eusébio de Cesaréia – Livro III, 1, 2)

Portanto (+-42) + 25 = (+-67), isto é Eusébio fala claramente que Pedro esteve exatamente 25 anos antes de sua morte em Roma. 

Mas o protestante não satisfeito pode objetar:
 "Isso não indica que ele permaneceu lá 25 anos, só indica que ele esteve em Roma 25 anos antes, ele pode ter ido embora depois".
Esta afirmação seria válida se Eusébio não mostrasse outras atividades de Pedro em Roma durante este tempo, sendo que ele foi pra lá para acabar com a idolatria a Simão Mago, o que não indica uma breve estadia. Outro Exemplo é que ele fala que Pedro também na Época do imperador Cláudio se relacionou com Filon, quando Pedro pregava em Roma:
“Segundo se conta, sob Cláudio, Fílon em Roma relacionou-se com pedro, que então pregava aos seus habitantes. Isto é verossímil, visto que o escrito a que nos referimos, exarado por ele muito mais tarde, encerra evidentemente normas da Igreja, agora ainda observadas entre nós.” (Eusébio de Cesaréia – História Eclesiástica Livro II, Capítulo 17, 17(1))
 Filon não foi pra Roma exatamente no inicio do governo de Cláudio, podemos conjecturar que um par de anos depois, logo já temos a evidência da ida de Pedro 25 anos antes de sua morte e sua atividade apostólica ao Pregar aos romanos. Portanto, Eusébio registra que Pedro Pregava aos Romanos, ou seja, estava catequizando os romanos que tinham sido enganados por Simão o Mago que era tratado como um deus,  quando Pedro  foi e despedaçou suas heresias.
A terceira e mais interessante evidência é o relato de Eusébio que fala que Pedro escreveu sua Primeira Epístola de Roma:
 “Diz-se que o apóstolo conheceu o fato por uma revelação do Espírito. Alegrou-se com o desejo deles e aprovou o livro por meio de leitura nas assembleias. Clemente, no sexto livro das Hypotyposes conta essa história e a confirma com seu testemunho o bispo de Hierápolis, chamado Papias. Pedro menciona marcos na sua primeira carta que, diz-se, ele mesmo compôs em Roma, assinalando-a com o nome simbólico de Babilônia, no seguinte trecho: “A que está em Babilônia, eleita como vós, vos saúda, como também Marcos, o meu filho” (1Pd 5,13).” (Eusébio de Cesaréia – História Eclesiástica – Livro II, Capítulo 15, Versículo 2)
 Ora segundo a crítica tradicional (não a modernista da linha de Bultman que coloca a carta para além do ano 100 d.C) a Carta de Pedro não é de antes do ano 50 d.C.
Portanto, Eusébio relata as atividades de Pedro em Roma durante vários anos a fio, depois de sua chegada. Isso não quer dizer que Pedro não possa ter ido a outros lugares durante este tempo, o que seria normal para um apóstolo. Então 25 anos não quer dizer que ele ficou ali pregado em uma cadeira sem sair, ele naturalmente foi para outros lugares como é relatado no livro de Atos, ele presente no Concílio de Jerusalém (Atos 15).

AS CRÔNICAS[1] DE EUSÉBIO E OS 25 ANOS

Tendo mostrado que Eusébio suporta a ideia de Pedro 25 anos antes de sua morte em Roma, vamos à questão de São Jerônimo ter adulterado a obra de Eusébio. Eu já tinha lido esta argumentação anos atrás num blog protestante americano. Os protestantes brasileiros, depois de terem dito que esta citação não existia em nenhuma obra de Eusébio, que era uma adulteração católica, descobriram a argumentação deste blog, traduziram e agora querem nos fazer acreditar que isto é verdade. A citação de Eusébio:
“Pedro, de nacionalidade Galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade.” (Crônicas de Eusébio Página 261 parágrafo 2)
Para falarem que São Jerônimo adulterou algo, eles usam a argumentação de um autor protestante, Edward Burton, do século 18, isto mesmo, de mais 200 anos atrás, totalmente desatualizado para as evidências modernas! Este autor diz basicamente dos 25 anos:
 “Lemos na Crônica de Eusébio, no ano 43, que Pedro, depois de fundar a Igreja de Antioquia, foi para Roma, onde pregou o Evangelho por vinte e cinco anos e foi bispo daquela cidade. Mas esta parte da Crônica não existe no grego, nem no Armênio, e supõe-se ter sido uma das adições feitas por Jerônimo. Eusébio não diz o mesmo em qualquer outra parte dos seus escritos, embora ele mencione São Pedro, indo para Roma no reinado de Cláudio: mas Jerônimo diz-nos que ele veio no segundo ano deste imperador, e manteve a Sé vinte e cinco anos. Por outro lado, Orígenes, que é citado pelo próprio Eusébio, diz que Pedro foi para Roma no final da sua vida: e Lactâncio coloca isto no reinado de Nero, e acrescenta que ele sofreu o martírio não muito tempo depois. Portanto o testemunho dos Padres se não desmente expressamente a sua longa permanência em Roma, está pelo menos dividido. Eusébio, de fato, diz na sua história, como já observamos, que Pedro foi para Roma no reinado de Cláudio: mas essa passagem, se lida com atenção, parece implicar que ele não ficou lá por muito tempo. Os Atos dos Apóstolos também tornam impossível que ele tenha residido lá durante os dezoito primeiros anos após a Ressurreição, enquanto o segundo ano de Cláudio (que é o tempo mencionado por Jerônimo da sua ida para Roma ) calha com o nono ano depois da Ressurreição, ou AD 42. A história contida nos Atos pode talvez lhe permitir ter ido a Roma algum tempo no reinado de Cláudio, mas a sua visita deve ter sido curta: se seguirmos Eusébio, ela deve ter sido antes dos eventos registrados no capítulo 18 dos Atos”  (A description of the antiquities and other curiosities of Rome)
 O trecho a que chamamos atenção é este:
“Mas esta parte das crônicas não existe no grego, nem no Armênio, e supõe-se ter sido uma das adições feitas por Jerônimo.”
É óbvio que existe no armênio, a única diferença do Armênio e a tradução de São Jerônimo é que o Armênio fala de “20 anos”, enquanto o “estudioso” desatualizado diz que não existe, alguns vão à onda, e incorporam seus “estudos”, sem nenhum filtro, a partir de uma afirmação falsa.
“O Apóstolo Pedro, após ter fundado a Igreja de Antioquia, vai para a cidade dos Romanos, e lá prega o Evangelho, e continua bispo da Igreja lá 20 anos." (Tradução Armênia) [http://www.attalus.org/translate/eusebius.html#Armenian]
Será que São Jerônimo também adulterou a tradução armênia? Muito pouco provável.
Sobre isto também comenta, cirurgicamente, Thomas Livius que viveu algumas décadas após Edward Burton:
“Os nossos adversários têm procurado aumentar o grau de dificuldade a partir do fato do texto original grego da Crônica de Eusébio não ser mais existente, e porque S. Jerônimo confessa que fez várias mudanças na sua paráfrase, também porque, Syncellus (século VIII), preservou a Crônica de Eusébio, em sua Cronografia grega, nenhuma menção é encontrada dos 25 anos. A tudo isto respondemos que, além de paráfrase de S. Jerônimo, há sobrevivente também uma versão armênia da crônica de Eusébio aqui, é verdade, a passagem em questão tem o seu lugar sob o reinado de Calígula; isso, porém, é fácil de explicar pois o assunto da passagem é o fundamento da Igreja de Antioquia, que teve lugar naquele reinado, enquanto Eusébio, em sua História, nos diz expressamente que S. Pedro foi para Roma no reinado de Cláudio. Na versão armênia a passagem vem:
 “O Apóstolo Pedro, após ter fundado a Igreja de Antioquia, vai para a cidade dos Romanos, e lá prega o Evangelho, e continua bispo da Igreja lá 20 anos.”
Sanguinetti apoia a opinião afirmativa, enquanto o Fr. Pio Gams, a partir do texto grego de Syncellus, conclui o contrário. A questão afinal de contas, no que diz respeito a Eusébio, parece ser de nenhum grande valor, uma vez que, tal como resulta da sua História Eclesiástica , ele coloca a chegada de São Pedro, em Roma, no início do reinado de Cláudio, e seu martírio sobre o décimo quarto ano de Nero; e isso, por si só daria os 25 anos. Por conseguinte, pouco importa se a menção dos 25 anos foi uma adição feita por São Jerônimo as crônicas ou não.
Podemos, portanto, saber, o que pensar da imprudência do testemunho de Eusébio fora do contexto, e ter o peito para afirmar que nenhum argumento pode ser retirado de suas crônicas, com o fundamento de que não possui em seu original grego, e que o texto grego existente de Syncellus é do século XI, de que a paráfrase de Jerônimo não é genuína, ou que em nenhum lugar em sua História, Eusébio afirma que S. Pedro esteve em Roma. Afirmações como estas são muito fáceis de refutar. Além do primeiro e segundo capítulos do Livro III de sua História, há o capítulo VI do Livro V, onde ele apresenta a lista dos pontífices romanos dados por S. Irineu, e diz que concorda com: ‘Em idêntica ordem e idêntico ensinamento na Igreja, a tradição proveniente dos apóstolos e o anúncio da verdade chegaram até nós’
É, pois, evidente a partir do que vimos, que no século IV o episcopado romano de S. Pedro foi afirmado por homens da mais alta patente na Igreja, pela santidade e erudição como o fator mais determinante, baseado nos documentos históricos. Consequentemente, a partir desses depoimentos do século IV, juntamente com a maneira em que eles são dados, resulta claramente a prova histórica do fato.
É supérfluo aqui a observação de que poderíamos ter multiplicado muito  mais nossas autoridades, e citar, por exemplo, S. Epifânio, S. Atanásio,S. Ambrósio, S. Agostinho, Lactâncio, Orosius, S. Optatus de Milevis S. Pedro de Alexandria, e muitos outros a serem encontrado em Sanguinetti e Foggini.” (Thomas Livius - O Episcopado Romano do Príncipe dos Apóstolos  pg 16)
Para completar o que Thomas Livius fala, trazemos o que o Autor Protestante George Edmundson em seu Livro “A Igreja em Roma no século I” falou:
“Eusébio de Cesaréia nos deixou duas listas dos bispos romanos, um na sua “História Eclesiástica”, a outra em sua Crônica. A primeira é a lista de Irineu, o início do que acaba de ser citado. O segundo é derivado da perdida “Crônica” de Hipólito, bispo de Portus, escrita cerca de meio século depois. Na ‘crônica’ o episcopado de São Pedro em Roma, é indicado ter durado 25 anos. Na ‘História Eclesiástica’ lemos - ‘Sob o reinado de Cláudio pela providência benigna e da graça de Deus, Pedro aquele grande e poderoso apóstolo, que por sua coragem assumiu a liderança de todo o resto, foi conduzido a Roma.’ Em outras passagens seu martírio com o de Paulo é representado como tendo lugar após a perseguição de Nero. O intervalo entre as duas datas seriam aproximadamente de cerca de 25 anos. Agora, é evidente que esses números, derivados como eles são, de homens como Irineu e Hipólito, que tiveram acesso aos arquivos e tradições em Roma em si, não podem ser descartados como pura ficção. Eles devem ter uma base de verdade por trás deles. Eusébio nos diz que, “após o martírio de Pedro e Paulo, Lino foi o primeiro que recebeu o episcopado em Roma.”.  Agora, a data deste martírio, de acordo com a tradição, recebeu lugar no décimo quarto ano de Nero ou 67 d.C; se, em seguida, deduzimos 25 anos, chegamos a 42 d.C, que é precisamente a data prevista para a primeira visita de São Pedro a Roma por São Jerônimo, em sua obra “De Viris Illustribus”. Lembrando que Jerônimo foi o tradutor da Crônica de Eusébio suas palavras podem ter sido tomadas por ser muito acostumado com as obras de Eusébio, incluindo o seu perdido ‘Registros dos Martírios Antigos’, e com as fontes que ele usou. Jerônimo escreve o seguinte: “Simão Pedro, príncipe dos Apóstolos, depois do episcopado da Igreja de Antioquia e pregando para a dispersão e os da circuncisão, que tinham acreditado no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, no segundo ano de Cláudio vai a Roma para se opor a Simão, o Mago, e lá por 25 anos ocupou a cadeira sacerdotal até o último ano de Nero, isto é, o décimo quarto.’ Agora, aqui no meio de uma certa confusão, que serão tratadas com atualmente, uma data definitiva é dada para a primeira chegada de Pedro em Roma, e, note-se, é a data de sua fuga da perseguição de Herodes Agripa e seu desaparecimento da narrativa de Atos.
Esta evidência de Jeromimo, será vista assim, repousa sobre a de Eusébio, e aquelas das autoridades anteriores que esse historiador consultou. Tem sido dito que uma das condições da solidez de uma tradição histórica foi a amplitude e a unanimidade da sua recepção. Agora, provavelmente, nunca houve qualquer tradição tão universalmente aceita, e sem uma única voz discordante, como aquela que associa a fundação e organização da Igreja de Roma, com o nome de São Pedro e que fala de sua conexão ativa com a Igreja como estendida por um período de cerca de 25 anos.
É desnecessário multiplicar referências. No Egito e na África, no Oriente e no Ocidente, nenhum outro lugar nunca disputou com Roma a honra de ser a sede de São Pedro; nenhum outro lugar jamais afirmou que ele morreu lá ou que possuía seu túmulo. O mais significativo de tudo é o consenso das Igrejas Orientais, que não falam grego. Um exame atento do armênio e sírio MSS., 121 e, no caso deste último, tanto das autoridades nestorianas quanto jacobitas, através de vários séculos, não foi capaz de descobrir um único escritor que não aceitou a tradição petrina romana.” (http://www.ccel.org/ccel/edmundson/church.v.html)
Edmundson nos mostra qual é uma das fontes de Eusébio para a lista dos bispos de Roma, a Cronografia de Hipolito de Portus. É interessante notar que parte desta Cronografia ainda está preservada no que é conhecido hoje como "Catálogo Liberiano" que é assim chamado por causa do Papa cujo nome termina a lista. A coleção de escritos do qual faz parte foi editada (aparentemente por um Furius Dionísio Philocalus) em 354 d.C, que utilizou a Cronografia de Hipolito de Portus e outras para completar os papas subsequentes. E para infelicidade dos contraventores, este catálogo que preserva uma das fontes de Eusébio, também nos mostra o tempo do episcopado de Pedro em Roma, que é exatamente 25 anos, 1 mês e 9 dias:
"Quando Tibério César reinava, nosso senhor Jesus Cristo morreu, os dois gêmeos sendo consules, no oitavo dia antes das calendas de abril. E depois de sua ascensão o abençoado pedro assumiu o episcopado. A partir desse momento mostraremos pela sucessão de ordenações, quem foi bispo, quantos anos presidiu ou quem era imperador.
Pedro - 25 anos, 1 mês, 9 dias. Ele esteve nos tempos de Tibério César e Caio e Tibério Cláudio e Nero, junto do consulado de Minucius e Longinus [30 d.C] ao de Nero e Verus [AD 55]. No entanto, ele morreu com Paulo no 3º dia antes das calendas de julho, como o Imperador nero sendo cônsul." (Catálogo Liberiano)
Assim sendo, é provado pela própria fonte de Eusébio a autenticidade do texto das Crônicas de Eusébio quando mencionam os 25 anos de Pedro em Roma. 
Depois de todas estas palavras de um erudito católico, outro protestante e da própria fonte de Eusébio, pouco se tem a acrescentar, basta dizer somente que quem quer negar o óbvio e tentar por meio de artifício de desonestidade intelectual afirmar que um dos maiores historiadores da Igreja primitiva[2] não acreditava no episcopado de Pedro em Roma, merece apenas ser solenemente ignorado, portanto faço minhas as palavras do maior estudioso patrístico da história:
“E, depois de tudo, a coisa toda é tão falsa, tão cruel, e tão ofensiva. A refutação foi por tantas vezes repetida, e é tão fácil, que se sente quase a necessidade de ficar com raiva ao reiterar isso. Eu gostaria de dar a resposta aqui com toda exatidão meticulosa, de modo que não possa haver nenhum espaço para qualquer outra resposta além de declarações falsas ou abuso; mas se sentir como alguém que está usando um bate estacas para matar uma pulga, ou provando a tabuada contando nos dedos de alguém. E, no entanto, é claro, ninguém será convencido se não deseja isso.” (Dom Chapman – Studies On Early Papacy)

NOTAS
[1] Na realidade o que São Jerônimo traduziu foi a Cronografia de Eusébio e não as Crônicas já perdidas, porém hoje é comum chamar a Cronografia de Crônicas, como estamos fazendo aqui. 
 
[2] Além de tudo, não é só Eusébio dentre as autoridades primitivas que apoiam o fato de Pedro 25 anos em Roma.
São Jerônimo
“Simão Pedro, O filho de João, da Vila de Betsaida na província da Galiléia, irmão de André o Apóstolo, e ele mesmo príncipe dos Apóstolos, depois do episcopado da Igreja de Antioquia e pregando para a dispersão e os da circuncisão, que tinham acreditado no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, no segundo ano de Cláudio vai a Roma para se opor a Simão, o Mago, e lá por 25 anos ocupou a cadeira sacerdotal até o último ano de Nero, isto é o décimo quarto.” (São Jerônimo - Os homens ilustres – 1) [http://www.newadvent.org/fathers/2708.htm]
 A Pregação de Pedro
 “No terceiro ano de Cláudio César, Simon Cefas partiu de Antioquia para ir a Roma. E nos lugares em que ele passou, pregou em vários países a palavra de nosso Senhor. E, quando ele quase chegando em Roma, muitos já tinham ouvido falar dele e saíram para encontrá-lo...” (A Pregação de Pedro - Introdução)
Arnóbio de Sica
“Na própria Roma... eles se apressaram em abandonar os costumes de seus ancestrais, para juntar-se a verdade cristã, porque eles tinham visto o orgulho de Simão, o Mago , e sua impetuosa carruagem despedaçados pela boca de Pedro” (Contra os Pagãos, II. 12).
 Hipólito do Ponto
“Este Simão [Mago] enganando a muitos por suas feitiçarias em Samaria foi repreendido pelos apóstolos e foi colocado sob uma maldição, como foi escrito nos Atos. Mas ele depois de ter abjurado a fé e tentado [estas práticas], e caminhando até Roma caiu com o apóstolo [Pedro], e a ele, enganou a muitos por suas feitiçarias, Pedro o enfrentou várias vezes." (Philos. VI. 15.)

PARA CITAR

RODRIGUES, Rafael. São Jerônimo falsificou os 25 anos de Pedro em Roma nas Crônicas de Eusébio?. Disponível em: . Desde 04/02/2015.