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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Quem é a Pedra? Jesus ou Pedro?



Mateus 16:18 "Tu és Pedra e sobre essa pedra edificarei a minha igreja!"

As palavras gregas PETROS, PETRA, KEPHAS, usadas nas traduções, na verdade não interessam, visto que Cristo falou em aramaico “CEFAS” = “PEDRA”.
Na bíblia está claro: Pedro é a pedra base do fundamento da Igreja pronunciado por Cristo e Jesus é a pedra angular, principal da esquina.



Fonte: Veritatis Splendor
O diálogo a seguir ilustra muito bem um debate entre um católico e um protestante quando este argumenta que a “Pedra” citada por Jesus em Mt 16,18 jamais poderia referir-se a Pedro, mas sim ao próprio Jesus, uma vez que as Sagradas Escrituras em muitas passagens identifica Jesus como a “rocha”, a “pedra angular”.
Antes de apresentar o diálogo, a Barca de Jesus observa que embora na maioria das passagens bíblicas “pedra” ou “rocha” realmente se refira a Jesus, existem exceções. O próprio Jesus que disse ser a “Luz do Mundo” (Jo 8,12) disse aos apóstolos que também eles deveriam ser “Luz do Mundo” (Mt 5,13). Além da passagem de Mt 16,18 onde a “pedra” referida não se trata de Jesus, como veremos claramente no diálogo abaixo, temos também, por exemplo, Is 51,1-2 (a “pedra” é Abraão) e 1Pd 2, 4-5 (“pedras vivas” é Jesus e também são os cristãos).
O fato de Jesus aplicar a Pedro uma figura que a Bíblia exaustivamente aplica a Jesus, bem mostra a intenção de Jesus em fazer de Pedro um representante de Cristo na terra. O que, por sinal, Ele confirmou explicitamente ao dar autoridade a Pedro não apenas de ligar e desligar na terra, mas também no Céu. Vamos, então, ao diálogo:
Protestante:
Em grego, a palavra para pedra é petra, que significa uma rocha grande e maciça. A palavra usada como nome para Simão, por sua vez, é petros, que significa uma pedra pequena, uma pedrinha.
Católico:
Na verdade, todo este discurso é falso. Como sabem os conhecedores de grego (mesmo os não católicos), as palavras petros e petra eram sinônimos no grego do primeiro século. Elas significaram “pequena pedra” e “grande rocha” em uma velha poesia grega, séculos antes da vinda de Cristo, mas esta distinção já havia desaparecido no tempo em que o Evangelho de São Mateus foi traduzido para o grego. A diferença de significados existe, apenas, no grego ático, mas o NT foi escrito em grego Koiné – um dialeto totalmente diferente. E, no grego koiné, tanto petros quanto petra significam “rocha”. Se Jesus quisesse chamar Simão de “pedrinha”, usaria o termo lithos. (para a admissão deste fato por um estudioso protestante, veja D. Carson, The expositors Bible Commentary [Grand Rapids: Zondervan, 1984], Frank E. Gaebelein, ed., 8: 368).
Porém, ignorando a explicação, insiste o protestante:
Vocês, católicos, por desconhecerem o grego, pensam que Jesus comparava Pedro à rocha. Na verdade, é justamente o contrário. Ele os contrastava. De um lado, a rocha sobre a qual a Igreja seria construída: o próprio Jesus (“e sobre esta PETRA edificarei a Minha Igreja”). De outro, esta mera pedrinha (“Simão tu és PETROS”). Jesus queria dizer que ele mesmo seria o fundamento da Igreja, e que Simão não estava sequer remotamente qualificado para isto.
Católico:
Concordo que devemos ir do português para o grego. Mas, com certeza, você concordará que, igualmente, devemos ir do grego para o aramaico. Como você sabe, esta foi a língua falada por Jesus, pelos apóstolos e por todos os judeus da Palestina. Era a língua corrente da região.
Muitos, talvez a maioria, soubessem grego, pois esta era a língua franca do Mediterrâneo. A língua da cultura e do comércio. A maioria dos livros do NT foi escrita em grego, pois não visavam apenas os cristãos da Palestina, mas de outros lugares como Roma, Alexandria e Antioquia, onde o aramaico não era falado.
Sabemos que Jesus falava aramaico devido a algumas de suas palavras que nos foram preservadas pelos Evangelhos. Veja Mt 27,46, onde ele diz na cruz, “Eli, Eli, Lama Sabachtani”. Isto não é grego, mas aramaico, e significa, “meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?”
E tem mais: nas epístolas gregas de S. Paulo (por 4 vezes em Gálatas e outras 4 vezes em 1Coríntios), preservou-se a forma aramaica do novo nome de Simão. Em nossas bíblias, aparece como Cefas. Isto não é grego, mas uma transliteração do aramaico Kepha (traduzido por Kephas na forma helenística).
E o que significa Kepha? Uma pedra grande e maciça, o mesmíssimo que petra. A palavra aramaica para uma pequena pedra ou pedrinha é evna. O que Jesus disse a Simão em Mt 16,18 foi “tu és Kepha e sobre esta kepha construirei minha igreja.”
Quando se conhece o que Jesus disse em aramaico, percebe-se que ele comparava Simão à rocha; não os estava contrastando. Podemos ver isto, vividamente, em algumas versões modernas da bíblia em inglês, nas quais este versículo é traduzido da seguinte forma: ‘You are Rock, and upon this rock I will build my church’. Em francês, sempre se usou apenas pierre tanto para o novo nome de Simão, quanto para a rocha.
Protestante:
Se kepha significa petra, porque a versão grega não traz “tu és Petra e sobre esta petra edificarei a minha Igreja”? Por que, para o novo nome de Simão, Mateus usa o grego Petros que possui um significado diferente do petra?
Católico:
Porque não havia escolha. Grego e aramaico têm diferentes estruturas gramaticais. Em aramaico, pode-se usar kepha nas duas partes de Mt 16,18. Em grego, encontramos um problema derivado do fato de que, nesta língua, os substantivos possuem terminações diferentes para cada gênero.
Existem substantivos femininos, masculinos e neutros. A palavra grega petra é feminina. Pode-se usá-la na segunda parte do texto sem problemas. Mas não se pode usá-la como o novo nome de Simão, porque não se pode dar, a um homem, um nome feminino. Há que se masculinizar a terminação do nome. Fazendo-o, temos Petros, palavra já existente e que também significava rocha. (Obs da Barca de Jesus: Estrutura semelhante ocorre na língua portuguesa: Pedro e pedra.)
Por certo, é uma tradução imperfeita do aramaico; perdeu-se parte do jogo de palavras. Mas, em grego, era o melhor que poderia ser feito.
Além da evidência gramatical, a estrutura da narração não permite uma diminuição do papel de Pedro na Igreja. Veja a forma na qual se estruturou o texto de Mt 16,15-19. Jesus não diz: “Bendito és tu, Simão. Pois não foi nem a carne nem o sangue que te revelou este mistério, mas meu Pai, que está nos céus. Por isto, eu te digo: és uma pedrinha insignificante, e sobre a rocha edificarei a minha Igreja. … Eu te darei as chaves do reino dos céus.”
Ao contrário, Jesus abençoa Pedro triplamente, inclusive com o dom das chaves do reino, mas não mina a sua autoridade. Isto seria contrariar o contexto. Jesus coloca Pedro como uma forma de comandante ou primeiro ministro abaixo do Rei dos Reis, dando-lhe as chaves do Reino. Como em Is 22,22, os reis, no AT, apontavam um comandante para os servir em posição de grande autoridade, para governar sobre os habitantes do reino. Jesus cita quase que verbalmente esta passagem de Isaías, o que torna claríssimo aquilo que Ele tinha em mente. Ele elevou Pedro como a figura de um pai na família dos cristãos (Is 22,21), para guiar o rebanho (Jo 21,15-17). Esta autoridade era passada de um homem para outro através dos tempos pela entrega das chaves, que se usavam sobre os ombros em sinal de autoridade. Da mesma forma, a autoridade de Pedro foi transmitida, nestes dois mil anos, através do papado.
 
Fonte Eletrônica;
 
http://cotidianoespiritual.blogspot.com.br/2014/05/quem-e-pedra-jesus-ou-pedro.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+blogspot/cotidianoespiritual+(Cotidiano+Espiritual)

domingo, 11 de maio de 2014

Filha Testemunha a Alegria da Adoção

Não nasci do útero de minha mãe, mas nasci do coração dela!
A prática da adoção ainda é um desafio a ser vencido no Brasil, no entanto, muitas famílias têm superado as barreiras do preconceito e da dúvida e colhido os frutos da bela decisão. Como é o caso da fisioterapeuta Maria Isabel Ferminio, que contou ao formacao.cancaonova.com como foi sua história de adoção.
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Redação: Com quantos anos você foi adotada? E como aconteceu todo o processo?
Fui adotada com quatro meses de gestação, minha mãe biológica não tinha condições de me criar e o meu pai biológico não queria assumir um relacionamento com ela, nem me assumir por julgar que ele não era realmente o meu pai. Minha avó biológica, após a tentativa de aborto frustrada da minha mãe, quis de imediato procurar um família que pudesse me adotar. Então ela partilhou a história com a minha mãe adotiva, que trabalhava na mesma escola que ela. Em conversa com meu pai e com meus irmãos adotivos eles me disseram que, desde então, me adotaram no coração. No dia seguinte ao meu nascimento fui diretamente para a casa da minha família adotiva.
Redação: Você foi adotada ainda no período de gestação. Como sua família se preparou para receber você?
Quando foi acertada a minha adoção, não sabiam o meu sexo ainda, e a expectativa era se seria menino ou menina. Assim que souberam que eu era uma menina, pouco a pouco meus pais foram comprando o enxoval. Minha mãe disse que compraram apenas o básico, pois eles ganharam muitas roupinhas e coisinhas de bebê. E sempre combinaram em me dizer a verdade sobre a minha origem.
Redação: Como seus irmãos a acolheram?
Muito bem! Meus irmãos sempre foram maravilhosos. Minha irmã, por ser vinte anos mais velha que eu, se organizava no trabalho para sair mais cedo, e meu pai poder trabalhar no período da tarde. Meu irmão, 10 anos mais velho, hoje falecido, também cuidava de mim. Recordo-me até hoje que, muitas vezes, ele deixou de sair, para brincar com os amigos, para poder cuidar de mim. Nunca houve nenhum tipo de diferença entre nós, penso até que fui paparicada demais.
Redação: Como foi o relacionamento com sua mãe?
Sempre me relacionei muito bem com ela, a admiro muito pela coragem de ter me adotado e a forma como ela e meu pai me criaram. O cuidado que sempre teve comigo é digno de toda admiração que tenho por ela! Não nasci do útero dela, mas nasci do coração!
Redação: Em que sua mãe contribuiu na sua formação, para você se tornar uma mulher e uma profissional tão cheia de valores?
Em tudo, percebo o quanto a minha mãe me ensinou a fazer as escolhas certas, a liberdade na dose exata para cada momento, os incentivos nos momentos em que tive vontade de desistir, as broncas quando estas foram necessárias. Foi o amor dela que me impulsionou a dar passos e a ter a ousadia que, muitas vezes, julguei não ter. Aos poucos foi me moldando em tudo que sou hoje e sou grata a ela por tudo isso, não sei como medir isso em palavras.
Redação: Como foi descobrir que seus pais a adotaram? Como você reagiu?
Eu percebia que eu era muito diferente das pessoas em casa. Sou negra e todos eles são brancos; meu irmão é um pouco mais moreno, mas bem parecido com minha mãe. Então, certo dia, perguntei se, quando ela estava grávida de mim, havia tomado muita Coca-cola e café, por eu era mais escura que todos eles, ou se era porque eu havia sido adotada. E ela disse que havia me adotado. No início eu fiquei sem entender e perguntei por que meus pais biológicos não haviam ficado comigo e minha mãe me explicou que eles não tinham dinheiro para me criar. E conforme eu fui crescendo ela foi me contando o restante da história e nunca me escondeu nada.
Redação: Você conheceu a sua mãe biológica? Como foi o contato com ela?
Não sabia como iniciar a conversa com ela ao conhecê-la, pedia que ela contasse a minha história e depois lhe fiz algumas perguntas. Ela chorou muito durante a partilha e me pediu perdão. Eu a agradeci por ter me dado a meus pais em vez de tentar novamente me abortar.
Redação: Qual foi sua expectativa ao conhecê-la?
Eu queria saber se eu era parecida fisicamente com ela, mas não vi tanta semelhança, de certa forma gostei. Fiquei muito feliz em saber que, ao longo de minha vida, meus pais adotivos nunca omitiram nada da minha vida. A mesma história que eles me relataram foi a mesma que minha mãe biológica me contou.
Redação: Aproxima-se o Dia das Mães, o que você gostaria de dizer à sua mãe?
Obrigada, mãe, pelo seu “sim” à minha vida e por ter tido a coragem de me dar a minha família. Muitas mães temem a adoção. Deixe uma mensagem para essas mulheres.
A generosidade materna é capaz de gestar no coração a vida de alguém que Deus lhe confiou por amor. Deus proverá todas as coisas.
 
Fonte Eletrônica;
 

Mãe Testemunha Alegria da Adoação

Parabéns! Você está grávida!
Para as futuras mamães do coração
Todo homem que vem a este mundo, seja qual for a sua condição, traz o sinal do amor de Deus. Cristo nasceu para qualquer menino do mundo e por ele deu a vida. Não há, portanto, nenhum menino ou menina que não lhe pertença.” (João Paulo II)
Você já ouviu essa expressão – “meu irmão de criação” –, em algum lugar, sugerindo que foram criados juntos? Na verdade, não existe “irmão de criação”; ou é irmão ou não o é, ou é filho ou não o é. Nós criamos cachorro, gato, boi, mas nunca gente.
Essa ideia preconceituosa vem dos tempos dos coronéis, quando os fazendeiros “pegavam para criar”, sem registrar como filhos, crianças pobres ou negras, unicamente com a intenção de ter, na casa, criados: trabalhadores sem salário, eternamente obrigados a pagar a caridade de terem sido tirados da miséria. Se alguém me diz: “Vou fazer uma caridade, vou adotar uma criança”, eu lhe digo: “Se quer fazer uma caridade, adote a família inteira da criança e não a tire de quem ela possa chamar de mãe”.
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Um filho adotivo não é uma caridade. Eu não sou boa, porque adotei uma criança. Deus é que foi bom para mim, que me deu a possibilidade de completar a minha família, dando-me uma linda filha.
 Nosso filho Estêvão pedia muito por irmãos, e nós lhe falávamos dos que ele já tinha no Céu. Ele tinha 6 anos quando decidimos pela adoção; então, eu disse a ele: “Ore, peça ao Papai do Céu”. Ele respondeu: “Vou pedir logo dois, que esses que estão no Céu nem sei deles, se são mesmo meus irmãos”. E passou a orar, todos os dias, com muita fé. Acolheu a irmã com amor e alegria desde o primeiro dia. Os dois brincam, riem e brigam como qualquer irmão. O interessante é que, por ter já um filho biológico, eu posso dizer, com propriedade, que não há diferença nenhuma entre um filho biológico e um adotivo, nem no amor, nem em nada. Eu digo a eles: todo filho é da barriga, antes de nascer; e do coração depois que nasce; logo os dois são meus filhos e pronto.
De fato, quando eu, meu esposo e meu filho mais velho, o Estêvão, nos abrimos para mais uma criança na nossa família, por meio adoção, com surpresa nos deparamos com muitos preconceitos entre pessoas das quais nunca esperaríamos isso. Um preconceito é criado pelo medo do desconhecido, por experiências desastrosas espalhadas nos ares. Foi preciso amor para desarmar esses preconceitos.
Esperei minha filha dois anos, foi uma “gravidez de elefante”. Mas foi muito positivo para mim, porque, nesse tempo, li muito, orei muito, gerei minha filha no coração e desvencilhei-me dos preconceitos. Uma psicóloga me deu um livro de um psiquiatra de casos de filhos adotivos que apresentavam distúrbios emocionais. Fiquei muito chateada com ela, mas, depois, agradeci a Deus, pois acabei lendo o livro e descobrindo que a maior causa de filhos adotivos desajustados está em seus pais de criação desajustados. Porque estes mimam demais, e isso estraga qualquer caráter; demoram muito para adotar e, quando resolvem, já estão mais para avós que para pais da criança; especialmente na adolescência, não tem mais pique e paciência. Esses pais fazem planos e expectativas mirabolantes, e acabam se frustrando, esquecendo que a criança não tem de corresponder aos sonhos deles, pois ela tem sua própria personalidade e dons; cabe aos pais descobrirem quais são e investir neles.
Outros fazem do passado da criança um fantasma, trazendo-o à tona cada vez que a criança faz algo errado, como se tudo fosse culpa da genética, tirando, assim, dos ombros, a própria culpa de não saber educar. E para completar o desastre, há aqueles pais que, na verdade, lá no íntimo, não assumem aquela criança como filho e acham, o tempo todo, que ela tem a obrigação de pagar o bem que estão fazendo por ela.
 Se, logo depois de ler tudo isso, você, que está dando passos para adotar uma criança, analisar-se e chegar à conclusão de que sua motivação para adotar é o profundo desejo de ser mãe, pois quer completar sua família, e que a adoção é apenas um meio para isso, parabéns! Você está grávida! 
 Agora, é preciso que você saiba algo sobre a gravidez de uma mãe adotiva: a partir do dia em que você dá entrada no fórum [para o processo de adoção, já está de nove meses de gestação. Mas essa gravidez pode durar um dia ou dois anos. Então, não se angustie com as demores de Deus, pois Ele não demora, Ele capricha!
Adelita Maria Rozetti Frulane
Missionária da Comunidade Canção Nova

Maria, a primeira das criaturas



Antonieta Santana
Foto: Daniel Mafra/ Cancaonova.com
Estamos no mês de maio, mês de Maria, e queremos nos entusiasmar com o amor dela por nós!

''Naqueles dias, Maria se levantou e foi às pressas às montanhas, a uma cidade de Judá. Entrou em casa de Zacarias e saudou Isabel. Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. E exclamou em alta voz: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas! E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre. Maria ficou com Isabel cerca de três meses. Depois voltou para casa''(Lucas 1, 39-56).

Meus irmãos, que mulher é essa? É Maria, aquela que foi pensada por Deus Pai no Seu infinito amor por nós! Ele quis nos presentear com essa grande Mulher, que nos deu seu Filho para a nossa salvação.

Para Deus nada é impossível! Ele quis que Jesus, como toda criatura deste mundo, tivesse uma mãe, e escolheu a Virgem Maria para gerar e dar à luz a Filho d'Ele. O Pai, em Sua infinita misericórdia, escolheu essa Mulher, a primeira criatura pensada por Ele. Por isso, Maria é bendita entre todas as mulheres. Nós somos da geração de Maria, por isso devemos proclamar que ela é a bem-aventurada, a bendita entre todas as mulheres.

É belo falar sobre a humildade de Maria, que se colocou à disposição de Deus. Uma menina, ainda bem jovem, que, pela tradição de seu povo, esperava para receber seu esposo. No entanto, ela recebeu a visita de um anjo, que lhe anunciou que ela seria a Mãe de um Filho de Deus. Maria foi coberta pelo Espírito Santo, e essa força é tanta que, em seu ventre, formou-se o Verbo de Deus, a promessa d'Ele para nós.
"Maria é a responsável por um grande tesouro: Jesus!", diz Antonieta.
Foto: Daniel Mafra/cancaonova.com

Maria foi obediente à Palavra de Deus, por isso precisamos louvá-la, pois o seu 'sim' nos trouxe à vida. Ela foi a primeira que acreditou, creu e, assim, foi gerado aquele que é o Deus de nossa vida. O 'sim' de Maria veio com consequências e sofrimentos, por isso não devemos temer as situações difíceis de nossa vida.

Deixe Deus agir em sua vida, conforme a vontade d'Ele. Maria é modelo para todo ser humano! Ela sabia que com seu 'sim' poderia sofrer várias situações, mas continuou firme em Deus, pois acreditava que Ele tinha o controle sobre a vida dela.

Tudo aconteceu na vida da Virgem Maria com o propósito de Deus. Percebam a coragem dessa mulher, vejam as consequências que ela sofreu com seu 'sim'.

Imaginemos o sofrimento de Maria ao saber que seu Filho seria morto! Mas ela acreditava que a mão do Senhor estava sobre ela, conduzindo-a. É muita dor no coração de uma mãe, mas a sua fé em Deus a ajudaria a continuar firme.

Ela é responsável por um grande tesouro: Jesus! Não tenha medo de consagrar a sua vida, pois a Virgem Maria lhe ensinará a dobrar os joelhos diante das situações difíceis. Não tenha medo de entregar sua família a ela. Não crie resistências ao amor da Virgem Santa, porque ela nos deu seu Filho para a nossa salvação!

Faça a sua experiência com o amor de Deus e siga os passos de Maria. Assim você seguirá a vontade de Deus. Não tema receber Maria em sua casa; não tema a ter como mãe. Confie em Nossa Senhora!

A Virgem nos ensina a escutar e transformar as palavras em vida. Ela nos ensina a não jogarmos as palavras ao vento. Precisamos aprender com ela a ouvir e meditar as Palavras de Deus!

A Mãe de Deus é modelo de fé, e nos ensina que para o Pai tudo é possível! Maria, a cheia de graça, nos ensinará a sermos mais de Deus!

Transcrição e adaptação: Karina Aparecida



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Antonieta Santana Pereira Sales
Consagrada da Comunidade Canção Nova

Os 'reformadores' protestantes e a Imaculada Conceição


 


INTRODUÇÃO

Max Thurian (1921-1996) foi um teólogo e autor calvinista, superior da comunidade de Taizé, uma comunidade monástica ecumênica na França. Durante o Concílio Vaticano II, ele foi convidado pelo Papa Paulo VI para participar deste concílio. Em 12 de Maio, 1988, Thurian tornou-se um católico romano e foi ordenado sacerdote.
Seu livro, (quando ainda era calvinista) “Maria: Mãe de todos os cristãos” (Herder, 1963) foi escrito como um estudo ecumênico mariano, principalmente uma exegese bíblica das passagens do Antigo e Novo Testamento sobre Maria com os títulos dos capítulos, tais como “Filha de Sião”, “Cheia de graça”, “Pobre Virgem”, “Habitação de Deus”, “Serva na Fé”, “Mãe do Senhor”, etc. O proeminente erudito católico em Sagrada Escritura Pe. Raymond Brown chamou o livro de Thurian na época de “não só a melhor avaliação protestante da questão mariológica, mas muito melhor do que muitos estudos católicos.” (ver Brown, o Evangelho Segundo o João[1969], página 107)
As citações dos reformadores protestantes des presente matéria vêm deste livro. As fontes de Thurian são listados como Tappolet’s Das Marianlob der Reformatoren (1962), e R. Stadler, “A virgem Santa nos reformadores.” em Choisir (13 de Maio 1962), páginas 17-20; juntamente com as Obras de Martinho Lutero (edição Weimar); Obras de Ulrico Zwinglio (Berlim) e etc.
No que diz respeito à doutrina mariana dos reformadores, já vimos como unânime eles estão em tudo o que dizem respeito a santidade de Maria e de virgindade perpétua. Qualquer que seja a posição teológica que pode ser titular de hoje, no que diz respeito à Imaculada Conceição e Assunção de Maria, é direito de saber, talvez para nossa grande surpresa, que estes dois dogmas católicos foram aceitos por certos reformadores, não é claro na sua forma atual, mas certamente na forma que era atual no seu dia.(Max Thurian, Maria: Mãe de todos os cristãos, página 197)
MARTINHO LUTERO

O fundador alemão dos luteranos e do protestanteismo, certamente acreditava na impecabilidade da Virgem Maria, e alguns argumentam que ele aceitou a Imaculada Conceição também:
... acima de tudo que é necessário para nós ver o que o pecado original é, para sermos capazes de entender como a santa Virgem Maria foi livre dele... como a concepção da Virgem Maria, cujo corpo foi procriado da mesma forma que as outras crianças, até que a alma foi infundida, não era necessário que ela fosse concebida como foi Cristo, pois ela foi capaz de ser trazida ao abrigo da lei do pecado original, até o momento em que sua alma foi agraciado Mas, no que diz respeito à outra concepção [a concepção passiva], isto é, a infusão de sua alma, acredita-se com devoção e santidade que ela foi trazida sem pecado original, de tal forma que, no momento de sua alma sendo infundida nela também foi similarmente purificada do pecado original, e no primeiro instante em que ela começou a viver, ela estava sem pecado, adornada com os dons de Deus.(Sermão do Dia da Conceição de Maria, Mãe de Deus, 1527, citado por Thurian, página 197)

ULRICH ZWINGLIO

O reformador protestante suíço, não vê (ao contrário de alguns argumentos calvinistas) na afirmação da santidade perfeita de Maria qualquer violação da humanidade de Cristo:
Aquele que estava prestes a remover os nossos pecados, mas não para fazer todos os homens santos, deve ser ele próprio santo. Então, Deus santificou sua mãe: Pois era justo que um filho tão santo devesse ter uma mãe igualmente santa ....”; “Eu nunca pensei, ainda menos ensinei, ou declarei publicamente, qualquer coisa sobre o assunto da sempre Virgem Maria, Mãe da nossa salvação, o que poderia ser considerado desonroso, ímpio, indigno, ou mal... Espero que isso seja suficiente para tornar claro para piedosos e simples cristãos minha clara convicção sobre o assunto da Mãe de Deus: “Eu acredito com todo o meu coração, segundo a palavra do santo Evangelho que esta virgem pura para nós, portou o Filho de Deus e que ela permaneceu, no nascimento e depois dele, virgem pura e imaculada, para a eternidade.(Annotationes em Evangelium Lucae, e sermão sobre “Maria, sempre virgem, Mãe de Deus” em 1524, citado por Thurian, página 23, 76)
HEINRICH BULLINGER (1504-1575)

Este autor protestante representa a segunda geração da “Reforma” e uma espécie de estabilização da doutrina “reformada”, e era cunha de Cranmer e sucessor de Zwinglio, sobre Maria ele disse:
Que preeminência aos olhos de Deus a Virgem Maria tinha por causa de sua devoção, sua fé, sua pureza, sua santidade e todas as suas virtudes, para que ela dificilmente pudesse ser comparada com qualquer um dos outros santos, mas deveria por direitos ser bastante elevada, acima de todos deles ...” ; “...E se ela, que era totalmente pura desde seu nascimento, não desdenhou ao ser purificada, isto é para receber a bênção de purificação, está não é mais uma razão pela qual aqueles que caem sob o jugo da lei, devido à sua impureza real devem observar o mesmo?”; “... nós acreditamos, que a encarnação da pura e imaculada da Mãe de Deus, a Virgem Maria, o templo do Espírito Santo, isto é, seu corpo santo, foi elevado ao céu pelos anjos ...” (citado por Thurian, página 89, 197, 198)

CHARLES DRELINCOURT (1595-1669)

Drelincourt foi um pastor Francês, o que melhor representa a tradição da “reforma” protestante do século XVII:
Nós não acreditamos simplesmente que Deus favoreceu a santa e abençoada Virgem mais do que todos os Patriarcas e os Profetas, mas também que Ele a exaltou seu acima de todos os Serafins. Os anjos só podem qualificar-se como servos do Filho de Deus, criaturas e mão de obra de suas mãos, mas a Virgem santa não é apenas o serva e criatura, mas também a mãe deste grande e vivo Deus.(citado por Thurian, página 89)


A CONCLUSÃO DE MAX THURIAN

As tradições luterana e “reformadas” que mantiveram as crenças do credo em Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nascido ‘da Virgem Maria, abençoada mãe de Deus, humilde serva do Senhor, nosso exemplo de fé, obediência e santidade’ não acreditavam que as doutrinas da Imaculada Conceição de Maria (embora admitidas, em certo sentido por Lutero) ou o “Assunção corpórea” de Maria (embora admitida pelo reformador, Bullinger) fossem realizadas da mesma forma... [Sobre o material bíblico:] Há ainda um perigo em insistir em um estado de pecado para Maria, porque a santidade, então corre o risco de aparecer como uma espécie de contradição da verdadeira humanidade e crença na humanidade de Cristo é completamente comprometida uma vez que não pode haver dúvida de que Ele não conhecia o pecado em si mesmo... Quanto a [Maria] está em causa, de acordo com o Evangelho, ela é a expressão da graça em sua plenitude e de escolha infalível e predestinação de Deus que faz com que sua terrena mãe se torne o símbolo da maternidade da Igreja.” (Maria, Mãe de todos os cristãos , página 204 [nota final] , e na página 24, 25, a partir do capítulo “Cheia de Graça”.)

PARA CITAR

CAROL, Juniper. Os “reformadores” protestantes e a Imaculada Conceição de Maria. Disponível em: . Desde: 07/05/2014. Traduzido por: Rafael Rodrigues.

sábado, 10 de maio de 2014

[Bíblia] Ao pé da letra ou não?

- “Haverá algum critério seguro para se distinguir na Bíblia o que é real e o que é poesia? E o que é dogma de fé e o que não é?” (Aníbal - Rio de Janeiro-RJ).
1. Em primeiro lugar, removamos dois conceitos errôneos neste setor.
Os critérios que nos levam a interpretar certas passagens da Bíblia em sentido literal e outras em sentido alegórico, não são:
a) O caráter maravilhoso ou milagroso como tal dos trechos bíblicos. As intervenções do sobrenatural na natureza não assustam o cristão; este reconhece que são sinais muito lógicos da Onipotência Divina, que ele professa. Note-se, porém, que nem por isto o cristão há de admitir milagres a esmo na História Sagrada. Por serem expressões da Sabedoria Divina, o Senhor realiza sempre os seus portentos — derrogações às leis que o próprio Criador incutiu à natureza — em vista de um fim proporcionalmente grande, e não para ostentar sua Onipotência. Tendo Deus comunicado aos elementos sua maneira própria de agir, o Senhor costuma respeitar o curso ordinário das coisas e utilizá-lo ou encaminhá-lo para obter os efeitos intencionados pela Providência (serve-se habitualmente das chamadas «causas segundas»). Por isto, ensina a exegese que, embora o milagre seja uma realidade na História, a realização de um milagre deve ser provada ou deduzida das expressões mesmas do texto sagrado; não pode ser simplesmente pressuposta; o fato de ser Deus todo-poderoso não implica que tenha realmente manifestado sua Onipotência todas as vezes que a piedade ou a fantasia do leitor da Bíblia o julgue,
b) Também não são as descobertas da Ciência moderna, como tais, que levam o exegeta a dar sentido figurado a muitas expressões da Bíblia. Em outras palavras: não é para estar de acordo com os últimos resultados das pesquisas da astronomia, da geologia, da antropologia etc. (norteando-se diretamente pelas teorias das Ciências Naturais) que o cristão «arranja» suas conclusões exegéticas. Esta atitude, de todo errônea, tem o nome de «Concordismo» (isto é, procura de concórdia, às vezes alheia ao texto bíblico, entre a Ciência e a Escritura).
E por que é errônea? Haverá então discórdia ou apenas semiconcórdia?
É errônea simplesmente porque pressupõe que a Bíblia tenha a mesma finalidade que a Ciência, isto é, que vise ensinar aos homens qual a natureza intrínseca dos fenômenos biológicos, astronômicos, geológicos. Se as Escrituras tivessem em mira ensinar isto, então é claro que haveria justificativa para procurarmos ler as teorias da Ciência Moderna, clara ou veladamente formuladas, na Bíblia. — Acontece, porém, que a Sagrada Escritura visa apenas expor aos leitores o sentido religioso que cabe às criaturas e aos seus fenômenos no plano de Deus; não quer senão dizer de onde vêm os seres, para onde vão, qual o seu valor e a sua função aos olhos de Deus e do cristão, sem se preocupar com a estrutura físico-química das criaturas.
Em consequência, a Bíblia, tendo que aludir aos diversos elementos deste mundo, menciona-os na linguagem simples de seus primeiros leitores, que eram judeus rudes (esta linguagem é suficiente à finalidade da Sagrada Escritura), e começa seu ensinamento propriamente dito onde o cientista termina suas afirmações. Este analisa o que lhe cai sob os olhos e vai retrocedendo no curso dos fenômenos até chegar aos mínimos componentes da matéria; depois disto, nada mais sabe dizer. Pois bem, é justamente neste ponto que as Escrituras começam a ensinar; expõem a metafísica ou o sentido transcendente da matéria, do homem e das suas atividades neste mundo. Não há, pois, coincidência entre o ponto de vista das Ciências Naturais e o da Bíblia. De onde se vê quão absurdo seria interpretar tal ou tal passagem escriturística em sentido alegórico a fim de a acomodar às últimas teorias científicas.
2. Qual seria então, em termos positivos, o critério que leva a distinguir sentido literal e sentido figurado na Sagrada Escritura?
Foi o conhecimento mais exato da filologia e da literatura, tanto de Israel como do Oriente Próximo, que deu a ver aos exegetas que tais e tais expressões não costumavam ser entendidas ao pé da letra pelos escritores antigos, mas tinham sentido convencionalmente metafórico ou hiperbólico. Com outras palavras: as ciências modernas trouxeram à luz não apenas novos dados de astronomia, biologia, geologia, mas também abriram novos horizontes aos estudiosos da linguística do Oriente Antigo. Os novos instrumentos de trabalho filológico (instrumentos dos quais não dispunham os intérpretes medievais) foram consequentemente aplicados ao texto da Bíblia (já que esta foi escrita segundo os moldes da cultura de outrora), o que levou naturalmente os estudiosos a entender em sentido figurado certos trechos que outrora se interpretavam ao pé da letra.
O que está acima dito, se resume brevemente no seguinte: os exegetas modernos reformaram proposições de seus antecessores, porque se lhes tornou evidente que na Bíblia há gêneros literários diversos, ou seja, um estilo próprio para tratar de cada assunto importante (história, leis, profecia, liturgia...). Cada um desses gêneros literários obedece às suas regras de redação convencionais, que o leitor moderno, por mais estranhas que lhe pareçam, tem que levar em conta, a fim de não dar às expressões de um poema (texto livremente concebido e ornamentado) o significado rigoroso que dá aos termos de uma lei (texto geralmente breve e preciso).
3. Uma vez averiguadas as regras de estilo que presidiram à redação de certo livro ou trecho, pode-se proceder à interpretação filológica do mesmo, isto é, verificar o que o texto, aos olhos de um leitor judaico antigo, queria dizer.
Não basta, porém, a interpretação filológica. Requer-se, outrossim, o que se chama a "interpretação dogmática" ou "teológica", já que a Bíblia não é simplesmente palavra humana, mas palavra do homem que reveste e transmite a Palavra de Deus.
Qual então o critério para se apurar o sentido teológico ou dogmático de uma passagem escriturística?
a) Em vista de tal fim, pode-se recorrer à analogia da fé, isto é, à consonância que tal ou tal possível interpretação do texto possa ter com proposições que indubitavelmente pertencem ao depósito da fé. Caso haja discrepância entre uma interpretação filologicamente possível e algum dogma de fé, dever-se-á reconhecer que tal interpretação é errônea. Exemplo muito expressivo encontra-se na exegese de Gênesis 1-3: houve autores (mesmo católicos) que, baseados em critérios meramente filológicos, quiseram entender o nome "Adão" (que em hebraico significa "homem") no sentido coletivo, e não individual (cf. A. M. Dubarle, "Les sages d'Israel", Paris, 1946, pp.21-22): Deus então, ao criar Adão, teria criado a coletividade humana, um agrupamento provavelmente composto de vários casais, e não de um indivíduo e sua esposa apenas; insinuavam desta forma o poligenismo em lugar do tradicional monogenismo (criação de um só casal, Adão e Eva, do qual procedem todos os homens).
Filologicamente a interpretação era plausível e sorria a não poucos exegetas que queriam estar em dia com hipóteses de cientistas recentes. Contudo, o Santo Padre Pio XII, em sua encíclica «Humani generis», de agosto de 1950, lembrou aos exegetas que a mencionada interpretação cai em contradição com uma proposição de fé seguramente atestada pela Bíblia e a Tradição, ou seja, com o dogma do pecado original, que é o pecado do primeiro homem, Adão, comunicado a todos os indivíduos humanos por descenderem todos de Adão. Assim, a «analogia da fé» leva a excluir a interpretação poligenista de Gênesis 1-3, interpretação que o mero exame literário do texto não excluiria.
b) Disto já se depreende que o critério supremo e inevitável para se precisar o sentido de alguma passagem da Sagrada Escritura é a Tradição oral, que hoje se faz ouvir no ensinamento ou Magistério da Igreja. É a esta que, em última análise, toca dirimir as questões de interpretação da Bíblia.
E por que isto? Não será a Igreja erroneamente intransigente ao se arrogar tal direito?
Não! É a natureza mesma da Bíblia que assinala tal incumbência à Igreja. Com efeito, os livros da Sagrada Escritura não foram escritos com o fito de abranger todo o depósito da Revelação Divina, mas se devem a problemas ocasionais (necessidades contingentes deste ou daquele grupo de fiéis), aos quais os hagiógrafos queriam atender. Estes, por conseguinte, apenas redigiram o necessário para resolver os casos que se propunham esporadicamente, confiando em que seus escritos seriam sempre interpretados e complementados pela Tradição oral existente na Igreja. O ensinamento oral constitui um grande corpo doutrinário, do qual os livros do Antigo e do Novo Testamento consignam apenas uma parte (cf. João 21,25). É note-se que a Igreja viveu exclusivamente do ensinamento oral de Cristo desde a Ascensão do Senhor (cerca do ano de 33) até a redação da primeira página do Novo Testamento (Tiago ou 1Tessalonicenses, por volta de 50/51).
Por isto, é que os escritos bíblicos não podem ser desmembrados da Tradição oral nem ser interpretados sem recurso a esta, que é anterior a eles e mais ampla do que eles. E a Tradição oral como pode ser auscultada? Ela se acha hoje viva no Magistério da Igreja. Este se prende ininterruptamente, passando por mais de 55 gerações, através dos séculos, àquilo que Cristo e os Apóstolos ensinaram, mas não escreveram.
É, portanto, a Igreja, à qual Cristo prometeu sua assistência infalível (cf. Mateus 28,20), que em última instância está sempre habilitada a dizer qual o sentido exato de tal e tal passagem da Sagrada Escritura.
  • Fonte: Revista Pergunte e Responderemos nº 5 - mai/1958  

DICA DE LEITURA!!!

 
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História da doutrina eucarística na Igreja primitiva por 9 autores protestantes.



INTRODUÇÃO

Abaixo citações de pelo menos nove eruditos protestantes que apoiam a argumentação de que havia uma unanimidade quanto à crença na Presença Real durante todo este período.
1) OTTO W. HEICK


Os Pais Pós-Apostólicos e . . . quase todos os Pais da antiga Igreja . . . impressionam com seu natural e despreocupado realismo. Para eles a Eucaristia era de alguma forma o corpo e sangue de Cristo.” (A History of Christian Thought, vol.1, Philadelphia: Fortress Press, 1965, 221-222)
2) WILLISTON WALKER


 
Em meados do segundo século, a concepção de uma presença real de Cristo na Ceia estava amplamente difundida. . . Os princípios básicos do ponto de vista católico já estavam estabelecidos em 253.” (A History of the Christian Church, 3rd ed., rev. by Robert T. Handy, NY: Scribners, 1970, 90-91)
3) PHILIP SCHAFF


 
A doutrina do sacramento da Eucaristia não era questão de controvérsia teológica. . . . até a época de Pascásio Radberto, no 9º século . . .
Em geral, este período, ... já estava fortemente inclinado rumo a doutrina da transubstanciação, bem assim rumo a um sacrifício greco-romano da missa que são inseparáveis na medida em que um sacrifício real requer a presença real da vítima......
[Agostinho] ao mesmo tempo, abraça a presença real de Cristo na Ceia . . . Também ele, assim como os Pais orientais estavam inclinados a atribuir uma virtude redentora aos elementos consagrados.”
Nota: Schaff havia demonstrado em duas páginas (pp.498-500) como Agostinho também falou do simbolismo na Eucaristia, mas ele honestamente admite que o grande Pai aceitou a Presença Real "ao mesmo tempo." E isto é precisamente o que eu arguiria. Os católicos possuem uma razoável explicação para as declarações "simbólicas" e que são capazes de se harmonizarem com a Presença Real, todavia, os protestantes que asseveram que Agostinho era Calvinista ou Zwingliano em suas considerações eucarísticas devem ignorar as suas numerosas referências a uma explícita Presença Real e, obviamente que isto é de uma censurável erudição..
Agostinho . . . por outro lado, chama a celebração da comunhão de 'verissimum sacrificium' do corpo de Cristo. A igreja, diz ele, ofereçe ('immolat') a Deus o sacrifício de agradecimento no corpo de Cristo.” [City of God, 10,20] (History of the Christian Church, v.3, A.D. 311-600, rev. 5th ed., Grand Rapids, MI: Eerdmans, rep. 1974, orig. 1910, 492, 500, 507)
 
4) J.D. DOUGLAS


Os Pais . . . [criam] que a união com Cristo dada e confirmada na Ceia era real, assim como aquela que ocorreu na encarnação da Palavra na carne humana.” (ed., The New International Dictionary of the Christian Church, Grand Rapids, MI: Zondervan, rev. ed., 1978, 245 [uma fonte BASTANTE hostil!])
 
5) F.L. CROSS E E.A. LIVINGSTONE, EDS.


Que a Eucaristia transmitida ao crente quanto ao Corpo e Sangue de Cristo era algo universalmente aceito desde o início . . . Mesmo quando os elementos eram ditos como 'símbolos' ou 'antitipos' não havia qualquer intenção em se negar a realidade da Presença nos dons . . . No período Patrístico havia notavelmente pouca controvérsia sobre o assunto . . . As primeiras controvérsias acerca da natureza da Presença Eucarística datam do início da Idade Média. No século IX, Pascásio Radberto suscitou dúvidas quanto a identidade do Corpo Eucarístico de Cristo em relação ao Seu Corpo no céu, porém praticamente não recebeu nenhum apoio. Um movimento consideravelmente maior surgiu no século 11, através do ensino de Berengário que se opôs à doutrina da Presença Real. Ele retratou-se, contudo, antes de sua morte em 1088 . . .
Foi também desde o início amplamente aceita a idéia de que  a Eucaristia era de algum modo um sacrifício. No entanto, isso ocorreu de forma gradual. A sugestão sacrificial faz parte da linguagem neo-testamentária . . . as palavras da instituição, 'aliança,' 'memorial,' 'derramar,' todas possuem associações sacrificiais. No início do período pós-NT o constante repúdio de sacrifício carnal e a ênfase sobre a vida  e oração na adoração cristã não obstruiu a Eucaristia de ser descrita como sacrifício desde o início . . .
Desde cedo a oferta eucarística foi chamada de um sacrifício em virtude de sua imediata relação ao sacrifício de Cristo.” (The Oxford Dictionary of the Christian Church, Oxford Univ. Press, 2nd ed., 1983, 475-476, 1221)
Berengário é o primeiro cristão que por gozar de certa notoriedade, até onde se sabe, que negava a Presença Real. Em época posterior surgem as heresias dos Cátaros e Albigenses que também a negavam. John Wycliffe e Calvino compartilhavam de opiniões idênticas. Raras exceções notáveis surgiram confrontando a extraordinária unanimidade de todos os outros grandes cristãos até 1517!
 
6) JAROSLAV PELIKAN


Nos tempos da Didaquê [em algum lugar por volta de 60 a 160, dependendo do erudito]. . . a aplicação do termo 'sacrifício' à Eucaristia parece ter sido bastante natural, ao lado da identificação da Eucaristia Cristã como a 'pura oferta' ordenada em Malaquias 1:11 . . .
As liturgias cristãs já faziam uso de linguagem similar no que diz respeito às orações de oferta, os dons, a vida dos adoradores e, provavelmente também, acerca da oferta do sacrifício da Missa, assim a interpretação sacrificial da morte de Cristo nunca careceu de um quadro litúrgico de referência . . .
. . . a doutrina da presença real do corpo e sangue de Cristo na Eucaristia não era questão de controvérsia até o século nove.
Os teólogos não possuiam conceitos adequados para formular uma doutrina da presença real, mas que já era aceita pela igreja, ainda que não ensinada através de uma instrução explícita ou confessada por meio de credos . . .
Evidências litúrgicas sugerem um entendimento da eucaristia como um sacrifício cuja relação com os sacrifícios do Antigo Testamento era um arquétipo do tipo e cuja relação com o sacrifício no Calvário era uma 'representação,' exatamente como o pão da eucaristia 'representava' o corpo de Cristo . . . a doutrina da pessoa de Cristo precisava ser esclarecida antes de conceitos que sustentassem o peso do ensino eucarístico . . .
Teodoro [c.350-428] apresentou a doutrina da presença real, e mesmo uma teoria da transformação sacramental dos elementos numa linguagem altamente explícita . . . 'A princípio colocados sobre o altar como mero pão e vinho misturado com água, mas com a vinda do Espírito Santo dá-se a transformação em carne e sangue e assim a mudança em um alimento espiritual e imortal.' [Hom. catech. 16,36] estas passagens e em outras similares em Teodoro são uma indicação de que as ideias gêmeas da transformação dos elementos eucarísticos e a transformação dos comungantes estavam tão ampla e firmemente estabelecidos no pensamento e na linguagem da igreja que qualquer um tinha de reconhecê-las.(The Emergence of the Catholic Tradition (100-600), Chicago: Univ. of Chicago Press, 1971, 146-147, 166, 168, 170, 236-237)

7) J.N.D. KELLY


Há certamente passagens em seus escritos que dão uma justificativa superficial para todas essas interpretações, mas um veredicto equilibrado deve concordar que ele aceitou o realismo atual. Assim, na pregação sobre ‘o sacramento da Ceia do Senhor ‘ para pessoas recém-batizadas, ele comentou [Serm 227] ‘Esse pão que você vê no altar, santificado pela Palavra de Deus, é o corpo de Cristo. Essa taça, ou melhor, o conteúdo dessa taça, santificado pela Palavra de Deus, é sangue de Cristo. Por esses elementos o Senhor Jesus Cristo quis transmitir Seu corpo e sangue, que Ele derramou por nós.’
‘Você sabe’, ele disse em outro sermão [Serm 09:14], 'o que você está comendo e que você está bebendo, ou melhor, a quem você está comendo e quem você está bebendo.’ Comentando sobre licitação do salmista que devemos adorar o escabelo de seus pés, ele apontou [Enarr no Salmo 98:9] que esta deve ser a terra. Mas uma vez que adorar a terra seria uma blasfêmia, ele concluiu que a palavra deve misteriosamente significar a carne que Cristo tomou da terra e que Ele nos deu para comer. Assim era o corpo eucarístico que exigia adoração.
Mais uma vez, ele explicou [Enarr em Salmo 33, 1, 10] a frase: ‘Ele foi levado em suas mãos’ (LXX de 1 Sam 21:13), que no original descreve a tentativa de David de dissipar as suspeitas de Aquis, como referindo-se o sacramento: ‘Cristo foi realizada em suas mãos, quando ele ofereceu seu próprio corpo e disse: ‘Este é o meu corpo’.
Poderíamos multiplicar os textos como estes que mostram Agostinho tomando por garantido a tradicional identificação dos elementos com o sagrado corpo e sangue. Não pode haver nenhuma dúvida de que ele compartilhou o realismo assegurado por quase todos os seus contemporâneos e antecessores.( Kelly, Early Christian Doctrines, pp. 446-47.)

8) CARL VOLZ


Os cristãos primitivos estavam convencidos que de alguma forma, Cristo estava, na verdade, presente nos elementos consagrados do pão e do vinho.” (Faith and Practice in the Early Church, Minneapolis: Augsburg, 1983, 107)

9) MAURICE WILES E MARK SANTAR


Finalmente, João Crisóstomo e Agostinho exploram a conotação social da participação na Eucaristia: o corpo de Cristo não é apenas o que está sobre o altar, é também, o corpo do fiel.” (Documents in Early Christian Thought, Cambridge: Cambridge, 1975, 173)


PARA CITAR


ARMSTRONG, Dave. História da doutrina eucarística antes de 1517 por 9 autores protestantes. Disponível em: <http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/patristica/estudos-patristicos/642-historia-da-doutrina-eucaristica-na-igreja-primitiva-por-9-autores-protestantes>. Desde: 09/05/2014. Traduzido por: Antonio Lordelo.