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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Marcha evangélica 'encolhe' 40% em SP

O número de participantes da 21ª Marcha para Jesus, megaevento evangélico em São Paulo, caiu 40% em relação à edição do ano passado, segundo o Datafolha.
O público calculado pelo instituto de pesquisa anteontem foi de aproximadamente 200 mil pessoas.
Em 2012, na primeira vez em que fez esse levantamento, o Datafolha apontou um total de 335 mil pessoas.
O resultado difere do número estimado pela Polícia Militar, que indicou um público de 500 mil pessoas ao longo do evento, que teve início às 10h e se estendeu até por volta das 23h.
Procurado pela reportagem anteontem, Estevam Hernandes, líder da igreja Renascer em Cristo, organizadora da marcha, afirmou que não iria fazer uma avaliação sobre o total de participantes.
"O Datafolha, né...", disse Hernandes ao ser indagado sobre o tema.
Em 2012, Hernandes estimou que o número de participantes da passeata havia passado de 5 milhões, número que não se confirmou pela medição do Datafolha.
 
Editoria de Arte/Folhapress

PARADA GAY

No começo de junho, o instituto também calculou o público da Parada Gay, que foi de 220 mil pessoas.

O evento também teve uma diminuição no número de participantes em relação a 2012. A comparação dos dados do Datafolha apontou uma redução de 18,5% no total de pessoas presentes.

A maior concentração de fiéis na Marcha para Jesus, a exemplo do verificado em 2012, ocorreu às 13h, quando o total era de cerca de 161 mil pessoas.

A partir desse horário, parte do público que acompanhava os trios elétricos no trajeto de 2,85 quilômetros desde a estação Luz (centro) começou a deixar a marcha.

A dispersão ocorreu principalmente na praça Campo de Bagatelle (zona norte). A partir desse ponto, o evento continuou na praça Heróis da FEB, em um palco montado para a realização de shows de música gospel.

As igrejas mais frequentadas pelos participantes da marcha, segundo a pesquisa, são as evangélicas Renascer em Cristo (31%), Assembleia de Deus (19%), Batista (6%) e Quadrangular (5%).

A idade média dos que compareceram ao evento é de 31 anos, segundo o Datafolha.

Em relação à escolaridade, a pesquisa apontou a maioria dos participantes nas faixas do ensino médio (56%) e superior (34%).

O instituto indagou os presentes à marcha sobre a contribuição mensal para as igrejas, e o valor médio apontado foi de R$ 220.

Editoria de Arte/Editoria de Arte/Folhapress
Fonte Eletrônica;
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2013/07/1304091-marcha-evangelica-encolhe-40-em-sp.shtml

 

O Espírito Santo a procede do Filho, bem como do Pai. Como podemos mostrar isso a partir da Escritura?

 
Resposta: Uma prova disso é que o Espírito Santo é mencionado nas Escrituras como tanto o Espírito do Pai (Mt 10,20, Rm 8,10-11, 2 Coríntios 1,21-22, Ef 3,14-16) e como espírito do Filho (Rm 8,09, Gal 4,06, Fil 1,19, 1 Ped 1,11). Declarações dizendo que o Espírito vem "de" as outras duas Pessoas da Trindade indicam que a pessoa está intimamente ligada (assim como o Filho é o Filho do Pai).
 
A segunda prova é que a relação externa do modelo da Trindade tem seus elos internos. Em João 14,26, o Espírito é dito que procede do Pai, mas um capítulo posterior, em 15:26, Jesus afirma que vai enviar o Espírito do Pai. A mesma relação se reflete em Atos 2,33, onde Pedro afirma que Jesus recebeu o Espírito do Pai e vai envia-lo.
 
A explicação filosófica disso é encontrada no Concílio de Florença, que afirmou em 1439: "Como o Pai tem por gerações dado ao Filho unigênito tudo o que pertence ao Pai, o Filho, tem também elos eterno com o Pai, de quem ele é eternamente nascido, que o Espírito Santo procede do Filho "(Decreto para os gregos).
 
O Espírito procede do Pai e do Filho, porque o Pai entregou todas as coisas ao Filho, incluindo a vinda do Espírito Santo. O Catecismo nos ensina:
 
246. A tradição latina do Credo confessa que o Espírito «procede do Pai e do Filho (Filioque)». O Concílio de Florença, em 1438, explicita: «O Espírito Santo [...] recebe a sua essência e o seu ser ao mesmo tempo do Pai e do Filho, e procede eternamente de um e do outro como dum só Princípio e por uma só espiração [...] E porque tudo o que é do Pai, o próprio Pai o deu ao seu Filho Unigénito, gerando-O, com excepção do seu ser Pai, esta mesma procedência do Espírito Santo, a partir do Filho, Ele a tem eternamente do seu Pai, que eternamente O gerou» (56).
 
248. A tradição oriental exprime, antes de mais, o carácter de origem primeira do Pai em relação ao Espírito. Ao confessar o Espírito como «saído do Pai» (Jo 15, 26), afirma que Ele procede do Paipelo Filho (58). A tradição ocidental exprime, sobretudo, a comunhão consubstancial entre o Pai e o Filho, ao dizer que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho (Filioque). E di-lo «de maneira legítima e razoável» (59), «porque a ordem eterna das pessoas divinas na sua comunhão consubstancial implica que o Pai seja a origem primeira do Espírito, enquanto «princípio sem princípio» (60), mas também que, enquanto Pai do Filho Único, seja com Ele «o princípio único de que procede o Espírito Santo» (61). Esta legítima complementaridade, se não for exagerada, não afecta a identidade da fé na realidade do mesmo mistério confessado.
 
264. «O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira; e, pelo dom eterno do Pai ao Filho, procede do Pai e do Filho em comunhão»
 
Traduzido por Thiago Rodrigo, para o Veritatis Splendor, do original em inglês “How can we use Scripture to show the Holy Spirit proceeds from the Father and the Son?” da web site catholic.com.
 
Fonte Eletrônica;
 

O demônio Odeia Os Padres

São João Crisóstomo, segundo me disseram, disse que o chão do inferno é acarpetado com os crânios dos padres. Eu nunca ter localizado a fonte. No entanto, quando ouvimos as palavras do Senhor sobre moenda e aqueles que os merecem, e nós ouvimos as suas palavras sobre "a quem muito é dado," parece que alguns sentem tremor perante está em ordem.
 
Sacerdotes, especialmente, devem ser aterrorizados por essas advertências. As oportunidades para a glória espetacular (não as do mundo) ou o perigo espetacular (também não o do mundo) confrontar, a cada dia, a cada homem ordenado único da Igreja Católica. Um bom sinal de que um sacerdote agarra a realidade de sua responsabilidade e o preço do fracasso é que ele faz uma hora santa diante do Santíssimo Sacramento todos os dias.
 
E os leigos católicos devem, devem, devem rezar pelos sacerdotes todos os dias. O diabo odeia os sacerdotes. Ele quer nada mais do que entregá-los simultaneamente ao desprezo do mundo e as dores eternas do inferno. Satanás não se cansa.
 
Relatos das falhas morais do clero, de párocos, continuam a envergonhar a Igreja e desencorajar os fiéis, e eles nos lembram de nossa obrigação de rezar pelos sacerdotes, para seu bem e para o bem daqueles cujas vidas eles tocam para uma melhor ou para o mal, o visível e o invisível.
 
Em todo o caos em ambos os lados do Atlântico, você pode ter perdido a infeliz notícia de que um membro muito respeitado e muito bem colocado do clero de uma importante Diocese da Costa Leste (EUA) foi acusado há um mês ou mais por venda ilegal de metanfetaminas .
 
Além disso, ele foi acusado de lavagem de dinheiro sobre as vendas em uma loja que vendia dispositivos destinados a facilitar a prática do desvio. Infelizmente, as taxas continuam: Este padre é acusado de ter cedido a esses desvios mesmíssimos na companhia de outros homens em sua casa paroquial.
 
(Eu não fornecerei o link da história pela simples razão de que, mesmo mencionando, corro o risco de provocar o apetite caído para a lascívia que Santo Agostinho chamou de "concupiscência dos olhos", que foi exponencialmente agravado pela Internet).
 
Se o conto sórdido provar ser um mal-entendido gigante, será outro terrível escândalo para a Igreja que terá que suportar, e que vai abalar a fé de quem se diz católico.
 
Quando ouço histórias como esta, lembro da observação de Belloc que, a prova de que a Igreja Católica é uma instituição divina é que, desde a crucificação, ela foi prosperando, apesar das deficiências daqueles a quem o Senhor a confiou os seus cuidado . No entanto, o suposto comportamento deste sacerdote particular é desanimador. 
 
Isso é só a ponta do iceberg. No caso do padre das metanfetamina, a sua posição, influência e estatura em sua diocese não pode deixar de significar que o dano que ele causou é maior do que nós sabemos.
 
Ele foi secretário de dois bispos, e reitor da catedral. É uma incógnita quanto dano invisível este homem fez a partir dessas posições de autoridade diocesana. Quantos bons padres que ele impediu de se tornar pastores? Quantos hereges que ele viu nomeado para as escolas diocesanas? Quanta liturgia irreverente que ele causou ou permitiu, e quanta coisa na liturgia que ele atrapalhava? Quantas boas vocações que ele desencorajou?
        
Quantas almas não ouviram a doutrina católica ou não tiveram a sólida direção espiritual por causa deste sacerdote? Nós realmente não temos ideia do que mais fez este home. Ore para as vítimas de abuso sexual clerical. Ore para que os sacerdotes cujas transgressões tiverem causado tanto mal. Ore para que os ordinários que deliberadamente esconderam ou fecharam os olhos aos pecados de seu clero.
 
E rezem para os católicos, cujo número é conhecido apenas por Deus, que sofrem alguns por ignorância, alguns em dores agudas de consciência pelo engano, intrigas, irreverência e heresia do clero cujos intelectos e vontades, destinados ao serviço de Deus, foram desfigurados por seus pecados horríveis.
 
Traduzido por Tiago Rodrigo da Silva, para o Veritatis Splendor, do original em inglês “The Devil Hates Priests” do site catholic.com.
 
Fonte Eletrônica;
 

A Tradição tem a mesma autoridade que as Sagradas Escrituras

Sagrada Escritura é a palavra de Deus escrita sob a inspiração(2) do Espírito Santo.
Toda Escritura, sendo inspirada por Deus, é própria para ensinar, repreender, para corrigir, para instruir nos deveres da justiça.”  (II Tm 3, 16)
Ordinariamente, a Sagrada Escritura é conhecida como Bíblia, ou seja, o Livro por excelência. Sendo dividida em duas partes principais, o Antigo Testamento e o Novo Testamento, ela também pode ser chamada de Testamento(3), pois ela é a aliança de Deus com os homens, aliança que só foi validada pela morte do Testador (Hb 9, 15-17). O Antigo Testamento é composto de 45 livros, enquanto que o Novo Testamento é composto por 27 livros, formando um total de 72 livros.
O ANTIGO E O NOVO TESTAMENTO
Moisés Michelangelo (1475-1564)
Antigo Testamento é a aliança que Deus fez com os Israelitas, e que durou até Jesus Cristo. Os livros do Antigo Testamento podem se dividir em três classes: os livros históricos, os livros morais ou sapienciais, e os livros proféticos.  Os livros históricos são: os cinco livros de Moisés ou Pentateuco(4), à saber: a Gênese(5), o Êxodo(6), o Levítico(7), os Números(8) e o Deuteronômio(9); o livro de Josué; o livro dos Juízes; o livro de Rute; os quatro livros dos Reis; os dois livros dos Paralipômenos(10); os dois livros de Esdras; os livros de Tobias, de Judite, de Ester e de Jó; os dois livros dos Macabeus. Os livros sapienciais são: os Salmos(11), os Provérbios, o Eclesiastes(12), o Cântico dos cânticos, a Sabedoria e o Eclesiástico(13). Os livros proféticos são aqueles dos quatro profetas maiores: Isaías, Jeremias (compreendendo Baruc), Ezequiel e Daniel; e aqueles dos doze profetas menores: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. O Novo Testamento é a aliança que Deus fez pelo intermédio de Jesus Cristo, seu Filho, com todo o gênero humano, e que deve durar até o fim dos séculos. Os livros do Novo Testamento podem se dividir, como os do Antigo, em livros históricos, em livros morais e em livros proféticos. Os livros históricos são: os quatro Evangelhos(14), escritos por São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João; e os Atos dos Apóstolos, escritos por São Lucas. Os livros morais são as Epístolas dos Apóstolos. As 14 epístolas de São Paulo, uma de Tiago, o Menor, duas de São Pedro, três de São João e uma de São Judas. As Epístolas de São Paulo são endereçadas: uma aos Romanos, duas aos Coríntios, uma aos Gálatas, uma aos Efésios, uma aos Filipenses, uma aos Colossenses, duas aos Tessalonicenses, duas para seu discípulo Timóteo, uma para seu discípulo Tito, uma para Filêmon e uma aos Hebreus. Os livros proféticos se resumem ao Apocalipse(15) de São João. Tais livros são ditos inspirados por serem reconhecidos pela Igreja, que é dotada de autoridade infalível:
Se alguém não admitir como santos e canônicos todos os livros da Santa Escritura, com todas suas partes, tais como foram enumeradas pelo sacrossanto Concílio de Trento, ou lhe negar a inspiração divina, que ele seja anátema(16).”
E, por isso mesmo, pertencem ao Cânon, ou catálogo dos Livros sagrados. Tal inspiração se deu pelo Espírito Santo que, por uma operação sobrenatural, excitou nos autores a vontade de escrever, e iluminou suas inteligências de tal maneira que eles só escreveram aquilo que Deus quis e como Ele o quis; assim, Deus é a causa principal e imediata das Sagradas Escrituras, e o autor sagrado (escritor) é somente a causa instrumental ativa. A inspiração difere da revelação, pois nem tudo que foi inspirado nos Livros sagrados é uma revelação; entre as coisas que foram escritas, há aquelas que os escritores sagrados já conheciam. Nem tudo que foi revelado foi inspirado; há na tradição, verdades reveladas que não estão contidas nas Sagradas Escrituras. Quanto a autoridade dos livros santos, pode-se prová-la pela razão de uma forma até mais abundante do que com qualquer outro livro histórico. Ela demonstra, com efeito:
  1. Que os livros santos são autênticos, ou seja, que eles são do autor ou da época aos quais os reportamos;
  2. Que eles são íntegros, ou seja, que eles nos vieram sem nenhuma alteração essencial;
  3. Que eles são verídicos, ou seja, que seus autores não foram, nem enganados, nem enganadores.
A razão conclui, portanto:
  1. Que não se poder pôr em dúvida a certeza histórica dos livros santos;
  2. Que, uma vez que esses livros atestam, pela narração de numerosos milagres e profecias, o fato da revelação divina, esse fato se impõe à nossa crença.
Afim que a homenagem de nossa fé estivesse em acordo com a razão, quis Deus acrescentar aos socorros interiores do Espírito Santo as provas exteriores de sua revelação, isto é, os fatos divinos, e sobretudo os milagres e as profecias., que, por demonstrarem claramente a onipotência e a ciência infinita de Deus, são sinais evidentes da revelação divina, acomodados que são à inteligência de todos(17)”.
 A TRADIÇÃO
Como nem tudo que foi inspirado nos livros sagrados é uma revelação, e vice-versa, diz-se que as Escrituras não são a única fonte da doutrina cristã. Há, portanto, uma outra fonte, a Tradição. A Tradição é a palavra de Deus não escrita na Bíblia, mas transmitida pelo ensino dos Apóstolos e vinda à nós como de mão em mão.
Guardais as tradições que aprendestes, seja por nossos discursos, seja por nossas cartas.
(II Ts 2, 15)
Entre as verdades que nos foram transmitidas pela Tradição e que não estão contidas no texto sagrado, tem-se, por exemplo, a virtude do sinal da Cruz, a determinação precisa do número dos sacramentos, o batismo das crianças, a validade do batismo entre os hereges, a substituição do domingo pelo sábado, a Assunção da Santíssima Virgem.  Tais ensinos estão contidos nos decretos dos concílios, nos atos da Santa Sé, nos livros litúrgicos(18), nas obras de arte cristã, nos escritos dos Padres e dos Doutores da Igreja. Os Padres são os escritores eclesiásticos que a Igreja reconhece como testemunhas e representantes da doutrina católica, e que viveram durante os doze primeiros séculos, ou seja, desde os apóstolos até São Bernardo, chamado o último dos Padres da Igreja. Para a Igreja grega, os principais Padres são:
  • Santo Atanásio, patriarca de Alexandria (296-373);
  • São Basílio, arcebispo de Cesaréia (329-379);
  • São Gregório, bispo de Nazianze (329-389);
  • São João Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla (347-407).
Para a Igreja latina, os principais Padres são:
  • Santo Ambrósio, arcebispo de Milão (340-397);
  • São Jerônimo, sacerdote (346-420);
  • Santo Agostinho, bispo de Hipona (358-430);
  • São Gregório, o Grande (543-604).
Os doutores, homens eminentes em santidade e em doutrina, são:
  • São Leão, o Grande, papa (- 461);
  • São Pedro Crisólogo, arcebispo de Ravena (- 452);
  • Santo Isidoro, arcebispo de Sevilha (570-636);
  • Santo Anselmo, arcebispo de Canterbury (1033-1109);
  • São Tomás de Aquino, religioso dominicano (1225-1274);
  • São Boaventura, religioso franciscano, bispo de Albano (1221-1274);
  • São Pedro Damião, bispo de Óstia (988-1072);
  • São Bernardo, abade de Claraval (1091-1153);
  • Santo Hilário, bispo de Poitiers (- 367);
  • Santo Afonso de Ligório, bispo de Sainte-Agathe-des-Goths (1696-1787);
  • São Francisco de Sales, bispo de Gênova (1567-1622);
  • São Cirilo, patriarca de Jerusalém (315-386);
  • São Cirilo, patriarca de Alexandria (376-444);
  • São João Damasceno (676-754).
Além dos outros Padres.
Desta forma, a Tradição tem a mesma autoridade que as Sagradas Escrituras, pois ela é igualmente a palavra de Deus, e é a Igreja que possui a autoridade infalível de guardar essas verdades reveladas e de interpretá-las.
 Fonte: Le Dogme, de la doctrine Chrétiennep.4-11.
(1) Revelação, do latim revelarere, marcando oposição, afastamento; velare, retirar o véu.
(2) Inspiração, do latim inspirarein, em; spirare, soprar. Esta palavra significa, na linguagem teológica, a ação sobrenatural de Deus sobre um escritor sagrado, tanto para determinar sua vontade à escrever quanto para esclarecer seu entendimento, de maneira que ele só diga o que Deus quer e como Ele o quer. (3) Testamento, do latim testamentum, palavra pelo qual se traduziu o termo hebraico que significa aliança, pacto. (4) Pentateuco, de duas palavras gregas: pente, cinco; teukos, obra. Nome coletivo dos cinco livros de Moisés. (5) Gênese, do grego genesis, nascimento, geração. O primeiro dos livros do Pentateuco, no qual Moisés conta a origem do mundo e a das nações. Ele termina com a morte de José. (6) Êxodo, do grego exodos, saída. Esse livro é assim chamado porque ele começa pela história da saída do Egito. O Êxodo pode se dividir em três partes: a primeira retraça os acontecimentos que precederam a libertação do povo hebreu; a segunda descreve a maneira pelo qual Deus libertou seu povo; a terceira conta a aliança que Deus fez com ele, no monte Sinai.  (7) Levítico, de Levi, chefe da tribo especialmente consagrada ao culto do Senhor. O Levítico trata principalmente das coisas referentes às funções dos levitas e dos sacerdotes, das cerimônias da religião, dos diferentes tipos de sacrifício, das diversas festas e do ano do jubileu.  (8) Números. O quatro livro do Pentateuco é assim nomeado porque seus três primeiros capítulos contém a contagem das famílias do povo hebreu. Ele descreve principalmente a história desse povo no deserto, depois de sua partida do monte Sinai. (9) Deuteronômio, do grego deuteros, segundo; nomos, lei. Esse último livro do Pentateuco é assim chamado porque ele contém uma segunda vez a lei abreviada. Ele recapitula as leis precedentemente promulgadas, e as novas. (10) Paralipômenos, do grego para, próximo/com; leipein, deixar/esquecer: coisas omitidas, deixadas de lado. É o nome dado pelos Setenta Interpretes aos dois livros que seguem os Reis e que o são como um suplemento; eles contém acontecimentos das particularidades que não se encontram em nenhuma outra obra além das Escrituras. (11) Salmo, do grego psalmos, de psallein, dedilhar as cordas de um instrumento, e, por extensão, cantar. Composição rítmica destinada para ser cantada com acompanhamento de instrumentos de música, e, em particular, da harpa.  (12) Eclesiastes, do latim ecclesia, igreja. Em hebraico, o título deste livro significa o mesmo que assembléia, e por extensão, aquele que fala na assembléia. O Eclesiastes apresenta um quadro admirável da vaidade do mundo. (13) Eclesiástico, que é de igreja, que está em uso na assembléia, que a instrui. Ele contém exortações à sabedoria e à virtude. (14) Evangelho, do grego eu, bem; aggellô, anunciar; literalmente boa nova. A doutrina de Jesus Cristo; o livro que a contém. (15) Apocalipse, do grego apo, indicando privação, oposição; kaluptô, cobrir, esconder: esconder enquanto revela. (16) Concílio do Vaticano I, Const. Dei Filius, c. II, cânon 4. (17) Idem, c. III. (18) Liturgia, ordem estabelecida nas orações e nas cerimônias do serviço divino, especialmente da Missa. Os livros litúrgicos são: o Missal; o Pontifical, o Ritual, o Breviário e o Martirólogo. (19) Concílio do Vaticano I, Const. Dei Filius, c. II.
 
Fonte Eletrônica;
 

As Catacumbas de Roma – O culto dos santos


Os monumentos que possibilitarão que façamos uma ideia exata da Igreja primitiva são os monumentos fúnebres.
Esta circunstância vai determinar a direção de nossas pesquisas. Estas pesquisas estarão naturalmente circunscritas pelo dogma que tem maior relação com a destinação das Catacumbas, a saber, a comunhão dos santos, ou seja, a Igreja triunfante, a Igreja padecente e a Igreja militante.
As almas dos mortos que morreram na graça divina estão, segundo o ensino da Igreja católica, juntas de Deus; sua morada foi estabelecida na paz do céu; elas gozam da glória e da felicidade eternas. Os túmulos das Catacumbas nos oferecem os mesmos ensinos? Iremos interrogá-los, restaurar as inscrições sepulcrais e a iconografia dos três primeiros séculos, que poderá vir em nosso socorro. Como o nosso espaço é curto, faremos apenas as citações que se justificam por sua importância dogmática.
Percorramos então os seguintes epitáfios:
“Prima, você vive na glória de Deus e na paz de N.S.J.C. VIVIS IN GLORIA DEI ET IN PACE”.
“Cheio de graça e de inocência, Severiano repousa aqui no sono da paz; sua alma foi recebida na luz do Senhor. IN LVCE DOMINI SVSCEPTVS”.
“À merecedora Saxonia: ela repousa em paz na casa eterna de Deus”.
“Lourenço nasceu para a eternidade com a idade de vinte anos; ele descansa em paz. NATVS EST IN ETERNVM”.
“Ursina – Agape – Alogia – Felicíssima – Fortunada, etc.., vivem na paz – em Deus – sempre – eternamente”.
“Hermaniscus, minha luz, vives em nosso Deus e Senhor J.C.”.
“Marciano, neófito, os céus estão abertos para ti, tu viverás na paz. CELI. TIBI. PATENT. BIBES. IN. PACE”.
Enfim:
“Alexandre não morreu; mas ele vive além dos astros; após uma brevíssima vida, ele brilha no céu. IN COELO CORVSCAT”.
Assim, aqueles que dormiram na paz de Deus, os justos repatriados, vivem eternamente. Eles foram admitidos na plenitude da luz de Deus, na casa do Senhor, na glória do Cristo. Eles nasceram para a eternidade; os céus se abriram diante deles; eles brilham aí com uma luminosidade parecida àquela dos astros. Eis a melodia ao mesmo tempo doce e forte que escapa, com um perfeito acordo, do meio dos túmulos subterrâneos, e que traz a consolação nos corações daqueles que esperam ainda o fim de seu exílio. Que protestação solene não há nesta alegre e triunfante harmonia, nesta santa confiança da Igreja apostólica, contra estas opiniões lamentáveis e pretensamente primitivas do século XVII, que não querem saber de nada da Igreja triunfante, que só admitem a entrada no céu para Jesus Cristo, e que declaram que é temerário examinar se as almas dos justos estão na felicidade; que condenam mesmo os mortos a uma espécie de dormição invencível da inteligência e da vontade, a um exílio de vários milhares de anos no vestíbulo do céu, onde eles esperam até o julgamento último a felicidade prometida!
A fé católica não se limita a esta doutrina consoladora que abre o céu às almas dos justos. Ela admite também entre o mundo terreno e o outro mundo, entre a Igreja militante e a Igreja triunfante, uma troca de relações. Todos os homens resgatados são membros de um único corpo em Jesus Cristo, formam uma sociedade, uma família imensa, unida pelo laço da caridade. Esta união espiritual ocorre por meio da oração. Os bem-aventurados nos prestam o socorro de sua intercessão e de sua assistência; do nosso lado, nós lhes pedimos este socorro na veneração e na afeição.
Tal é a doutrina da Comunhão dos santos. Examinemos se ela se revela nas Catacumbas. Aqui, o olhar encontra, sobretudo, acima dos arcosolia, um grande número de imagens de mártires ou de fiéis mortos. Elas estão frequentemente cercadas de símbolos do paraíso, flores, aves, palmas, e sempre na atitude da oração. Estes braços elevados, esta relação cheia de fervor diz em demasia que, lá no alto, os eleitos não são simples espectadores que se contentam em gozar, mas fiéis associados de seus irmãos ainda em luta sobre a terra.
E esta fé, que expressão poderosa não encontra nas inscrições!
“Sutius, reze por nós, afim que sejamos salvos. PETE PRO NOS (sic) VT SALVI SIMVS”.
“Augenda, vive no Senhor e intercede por nós. EPΩTA”.
“Anatolius, ore por nós. EYXOY”.
“Filho, que teu espírito descanse em Deus; interceda por tua irmã. PETAS”.
“Matronata Matrona, ore por teus pais Ela viveu um ano e cinquenta e dois dias. PETE”.
“Atticus, teu espírito vive no Bem: implore por teus pais”.
“Joviano, viva em Deus e seja nosso intercessor”.
“Sabatius, doce coração, ore e implore por teus irmãos e teus companheiros. PETE ET ROGA”.
“Aqui descansa Ancilladei. Ore pelo único filho que te sobreviveu, porque tua morada está na paz e na felicidade eternas”.
“À minha digníssima filha adotiva Felicidade, que viveu trinta e seis anos”. ”Dignai-se em orar por teu esposo Celsiniano”.
“Gentiano, o fiel, em paz. Ele viveu 21 anos… em tuas orações interceda por nós, porque sabemos que está em J.C.”.
Enfim, para concluir a série dos exemplos que citamos:
“À nossa dulcíssima e trabalhadora mãe Catianilla: que ela reze por nós EYXOITO”.
É assim que os olhos e o coração dos sobreviventes atravessam o sepulcro e penetram até ao céu. É assim que o olhar e o amor procuram e encontram os eleitos, os assaltam com orações ferventes, lhes fazem participantes de suas penas com uma confiança infantil e lhes fazem piedosas recomendações. Não está aí a verdadeiro espírito católico na plenitude da caridade e na infalibilidade da certeza?
Mas, dirão alguns, estas invocações piedosas, estas orações dirigidas aos santos, não são, talvez, apenas homenagens privadas, que não supõem nem determinam um culto público, oficial, litúrgico?
A isto responderemos: A partir do momento em que se trata de uma prática litúrgica, relativa ao culto dos santos, trata-se de um princípio católico que não é legado ao arbítrio individual; não obstante, não faltam monumentos que testemunham as homenagens dadas pela Igreja aos bem-aventurados. Há nas Catacumbas dois tipos de inscrições que tem feição com o culto, ambas caracterizadas liturgicamente pela expressão ainda em uso: Em nome de… IN NOMINE.
Elas compreendem: 1º votos suplicativos em nome de Deus, do Cristo ou de Deus Cristo. Por exemplo:
“Zózimo, vive em nome do Cristo”.
“À Selia Victorina, que descansa na paz em nome do Cristo”.
Nestes casos, a invocação se dirige diretamente a Deus, único adorável, único onipotente, único dispensador das graças. Mas há também em segundo outras invocações em nome de um santo; e então a oração se dirige indiretamente a Deus, diretamente ao poder de intercessão do santo. Um túmulo, entre outros, fala assim:
“Rufa, viverá na paz do Cristo, em nome de São Pedro”.
Ou seja, por meio de sua intercessão. Sobre um cálice descoberto nas Catacumbas, se lê esta inscrição em letras douradas: “Vito, vive em nome de Lourenço”; em outro, no mesmo sentido, se lê: “Eliano, vive em Jesus Cristo e São Lourenço”, ou seja, vive na graça de Jesus Cristo, pela intercessão de São Lourenço.
O culto público dado aos santos está doravante provado pelo fato incontestável que davam aos mártires mais ilustres, por um tipo de canonização, títulos honoríficos em uso na Igreja, por exemplo: ”Senhor, Poderoso intercessor diante do trono de Deus, DOMINVS, DOMNVS ou simplesmente D.”
A partir do século III já se observa o título de Santo (dominus), Sanctus. É assim que encontramos saudações no gênero destas aqui: ”Senhor Pedro, Paulo, Estevão, Sisto, etc.; Senhora, Domina Basila”, etc.. Mais tarde lemos: “Ao santo mártir Máximo”; “Ao Pai onipotente, ao seu Cristo e aos santos mártires Taurinus e Herculanus, eternas ações de graças da parte de Nevius, Diaristus e Constantino”.
Não pretendemos acumular as provas epigráficas, mas buscar a luz ainda em outras partes, nas pinturas e nas imagens.

Dom Maurus Wolter. Les Catacombes de Rome et la doctrine catholique. Paris, G. Téqui, 1872.
Tradução: Robson Carvalho
 
Fonte Eletrônica;
 

As Catacumbas de Roma – Destinação e finalidade das Catacumbas


 
Esforcemo-nos, depois desta curta descrição, em descobrir para qual fim estas Catacumbas foram cavadas. Sua destinação original e primeira sai claramente do nome que elas levavam na antiguidade cristã. Elas eram chamadas cemitérios, coemeterium, ou seja, lugar de descanso, dormitório. Elas tinham então servido primitivamente de lugar de sepultura aos cristãos de Roma. Tão logo eles consideraram seus corpos como os membros do Cristo, como os templos do Espírito Santo e vasos de eleição, eles não quiseram nem queimá-los sobre uma fogueira, segundo o costume pagão então em vigor, nem expô-los para serem desonrados pelos infiéis. Ademais, como eles estavam destinados para resplandecer um dia cheios de magnificência e de luz na glória divina, eles os deitavam como uma semente no campo abençoado; ou ainda, segundo a palavra mais expressiva dos primeiros cristãos, eles os depositavam aí, como se deposita, para conservá-lo, um tesouro em lugar seguro. Estes não eram mortos, eram homens adormecidos: ademais, o lugar de sua sepultura se chamava um dormitório, onde eles descansam dos trabalhos da jornada, até que venha a aurora e que o som do trompete os desperte.
Transportemo-nos um instante em um destes subterrâneos. Uma carroça atrelada a dois cavalos acaba de entrar sob a abóbada escura de uma pedreira de areia, de uma arenária abandonada. É a carroça dos mortos, auxiliar indispensável durante os dias tão difíceis da perseguição. Os fossores, revestidos com os hábitos de sua ordem, esperam o recém chegado com impaciência, e com uma mão trémula, descarregam o corpo. Este corpo não foi mergulhado no cal, para escondê-lo dos pagãos, como acontecia algumas vezes. Os fiéis, vigias dos mortos, o pegaram, completamente sangrento, no próprio lugar da execução, e se apressaram em levar seu espólio precioso ao tesouro da Igreja. Um coveiro, já branqueado pela idade, precede e ilumina os carregadores. Ele os conduz em um canto da arenária onde uma escada secreta abre-lhes o caminho da necrópole cristã. Aí, o bispo e os fiéis saúdam, por cantos solenes, o despojo do herói, e o cortejo fúnebre se coloca em marcha. Nestes corredores silenciosos, ressoa, suave como o canto dos bem-aventurados, a salmodia divina, e seus sons misteriosos repercutem através das galerias. As chamas carregadas pelos acólitos, se refletindo sobre estas muralhas avermelhadas pelo tufo litoide, formam milhares de estrelas que cintilam subitamente e se apagam imediatamente, enquanto que os sepulcros, cujas filas se prolongam indefinidamente de cada lado, formam com seus habitantes pacíficos uma cerca de honra para o novo concidadão que faz aí sua entrada. Os tijolos amarelados e as placas de mármore branco que fecham a entrada das tumbas, brilham sob os reflexos móveis da luz, como distintivos de ouro e de prata que seriam incrustados ou encaixados na púrpura. Eles parecem se movimentar! A luz os torna expressivos; ela  faz deles como emblemas transparentes, e mais de uma inscrição comovente, mais de um símbolo cheio de frescor e de delicadeza, executado sem arte pela mão inábil do coveiro, anuncia a paz do céu, a esperança inabalável, a confiança jovial, e parece ser, por assim dizer, uma resposta aos versículos salmodiados pelo coro que passa. Tudo, em torno destas placas de mármore, parece selar no morteiro, como guirlandas de honra, sinais expressivos da memória e da afeição imortais. Aqui, há uma moeda, ou uma concha, ou um camafeu que atinge o olhar; ali, é uma pedra cintilante ou um fragmento de cristal encaixado no ouro. Mais adiante, marcas de cera, representando a forma da planta do pé e cobertas de divisas cristãs, emolduram a fina tabuleta que cobre a tumba. Quando é um mártir que mora no loculus silencioso, a mais invejável das joias assinala aí sua presença: um frasco de vidro, de argila ou de ónix, contendo o sangue precioso do mártir, e na frente uma lâmpada acesa. O cortejo fúnebre já percorreu várias galerias. Assim que ele penetra em uma nova alameda, uma lâmpada, sentinela discreta que vigia sem ruído no fundo de seu nicho, parece saudá-lo. Logo esta lâmpada é decorada com um ornamento emblemático; logo ela toma a forma de uma pomba, de um peixe ou de um barco. Ela une alegremente sua luz fraca com o brilho das velas.
Nesse meio tempo chegamos ao espaço reservado ao defunto. Desta vez, não é uma simples abertura em uma destas longas ruas sepulcrais. Para honrar o mártir, os fossores lhe prepararam uma grande escavação, um arcosolium. Isso é um tipo de sarcófago esculpido no tufo e coroado por um nicho em abóbada rebaixada. Os necróforos ou carregadores se detém e depositam no solo seu precioso fardo. Como aquele de Jesus, este corpo está embalsamado com aromas preciosos e envolvido em uma mortalha. O serviço deposita em sua fronte vitoriosa uma coroa de louros, e o pontífice conclui a bênção. Piedosos lábios ainda cobrem de beijos o santo despojo; depois o introduzem na abertura preparada. Ao lado, colocam um pequeno vaso cheio do sangue que foi derramado em testemunho de Jesus Cristo, e uma urna de aromas, cujo odor suave, imagem do perfume da santidade, perfuma a tumba e a cripta. Mas logo a tumba torna-se a mesa eucarística; a pedra que fecha sua abertura serve de pedra de altar; sobre ela o bispo celebra o sacrifício da nova aliança, sacrifício ofertado à glória do Altíssimo, em honra do bem-aventurado que acaba de receber a coroa celeste.
Consagradas, sobretudo, para a sepultura dos cristãos, que são irmãos e irmãs em Jesus Cristo, as Catacumbas receberam ademais, pela força das coisas, outra destinação. Nos dias da perseguição, elas tornaram-se a morada temporária do Papa, do clero e de alguns leigos de distinção, particularmente designados pelo ódio dos tiranos. Elas foram também o lugar de reunião dos fiéis para a celebração do culto.
Esta última destinação tornou insuficientes as câmaras sepulcrais de algumas famílias e os arcosolia dos mártires. Eles fizeram então escavações em forma de capelas mais ricamente decoradas, com um arcosolium ou um altar livre situado sobre um sarcófago. Ao lado ou por trás encontrava-se a sé episcopal, e ao longo da parede um banco de pedra para o clero. A credência consistia em um nicho feito no tufo ou em suportes talhados em relevo. Ao coro, compartimento no qual ficavam os homens, correspondia, regularmente, do outro lado da galeria, a capela das mulheres, que tinha vista sobre o coro. Uma passagem, luminare, feita na parte superior e dando acima da separação, levava a cada uma das duas naves a luz e o ar constantemente renovado. Algumas vezes encontramos um terceiro espaço, sem ornamentação de nenhum tipo. Ele estava em comunicação com o presbyterium por uma abertura destinada à transmissão das palavras: é aí que se reuniam os penitentes e os catecúmenos. Nestas criptas morou por um longo tempo toda uma série de papas desde São Pedro até São Marcelo e Santo Eusébio. O santo papa Caio, sobrinho do cruel Diocleciano, permaneceu aí oito anos inteiros. É aí que eles instruíam e batizavam os fiéis, que eles ordenavam os padres e estabeleciam a disciplina eclesiástica. É daí que eles governavam todo o rebanho do Cristo, daí que eles datavam suas bulas pontificais e exerciam seu encargo pastoral e apostólico. É daí que eles enviavam os fiéis, alimentados do pão dos fortes, para o campo de batalha do martírio, e saíam, enfim, eles também, quando se tratava de ir morrer por Jesus Cristo. A santidade inseparável das tumbas e o temor de se expor aos perigos nos labirintos desconhecidos davam a estes refúgios subterrâneos toda a segurança desejada contra os inimigos do nome cristão. Assinalamos, não obstante, circunstâncias excepcionais nas quais esta necrópole deixou de ser um asilo inviolável. Assim, Santo Emerenciano foi apedrejado em uma cripta, São Cândido precipitado por um luminare. Em outro momento, todo um bando de cristãos foi enterrado vivo perto da tumba dos santos mártires Crisanto e Daria. Assim ainda, em 261, o santo papa Sisto II, celebrando os santos mistérios nas Catacumbas, em presença de um grande número de fiéis, foi morto com quatro diáconos. Pouco tempo antes, outro papa tivera o mesmo destino. Era Santo Estevão I. Em virtude de uma ordem imperial, ele foi arrastado ao templo de Marte. Ele escapou por milagre das mãos de seus carrascos e se escondeu com seu clero nas Catacumbas de São Calisto. Por muito tempo ele deu ao seu rebanho, já considerável, todos os cuidados de um bom pastor. Uma tardinha – depois de um dia quente do mês de agosto – os fiéis foram convocados, como de costume, para uma assembleia santa. Aquele que, neste momento, estivesse caminhando na via Ápia, fora dos muros, teria podido ver, de tempo em outro, ou sozinhas ou em pequenos grupos, sombras caminhar rapidamente, resvalar-se e desaparecer atrás dos murros de uma vila solitária. Eram os cristãos que, para o ofício noturno, se apressavam em penetrar no cemitério de Lucina, ramificação das Catacumbas de Calisto. A senha dada, a porta se abria diante deles, e eles percorriam silenciosamente as alamedas subterrâneas fracamente iluminadas. Ei-los chegando. As mulheres, completamente cobertas de véu, se voltam para a esquerda, dando uma saudação silenciosa às viúvas consagradas a Deus. Os homens penetram na capela da direita, da qual um clérigo guarda a entrada. Os arcos e as muralhas estão ornados com pinturas simbólicas, nas quais a luz suave das lâmpadas empresta um charme todo particular. Tudo respira a piedade e o recolhimento. No fundo, sobre o túmulo de um mártir, se levanta um altar simples, onde o diácono prepara os vasos sagrados. Os fiéis que chegam depositam no nicho mural sua oferta de pão e de vinho e esperam em pé que a ação santa comece, enquanto que o clero se coloca no presbyterium. A cena se concentra, sobretudo, na pessoa venerável de Santo Estevão, sentado sobre uma sé de mármore. Seu olhar doce de pai repousa com amor sobre seu pequeno rebanho. Ele se levanta. De sua boca de profeta saem ondas carregadas de palavras de paz e de encorajamento, que penetram os corações dos fiéis e produzem uma emoção poderosa na assembleia. O pontífice sobe então ao altar, e, virado para o povo, ele começa os santos mistérios. Que luminosidade sobrenatural ilumina sua face quando ele eleva as mãos! Que chamas maravilhosas jorram de seus olhos quando ele contempla o Cordeiro de Deus estendido diante dele! É isso o antegozo da felicidade próxima do qual o pressentimento apanhava o nobre ancião?  Escutem… ouvimos um tinido de armas… a luz das tochas já são avistadas na galeria vizinha; uma tropa se aproxima;… são os temíveis servos de César. O respiradouro ou luminare lhes conduziu o som dos cânticos e lhes revelou, por isso, o asilo dos cristãos. Eles abrem violentamente uma passagem. Mas um poder sobre-humano parece cravá-los na soleira da cripta sagrada. O Papa termina o sacrifício, reza pelos perseguidores, e os soldados só saem de seu torpor miraculoso quando Estevão volta para seu trono. Eis então que a tropa se precipita sobre ele, a espada nua, e faz uma vítima gloriosa daquele que agora mesmo oferecia o sacrifício. Eis nossa estrada aplainada. Ela nos conduziu ao fim que nos propomos ao escrever estas páginas. As Catacumbas, pilhadas e devastadas durante a invasão dos bárbaros, mais tarde cobertas de terra em consequência de desabamentos, caíram completamente no esquecimento e foram uma região desconhecida até o tempo (1593) de Antonio Bosio, de Malte. Com este sábio, o Cristóvão Colombo da Roma subterrânea, começaram as escavações sérias, destinadas a  despertar o interesse que se liga naturalmente às Catacumbas, e que forneceram as bases da ciência da qual elas são objeto. Mas é para nosso século, e, sobretudo, no reinado glorioso de Pio IX, que estava reservada a glória de dar a estas pesquisas uma impulsão cujos resultados ultrapassam as esperanças mais ousadas. Pio IX, este outro Dâmaso, realizou, durante quase vinte anos, e ao preço dos mais nobres sacrifícios, escavações que permitiram ao ilustre de Rossi publicar, em obras doravante clássicas, uma profusão de descobertas extremamente interessantes e de construir o edifício científico mais completo com a ajuda dos materiais conquistados. É somente após a conclusão destas obras que veremos dele o prêmio imenso para todos os ramos da ciência cristã. Esperamos, não obstante, pela análise dos resultados já adquiridos, poder contribuir, de nossa débil parte, com a apologética do catolicismo.
Dom Maurus Wolter. Les Catacombes de Rome et la doctrine catholique. Paris, G. Téqui, 1872.
Tradução: Robson Carvalho
 
Fonte Eletrônica;
 

As Catacumbas de Roma


Duas cidades têm o privilégio de exercer, sobretudo sobre um coração católico, um atrativo incomparável e de dar ao espírito grandes esclarecimentos quando suas investigações o levam rumo à teologia e à história: eu quero dizer Jerusalém e Roma. Elas são como os dois olhos brilhantes do mundo nos quais se reflete o céu; elas são dois santuários particularmente escolhidos sobre nossa terra e como os dois pólos do mundo histórico; elas são os pontos de apoio misteriosos onde a misericórdia divina depositou a alavanca que suspende o mundo e o fez sair da velha órbita da servidão para conduzi-lo em uma via nova, a via do céu. São as duas cidades da aliança, os dois palcos das maravilhas de Deus. Uma proclama a história da Redenção; a outra resume a história da Igreja. Elas são como a mãe e a filha, intimamente e inseparavelmente ligadas uma à outra. Sua fisionomia e sua história levam o selo indelével deste parentesco. A colina eternamente memorável de Jerusalém foi testemunha do sacrifício três vezes santo do Homem-Deus; consagrada pelo sangue divino, ela tornou-se o altar da salvação. As colinas de Roma viram o martírio de um milhão de membros ilustres do Cristo, e, pelas torrentes de sangue que as inundaram e consagraram, elas se tornaram como o altar-mor da Igreja universal. O corpo de Jesus Cristo foi, após o sacrifício supremo, sepultado em uma escavação rochosa no pé do Gólgota. Os corpos daqueles que deram a Deus o testemunho de seu sangue foram sepultados sob o solo da cidade das sete colinas, nas rochas cavernosas das Catacumbas. O corpo do Senhor repousou três dias na gruta silenciosa e ressuscitou após este período. A Igreja romana, corpo místico do Cristo, se confiou durante três séculos à discrição da necrópole subterrânea e se levantou em seguida para fazer ondular sobre o universo o estandarte triunfal da cruz. Enfim, após a ressurreição, cada uma dessas duas sepulturas permaneceu gloriosa e abençoada. Os selos miraculosamente quebrados do Santo Sepulcro, em Jerusalém, a caverna privada de seu tesouro e só contendendo o sudário dobrado, tornou-se o testamento eterno e o testemunho sempre invencível do grande mistério da Redenção. As Catacumbas reabertas de Roma, com seus tesouros de despojos santos e de relíquias preciosas, monumentos de todo tipo, são um testemunho irrefutável em favor da Igreja primitiva, um legado precioso para as gerações mais distantes. Elas são de algum modo os arquivos do cristianismo, o berço da história eclesiástica. Nas galerias e nos arcosolia, nas paredes e nas abóbadas, se desenrolam em cores vivas e frescas os símbolos da fé e do amor  tais como os representavam na Igreja apostólica. Após vários anos de estudos especiais, e encorajados pelo concurso benevolente do cavalheiro de Rossi, tão profundamente versado na arqueologia das Catacumbas, tentaremos introduzir e guiar o leitor na Roma subterrânea. Veremos que, se a Igreja tira desta mina tão fecunda o ouro das relíquias preciosas do qual ela decora os altares do mundo inteiro, a erudição católica não é menos exitosa ao extrair dai, felizmente, os diamantes dos quais ela aperfeiçoa e enriquece a ciência da fé.
As Catacumbas em geral – Sua importância histórica
Consideraremos, em uma primeira parte, certos dogmas cristãos que tem mais especialmente relação com a finalidade das Catacumbas, e, em uma segunda parte, outros pontos particulares da doutrina, que tiram desses monumentos uma confirmação radiante.  O que são as Catacumbas? Qual foi sua finalidade? Essas questões preliminares necessitam de uma resposta curta.  Transportai-vos, pelo pensamento, na cidade eterna, em Roma, nos dias de seu antigo esplendor, no segundo ou no terceiro século da era cristã. Ela é a dominadora orgulhosa do mundo, com seus duzentos milhões de cidadãos, quase todos pagãos. Do meio de seu céu azul, o sol atira sobre ela seus raios flamejantes e parece querer alourar esta multidão de templos, de pórticos, de colunatas, de palácios, de basílicas, de mausoléus, de termas, de teatros e jardins magníficos. Todos os tesouros da terra, todas as maravilhas da arte parecem se encontrarem nessa bacia gigantesca aonde vieram se derramar todos os despojos do mundo.  Contudo, esta superabundância de ouro e de mármore, esse luxo grandioso e arrebatador são apenas um verniz brilhante sobre uma imensa tumba. Ainda que mestra do mundo, a cidade é a escrava decaída, vergonhosa e desonrada da superstição e do vício. O inimigo do gênero humano se encarnou de algum modo nela e aí reina, como em uma cidadela inexpugnável, cercado tanto de vassalos quanto de estátuas dos deuses sobre os templos e os terraços dos palácios. Roma, centro do poder político que governa o universo, tornou-se o centro da depravação moral e de todos os vícios. Ela atraía para si as forças vitais de todos os territórios, os transformava em venenos e os reenviava assim transformados até as extremidades da terra. Se a humanidade tivesse sido condenada a perecer, o príncipe do mundo não poderia ter escolhido um quartel general mais favorável para sua obra de destruição. Se, ao contrário, ela tivesse de ser salva, seria aí também que a divina misericórdia deveria engajar a luta contra o mal. Ora, é precisamente aí que ela se abre. No território de Roma, sob as verdes pradarias do campo silencioso, trabalhavam misteriosamente, no fundo das alamedas subterrâneas, algumas centenas de braços cheios de atividade e de energia, cujo alvião formava, em um solo avermelhado, um imenso e inextricável labirinto de galerias. Eram os soldados do Cristo que, empreendendo o cerco da metrópole do paganismo, lhe faziam um cinto de catacumbas, como para apertá-la por um vasto sistema de fortalezas. É nesses campos trinchados que eles se exercitavam e se preparavam ao combate; é daí que eles partiam, animados por um santo entusiamo, para as lutas do martírio. Uma vez a vitória obtida e a palma colhida, eles reconduziam como troféus, às Catacumbas, os corpos dos heróis cristãos. Depositavam com eles, na mesma sepultura, as insignes e os instrumentos do martírio, como eles tinham sepultado outrora os guerreiros com suas armas. Contudo, cada gota de seu sangue era a semente de um novo exército de soldados cristãos, até no dia em que o estandarte da cruz, plantado pelo imperador Constantino, ondulou sobre o Capitólio e que Roma tornou-se o centro vivo de um mundo renovado, o coração que derramou torrentes da fé e do amor de Deus em todas as veias da humanidade.
Plano das Catacumbas
Oferecemos uma ideia da importância histórica das Catacumbas; tentamos descrevê-las. Os cemitérios subterrâneos de Roma, que receberam o nome de Catacumbas apenas a partir do século dezesseis, são exclusivamente de origem cristã. Sua extensão compreende uma zona de duas milhas em torno da cidade, e forma assim uma imensa, silenciosa e santa necrópole. Cavadas nas propriedades de algumas famílias patrícias que tinham abraçado a fé, elas gozavam, sobretudo durante os dois primeiros séculos, da proteção da lei romana, que declarava invioláveis os lugares religiosos. Para melhor designá-las, lhes davam os nomes de seus proprietários cristãos ou dos mártires ilustres que aí eram enterrados.
Loculus, Catacumba de São Calixto
Elas são no total de vinte e seis (26), correspondendo aos vinte e seis títulos ou paróquias de Roma; e, se acrescentarmos aí algumas catacumbas pequenas, posteriores a Constantino, chegaremos a um total de quarenta, que formam uma rede subterrânea de ruas sepulcrais. Constituídas regularmente e perpendicularmente em um terreno de formação plutônica, resistente, (…), essas ruas se cruzam infinitamente e formam, geralmente, séries de andares sobrepostos, que chegam algumas vezes até cinco. Nessas alamedas, conhecidas ordinariamente sob o nome de galerias, aplicaram, ao longo das paredes, desde o chão até o alto, cortes horizontais. São os nichos sepulcrais, os loculi, nos quais, semelhantes aos passageiros que se entregam ao sono embalados por balanços do navio, repousam os mortos cristãos, frequentemente até quatorze colocados uns sobre os outros, sem distinção de posição, idade nem de sexo. Cada polegar do nicho, cada metro quadrado da parede é usado com economia; mas cada um, criança ou adulto, tem sua tumba cavada na rocha, e onde ninguém tinha sido enterrado. As galerias, entre uma altura de sete a quinze pés, são tão estreitas, que frequentemente uma pessoa basta para ocupar a largura. Mas seu comprimento é tamanho que, se pudéssemos reuni-las todas juntas, extremo a extremo, teríamos perto de trezentas léguas de caminho a percorrer, e passaríamos ao lado de quatro a seis milhões tumbas.
Esse trabalho de escavação e de corte das galerias sepulcrais e das loculi, assim como dos cortes mais espaçosos das capelas, era confiado à uma corporação ou confraria de verdadeiros imitadores de Tobias, aos fossores, coveiros, que eram preparados para sua vocação por um tipo de ordenação ou de bênção eclesiástica.
Dom Maurus Wolter. Les Catacombes de Rome et la doctrine catholique. Paris, G. Téqui, 1872. Tradução: Robson Carvalho
 
Fonte Eletrônica;
http://afeexplicada.wordpress.com/2013/06/25/as-catacumbas-de-roma/