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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Evangélicos acreditam na Santa Trindade mas não sabem porque…

Desde o princípio da cristandade a Igreja Primitiva professou fé na incarnação de Cristo Jesus. Heresias à parte, este é um princípio da fé cristã, um dogma do cristianismo. Entretanto, quando se trata do discernimento da Revelação Divina quanto à Doutrina da Santíssima Trindade, nossos irmãos protestantes encontram-se face à um paradoxo incontestável, pois aos olhos daqueles que, por um lado professam submissão à ditadura da Sola Scriptura, e assim rejeitam veementemente não apenas a legitimidade e a instituição divinamente apontada do Magistério Eclesiástico; mas também a contribuição e o papel da Igreja na preservação da verdadeira fé Apostólica, a Igreja nada tem a ver com sua aceitação da Doutrina da Santíssima Trindade.
Ou seja, os cristãos não-católicos e não-ortodoxos, não conseguem, não podem, são categoricamente incapazes de provar o discernimento de uma Doutrina central da fé que professam à parte da autoridade de Igreja! Em outras palavras, o protestante evangélico, aquele que alega ter a bíblia como sua única regra de fé, conduta e doutrina, não pode provar PELA bíblia algo em que professa em sua fé. Isto porque, não é possível explicar razoavelmente ( ou seja, com o uso da razão e lógica) o discernimento e formulação da doutrina da Santíssima Trindade, sem antes temos que reconhecer a autoridade magisterial da Igreja. E, justamente porque não podem provar a Santa Trindade pela bíblia, sem que com isso ponha-se por terra à baixo o princípio mais primordial do protestantismo instituído; a doutrina da Sola Scriptura, o evangelicalismo forjou uma explicação para esse dogma da fé Cristã.
Para o protestante comum a Doutrina da Santa Trindade está “clarissimamente” explanada na Bíblia. Em suporte deste ponto de vista costumam citar várias passagens onde são mencionadas as Três Pessoas da Trindade, dentre elas, mais comumente Mateus 28,19-20 abaixo citada:
Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Mateus 28:19
Uma análise cuidadosa da passagem acima revela-nos alguns pontos importantes tanto sobre a Igreja como sobre a fé Cristã. Por exemplo, ao ordenar “IDE, ENSINAI, BATIZAI” o modo verbal imperativo demonstra uma ordem, um mandamento de Cristo aos então mais respeitáveis membros de Sua Igreja: os Apóstolos. Assim, este verso demonstra claramente a missão da Igreja Apostólica: uma missão de propagar a fé através da pregação Oral e de aumentar a adesão à Fé pelo batismo de modo Universal. Portanto, a missão da Igreja era uma missão católica, universal, ou seja, incluía TODAS as NAÇÕES e não apenas a Nação Judaica, Grega, Gentil, ou etc, mas TODAS as nações. Nesse verso entendemos claramente porque a Fé dos Apóstolos era uma fé Católica, novamente, porque era uma fé que irrestrita, pois incluía à TODOS os que cressem em Cristo Jesus!
A passagem confirma também a ordenança do Batismo não como um mero símbolo opcional, como creem alguns, mas um evento compulsório para a entrada na Nova Aliança estabelecida entre Cristo e o Povo de Deus, agora não mais a nação de Israel, mas a Sua Igreja! Nesse sentido fica também muito claro porque os primeiros Cristãos batizavam até mesmo seus bebês. Pois, seguindo a tradição do Judaísmo Bíblico – não esqueçamos aqui que, apesar da Igreja Primitiva ter um caráter Universal, ou Católico, os primeiros seguidores de Cristo eram Judeus – a circuncisão era a forma de adesão à Antiga Aliança até mesmo para os bebês fora da Idade da razão e, naturalmente, o batismo assim o seria para os filhos tanto dos Judeus como dos gentios convertidos à Cristo! Era, portanto, natural e lógico para eles o batismo infantil. Só não é lógico para o protestante que, por crer na Sola Scriptura, recusa-se a aceitar os registros da história, bem como os relatos implícitos na Bíblia.
Finalmente, lemos em Mateus 28,19-20 a confirmação de algumas verdades que o Povo de Deus já sabia desde o Antigo Testamento, por exemplo, a existência do Espírito do Senhor. Esse fato, o povo Judeu já conhecia desde sempre, pois foi revelado já no relatado na história da Criação, em Gênesis:
2. A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Gênesis 2,1
Entretanto, apesar do registro explícito da existência ambos de Deus e do Seu Espírito NÃO levou o Povo Judeu à concluir que houvessem duas pessoas em UM Deus. Assim, o relato da bíblia é explícita no sentido em que ela atesta para a existência tanto de Deus como do Espírito de Deus, mas o discernimento desta informação é, todavia, processado de modo distinto no Judaísmo. Para o Judeu Deus é Um e não Um Deus em duas Pessoas. Nesse sentido, Mateus 28,19-20 em nada acrescenta àquilo que fora revelado no Antigo Testamento exceto, claro, pelo fato de que explicitamente declara a existência também do Filho de Deus na Pessoa de Cristo. Porém, a informação revelada em Mateus 28,19-20 de modo algum afirma explicitamente que as Três Pessoas mencionadas na passagem sejam, de fato, UMA divindade em Três Pessoas!
Neste ponto devemos usar o testemunho da história para desvendar como e por que a Igreja Primitiva veio a formular oficialmente a doutrina da Santa Trindade. Em primeiro lugar, é importantíssimo salientar que a Bíblia, enquanto Revelação escrita, não omite a existência das três Pessoas da Santa Trindade, pelo contrário, o Novo Testamento está repleto de passagens onde são mencionados Deus Pai, O Espírito Consolador, advogado e Paráclito, bem como o Filho na Pessoa de Cristo. O problema é que mencionar três personagens não necessariamente significa claramente afirmar que eles sejam uma trindade no sentido hoje conhecido e aceito. Assim, fica provado que houve a necessidade do discernimento dos patriarcas da Igreja Primitiva como algo imperativo na formulação da Doutrina da Santa Trindade. A Igreja discerniu essa verdade, que por sua vez está confirmada nas Sagradas Escrituras.

O que diz a Igreja:

O primeiro passo para o entendimento deste mistério é justamente afirmação da verdade sobre a encarnação de Cristo.
O Verbo fez-Se carne para nos salvar, reconciliando-nos com Deus: «Foi Deus que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de expiação pelos nossos pecados» (1 Jo 4, 10). «O Pai enviou o Filho como salvador do mundo» (1 Jo 4, 14). «E Ele veio para tirar os pecados» (1 Jo 3, 5): ( 457 CIC- Catecismo da Igreja Católica).
461. Retomando a expressão de São João («o Verbo fez-Se carne»: Jo 1, 14), a Igreja chama «Encarnação» ao facto de o Filho de Deus ter assumido uma natureza humana, para nela levar a efeito a nossa salvação. Num hino que nos foi conservado por São Paulo, a Igreja canta este mistério:
«Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus. Ele, que era de condição divina, não se valeu da sua igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio, assumindo a condição de servo, tornou-Se semelhante aos homens. Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais, obedecendo até à morte, e morte de Cruz» (Fl 2, 5-8) (86). ( 461 CIC- Catecismo da Igreja Católica).
E ainda:
463. A fé na verdadeira Encarnação do Filho de Deus é o sinal distintivo da fé cristã: «Nisto haveis de reconhecer o Espírito de Deus: todo o espírito que confessa a Jesus Cristo encarnado é de Deus» (1 Jo 4, 2). É esta a alegre convicção da Igreja desde o seu princípio, ao cantar «o grande mistério da piedade»: «Ele manifestou-Se na carne» (1 Tm 3, 16). ( 463 CIC- Catecismo da Igreja Católica).
Contudo, a crença da Encarnação de Cristo não representa dizer que Cristo seja parte homem parte Deus, ou uma mistura de ambos (cf CIC 464). Neste sentido já desde o principio a Igreja teve que combater heresias que ora afirmavam a divindade de Cristo, mas negavam sua natureza humana, ora aceitavam em sua condição divina mas negavam sua natureza divina pois acreditavam que Jesus fosse Filho adotivo de Deus:

Heresias:

465. As primeiras heresias negaram menos a divindade de Cristo que a sua verdadeira humanidade (docetismo gnóstico). Desde os tempos apostólicos que a fé cristã insistiu sobre a verdadeira Encarnação do Filho de Deus «vindo na carne» (87). Mas, a partir do século III, a Igreja teve de afirmar, contra Paulo de Samossata, num concilio reunido em Antioquia, que Jesus Cristo é Filho de Deus por natureza e não por adopção. O primeiro Concílio ecuménico de Niceia, em 325, confessou no seu Credo que o Filho de Deus é «gerado, não criado, consubstancial (‘homoúsios’) ao Pai» (88); e condenou Ario, o qual afirmava que «o Filho de Deus saiu do nada» (89) e devia ser «duma substância diferente da do Pai» (90).
466. A heresia nestoriana via em Cristo uma pessoa humana unida à pessoa divina do Filho de Deus. Perante esta heresia, São Cirilo de Alexandria e o terceiro Concilio ecuménico, reunido em Éfeso em 431,confessaram que «o Verbo, unindo na sua pessoa uma carne animada por uma alma racional, Se fez homem» (91). A humanidade de Cristo não tem outro sujeito senão a pessoa divina do Filho de Deus, que a assumiu e a fez sua desde que foi concebida. Por isso, o Concílio de Éfeso proclamou, cm 431, que Maria se tornou, com toda a verdade. Mãe de Deus, por ter concebido humanamente o Filho de Deus em seu seio: «Mãe de Deus, não porque o Verbo de Deus dela tenha recebido a natureza divina, mas porque dela recebeu o corpo sagrado, dotado duma alma racional, unido ao qual, na sua pessoa, se diz que o Verbo nasceu segundo a carne» (92).
467. Os monofisitas afirmavam que a natureza humana tinha deixado de existir, como tal, em Cristo, sendo assumida pela sua pessoa divina de Filho de Deus. Confrontando-se com esta heresia, o quarto Concílio ecuménico, em Calcedónia, no ano de 451, confessou:
«Na sequência dos santos Padres, ensinamos unanimemente que se confesse um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, igualmente perfeito na divindade e perfeito na humanidade, sendo o mesmo verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, composto duma alma racional e dum corpo, consubstancial ao Pai pela sua divindade, consubstancial a nós pela sua humanidade, «semelhante a nós em tudo, menos no pecado» (93): gerado do Pai antes de todos os séculos segundo a divindade, e nestes últimos dias, por nós e pela nossa salvação, nascido da Virgem Mãe de Deus segundo a humanidade.
Um só e mesmo Cristo, Senhor, Filho Único, que devemos reconhecer em duas naturezas, sem confusão, sem mudança, sem divisão, sem separação. A diferença das naturezas não é abolida pela sua união; antes, as propriedades de cada uma são salvaguardadas e reunidas numa só pessoa e numa só hipóstase» (94).
469. Assim, a Igreja confessa que Jesus é inseparavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro homem. É verdadeiramente o Filho de Deus feito homem, nosso irmão, e isso sem deixar de ser Deus, nosso Senhor:
«Id quod fuit remansit, et quod non fuit assumpsit» – «Continuou a ser o que era e assumiu o que não era», como canta a Liturgia Romana (90). E a Liturgia de São João Crisóstomo proclama e canta: «Ó Filho único e Verbo de Deus, sendo imortal. Vos dignastes, para nossa salvação, encarnar no seio da Santa Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, e sem mudança Vos fizestes homem e fostes crucificado! Ó Cristo Deus, que por Vossa morte esmagastes a morte, que sois um da Santíssima Trindade, glorificado com o Pai e o Espírito Santo, salvai-nos!» (100).

Jesus, homem e Deus – Discernindo a Revelação

O catecismo da Igreja afirma que já no tempo dos Apóstolos a tradução do nome de Deus, ”YHWH”, dada à Moisés no Antigo Testamento como Kyrios ou “Senhor” é de certa forma uma indicação do reconhecimento por parte da Igreja da condição divina de Jesus, uma vez que ela atribui esse nome a Jesus Cristo. Entretanto, o próprio Jesus atribui esse título a Si mesmo ao debater com os fariseus sobre o significado do Salmo 110 e ao dirigir-se ao Seus apóstolos em 1 Cor 2, 8. (cf CIC 447). Da mesma forma, a Igreja entendeu que tanto o domínio de Cristo sobre as forças da natureza e doenças, quanto sua autoridade sobre os demônios são o testemunho de sua condição divina :
449. Ao atribuir a Jesus o título divino de Senhor, as primeiras confissões de fé da Igreja afirmam, desde o princípio (69), que o poder, a honra e a glória, devidos a Deus Pai, também são devidos a Jesus (70), porque Ele é «de condição divina» (Fl 2, 6) e o Pai manifestou esta soberania de Jesus ressuscitando-O de entre os mortos e exaltando-O na sua glória (71).
450. Desde o princípio da história cristã, a afirmação do senhorio de Jesus sobre o mundo e sobre a história (72) significa também o reconhecimento de que o homem não deve submeter a sua liberdade pessoal, de modo absoluto, a nenhum poder terreno, mas somente a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo: César não é o «Senhor»(73). «A Igreja crê… que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontra no seu Senhor e Mestre» (74).

Discernindo o Dogma da Santa Trindade

Como vimos acima, o termo Trindade é empregado de modo a significar uma doutrina central da religião Cristã – uma verdade que estabelece que na Divindade existem Três Pessoas. Entretanto, a despeito disso, não há nas Sagradas escrituras um sequer termo pelo qual Três Pessoas Divinas sejam denotadas juntas como uma única divindade. De fato, o termo Trias (do qual o trinitas é uma tradução para o Latim) é encontrado pela primeira vez nos escritos de Teófilo de Antioquia por volta de 180 dC. Ele fala de “trindade de Deus [o Pai], Sua Palavra e Sua Sabedoria (Para Autolycus II.15). O termo pode, é claro, ter sido utilizado antes de seu tempo. Posteriormente, aparece em sua forma latina como trinitas, no trabalho de Tertuliano (On ​​Pudicity 21). No século seguinte, a palavra já é de uso geral. Ela é encontrada em muitas passagens de Orígenes (“In Ps. xvii”, 15). O primeiro credo em que aparece é o do aluno de Orígenes, Gregório Taumaturgo, que em seu Ekthesis pisteos composto entre 260 e 270 dC, ele escreve:
Não há, portanto, nada criado, nada sujeito ao outro na Trindade: nem há nada que tenha sido adicionado como se uma vez não tivesse existido, mas tenha nela entrado depois: portanto o Pai nunca esteve sem o Filho, nem o Filho sem o Espírito, e esta mesma Trindade é imutável e inalterável para sempre (PG, X, 986).
Assim, verificamos que o entendimento e a formulação da doutrina da Santa Trindade não aconteceu imediatamente, mas foi resultado de um processo do discernimento dos patriarcas da Igreja Primitiva. Isso não significa dizer, como afirmei anteriormente, que este mistério não esteja contido nas Sagradas Escrituras. Na verdade, as Escrituras apontam na narrativas dos evangelistas para o fato de que essa grande verdade foi revelada pelo próprio Cristo aos Seus doze apóstolos somente!
Vemos, por exemplo, em Mateus 28,20 que a ordenança para o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, confirma, embora por si só não revele explicitamente aquilo que a Igreja veio mais tarde a proclamar sobre a Trindade, confirma o entendimento da Igreja. A frase “em nome” (eis a onoma) afirma igualmente a Divindade das Pessoas e sua unidade da natureza. É importante reconhecer que entre os judeus, e na Igreja Apostólica, o nome divino era o representante do próprio Deus. Aquele que tinha o direito de usá-lo era investido de uma autoridade vasta: pois exercia os poderes sobrenaturais Daquele cujo nome ele empregava.
Além dessas passagens, há muitas outras nos Evangelhos que se referem a uma ou outra das Três Pessoas em particular e expressam claramente a personalidade separada e Divindade de cada uma. Em relação à primeira Pessoa não será necessário dar citações especiais, pois aqueles que declaram que Jesus Cristo é o Filho de Deus, assim também afirmam a personalidade separada do Pai. A divindade de Cristo é amplamente atestada não apenas por São João, mas pelos Sinópticos, como enumerado nos exemplos abaixo.
1. Ele declara que virá a ser o juiz de todos os homens (Mateus 25:31). Na teologia judaica o julgamento do mundo era uma prerrogativa distintamente Divina, e não messiânica.2. Na parábola dos lavradores maus, Ele Se descreve como o filho do dono da casa, enquanto os Profetas, um e todos, são representados como os servos (Mateus 21:33 sqq.).3. Ele é o Senhor dos Anjos, que executam Seu comando (Mateus 24:31).4. Ele aprova a confissão de Pedro quando ele reconhece-o, não como Messias, mas explicitamente como o Filho de Deus, e Ele declara ser esse um conhecimento devido a uma revelação especial do Pai (Mateus 16: 16-17).
5. Finalmente, diante de Caifás Ele não apenas declara que Ele é o Messias, mas em resposta a uma segunda pergunta distinta, afirma Sua pretensão de ser o Filho de Deus. Motivo pelo qual Ele é imediatamente declarado pelo sumo sacerdote como culpado de blasfêmia, um crime que não poderia ter sido anexado à alegação de ser simplesmente o Messias (Lucas 22:66-71).
É, portanto, manifesto que um dogma tão misterioso pressupõe uma revelação divina. Quando o fato da revelação, entendida em seu sentido pleno como o discurso de Deus ao homem, não é mais admitido, a rejeição da doutrina segue como uma conseqüência inevitável. Por esta razão não tem lugar no protestantismo Liberal de hoje. Os escritores desta escola de pensamento contestam que a doutrina da Trindade, como professada por a Igreja, não está contida no Novo Testamento, mas que ela foi formulada pela primeira vez no segundo século e recebeu aprovação final no quarta, como o resultado do controvérsias arianos e Macedônio. Em vista desta afirmação é necessário a considerar a evidência conferida pela Escritura Sagrada bem como da Tradição da Igreja. Outros, por outro lado, afirmam que ela esteja explicitamente ensinada na bíblia, ignorando até mesmo o fato de que por diversas vezes a Igreja teve que combater heresias que, na verdade, negavam a Trindade justamente porque ela não está explicitamente revelada nas Sagradas escrituras – nos dias de hoje os Testemunhas de Jeová são um exemplo clássico. De qualquer modo, é quase supérfluo afirmar que foi o discernimento da Igreja Primitiva o responsável pela formulação desta mistério da fé Cristã. Aqueles que negam este fato, mas ao mesmo temp professam a salutar fé na Santa Trindade, creem em algo mas não sabem porque!
Assim, abaixo exporemos sucintamente de que maneira foi revelado o mistério da Santíssima Trindade (I), como é que a Igreja formulou a doutrina da fé sobre este mistério (II) tal e qual exposto pelo Catecismo da Santa Igreja:
236. Os Padres da Igreja distinguem entre «Theologia» e «Oikonomia», designando pelo primeiro termo o mistério da vida íntima de Deus-Trindade e, pelo segundo, todas as obras de Deus pelas quais Ele Se revela e comunica a sua vida. É pela «Oikonomia» que nos é revelada a «Theologia»; mas, inversamente, é a «Theologia» que esclarece toda a «Oikonomia». As obras de Deus revelam quem Ele é em Si mesmo: e, inversamente, o mistério do seu Ser íntimo ilumina o entendimento de todas as suas obras. Analogicamente, é o que se passa com as pessoas humanas. A pessoa revela-se no que faz, e, quanto mais conhecemos uma pessoa, tanto melhor compreendemos o seu agir.
I- O PAI REVELADO PELO FILHO
238. A invocação de Deus como «Pai» é conhecida em muitas religiões. A divindade é muitas vezes considerada como «pai dos deuses e dos homens». Em Israel, Deus é chamado Pai enquanto criador do mundo (38). Mais ainda, Deus é Pai em razão da Aliança e do dom da Lei a Israel, seu «filho primogénito» (Ex 4, 22). Também é chamado Pai do rei de Israel (39). E é muito especialmente «o Pai dos pobres», do órfão e da viúva, entregues à sua protecção amorosa (40).
240. Jesus revelou que Deus é «Pai» num sentido inédito: não o é somente enquanto Criador: é Pai eternamente em relação ao seu Filho único, o qual, eternamente, só é Filho em relação ao Pai: «Ninguém conhece o Filho senão o Pai, nem ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar» (Mt 11, 27).
241. É por isso que os Apóstolos confessam que Jesus é «o Verbo [que] estava [no princípio] junto de Deus» e que é Deus (Jo 1, 1), «a imagem do Deus invisível» (Cl 1, 15), «o resplendor da sua glória e a imagem da sua substância» (Heb 1, 3).
242. Na esteira deles, seguindo a tradição apostólica, no primeiro concílio ecumênico de Niceia, em 325, a Igreja confessou que o Filho é «consubstancial» ao Pai (44), quer dizer, um só Deus com Ele. O segundo concilio ecumênico reunido em Constantinopla em 381, guardou esta expressão na sua formulação do Credo de Niceia e confessou «o Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, luz da luz. Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai» (45).

O PAI E O FILHO REVELADOS PELO ESPÍRITO

243. Antes da sua Páscoa, Jesus anuncia o envio de um «outro Paráclito»(Defensor), o Espírito Santo. Agindo desde a criação (46) e tendo outrora «falado pelos profetas» (47), o Espírito Santo estará agora junto dos discípulos, e neles (48), para os ensinar (49) e os guiar «para a verdade total»(Jo 16, 13). E, assim, o Espírito Santo é revelado como uma outra pessoa divina, em relação a Jesus e ao Pai.
244. A origem eterna do Espírito revela-se na sua missão temporal. O Espírito Santo é enviado aos Apóstolos e à Igreja, tanto pelo Pai, em nome do Filho, como pessoalmente pelo Filho, depois do seu regresso ao Pai (50). O envio da pessoa do Espírito, após a glorificação de Jesus (51) revela em plenitude o mistério da Santíssima Trindade.
245. A fé apostólica relativamente ao Espírito foi confessada pelo segundo concilio ecuménico, reunido em Constantinopla em 381:«Nós acreditamos no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai» (52). A Igreja reconhece assim o Pai como «a fonte e a origem de toda a Divindade» (53). Mas a origem eterna do Espírito Santo não está desligada da do Filho: «O Espírito Santo, que é a terceira pessoa da Trindade, é Deus, uno e igual ao Pai e ao Filho, da mesma substância e também da mesma natureza… Contudo, não dizemos que Ele é somente o Espírito do Pai, mas, ao mesmo tempo, o Espírito do Pai e do Filho»(54). O Credo do Concílio de Constantinopla da Igreja confessa que Ele, «com o Pai e o Filho, é adorado e glorificado» (55).
246. A tradição latina do Credo confessa que o Espírito «procede do Pai e do Filho (Filioque)». O Concílio de Florença, em 1438, explicita: «O Espírito Santo [...] recebe a sua essência e o seu ser ao mesmo tempo do Pai e do Filho, e procede eternamente de um e do outro como dum só Princípio e por uma só espiração [...] E porque tudo o que é do Pai, o próprio Pai o deu ao seu Filho Unigénito, gerando-O, com excepção do seu ser Pai, esta mesma procedência do Espírito Santo, a partir do Filho, Ele a tem eternamente do seu Pai, que eternamente O gerou» (56).
247. A afirmação do Filioque não figurava no Símbolo de Constantinopla de 381. Mas, com base numa antiga tradição latina e alexandrina, o Papa São Leão já a tinha confessado dogmaticamente em 447 (57), mesmo antes de Roma ter conhecido e recebido o Símbolo de 381 no Concílio de Calcedónia, em 451). O uso desta fórmula no Credo foi sendo, pouco a pouco, admitido na liturgia latina (entre os séculos VIII e XI). A introdução do Filioque no Símbolo Niceno-Constantinopolitano pela liturgia latina constitui, ainda hoje, no entanto, um diferendo com as igrejas ortodoxas.

A Santíssima Trindade na doutrina da fé

A FORMAÇÃO DO DOGMA TRINITÁRIO
249. A verdade revelada da Santíssima Trindade esteve, desde a origem, na raiz da fé viva da Igreja. principalmente por meio do Baptismo. Encontra a sua expressão na regra da fé baptismal, formulada na pregação, na catequese e na oração da Igreja. Tais formulações encontram-se já nos escritos apostólicos, como o comprova esta saudação retomada na liturgia eucarística: «A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós» (2 Cor 13, 13)(62).
250. No decurso dos primeiros séculos, a Igreja preocupou-se com formular mais explicitamente a sua fé trinitária, tanto para aprofundar a sua própria inteligência da fé, como para a defender contra os erros que a deformavam. Foi esse o trabalho dos primeiros concílios, ajudados pelo trabalho teológico dos Padres da Igreja e sustentados pelo sentido da fé do povo cristão.
251. Para a formulação do dogma da Trindade, a Igreja teve de elaborar uma terminologia própria, com a ajuda de noções de origem filosófica: «substância», «pessoa» ou «hipóstase», «relação», etc. Ao fazer isto, a Igreja não sujeitou a fé a uma sabedoria humana, mas deu um sentido novo, inédito, a estes termos, chamados a exprimir também, desde então, um mistério inefável, «transcendendo infinitamente tudo quanto podemos conceber a nível humano» (63).
252. A Igreja utiliza o termo «substância» (às vezes também traduzido por «essência» ou «natureza») para designar o ser divino na sua unidade; o termo «pessoa» ou «hipóstase» para designar o Pai, o Filho e o Espírito Santo na distinção real entre Si; e o termo «relação» para designar o facto de que a sua distinção reside na referência recíproca de uns aos outros.
O DOGMA DA SANTÍSSIMA TRINDADE
253. A Trindade é una. Nós não confessamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas: «a Trindade consubstancial» (64). As pessoas divinas não dividem entre Si a divindade única: cada uma delas é Deus por inteiro: «O Pai é aquilo mesmo que o Filho, o Filho aquilo mesmo que o Pai, o Pai e o Filho aquilo mesmo que o Espírito Santo, ou seja, um único Deus por natureza» (65). «Cada uma das três pessoas é esta realidade, quer dizer, a substância, a essência ou a natureza divina» (66).
254. As pessoas divinas são realmente distintas entre Si. «Deus é um só, mas não solitário» (67). «Pai», «Filho», «Espírito Santo» não são meros nomes que designam modalidades do ser divino, porque são realmente distintos entre Si. «Aquele que é o Filho não é o Pai e Aquele que é o Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo é Aquele que é o Pai ou o Filho» (68). São distintos entre Si pelas suas relações de origem: «O Pai gera, o Filho é gerado, o Espírito Santo procede»(69). A unidade divina é trina.
255. As pessoas divinas são relativas umas às outras. Uma vez que não divide a unidade divina, a distinção real das pessoas entre Si reside unicamente nas relações que as referenciam umas às outras: «Nos nomes relativos das pessoas, o Pai é referido ao Filho, o Filho ao Pai, o Espírito Santo a ambos. Quando falamos destas três pessoas, considerando as relações respectivas, cremos, todavia, numa só natureza ou substância» (70). Com efeito, «n’Eles tudo é um, onde não há a oposição da relação» (71). «Por causa desta unidade, o Pai está todo no Filho e todo no Espírito Santo: o Filho está todo no Pai e todo no Espírito Santo: o Espírito Santo está todo no Pai e todo no Filho»(72).
256. São Gregório de Nazianzo, também chamado «o Teólogo», confia aos catecúmenos de Constantinopla o seguinte resumo da fé trinitária:
«Antes de mais nada, guardai-me este bom depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me dá coragem para suportar todos os males e desprezar todos os prazeres: refiro-me à profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Eu vo-la confio hoje. É por ela que, daqui a instantes, eu vou mergulhar-vos na água e dela fazer-vos sair. Eu vo-la dou por companheira e protectora de toda a vossa vida. Dou-vos uma só Divindade e Potência, uma nos Três e abrangendo os Três de maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou natureza, sem grau superior que eleve nem grau inferior que abaixe [...] É de três infinitos a infinita conaturalidade. Deus integralmente, cada um considerado em Si mesmo [...] Deus, os Três considerados juntamente [...] Assim que comecei a pensar na Unidade logo me encontrei envolvido no esplendor da Trindade. Mal começo a pensar na Trindade, logo à Unidade sou reconduzido» (73).
 
FONTE ELETRÔNICA;
 

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

R.R. Soares e o Dízimo dos Presentes!!!!! Morro e Não Vejo Tudo!!!

Desmascarando uma calúnia do Pastor Silas Malafaia ontem de frente com Gabi



Pedro era de fato casado? E isso significa que os Padres devem casar?

Primeiro: Onde tá escrito que Pedro tinha esposa? Tá ok a biblia fala de "sogra" de Pedro, mas não cita a esposa! Ou seja, ele poderia ser VIÚVO!! Muitos teólogos ainda afirmam que ele era viúvo, pois a bíblia em nenhum lugar cita a esposa de Pedro, mas somente a SOGRA.

1° - Como Pedro poderia seguir Jesus durante anos sendo casado e tendo que cuidar da esposa?

2° Como Pedro poderia ter viajado a Roma (naquela época uma viagem dessa demorava meses), com esposa e filhos? Será mesmo que eles foram juntos? rs

3° Se realmente Pedro cuidava da esposa e da evangelização com Cristo, por que o próprio Pedro disse isso a Cristo:

"Disse depois Pedro: 'Eis que nós deixamos tudo o que nos pertence para te seguir'.

Jesus respondeu-lhes: "Em verdade vos digo, não há ninguém que tenha deixado casa, mulher, irmãos pais ou filhos, por causa do reino de Deus, que não receba o múltiplo no tempo presente, e no século que há de vir, a vida eterna." Lc 18,28-30

Ora ora, caro pastor silas, tá vendo? Pedro deixou TUDO, e Cristo mesmo afirma que ele deixou "Família" pra o seguir!!! CAIAFARSA PASTOR SILAS!

A Igreja sempre teve o celibato em grande estima já que o Próprio Senhor Jesus Cristo foi Celibatário. Ele é o modelo da perfeição humana.

Jesus claramente recomendou o celibato como entrega radical de amor pelo Reino dos Céus.

"Mateus 19: Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda."

São Paulo era celibatário e incentivava a seguir esta forma de vida:
"Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor.O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa. A mesma diferença existe com a mulher solteira ou a virgem. Aquela que não é casada cuida das coisas do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito; mas a casada cuida das coisas do mundo, procurando agradar ao marido.

Agora analise comigo, muitos protestantes usam desse versículo abaixo, para dizer que os sacerdotes "devem" se casar:

I Tm 3,2: "É necessário que o bispo seja irrepreensível; que tenha casado com uma só mulher"

Primeiramente foi São Paulo São Paulo quem escreveu, e ele não era casado (veja I Cor 7,8). Numa das cartas ele recomenda: "Sejam meus imitadores, como eu sou de Cristo". Escrevendo, pois, a Timóteo, que também era bispo celibatário, não lhe podia aconselhar casamento. Porém, por falta de candidatos celibatários para a função episcopal (naquela época!), ele lhe recomenda escolher também homens casados - virtuosos. Ou seja, SE FOSSE casada, que fosse com apenas uma esposa, ressaltando a Castidade.

Daí a sua carta (I Tm 3,2) ele não coloca acento nas palavras "que seja casado"..., mas nas palavras:..."com uma só mulher..." - e não com duas ou três, mesmo que sucessivamente, - o que seria sinal de moleza e muita paixão, deixando pouco zelo e dedicação para Deus e as almas.

Sendo assim: A Igreja Católica reconhece que a exigência do Celibato dos padres não é de lei divina, mas de lei eclesial, que em circunstâncias especiais poderia ser abolida, mas opta pela maior perfeição, já que por este motivo os Apóstolos de Jesus deixaram a convivência matrimonial e familiar, para se dedicar inteiramente à propagação do Reino de Deus, - como consta de Lc 18,28-30

Provei que Pedro poderia ter sido viúvo! E se não foi provamos que ele se ele realmente tinha família ele A ABANDONOU, o que seria pouco provável. Agora Senhor protestante, PROVE onde está na bíblia a esposa de Pedro! Nome dela, capítulo e versículo por favor! Aguardamos!!

fonte;
CAIAFARSA



domingo, 3 de fevereiro de 2013

OS DEUTEROCANÔNICOS CONTÉM ERROS FACTUAIS, MORAIS E TEOLÓGICOS?


Objeção
Como todos os livros inspirados foram escritos sob a orientação do Espírito Santo, o qual não podem enganar nem ser enganado, Seus escritos inspirados não pode conter erros. No entanto, os deuterocanônicos contém muitos erros históricos e factuais. Por exemplo, o livro de Judite chama Nabucodonosor de rei da Assíria (Judite 1, 7), quando sabemos do Livro de Daniel que ele era o rei dos babilônios (Daniel 4, 4-6). Eles também contêm erros morais, tais como Judite pedindo a Deus por Sua ajuda para enganar seus inimigos (Judite 9, 10-13). Desde que a Escritura é inerrante e os livros disputados certamente contém erros, eles não podem ser contados entre os livros do Antigo Testamento.
Resposta: Alguns podem se surpreender ao descobrir que esta objeção comete a falácia de petição de princípio. Ela não é facilmente detectada, a menos que o leitor esteja familiarizado com o problema em torno da inerrância bíblica. Como o teólogo protestante Harold O.J. Brown explica:
Qualquer leitor das Escrituras, atento, vai se tornar ciente dos problemas no texto, embora muitas aparentes discrepâncias ou erros possíveis desaparecem sob a mente aberta as escrituras. Mesmo depois de um estudo cuidadoso, no entanto, alguns problemas permanecem. O debate sobre a inerrância freqüentemente se resume em escolher entre tolerar alguns problemas como “perguntas não respondidas” ou transferi-los para a categoria de “erros demonstrados”. Muitas vezes, essa decisão reflete a atitude inicial para com as Escrituras e para métodos críticos. Se a Escritura é aceita como a Palavra de Deus, e “o padrão que define o padrão”, alguns serão relutantes em carregá-la com erro - uma vez que para tanto é preciso ter algum outra, talvez superior, norma pela na qual avaliar as Escrituras. Historicamente, a dúvida sobre a inerrância seguinte é produzida pela convicção de que a Bíblia é meramente um livro humano falível. Por isso, deve-se considerar a possibilidade de que o reconhecimento de um erro na Escritura é uma conseqüência lógica de uma decisão anterior de julgar a Bíblia, em vez de deixar que a Bíblia seja a norma para todos os julgamentos.”[1]
Em outras palavras, a determinação da inspiração deve vir antes de alguém poder afirmar se uma dificuldade é um erro "demonstrado" ou apenas "aparente". A objeção acima faz o oposto. Ele assume no início que os livros deuterocanônicos não são Escritura inspirada e então considera todas as dificuldades como sendo “erros demonstrados”, assim, “provando” que o texto não pode ser inspirado. Mas como o Dr. Brown aponta, a determinação de se uma dificuldade é um erro de verdade ou apenas um erro aparente é uma conseqüência de sua atitude quanto a saber se um texto é de Deus ou do homem. Assim, o opositor comete a falácia lógica de petição de princípio.
Ateus tem um argumento semelhante contra a Bíblia como um todo. Convencidos de que a Bíblia é apenas um produto humano, os ateus argumentam que a presença de “erros” prova que a Bíblia não é a palavra inspirada de Deus. Portanto, a simples presença de dificuldades não pode ser usada ​​para determinar se um determinado livro é inspirado ou não. Esta determinação deve ser feita em primeiro lugar.[2]
O oponente ainda pode dizer: “Mas chamar Nabucodonosor, rei da Assíria é, obviamente, um erro.” É? E se estivermos interpretando mal Judite, então o erro não é com Judite é com nós mesmos. Por exemplo, talvez o autor intencionalmente substituiu o nome de Nabucodonosor por o nome real de propósito (o que quer que seja). Então, o “erro” não existe. Outra possibilidade seria a de que as cópias que temos de Judite foram corrompidas e o original inspirado tinha outro nome. A tradição manuscrita Judite é bastante fraca. Se este fosse o caso, então o erro é com nossas cópias e não com Judite. É possível também que estamos interpretando erroneamente Judite. Talvez Judite não era para ser uma narrativa histórica, mas sim como Martinho Lutero entendeu, para ser uma sagrada alegoria de Cristo e sua Igreja. Se isso for verdade, então o erro está na nossa interpretação e não Judite. Imediatamente, os opositores dos deuterocanônicos iriam responder: “Você está tentando explicar o óbvio! Judite errou.” O católico não está fazendo nada do tipo. Depois de já ter chegado à convicção de que Judite é a Escritura, a Igreja Católica está tentando resolver uma dificuldade entre os textos inspirados. A objeção protestante, sendo convencida de que Judite não é a Escritura, vê isso como um erro indigno de ser harmonizado.
Se o opositor é tenaz, ele pode pressionar o católico a chegar a um exemplo paralelo na Escritura protocanônica. Claro, nenhum exemplo irá satisfazer o opositor protestante pois um único exemplo comparável nos protocanônicos seria um erro real (já que ele acredita Judite contém erros). Um católico que tentar fornecer um exemplo estaria atirando com as mesmas munições dos ateus contra o Novo Testamento.
Em vez de dar um exemplo de “paralelo”, vou contar uma pequena história sobre um jovem que conheci na Internet. Uma vez que ele era um “crente na Bíblia” cristão até que viu um “erro evidente” em Mateus 1, 17. Mateus escreveu que havia 14 gerações de Abraão à Davi, Davi até o Exílio e do exílio até Cristo. O Ateu alegou que houve apenas 13 gerações listadas por Mateus entre o exílio e Jesus. Expliquei-lhe as várias maneiras que poderiam resolver esta dificuldade, mas ele continuou repetindo, “Você não pode negar! É tão óbvio. Existem apenas 13 gerações! Mateus cometeu um erro!”. Para mim, as resoluções oferecidas eram mais que suficientes para resolver esta dificuldade, porque eu já cheguei à convicção de que Mateus está inspirado. Para o ateu, minhas explicações eram uma tentativa inútil de conciliar o inconciliável. O que realmente precisava ser discutido é se Mateus é inspirado e não se existem erros em Mateus. O mesmo é verdadeiro para as acusações feitas contra o deuterocanônicos.
Como nota final, a minha convicção sobre a inerrância bíblica não é baseado em minha destreza intelectual para resolver as dificuldades. Minha convicção repousa sobre aquele que inspirou o texto. Para dizer que eu posso determinar o que é e não é inspirado com base em minha avaliação do texto é colocar o intelecto acima da palavra de Deus. O que precisa ocorrer é que uma vez que meu intelecto está convencido de que um livro é inspirado a questão da presença de erros já foi decidida no negativo.
Objeção
Os deuterocanônicos devem ser rejeitados porque contêm erros teológicos tais como a crença na oração pelos mortos (II Macabeus 12, 43-45) e fazer boas obras para a expiação de pecados (Tobias 12, 9).
Resposta: Esta objeção também levanta a questão. Se alguém perguntar a um protestante qual é a última fonte de autoridade para a doutrina cristã? Ele ou ela não terá dúvidas de falar: “As Escrituras!”[3] Se, no entanto, a Escritura determina a doutrina, como pode a doutrina ser usada para determinar o que é Escritura? A única maneira de fazer este argumento trabalhar é pressupor um conjunto de doutrinas e rejeitar aqueles livros que não concordam com elas. Isto, obviamente, não é honesto. Seria como se uma pessoa concordou em ter um caso ouvido pelo Supremo Tribunal, mas de primeira jogaria fora qualquer juiz que decidisse contra o caso. Nesse ponto, o tribunal não seria mais um árbitro e o julgamento não seria mais um julgamento.
Infelizmente, não poucos grupos tentaram ajustar o cânon das Escrituras para atender suas crenças pré-concebidas, e por isso eles têm a sua teologia acima da Palavra de Deus. Por exemplo, os gnósticos acreditavam que Nosso Senhor entregou na revelação especial que devia ser ensinada apenas para os iniciados. Assim, além das Escrituras canônicas, os gnósticos também aceitaram outros escritos que apoiaram suas crenças estranhas. No segundo século, um homem chamado Marcião formou uma seita (ou subgrupo) dos gnósticos e argumentou que havia dois deuses: o deus do mal do Antigo Testamento que criou o universo material e o bom Deus do Novo Testamento que criou o universo espiritual. O marcionitas aprovaram as cartas de São Paulo, que pareciam ser muito contra o sistema religioso do Antigo Testamento e rejeitaram os Evangelhos de Mateus, Marcos e João, porque eles pareciam ter uma visão positiva do Judaísmo. Outro grupo chamado ebionitas eram judeus cristãos que acreditavam que a circuncisão e a prática da Lei judaica era obrigatória para todos os cristãos. Eles rejeitaram os escritos de São Paulo enquanto aceitavam apenas o Evangelho de Mateus (e talvez também o apócrifo Evangelho aos Hebreus).[4] Em todos estes casos, o ponto de vista teológico preconcebido foi utilizado para determinar o tamanho da Bíblia de cada grupo. Algo semelhante está acontecendo aqui com o protestantismo e suas objeções.
Algo semelhante era divulgado durante a Reforma. Bruce M. Metzger sugere que os protestantes foram primeiramente levados a rejeitar os livros disputados porque eles ensinavam a doutrina católica:
O objetivo central dos reformadores protestantes foi a análise e correção das atuais práticas eclesiásticas e doutrinas à luz da Bíblia. Nas controvérsias que surgiram logo perceberam a necessidade de ter a certeza de quais eram os livros de autoridade para o estabelecimento de doutrina e quais não eram. Parece que Lutero foi levado a menosprezar os livros apócrifos, quando seus adversários apelaram para passagens neles como prova para as doutrinas do Purgatório e da eficácia das orações e missas pelos mortos (II Mac. 12, 43-45). Da mesma forma, a ênfase que certos livros apócrifos deram sobre o mérito adquirido através de boas obras (Tobias 12, 9; Eclo 3, 30;. II Esdras 8, 33; 13, 46, etc) era naturalmente desagradável para ele.”[5]
Metzger ilustra quão fundamental a questão do cânon realmente é. Se II Macabeus e os outros livros são divinamente inspirados (e, portanto, escritura canônica), em seguida, o seu ensino é doutrina bíblica e é para ser acreditado por todos os cristãos. Se, por outro lado, elas não são Escritura, eles são apenas como autorizados como qualquer escrito humana. Foi porque os livros disputados foram usados ​​para se opor à doutrina da Sola Fide que os protestantes foram pela primeira vez levados a depreciar certos livros da Escritura.
Tal como a primeira objeção, a questão não é se os deuterocanonicos são teologicamente errados, mas se esses livros são Escritura inspirada ou não. Caso contrário, as próprias crenças teológicas pessoais determinam quais são as Escrituras inspiradas e não o contrário.
© 2004 por Gary Michuta. Todos os direitos reservados. Este material possui direitos autorais. Nenhuma cópia, distribuição ou reprodução (eletrônico ou não) é permitida sem a autorização expressa do proprietário dos direitos autorais.


[1] Harold O. J. Brown, The Origin of the Bible, ed, Philip Wesley Comfort, (Wheaton Illinois: Tyndale House Publishers, Inc., 1992), 44-45 (emphasis mine)
[2] “Reuss, que era um distinto membro da “Igreja Reformada”, não disfarça a sua desaprovação do método suicida, assim, empregado... Ele dá uma série de exemplos de argumentos pueris e infelizes oferecidos por esses campeões perigosos, em que se esquecem de como os supostos absurdos nos livros deuterocanônicos podem ser tão facilmente compensados a partir dos que eles aceitam como canônicos “. Citando Ruess Howorth continua, “a zomba jogada no pequeno peixe de Tobias, mais cedo ou mais tarde destruiria a baleia de Jonas”( Howorth, “The Bible Canon Among The Later Reformers,” JTS 10 (Jan. 1909) 222-223). Dado o atual estado das coisas em determinados trimestres de estudos bíblicos críticos, as palavras de Ruess parecem ser nada menos do que proféticas.”
[3] Sola Scriptura – “ somente a escritura” em latim Há uma série de crenças que estão sob a égide da Sola Scriptura. Em geral, a doutrina ensina que a Bíblia é a fonte única e exclusiva de verdade infalível para o cristão.
[4] Veja Panarion de Epifânio, 95
[5] Bruce M. Metzger, The Introduction to the Apocrypha (New York: Oxford University Press, 1957), 181

FONTE ELETRÔNICA;
http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/apologetica/deuterocanonicos/560-os-deuterocanonicos-contem-erros-factuais-morais-e-teologicos

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

NÃO TENHO NENHUMA RELIGIÃO

INTRODUÇÃO

“Cristo não é religião!” – Esta é a frase lançada muitas vezes na cara dos católicos que se orgulham de pertencer à Igreja. Esta frase geralmente é dita incluindo uma atitude inconsciente de ter atingido um nível espiritual mais elevado, e que o pobre católico ainda não se deu conta desta “grande verdade”. Mas isto é verdade? Para aprofundar, fiz este breve estudo.


Autor: José Miguel Arráiz
Tradução: Carlos Martins Nabeto

 
RELAÇÃO PESSOAL COM JESUS
PEQUENOS EXEMPLOS DESSA IDEOLOGIA

Uma ideologia que vem progressivamente conquistando muitas igrejas cristãs não-católicas é uma recente negação da religião. É surpreendente ouvi-los dizer: “Cristo não é religião”, “Eu não pertenço a religião nenhuma; possuo uma relação pessoal e verdadeira com Jesus Cristo” e outras frases semelhantes.
 
Recentemente, conversava sobre isso por chat com uma amiga evangélica desta mesma comunidade e ativei o registro automático da conversa. A seguir, um pequeno extrato da mesma:



Kattvic - Será está?
Kattvic: Você é cristão?

José: Sim, sou cristão católico
.
Kattvic: Ah, tá.
José: E você?
Kattvic: Bem, eu era católica, mas agora sou convertida a Cristo.
José: Mas quando você era católica não era convertida a Cristo?
Kattvic: Sim, mas não era a mesma coisa. Quando alguém é católico esquece muitas coisas.
José Miguel Arráiz
José: Quando alguém é católico e não aprofunda sua fé, pode ser que esqueça muitas coisas. Mas quando se aprofunda e possui verdadeira relação com Cristo, isto não ocorre.
Kattvic: Bem, isso é verdade, mas também é verdade que, como católicos, não nos aprofundamos na relação com Cristo. É certo que isso não vale para todos, mas para a maioria.
José: Em todas as igrejas existem crentes “nominais”, se é que podem ser chamados de “crentes”.
Kattvic: Bem, eu não estou falando de religião, porque se assim fosse, eu não teria nenhuma. Meu amor para com o Todo-Poderoso supera a barreira das religiões.
José: O que é religião para você?
Kattvic: Bem, religião é quando você diz que possui uma e vai até a sua igreja rezar, cantar e tudo o mais; e quando você sai desse lugar, continua sendo o mesmo.
José: Mas quem te disse que isso é religião? Já procurou o significado de religião no dicionário?
Kattvic: Não, não procurei. Mas o digo por experiência pessoal.
José: Isso não é coisa de experiência, é coisa de saber o que significa a palavra. Eu te pergunto: a Bíblia diz que a religião é coisa boa ou má? O que ela fala acerca da religião?
Kattvic: Bem, eu não conheço muito a Bíblia pois ainda estou começando a lê-la… Eu não sei qual é a definição dos outros; a minha é pessoal. Assim eu sinto, assim eu creio.

O que me chamou a atenção nesta conversa é que a moça possuía uma definição totalmente sentimental da palavra “religião” e quando lhe pedi para que me argumentasse racionalmente (pelo dicionário) ou biblicamente (por alguma passagem bíblica), não soube me dizer o porquê da sua fé não poder ser conceituada como religião; simplesmente concluiu com um profundo e contundente:
“Assim eu sinto, assim eu creio”… E PONTO!!!
Tem fundamento?
Certamente, ela era uma cristã com pouco conhecimento bíblico, mas o curioso é que esta maneira de pensar pode ser vista em líderes e pastores evangélicos, o que me surpreende por demais. Quando eu lhes peço para que me fundamentem biblicamente tal afirmação, não encontro ninguém que me possa dar uma resposta satisfatória.
 
Porém, esta nova ideologia possui fundamento? O que diz o senso comum? O que diz a Bíblia?
CONCEITO DE RELIGIÃO

Real Academia Espanhola
Para encontrarmos o real significado da palavra “religião” devemos procurar na fonte mais autorizada do mundo, no que se refere ao significado das palavras em espanhol[*]: o dicionário da Real Academia Espanhola; e, depois, em outra fonte para ser facilmente verificada por vocês, leitores.
 
O dicionário da Real Academia Espanhola nos dá como significado principal e secundário da palavra “religião” os seguintes:
Dicionário da Real Academia Espanhola: Religião [Do lat. religĭo, -ōnis] 1. Conjunto de crenças ou dogmas acerca da divindade, dos sentimentos de veneração e temor para com ela, das normas morais para a conduta individual e social, e das práticas rituais, principalmente a oração e o sacrifício para prestar-lhe culto. 2. Virtude que move a prestar a Deus o culto devido.

A enciclopédia Microsoft Encarta diz:
Enciclopedia Microsoft Encarta, Religião: Em termos gerais, forma de vida ou crença baseada em uma relação essencial de uma pessoa com o universo, ou com um ou vários deuses. Neste sentido, sistemas tão diferentes como Budismo, Cristianismo, Hinduísmo, Judaísmo e Xintoísmo podem ser considerados religiões. No entanto, em um sentido aceito de uma forma corrente, o termo religião se refere à fé em uma ordem do mundo criado pela vontade divina, o acordo com o qual constitui o caminho de salvação de uma comunidade e, portanto, de cada um dos indivíduos que desempenhem um papel nessa comunidade. Neste sentido, o termo se aplica sobretudo a sistemas como Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, que implicam fé em um credo, obediência a um código moral estabelecido nas Escrituras Sagradas e participação em um culto. Em seu sentido mais estrito, o termo alude ao sistema de vida de uma ordem monástica ou religiosa.

Resumindo: dos significados que a Real Academia Espanhola e a Enciclopédia [Encarta] nos oferece, podemos concluir que “religião” é a forma que cada pessoa possui de se relacionar com Deus, prestando-lhe o culto que Lhe é devido.
Sob este conceito, o Cristianismo é definitivamente uma religião. O mesmo dicionário da Real Academia o define:
Dicionário da Real Academia Espanhola: Cristianismo 1. Religião cristã.

A enciclopédia Encarta nos apresenta uma definição semelhante:
Enciclopédia Microsoft Encarta: Cristianismo: religião monoteísta baseada nos ensinamentos de Jesus Cristo segundo se recolhem nos Evangelhos, que marcou profundamente a cultura ocidental e é atualmente a maior do mundo. Está amplamente presente em todos os continentes do globo e é professada por mais de 1,7 bilhão de pessoas.
UNIVERSO IMAGINÁRIO
O Cristianismo não somente é mundialmente considerado como religião como também é a maior do mundo. Afirmar-se cristão e dizer que seu cristianismo “não é religião” é simplesmente rejeitar o significado da palavra, viver em um universo imaginário onde as palavras significam para si o que quer que signifiquem, embora não o signifiquem para “o resto do mundo”.
Se você é cristão, o Cristianismo é a SUA RELIGIÃO; quanto a isso, não resta dúvida. Não importa que alguém não goste dessa palavra, que tenha desenvolvido antipatia por ela. O significado não será alterado em todos os dicionários do mundo apenas porque tal pessoa “sinta” ou “acredite” que [a sua fé] não é “religião”.
Muitos poderão querer dar à palavra o seu próprio significado, mas sua posição terá fundamento para o senso comum?
A RELIGIÃO SEGUNDO A BÍBLIA
Passemos agora para o segundo ponto; vejamos o que diz a Palavra de Deus sobre “religião”, já que se a posição de [alguns] irmãos [separados] faz sentido, deverá haver alguma passagem bíblica apoiando tal posição. Será que há?
NÃO, não há! Não há em toda a Bíblia nem uma só passagem que fale mal da religião, ainda que seja só um pouquinho. Ao contrário, a palavra “religião”, “religioso”, “religiosa” aparece 7 vezes e em nenhuma delas se pode verificar um significado negativo; muito pelo contrário.
João 9,31 – “Sabemos que Deus não ouve os pecadores; mas, se alguém é religioso e cumpre a Sua vontade, será ouvido”.
A passagem acima narra a forma como o cego refuta os fariseus que não explicavam como ele pôde ter sido curado por Jesus. Quando os fariseus O insultam, ele lhes responde com estas sábias palavras, para dar-lhes a entender que se Cristo o curou é porque Deus O escutava; muito interessante, aliás, as palavras que emprega: “se alguém é religioso e cumpre a Sua vontade, será ouvido”.
O próprio Paulo, quando foi perseguido pelos judeus, foi perseguido em razão da “sua religião”, como nos ensina a Bíblia:
Atos 25,19 – “Apenas tinham contra ele algumas discussões acerca de sua própria religião e sobre um tal Jesus, já morto, o qual Paulo afirmava que vivia”.
 
Muitos podem dizer que possuem religião, porém, Paulo não era cristão? E a Bíblia diz que Paulo possuía religião! Se Paulo tinha religião e era perseguido em razão dela, por que esses não têm religião?
Paulo posteriormente explica que ele havia sido fariseu e alega que o Judaísmo era a “sua religião”:
Atos 26,5 – “Eles me conhecem há muito tempo e se quiserem podem testemunhar que tenho vivido como fariseu conforme a seita mais estrita da nossa religião”.

Importante observar que ele não diz que essa já não é mais a sua religião. Notemos que quando Paulo diz “nossa religião” implica que a considera “sua também”. O Judaísmo era a verdadeira religião, mas agora alcançava sua plenitude com Cristo. Paulo não trocou de Deus, mas O conheceu em plenitude através da revelação de Jesus Cristo.
Uma das passagens mais contundentes que menciona a palavra “religião” é a seguinte:
Tiago 1,26-27 – “Se alguém se crê religioso mas não coloca freio em sua língua, engana seu próprio coração e sua religião é vã. A religião pura e intocável diante de Deus Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas em sua tribulação e conservar-se incontaminado pelo mundo”.
 
 
Esta passagem é muito, mas muito ilustrativa para o assunto que estamos tratando. Esta passagem nos explica “como se deve viver a religião” e começa dizendo que nossa religião é vã se não colocamos freio em nossa língua e continua descrevendo-nos as características da verdadeira religião.
SANTO IVO
Essa passagem não diz que a religião é coisa má ou que o cristão não tem religião, mas existe “uma religião pura e intocável diante de Deus Pai”; uma religião cuja característica é que se viva a partir do interior, não como um mero cumprimento de preceitos, mas impregnada de uma fé viva que se manifesta em obras, em caridade para com os necessitados e por manter uma vida isenta de pecado.
 
O problema nunca foi a religião, pois a religião é indispensável. O problema para muitos de nós pode ter sido viver a religião exteriormente e não a partir do interior. Não possuir uma religião baseada sobre uma fé viva, ativa – uma“fé sem obras”, no dizer de São Tiago – é uma fé morta.
Tiago 2,26 – “Porque assim como o corpo sem espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta”.

DE ONDE VEM ESTA REJEIÇÃO À RELIGIÃO
POR PARTE DOS IRMÃOS?
Muitos irmãos separados, ao tentarem se desligar de normas e dogmas, além de possuir fortes sentimentos anticatólicos, têm tratado de redefinir a palavra “religião”, associando-a com um simples e mero “cumprimento de preceitos”. Pois bem: após terem feito tal associação e redefinição da palavra, para que não se vejam afetados pela mudança, “desfazem o nó” dizendo que o que praticam não é “religião” (mas o que os outros fazem, sim). É uma forma inovadora de se distinguirem como um “verdadeiro crente livre de dogmas e religiões”, oferecendo-lhes uma sensação de liberdade, permitindo-lhes não estar sujeito a nenhuma espécie de autoridade, exceto naquilo que entendem da Bíblia e sob suas próprias interpretações. Se não gostam do que alguma igreja diz, mudam para outra; e se forem carismáticos, talvez fundem uma nova. Como já existem milhares [de igrejas] e já foram empregados quase todos os nomes conhecidos, talvez acabem chamando de “Pare de Sofrer” ou “Testemunhas de Deus”. E, por fim, o que resta?
 
Eu a chamaria de “apenas mais uma religião”, mas “sob medida”. Isto não está de acordo com o que exige a Palavra de Deus:
1Coríntios 1,10 – “Vos conjuro, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo: tenham todos um mesmo pensar e não haja divisões entre vós; ao contrário, estejais unidos em uma mesma mentalidade e juízo”
A passagem acima não é uma “sugestão”, mas uma “ordem” em nome de Cristo, que exige dos cristãos UNIDADE; não uma unidade aparente, mas uma unidade que implica coesão de fé, quer em mentalidade, quer em juízo.
QUAL A CONSEQUÊNCIA DESSA IDEOLOGIA?
Sem que percebam, estão apoiando o lema marxista sob o qual milhares de cristãos foram perseguidos e submetidos. Ei-lo:
“A religião é o ópio dos povos” (Karl Marx).

E prepara o cristão pouco instruído a tornar-se vítima do enganoso [movimento de] Nova Era, que prega exatamente o mesmo, mas que todavia segue adiante, afirmando que todas as religiões são iguais (inclusive o Cristianismo). Para eles, Cristo é apenas um ser iluminado, rebaixado ao nível de Maomé, Sai Baba, Dalai Lama e tantos outros.

E QUAL É A VERDADE?
Nós, cristãos, temos uma verdade clara:
João 14,6 – “Disse Jesus: ‘Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim”.

Cristo é o único caminho para o Pai. Portanto, Cristo não é religião, mas “a verdadeira religião”, “a religião em plenitude”, “a forma perfeita de se relacionar com o Pai”. Não há outro nome pelo qual os homens possam ser salvos. Porém, estar unido a Cristo é estar unido à Igreja, que é o seu Corpo.
CONCLUSÃO
Quando um irmão tornar a vir com a “profunda” frase: “Cristo não é religião”, tente fazê-lo entender que está repetindo um lema novo e sem sentido; um lema que nem sequer os protestantes pregavam no século passado e que tampouco pregam hoje as igrejas protestantes tradicionais. Peça para que ele argumente biblicamente o que afirma, que analise o que está dizendo, que perceba que só está repetindo “o lema do pastor”, mas que é algo que realmente não possui o menor fundamento bíblico. Tente fazê-lo entender o real significado da palavra… Talvez você consiga fazê-lo refletir e, assim, perceber que está repetindo algo “sem fundamento”.
NOTA
[*] Definições semelhantes podem ser facilmente encontradas em dicionários da língua portuguesa; p.ex: “Moderno Dicionário da Língua Portuguesa – Michaelis”, um dos mais extensos em significados: religião – re.li.gião – sf (lat religione) [1] Serviço ou culto a Deus, ou a uma divindade qualquer, expresso por meio de ritos, preces e observância do que se considera mandamento divino. [2] Sentimento consciente de dependência ou submissão que liga a criatura humana ao Criador. [3] Culto externo ou interno prestado à divindade. [4] Crença ou doutrina religiosa; sistema dogmático e moral. [5] Veneração às coisas sagradas; crença, devoção, fé, piedade.[6] Prática dos preceitos divinos ou revelados. [7] Temor de Deus. [8] Tudo que é considerado obrigação moral ou dever sagrado e indeclinável. [9] Ordem ou congregação religiosa. [10] Ordem de cavalaria. [11] Caráter sagrado ou virtude especial que se atribui a alguém ou a alguma coisa e pelo qual se lhe presta reverência. [12] Conjunto de ritos e cerimônias, sacrificais ou não, ordenados para a manifestação do culto à divindade; cerimonial litúrgico. [13] Filos= Reconhecimento prático de nossa dependência de Deus. [14] Filos= Instituição social com crenças e ritos. [15] Filos= Respeito a uma regra. [16] Sociol= Instituição social criada em torno da ideia de um ou vários seres sobrenaturais e de sua relação com os homens. [17] Mística ou ascese. R. do caboclo, Reg (Rio de Janeiro): prática feiticista negra a que se misturam entidades da mística ameríndia. R. do Estado: a professada oficialmente por um Estado sem que, com isso, seja proibida ou impedida a prática das outras. R. natural: a que se baseia somente nas inspirações do coração e da razão, sem dogmas revelados; a religião dos povos primitivos. R. naturalista: veneração ou adoração religiosa da natureza nos animais, nos astros etc.; panteísmo. R. reformada: o mesmo que igreja reformada. R. revelada: a que, como o cristianismo, se baseia numa revelação divina conservada pelas Escrituras Sagradas e pela tradição. Ciência das religiões: estudo das religiões como fenômeno humano universal; pode-se considerar seu aspecto histórico (história das religiões), psíquico (psicologia da religião) e social (sociologia da religião). Filosofia da religião: tratado das questões relativas à sua essência e verdade (N.doT.).
FONTE ELETRÔNICA;