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sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Pérolas de alguns "pastores".



Porque assim fala a Escritura: "Por vossa causa o nome de Deus é blasfemado entre os pagãos. (Romanos, 2)

Agora olhem a diferença.....

























Em obediência à verdade, tendes purificado as vossas almas para praticardes um amor fraterno sincero. Amai-vos, pois, uns aos outros, ardentemente e do fundo do coração.Pois fostes regenerados não duma semente corruptível, mas pela palavra de Deus, semente incorruptível, viva e eterna.I São Pedro, Obrigado Senhor!


FONTE ELETRÔNICA;























Eles não sabem o que fazem....(com o dízimo)

A Melhora da Morte

Nota: TEXTO RETIRADO DE UM SITE PROTESTANTE.

André Pessoa
No início desta semana jornais de grande circulação, revistas e sites especializados divulgaram com grande alarde as mais recentes pesquisas do IBGE que mostram o crescimento bombástico dos evangélicos no Brasil. Nos últimos dez anos o número de evangélicos cresceu mais de 60% e deve ultrapassar o número de católicos nos próximos 20 anos.

Os evangélicos passaram de 26 000 000 para 42 000 000 em uma década apesar da óbvia retração das igrejas ditas tradicionais como batista, presbiteriana, congregacional e outras que, no que diz respeito a certos princípios, se dizem filhas da Reforma Protestante. Crescimento sem precedentes? Talvez. Garantia de alguma coisa? Em hipótese alguma!
Embora os números não mintam (isso é meio esotérico não acham?), as generalizações das quais fazem uso os pesquisadores para chegar as suas conclusões fincadas no solo da indução, em muitos casos são equivocadas. No que tange ao crescimento da igreja evangélica por exemplo, estamos diante de um desses equívocos que produzem festa e abertura de champagne mas depois se transformam em amargas desilusões.
Uma coisa que os números do IBGE não conseguem captar é que o crescimento evangélico é meramente nominal e sem raízes uma vez que o grande responsável por ele é o neopentecostalismo cujas igrejas que hoje abrem um salão de culto em um galpão qualquer, amanhã, sem aviso prévio, são substituídas por um frigorífico, uma granja de galinhas ou um bar. A não permanência é a expressão da fé da qual estamos alardeando o crescimento!

O que está aparecendo nas pesquisas do IBGE são números relativos a uma multidão flutuante que hoje está aqui e amanhã acolá, que hoje é crente e amanhã pertence a lugar nenhum, que hoje usa sai longa e amanhã fio dental. O tipo evangélico que tem sido descrito com estereótipo de herói-desbravador da fé representa na verdade um tipo confuso e superficial que está a um passo do ceticismo.

A igreja evangélica não está crescendo nem no Brasil e nem em lugar algum do planeta porque ela, tal e qual as demais instituições conservadoras que marcaram o século passado, estão dando os primeiros passos na direção do declínio nesse início de século XXI. O zeitgeist é um rolo compressor que atropela tudo, inclusive o cristianismo brasileiro já tão massacrado pelos próprios evangélicos.

O fenômeno em processo na igreja evangélica brasileira e que já aconteceu com a igreja cristã em outras partes do mundo e em outras épocas é o que o senso comum convencionou chamar em tom vulgar de "melhora da morte". Trata-se de um fenômeno comum nos hospitais: o doente acorda, pede comida, caminha no corredor com a ajuda da enfermeira para logo em seguida morrer.

A igreja evangélica brasileira não está crescendo mas se rarefazendo, se tornando sutil, pouco palpável, se sublimando até desaparecer na forma como hoje existe. O que estamos presenciando agora e que alguns chamam de crescimento evangélico nada mais é do que a colocação dos marcos que sinalizam o fim de um momento na história da igreja brasileira e o começo de outro que ainda está se desenhando.

De agora em diante serão construídos novos paradigmas, uma nova cosmovisão, uma nova forma de comunicar e um novo modelo hermenêutico que em nada se parecerá com o antigo que fincou as suas raízes no Brasil com a chegada dos primeiros missionários no século XIX. Daqui a mais alguns anos os novos homens da religião brasileira e mundial terão que construir mais um sistema de pensamento do que constituir igrejas.

O herói evangélico brasileiro pintado por alguns veículos de comunicação que mostram os evangélicos como desbravadores ao estilo RONDOM viajando de barco longas distâncias para assistir a um culto em uma igreja simples plantada no coração da floresta é uma quimera. Nada mais frágil do que a fé evangélica dos nossos dias (desculpe-me o tom fundamentalista); não passa de "casa construída na areia"!

Os cristãos, como bem observou Peter Berger, sempre foram e sempre serão "minoria cognita", os entusiastas, porém, sempre foram e sempre serão maioria no Brasil, nos EUA, na Europa, na Coréia de Paul Young Cho ou em qualquer outro lugar. Os números do IBGE falam de um fenômeno de "rarefação da fé", diluição dos limites, fantasmização do cristianismo, apesar dos fogos de artifícios de Malafaia e Cia.

Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2012/08/a-melhora-da-morte.html#ixzz22OBmfZun Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike

FONTE ELETRÔNICA;


Os direitos da Religião

Qual a relação entre a religião e os negócios públicos?

A esta pergunta foram dadas duas respostas diversas no século passado, ambas erradas.

1 - a religião é estranha aos negócios públicos

2 - a religião é inimiga dos negócios públicos.

1 - A época do Liberalismo julgou ser possível servir a um tempo a Deus e a Mammon. A religião era tida como uma espécie de luxo sentimental a que o homem se podia apegar se assim o quisesse, mas que devia ser mantida num compartimento separado da ordem econômica e política. O homem poderia trabalhar durante a semana e se por um acaso quisesse participar da Igreja , no dia de seu repouso, isso era por sua conta. Mas jamais, de forma alguma, deveria levar a "igreja" para o trabalho ou para a mesa de conversas. A sua religião era algo particular e os negócios eram públicos.

Verdade é que se poderia debater qualquer assunto, falar de qualquer pessoa, mas não poderia se discutir religião. Quantas vezes se ouviu: " religião não se discute, cada um tem a sua". A política e a economia eram terrenos em que cada qual devia decidir por si e qualquer tentativa da Igreja de sugerir princípios morais que governassem esses domínios era encarada como uma grande intromissão.
Como diz o arcebispo Fulton Sheen: " Criou-se assim uma atitude mental em que se supunha que o grande ato redentor do Calvário não tinha significação alguma para a ordem social. A alma convertia-se num insignificante subúrbio da cidade chamado negócio. Se a política e a economia não interferiam na religião, por que deveria a religião interferir em ambas? A liberdade religiosa era assim adquirida na suposição de que devia abster-se da ordem secular"

A religião, portanto, deveria ficar em um canto isolado, delimitado, fora de qualquer contato com o temporal, e qualquer tentativa que fizesse de introduzir qualquer valor moral e ético nos negócios e na vida, eram consideradas uma intromissão abusiva e condenada, como se a virtude da justiça, da verdade, da honestidade fossem algo do culto, e não de uma fábrica. Até se aceitava que a religião mostrasse ao homem o seu fim, toleravam este ensinamento, mas que ela não viesse dizer como se chegar a ele.

De certo modo, permitiam que a religião fizesse o que eles, os homens da política e dos negócios não conseguiam faze-lo. Aqui entrava o serviço aos aleijados, aos indigentes, o serviço de ambulância aos pobres. Onde eles não chegavam, por não terem meios de faze-lo, que a Igreja o fizesse, desde que ficasse calada.

Com o avanço da ciência, chegaram a conclusão que nem este papel a religião deveria ter. Desse modo a religião era relegada para um lugar onde ele os homens poderiam repousar, depois de terem realizados seus negócios, nada mais que isso. Nos diz ainda Fulton Sheen : " Chegava-se quase a pensar que o homem que ia à Igreja era diferente do homem que ia ao trabalho, ou que o homem, como criatura política e econômica, tinha escapado de algum modo miraculoso à queda do homem". E assim houve o divórcio entre a religião e a política.
2 - Por conta deste afastamento entre religião e o mundo dos negócios, deu-se o que vemos hoje: a religião é considerada inimiga dos negócios públicos. O que tem causado um grande dano a nossa sociedade. Na prática, dizer que a religião é inimiga do negócios públicos é implantar a anti-religião, deixando fora valores indispensáveis para que qualquer sociedade sobreviva na ordem , na justiça, na caridade e na paz. Retirar de cena estes valores que pertencem à religião, é como se tirasse a alma fora do corpo. Sem ela, não há vida, sem religião, não há valores elevados para guiar o homem, ou seja, é o caos.

Nos diz Fulton Sheen: " A ordem secular nunca vive no vácuo; nem mesmo neutra pode ser; se os cidadãos de um Estado abandonaram a religião e o seu dever de dar a Deus que a Deus pertence, imediatamente julgará César que até Deus recebe Sua autoridade de César. É então permitido a qualquer propagandista barato de Moscou ou Berlim, pregar o seu ateísmo ou seu racismo, enquanto o homem de Deus que prega a justiça e a caridade é tido como um inútil intruso. O ódio de classe é mau fruto do desprezo da justiça; a desonestidade em política é a triste herança do desprezo da justiça; o comunismo na vida nacional é o resultado do desprezo da redenção e do amor fraterno"
"O mesmo mundo que há vinte anos aceitava ser a religião desligada da economia e da política, é o mundo que hoje hostiliza a religião. Não é bem porque a violência, o ateísmo, o racismo sejam consequências ao declínio da religião, como o castigo se segue ao ato de desobediência; é antes porque são eles inseparáveis, como um lírio podre e seu desagradável odor, ou a semeadura e a colheita"

Se o camponês não plantar trigo, não ficará estéril seu campo no outono; cobri-lo-ão as ervas daninhas. Deixai os homens crescer sem cuidarem se sua alma pertence a Deus ou a César, e, antes que eles saibam, César os possuirá de corpo e alma. Chama-se isso totalitarismo ou teoria Estatal, que diz que o homem pertence ao estado. Tal regime deve necessariamente perseguir a religião, pois para possuir o homem ele tem de desprezar a religião que afirma que o homem tem direitos independentes do Estado.

"Em princípio, uma filosofia totalitária que nega o valor à pessoa humana fora da raça ou da classe, é necessariamente anti-religiosa. O totalitarismo tem de agir assim se quiser sobreviver, pois nunca poderá possuir inteiramente o homem enquanto não alijar a Igreja, que diz que o homem não pertence inteiramente ao Estado. A Igreja opõe-se a tal absorção do homem pelo totalitarismo e por esta razão é perseguida. Uma vez que o Estado inclui a religião sob a política, toda e qualquer atividade religiosa da parte da Igreja passa a ser encarada como uma interferência política"

Ninguém, nenhum governo, nenhuma pessoa pode dispor da alma do homem, como se ele fosse um objeto a ser usado como meio para se chegar ao fim de suas loucas ideias. Cabe a Igreja dizer a ele seu valor e é exatamente o que ela faz e fez ao longo de sua história. Exatamente por isso, porque não permite que ele seja um instrumento do Estado por conta de sua semelhança com o Criador, por conta de sua dignidade de filho de Deus, que ela é continuamente perseguida, rechaçada e escarnecida. Enquanto houver quem queira usurpar o lugar de Deus haverá perseguição a Seu Cristo e aos seus.

Quanto mais insistir a Igreja em seu direito à alma do homem tanto mais será perseguida. César crucificará o Cristo sempre que César julgar que ele próprio é Deus"

Baseado no livro: O problema da Liberdade - de Fulton Sheen

Ascetismo cristão e o ascetismo facista soviético

Por Fulton Sheen
"São de três aspectos as diferenças principais entre o ascetismo difundido pelo fascismo soviético e o ascetismo cristão.

Em primeiro lugar o ascetismo comunista é imposto, o ascetismo cristão é voluntário

Consideremos a propriedade privada. Nem os comunistas nem as carmelitas a possuem. Há ascetismo de posse em ambos os casos. Tempo houve em que ambos possuíram uma propriedade. O comunista viu-se espoliado da sua; a carmelita renunciou à sua. O comunista viu-se "obrigado"a fazer o voto de pobreza, isto é, não pôde possuir propriedade produtiva, enquanto a carmelita fê-lo por sua própria vontade. A renúncia no primeiro foi ordenada; no segundo foi de espontânea vontade.
O fascista soviético de Moscou que rebe hoje um magro salário numa fábrica de parafusos e porcas não olha para a loja que era sua em 1917 daquele modo que a carmelita olha para a sua casa. Volta-se para sua loja pesaroso e bem desejaria poder novamente ser responsável pela propriedade produtiva. Com a carmelita é diferente. Anos atrás, quando o claustro foi aberto á visitação, uma das visitantes apontou para uma bela casa.lá no outro lado do vale, casa então pertencente ao rico proprietário de um jornal. "Irmã, disse ela, se antes de vir aqui lhe tivessem dado aquela casa para morar, com todas as coisas que há nela, te-la-ia rejeitado pelo Carmelo coma sua Cruz?" Respondeu a Irmã: " Era aquela minha casa".

O comunismo não confia na propriedade privada, portanto,diz ele, ninguém deve possuí-la. Todos tem de fazer o voto de pobreza. Tal ascetismo é a morte da liberdade.
Jesus Cristo recomendou ao moço rico que vendesse tudo o que tinha e desse tudo aos pobres, mas não lhe tirou à força seus bens. O comunismo não confia na democracia, pois só admite um único partido, ao qual todos tem de se submeter. Bem diferente foi o apelo do salvador, que disse aos Apóstolos que O seguissem, mas não prescreveu os discípulos de Cafarnaum como" trotsquistas", por se terem recusado a acompanha-lo outra vez, ou por terem achado suas palavras " duras".

O comunista não acredita em Deus, portanto, ninguém deve adorar a Deus. Impõe o ateísmo como o último ascetismo do espírito humano e nega, no art 124 da sua Constituição, a liberdade de pregar a religião. Jesus na Cruz, em frente aos inimigos da religião, não os feriu de morte mas orou por eles,pois não sabiam o que estavam fazendo. Deixava aos homens a liberdade de serem irreligiosos,mas os irreligiosos comunistas não deixarão aos homens a liberdade de serem religiosos.
O ascetismo do comunismo não deixa nada à livre escolha; tudo é imposto pela força. Aos demais rasgam-lhes as roupas, deitam-lhes cinza na cabeça,castigam-lhes o corpo e convertem a nação num enorme manicômio onde todos tem de cumprir os votos sem nunca os terem feito. É muito semelhante ao calvinismo que afirmava que o homem estava destinado ao céu e ao inferno, independente de seus méritos. Como Deus o predeterminou, seu destino é, por isso mesmo, indiferente ao seu bom ou mau procedimento. Em tal fatalismo, o homem não tinha liberdade de ser um santo ou de ser um demônio. Deus fez dele o que ele é, não ele próprio.
O comunismo é também semelhante à Proibição. Os proibicionistas não gostavam do copo de vinho ao jantar, por isso decidiram que ninguém mais devia tomar vinho. Há um fio comum ligando-os todos: Puritanismo sem danças, Proibição sem vinho e Comunismo sem propriedade. Todas as massas tinham de fazer os " votos" dos líderes, quer quisessem quer não. Em vez de perguntar ao homem: " Queres receber esta mulher como tua esposa legítima?", o novo ascetismo diz: "Receberás esta mulher como tua esposa legítima". Diante do problema do abuso, destruíram o uso, e face a face com a realidade do egoísmo humano, tiraram a liberdade dos demais. Tal qual certos vegetarianos que recusam carne a quem quer que seja, o comunismo empurra suas opiniões pela garganta dos demais, expediente que só aproveita aos não-ascéticos líderes vermelhos do novo ascetismo.
A Igreja afirma que, quando forçado,o ascetismo converte-se em tirania.Jesus nunca andou obrigando os homens a carregar uma Cruz porque teve a sua para carregar, nem nela os pregou porque desejou ser crucificado, nem arrebatou esposas e mães dos maridos e filhos porque não tinha família,nem acabou comas bodas porque não teve a sua, nem forçou os demais a dormirem sob os céus nublados porque não tinha teto. Todos estes atos de renúncia, Ele os deixava à liberdade de escolha de seus discípulos, dizendo-lhes: "Achais que podeis beber deste cálice?"

Não se dá o mesmo com o ascetismo moderno. Ou fazemos o que o ditador impõe ou não fazemos nada; ou temos certa espécie de sangue circulando em nossas veias ou o nosso sangue não pode de modo algum circular, dentro das fronteiras de seu império; ou aceitamos o Estado como Igreja, ou sofremos consequência de fazer política com a nossa religião; ou usamos a nossa palavra e a nossa imprensa para propagar as suas doutrinas, ou somos relegados para o supremo esquecimento da morte.

A liberdade termina onde começa a força. Benéfico e e útil é praticar a disciplina e a mortificação, mas se não deixarmos a cada qual a liberdade de fazê-lo destruiremos o seu valor. Um voto de obediência obtido à força não é voto que obrigue, do mesmo modo que a promessa de casamento feita diante do cano de uma espingarda, não é um contrato válido.
A restauração do ascetismo é um empreendimento que devemos ardentemente desejar, mas este último estado será pior que o primeiro se não deixarmos sua escolha livre assentimento do homem. Arrebatar à força as esposas dos maridos não é o que vai torna-los castos, assim como confiscar a propriedade produtiva não é o que vai libertar os homens da paixão da cupidez. É de disciplina voluntária que o mundo precisa, não de disciplina imposta. A Igreja, por exemplo, reconhece a santidade de Simão, o Estilita, que passou a maior parte de sua vida plantado no topo de uma coluna de mármore, longe do bulicio dos homens, mas a Igreja nunca disse que todo o homem que desejar ser santo deve morar num pináculo de um arranha-céu.
A Igreja canonizou a Little- Flower (Santa Teresinha), mas recusa-se a obrigar qualquer mulher a entrar no convento A Igreja ensina que a castidade dos religiosos é superior ao estado matrimonial, mas condena quem diz que o Matrimônio é um mal. A Igreja regozija-se com seus filhos que fazem o voto de pobreza e renunciam aos seus próprios bens de produção, mas condena o comunismo, que diz que a propriedade individual da propriedade produtiva é um mal. A Igreja ensina a temperança e louva o perfeito abstêmio, mas repele o reformador que diz que a bebida em si mesma é intrinsecamente má.

Santo Tomás em Becket usava, como Arcebispo, uma camisa de pelos sob os paramentos de ouro e carmesin, em seu proveito a camisa de pelos e em proveito do povo o ouro e carmesin, mas nunca vestiu à força camisas de pelos nas ovelhas de seu aprisco. Em resumo, o ascetismo comunista por ser forcado, é despojamento; o ascetismo cristão, por ser voluntário, é libertação"

Fonte: O problema da Liberdade. - Pags 214 - 215

FONTE ELETRÔNICA;




quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Súmula das Doutrinas Protestantes

Protestantismo representa hoje uma realidade assaz complexa, ou seja, o bloco de aproximadamente 200.000.000 de cristãos que não pertencem nem à Igreja tradicional, cuja Cabeça visível reside em Roma, nem à facção oriental (em parte dita ortodoxa, em parte nestoriana, monofisita; cf. «P. R.» 10/1958, qu. 10), facção que se separou do tronco primordial em etapas sucessivas desde o séc. V até o séc. XI.
O iniciador do movimento protestante é Martinho Lutero, que, a partir de 1517, pretendeu reformar o credo e as instituições cristãs, e por isto se afastou da Igreja, dando início ao Luteranismo. Ao lado deste, enumeram-se o Calvinismo (que absorveu o Zwinglianismo ou a reforma de Zwingli em Zürich, Suíça), movimento afim ao de Lutero, empreendido por Calvino em Genebra, Suíça, e o Anglicanismo, reforma congênere oriunda na Inglaterra. Estas três denominações (Luteranismo, Calvinismo e Anglicanismo) representam o que se pode chamar «Igrejas protestantes tradicionais», todas iniciadas no séc. XVI (os Anglicanos nem sempre aceitam a designação de «protestantes», embora, por seus princípios doutrinários, se filiem ao Protestantismo).

Das três Igrejas protestantes derivaram-se centenas de sociedades menores, que não mais recebem o nome de Igrejas, mas o de seitas, visto serem movidas por espírito diverso do das Igrejas; são reformas da reforma, dissidências da dissidência: metodistas, batistas, congregacionais, quakers, etc. (sobre a distinção entre a Igreja e seita, veja «P. R.» 6/1957, qu. 8).

Esses múltiplos grupos protestantes autônomos professam credos diferentes, chegando alguns a negar a própria Divindade de Cristo; o liberalismo doutrinário predomina entre eles. Contudo podem-se enunciar três grandes teses como características dos diversos tipos de Protestantismo: 1) a justificação pela fé sem as obras; 2) a Bíblia como única fonte de fé, interpretada segundo o «livre exame»; 3) a negação de intermediários entre Deus e o crente.

1. Três pontos capitais

a) A justificação pela fé sem as obras

Lutero considerava esta tese como central dentro da sua ideologia: «artigo do qual nada se poderá subtrair, ainda que o céu e a terra venham a desmoronar» (Artigos de Schmakalde, 1537).
Qual o significado de tal proposição e donde lhe vem a sua importância no Protestantismo?
A resposta não é difícil; deriva-se da situação psicológica em que o reformador se achou em certa fase de sua vida. Lutero fez-se frade agostiniano, mais movido pelo medo (tendo escapado à fulminação por um raio, prometeu entrar no convento) do que por autêntica vocação. No claustro, experimentou a concupiscência, à qual opôs penitência e ascese. Sentindo, porém, continuamente as más tendências em sua natureza, entrou em angustiosa crise: queria libertar-se da concupiscência, mas não o conseguia… Um belo dia julgou ter encontrado a solução: apelando para São Paulo (principal mente para a epístola aos Romanos), começou a ensinar que a concupiscência é realmente invencível; por conseguinte vão é procurar dominá-la mediante penitência e boas obras. Nem Deus requer isto do homem; basta aceitar Cristo como Salvador, isto é, crer com confiança que Deus Pai, em vista dos méritos de Jesus, não leva em conta os pecados do indivíduo; a fé confiante («fiducial»), independentemente de boas obras, faz que Deus nos recubra com o manto dos méritos de Cristo, declarando-nos justos. Tal declaração é meramente legal ou extrínseca, não afeta o interior da natureza humana; esta, mesmo depois de «justificada», nada pode fazer para obter a salvação eterna, pois se acha como que aniquilada pelo pecado, reduzida à categoria de instrumento inerte nas mãos de Deus ou de serra nas mãos do carpinteiro (assim se formula a famosa tese do «servo arbítrio» de Lutero).
Neste quadro de idéias, vê-se que não se pode falar de cooperação do homem com a graça de Deus, nem de méritos. Lutero e Calvino reconheciam que a caridade nasce da fé, como a maçã provém da macieira, mas (acrescentavam) não são a caridade e suas obras que importam (ou ao menos… que importam em primeiro lugar); o crente pode estar certo da salvação eterna em qualquer fase da sua vida, desde que mantenha a sua fé confiante. Donde o famoso adágio de Lutero «Pecco fortiter, sed fortius credo. — Peco intensamente, mas ainda mais intensamente creio» (carta a Melancton, 1º de agosto de 1521); com estas palavras, o reformador não recomendava o pecado, mas queria dizer que a simples confiança no Salvador ainda tem mais peso no processo de salvação do que a culpa do homem. Calvino, do qual muito se inspiraram os presbiterianos e batistas, acentuou ao extremo estas idéias, afirmando que Deus predestina infalivelmente para a salvação eterna, de sorte que, se o homem não perde a sua fé, pode ter certeza de que chegará à bem-aventurança celeste (donde se deriva para o crente suavíssimo reconforto).
b) A Bíblia, única fonte de fé, sujeita ao «livre exame»

A fim de dar fundamento à inovadora tese da justificação pela fé fiducial, os reformadores precisavam de fazer uma revisão nas fontes da Revelação cristã. Estas são a Escritura Sagrada e a Tradição oral apregoada pelo magistério da Igreja. Resolveram, pois, rejeitar a Tradição ou o magistério, para só dar crédito à Palavra escrita ou à Bíblia. Esta, para o protestante, tudo contém: é, por si mesma, clara em tudo que concerne a salvação eterna.
Calvino se exprime a respeito em termos muito fortes:
«Quanto à objeção que os católicos nos fazem, perguntando-nos de quem, donde e como temos a convicção de que a Escritura provém de Deus, é semelhante à questão de quem quisesse saber como aprendemos a distinguir a luz das trevas, o branco do negro, o doce do amargo. A Escritura, com efeito, tem seu modo de se manifestar, modo tão notório e seguro que se compara à maneira como as coisas brancas e negras manifestam sua cor e as coisas doces e amargas manifestam o seu sabor» (Institution chrétienne I 7 & 3).
Para ajudar a pessoa a ler e entender a Bíblia, o Espírito Santo dá seu testemunho interior, iluminando a mente e dirigindo o coração. Em consequência, cada crente tem o direito de «deduzir» da Bíblia as verdades que ele, em seu bom senso, julgue haverem sido a ele ensinadas pelo Espírito Santo.
Assim o Protestantismo atribui ao individuo uma prerrogativa que ele nega à Igreja visível e hierárquica: esta pode errar no seu ensinamento, corrompendo o depósito da fé (apesar das promessas de Cristo, seu Fundador); toca, por conseguinte, a cada cristão, guiado pelo Espírito Santo, encontrar de novo a Palavra de Deus perdida pela Igreja…

A reação do crente protestante contra o magistério eclesiástico é, aliás, típica expressão da mentalidade da Renascença: no séc. XVI o homem criou, sim, uma consciência nova dentro de si, tendente a pôr em cheque qualquer tipo de autoridade, para mais exaltar o individuo. «O que rejeito absolutamente é a autoridade», escrevia Alexandre Vinet (1797-1847), chefe do movimento dito «da Igreja Livre» na Suíça ocidental calvinista. O Evangelho, para Lutero, devia ser não somente uma escola de obrigações, mas também uma via de libertações (entre as quais, a libertação frente à autoridade religiosa visível).

c) A negação de intermediários entre Deus e o crente
O Protestantismo dá valor decisivo à atitude do individuo diante de Deus; segundo a ideologia reformada, é a fé subjetiva nos méritos de Cristo que garante a salvação. Em consequência, pouca margem aí resta para se conceberem dons de Deus que permaneçam extrínsecos ao indivíduo e a este comuniquem os méritos do Salvador. Em outros termos: não têm cabimento canais transmissores da graça, como sejam ritos e práticas a serem administrados por uma sociedade visível (a Igreja) e por uma hierarquia de ministros oficialmente instituída. Para o protestante, entre o homem justificado pela fé e Deus, não há Sacerdote senão o Senhor Jesus invisível que está nos céus (a prolongação da Encarnação através da Igreja e dos sacramentos é depreciada); também não há outro Mestre senão o Espírito Santo, que fala nas Escrituras e no íntimo de cada alma, sem se servir de algum magistério viável e objetivo.

Note-se, em particular, a repercussão destas idéias nos conceitos de sacramentos e Igreja.

O número dos sacramentos foi notavelmente diminuído pelos doutores do Protestantismo. Dentre os sete tradicionais, Calvino chegou a admitir dois apenas: o Batismo e a Ceia. Quanto à função dos sacramentos, os reformadores nos diriam que estes não são portadores da graça, mas apenas sinais que, lembrando as promessas da benevolência divina, excitam a fé (ou confiança) nessas promessas; estimulada por tais sinais, é a fé que produz a santificação do crente. Os sacramentos portanto não exercem, como se diz em linguagem teológica, causalidade nem física nem moral no processo de santificação; a sua influência fica limitada ao setor psicológico (recordam a palavra de Deus…).

No Calvinismo, torna-se mesmo impossível que a graça esteja associada a algum sinal objetivo, pois ela só é dada aos predestinados; a quem não pertença ao número destes, não adianta recorrer a algum rito sensível. Lutero, um pouco menos inovador neste ponto, afirmava que o Batismo confere a santidade, mas só o faz mediante a fé: «Não o sacramento, mas a fé no sacramento é que justifica. — Non sacramentum, sed fides in sacramento iustificat», escrevia o reformador ao Cardeal Caetano. O Zwinglianismo empalidecia ainda mais o papel dos sacramentos, reduzindo-os a meros testemunhos da fé capazes de unir os homens entre si: pelos sacramentos, ensinava Zwingli, o crente atesta e comprova à Igreja a sua fé, sem que da Igreja receba sequer o selo ou a comprovação da fé.
A prevalência do indivíduo sobre a coletividade se exprime com não menor clareza no conceito protestante de Igreja. Esta, conforme os reformadores, não é um corpo visível, mas sociedade invisível; só uma coisa impede que alguém a ela pertença: o pecado. Quem não se deixa contaminar por este, torna-se membro da Igreja, independentemente dos quadros externos nos quais os crentes professam a sua fé. Em geral, dizem os protestantes que a Igreja visível se corrompeu e extinguiu no séc. IV, sob o Imperador Constantino, dada a colaboração do Estado e da Igreja, pois então se introduziram nos mais íntimos redutos do Cristianismo doutrinas e costumes pagãos. Subsiste, porém, a Igreja invisível, a qual continua a vida da comunidade primitiva de Jerusalém. Ora seria essa Igreja invisível que vai tomando corpo nas denominações protestantes a partir do séc. XVI…

Se agora se pergunta como é governada a Igreja invisível, toca-se uma questão árdua para o Protestantismo: este, de um lado, rejeita o Papado e, de outro lado, afirma que todos os fiéis são sacerdotes. Em consequência, não restam critérios muito seguros para se constituir o governo da igreja… Donde a multiplicidade de soluções: há denominações protestantes dirigidas por seus «bispos» (tais são o episcopalismo anglicano, o metodismo…), bispos porém que são mais mentores dos .crentes do que sacerdotes ou ministros dos meios de santificação; há as também dirigidas por presbíteros (o presbiterianismo, por exemplo), e há-as dirigidas por meros delegados da coletividade ou da congregação (congregacionalismo, que reproduz o sistema democrático no setor religioso). Vários grupos protestantes não concebem mesmo dificuldade em admitir a autoridade mais ou menos absoluta dos governos civis no que diz respeito à vida temporal da Igreja (o que resulta em secularização da face visível do Cristianismo).
Expostas sumariamente as três características da ideologia protestante, incumbe-nos agora analisar o seu significado.

2. Uma estimação da doutrina

a) A justificarão pela fé sem as obras

1. Não há dúvida, a Escritura ensina que a remissão dos pecados é gratuitamente outorgada aos homens pelos méritos de Jesus Cristo (cf. Rom 5,8s); o homem não pode merecer o perdão, mas tem que o aceitar contritamente, crendo no amor de Deus e entregando-se humilde a esse amor. Contudo a Escritura ensina outrossim que o perdão outorgado por Deus não é mera fórmula jurídica em virtude da qual não nos seria mais levado em conta o pecado, pecado que, apesar de tudo, ficaria inamovível a contaminar a alma. Não; justificação, segundo as Escrituras, é regeneração (cf. Jo 3,3.5; Tit 3,5), elevação à dignidade de filhos de Deus não nominais apenas, mas reais (cf. 1Jo 3,1), de modo a nos tornarmos consortes da natureza divina (cf. 2 Pdr 1,4), capazes de produzir atos que imitem a santidade do Pai Celeste (cf. Mt 5,48). Se, por conseguinte, Deus, ao nos perdoar as faltas, nos concede uma nova natureza, está claro, conforme as Escrituras mesmas, que as obras boas que estejam ao alcance desta nova natureza, devem pertencer ao programa de santificação do cristão; elas se tornam condição indispensável para que alguém consiga a vida eterna. Deus não pode deixar de exigir tais obras depois de nos haver concedido o princípio capaz de as produzir.

É óbvio que essas obras boas não constituem o pagamento dado pelo homem em troca da graça de Deus, nem são algo que a criatura efetue independentemente dos méritos de Cristo Salvador, mas são os frutos necessários da ação de Deus (ou da graça) no homem regenerado, são concretizações dos méritos do Salvador; na verdade, é Cristo quem vive no cristão e neste exerce seu influxo vital, como a cabeça nos seus membros e como o tronco da videira nos seus ramos (cf. Gál 2,20; Jo 15,1s).

São Paulo, na epístola dos Romanos, tanto inculca a justificação pela fé sem as obras, porque tem em vista a primeira conversão ou a conversão do pecador a Deus (claro está que esta não pode ser o resultado de obras meritórias prévias). São Tiago, porém, que visa propriamente o desabrochar da vida cristã após a conversão, inculca fortemente a necessidade das boas obras (por isto a epistola de Tiago muito desagradava a Lutero, que quis negar a sua autenticidade).

Quanto à concupiscência que permanece no cristão por toda a vida, ela não constitui pecado enquanto o indivíduo não lhe dá consentimento; por muito intensa que seja, a graça do Redentor é certamente capaz de triunfar sobre ela. O fato de que a Escritura a chama «pecado» (cf. Rom 7,20), explica-se por estar a concupiscência intimamente ligada ao pecado como consequência deste.

De resto, na vida cotidiana os protestantes valorizam altamente as boas obras; falam então linguagem muito semelhante à dos católicos.

b) A Bíblia e o livre exame
Já em «P. R.» 7/1958, qu. 2 e 3 foi publicada longa explanação sobre a Tradição oral como fonte de fé e necessário critério de interpretação da Bíblia Sagrada. O valor da Tradição se explica pelo fato de que a Revelação oral antecedeu a redação das Escrituras e nem foi, por inteiro, consignada nos livros sagrados (os hagiógrafos nunca tiveram a intenção de confeccionar um manual completo dos ensinamentos revelados); donde se vê quão alheio é ao espírito mesmo da Bíblia interpretá-la independentemente da corrente de doutrinas dentro da qual a Escritura se originou, se conservou e sempre se transmitiu.

Ao que foi dito ainda se pode acrescentar a menção de algumas consequências do princípio do livre exame (é pelos frutos que se conhece a árvore!).

Os próprios reformadores e seus discípulos, desejando exaltar a autoridade das Escrituras, tornaram-se deturpadores da Palavra de Deus. Foi, sim, em nome do Antigo Testamento que Lutero permitiu a bigamia a Filipe de Hessen. É em nome das Escrituras que os fundadores de seitas vão ensinando teses fantasistas e contraditórias sobre a data do fim do mundo (tenham-se em vista os Adventistas, os Testemunhas de Jeová, os Amigos do homem, de que trata «P. R.» 14/1959, qu. 10). Em nome do livre exame da Bíblia os críticos protestantes têm rejeitado inteiras seções ou até livros escriturísticos; chegam a negar a Divindade de Cristo (o primeiro autor que negou a plena veracidade dos Evangelhos, foi o protestante H. S. Reimarus +1768).

De resto, verifica-se que as comunidades de crentes tendo abandonado a venerável Tradição transmitida desde os inícios do Cristianismo, ainda, e apesar de tudo, seguem uma tradição, … tradição evidentemente humana, a que deu início tal ou tal fundador de seita. Criou-se em cada denominação de «reformados» uma tradição particular ou uma via própria de interpretação da Bíblia.
É a rejeição de todo magistério munido da autoridade do próprio Deus que gera instabilidade nas comunidades protestantes, ocasionando a criação de novas e novas seitas. A razão destas múltiplas reformas não será o fato de que nenhuma delas é realmente guiada pelo Espírito Santo, mas todas são obra meramente humana? Aliás o próprio Lutero já verificava em seus tempos: «Há tantos credos quantas cabeças há».

Alexandre Vinet, já citado, afirmava por sua vez no século passado:

«Para mim, o Protestantismo é apenas um ponto de partida; a religião fica muito além dele… A reforma será uma exigência permanente dentro da Igreja; ainda hoje a reforma está por se fazer».
A experiência de 400 anos mostrou que se volta contra os próprios irmãos separados o principio com que estes quiseram outrora impugnar os católicos: «Mais vale obedecer a Deus do que aos homens» (At 5,29).

c) A negação de intermediários entre Deus e o crente

Esta posição acarreta, como dizíamos, a negação de várias instituições que se tornaram clássicas no Cristianismo: os sacramentos concebidos como canais da graça, a intercessão dos santos, o sacerdócio oficial e hierárquico, a visibilidade da Igreja, etc.

Alguns destes temas já foram diretamente abordados em «P.R.»: assim o significado dos santos na piedade cristã, em «P. R.» 13/1959, qu. 5; a autoridade da canonização dos santos, em «P.R.» 13/1959, qu. 5; a necessidade do culto externo, em «P.R.» 15/1959, qu. 3; a instituição de um chefe visível e de um magistério infalível dentro da Igreja, em «P.R.» 13/1959, qu. 2 e 14/1959, qu. 3.

Seguem-se três observações aptas a mais evidenciar o erro radical contido no princípio protestante:

i) a rejeição dos sacramentos e do sacerdócio hierárquico contradiz à lei geral que Deus sempre quis observar nas suas relações com o homem: assim como na plenitude dos tempos o Senhor atingiu a criatura mediante o mistério da Encarnação, assim antes e depois desta Ele veio e vem sob sinais sensíveis; principalmente no Novo Testamento a dispensação das graças conserva a estrutura da Encarnação: os sacramentos e sacramentais são matéria consagrada que prolonga e desdobra a estrutura do Verbo Encarnado. Como o corpo de Jesus recebeu outrora a vida divina e a comunicou aos homens seus contemporâneos, assim os elementos corpóreos (água, pão, vinho, óleo, palavras e gestos do homem…) vêm a ser, nos sacramentos, os canais que contêm e transmitem a graça de Deus; não os poderíamos reduzir à categoria de meros estimulantes da memória, vazios de conteúdo sobrenatural, sem quebrar a harmonia do plano da salvação.

ii) Nos desígnios de Deus, a santificação do homem sempre foi concebida comunitàriamente, em oposição a qualquer individualismo. O Criador houve por bem, no inicio da história, incluir todos os homens no primeiro Adão; quis outrossim restaurar todos conjuntamente em Cristo; consequentemente santifica-nos hoje por meio de uma coletividade, que é a Igreja, caracterizada por sinais objetivos e por um ministério visível, fora do qual ninguém pode pretender encontrar o Cristo. — Exaltando o indivíduo a ponto de relegar para plano secundário a comunidade, o Protestantismo vem a ser autêntico produto da mentalidade subjetivista e antropocêntrica do Renascimento.
iii) A Reforma pretende corresponder à Igreja primitiva, anterior à corrupção que «paganizou» o Evangelho… Esta pretensão é tão vã que os mestres protestantes se têm visto obrigados a fazer recuar constantemente o período da «grande corrupção»: ao passo que os primeiros reformadores a colocavam no séc. IV, outros foram retrocedendo até os tempos de S. Cipriano (+258), S. Ireneu (+ cerca de 202), Clemente Romano (+102?) ou até a geração apostólica. O famoso crítico Harnack (+1930) chegava a dizer que já os Apóstolos perverteram o Evangelho de Cristo — o que é evidentemente absurdo, pois não conhecemos o Evangelho de Cristo senão através da pregação e dos escritos dos Apóstolos; Harnack, porém, era obrigado a proferir tal contrassenso, porque reconhecia claramente que a Igreja Católica atual corresponde fielmente à Igreja primitiva ou, como dizia ele, que «Cristianismo, Catolicismo e Romanismo constituem uma identidade histórica perfeita» (Theologische Literaturzeitung, 16 jan. 1909).
Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

Fonte: http://www.pr.gonet.biz/index-catolicos.php




Sobre o valor do sangue de Cristo

"Queres conhecer o valor do Sangue de Cristo? Voltemos às figuras que profetizaram e recordemos a narrativa do Antigo Testamento: Imolai, diz Moisés, um cordeiro de um ano e assinalai as portas com seu sangue. Que dizes, Moisés? O sangue de um cordeiro tem poder para libertar o homem racional? Certamente, responde ele, não porque é sangue, mas porque prefigura o Sangue do Senhor. Se hoje o inimigo, em vez de sangue simbólico aspergido nos umbrais, vir resplandecer nos lábios dos fiéis, portas dos templos de Cristo, o sangue da nova realidade, fugirá ainda para mais longe.

Queres compreender ainda mais profundamente o valor deste Sangue? Repara donde brotou e qual é a sua fonte. Começou a brotar da cruz, e a sua fonte foi o Lado do Senhor. Estando já morto Jesus, diz o Evangelho, e ainda cravado na cruz, aproximou-se um soldado, trespassou-Lhe o Lado com uma lança e logo saíram água e sangue: água como símbolo do Batismo, sangue como símbolo da Eucaristia. O soldado trespassou o Lado, abriu uma brecha na parede do templo e eu achei um grande tesouro e alegro-me por ter encontrado riquezas admiráveis. Assim aconteceu com aquele cordeiro. Os judeus mataram um cordeiro e eu recebi o fruto do sacrifício.

Do Lado saíram sangue e água. Não quero, estimado leitor, que passes inadvertidamente por tão grande mistério. Falta-me ainda explicar-te outro significado místico. Disse que esta água e este sangue simbolizavam o Batismo e a Eucaristia. Foi deste sacramento que nasceu a Igreja, pelo banho de regeneração do Espírito Santo, isto é, pelo sacramento do Batismo e pela Eucaristia que brotaram do Lado de Cristo, por conseguinte, que se formou a Igreja, como foi do lado de Adão que Eva foi formada.
Por esta razão, a Escritura, falando do primeiro homem, usa a expressão carne da minha carne, osso dos meus ossos, que S. Paulo refere, aludindo ao Lado de Cristo. Pois assim como Deus abriu o lado de Adão enquanto ele dormia, assim Cristo nos deu a água e o sangue durante o sono da Sua morte.

Vede como Cristo se uniu à Sua Esposa, vede com que alimento nos sacia. O mesmo alimento nos faz nascer e nos alimenta..Assim como a mulher se sente impulsionada pelo amor natural a alimentar com o próprio leite e o próprio sangue o filho que deu à luz, assim também Cristo alimenta sempre com o Seu Sangue aqueles a quem deu o novo nascimento." (São João Crisóstomo, ~350-407; Cat 3, 13-19).
Migrado do extinto site Agnus Dei. Tradução de Carlos Martins Nabeto.

FONTE ELETRÔNICA;