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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Promessa do Primado



16,13. "Chegando Jesus à região de Cesaréia de Felipe, interrogou os seus discípulos: 'Quem dizem os homens ser o Filho do homem?'"
As circunstâncias onde se deu a cena aqui descrita por São Mateus devem ser complementadas com os dados fornecidos também por São Marcos (8,27) e São Lucas (9,18): Jesus e os apóstolos partiram da região de Betsaida Julia e se dirigiram para o norte pela margem oriental do rio Jordão. Deixaram para trás o lago Merom (ou Huleh) e chegaram nas imediações de Cesaréia de Filipe, a cerca de 50 km do lago de Genesaré.

Antigamente, a cidade de Cesaréia chamava-se Paneas, em honra do deus Pan, a quem era oferecido culto, desde o séc. III aC, em uma gruta próxima do lugar de uma das nascentes do rio Jordão. Quando Herodes, o Grande, recebeu esta região de Augusto, construiu ali um templo de mármore, junto ao Paneion ou gruta sagrada, consagrado ao culto do Imperador. Após a morte de Herodes, toda esta região, pertencente à Galaunítide, passou a ser governada pelo tetrarca Filipe que, segundo o testemunho de Flávio Josefo (Ant. XVIII,2,1), embelezou e desenvolveu muito a cidade, dando-lhe o nome de "Cesaréia", para bajular o imperador, e acrescentando-lhe ainda seu próprio nome, para distingüi-la de uma outra Cesaréia localizada na Palestina, junto à costa do mar Mediterrâneo. De tal cidade não restam mais hoje além de ruínas e uma pobre aldeia, chamada Banias, recordando o antigo nome de Paneas. Quase toda a população daquelas regiões era pagã.

A pergunta dirigida por Jesus a seus discípulos ocorre, segundo São Mateus, no caminho; segundo São Lucas, Jesus estava orando juntamente com eles. Segundo São Mateus, tinham chegado à região da Cesaréia; estavam, pois, caminhando próximos da cidade quando, em certo momento em que Jesus estava orando com seus apóstolos, dirigiu-lhes a pergunta. Esta oração de Cristo - que São Lucas só aponta quando se segue algum acontecimento importante - nos revela a importância que o próprio Jesus dava àquele diálogo com os apóstolos, especialmente com São Pedro. É claro que o que se pretendia com esta pergunta era reafirmar a fé de seus apóstolos na sua dignidade messiânica e divina, bem como oferecer-lhes o primeiro esboço da fundação de seu novo reino: a Igreja.

"O Filho do homem" é o modo como chama a si mesmo, como constata-se em outras ocasiões.

16,14. "Responderam-lhe: 'Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias, ou um dos profetas.'"

Uns - como Herodes e talvez alguns outros - acreditavam que Jesus era [João] Batista ressuscitado; outros, baseados na profecia de Malaquias (4,5), acreditavam que era Elias, que deveria vir antes do Messias para preparar a sua chegada; outros diziam que era Jeremias (como se narra no segundo livro dos Macabeus (2,1-12), este profeta havia escondido, no tempo do desterro, o tabernáculo, a arca e o altar do incenso de maneira que muitos diziam que ele voltaria antes da chegada do Messias para descobrir o local onde se encontravam estes tesouros escondidos); por fim, alguns se contentavam em dizer que Jesus era um de tantos profetas.

Certamente, os mesmos evangelistas nos indica que alguns chegaram a questionar se Jesus seria efetivamente o Filho de Davi (12,13), bem como quiseram proclamá-lo rei (Jo 6,14); porém, ao que parece, estes movimentos foram passageiros, pois não deixaram marcas na opinião das pessoas. O povo em geral, como se vê por este testemunho dos apóstolos, não acreditava que Jesus fosse o Messias; esperava, segundo as falsas concepções ensinadas dos doutores [da Lei], um messias temporal, glorioso e triunfante sobre os seus inimigos políticos; assim, viam que a vida e a doutrina de Jesus não possuíam esse ideal que fôra formado.

16,15-16: "Perguntou-lhes ele: 'E vós, quem dizeis que eu sou?'. Simão Pedro respondeu: 'Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.'"
A pergunta de Cristo é agora mais comprometedora. É dirigida aos mesmos apóstolos para saber o que eles pensam a seu respeito. Ninguém responde, apenas São Pedro... A resposta nos outros evangelhos sinóticos é mais simples: "Tu és o Messias" (Mc 8,29), "Tu és o Messias de Deus" (Lc 9,20). É certo que em São Marcos e em São Lucas somente se expressa a messiandade de Jesus, porém, em São Mateus, temos duas afirmações: "Tu és o Cristo [=Messias], o Filho do Deus vivo". Esta fórmula poderia ser equivalente à dos outros [dois] evangelistas, de maneira que inclua em si somente a messiandade, expressada por dois termos equivalentes? Ou, além da messiandade, devemos ver expressa também a filiação natural de Cristo?
A maior parte dos racionalistas e alguns poucos católicos crêem que os dois títulos dados por São Pedro a Cristo encerram o mesmo conceito: a messiandade. Ao contrário, os Santos Padres em geral, particularmente [São João] Crisóstomo, São Jerônimo, São Leão Magno e a esmagadora maioria dos comentaristas católicos, tanto antigos como modernos, sustenta que na confissão de São Pedro se encerram sua messiandade e sua divindade. Efetivamente, o título "Filho de Deus" não é em São Mateus, nem nos outros evangelistas, sinônimo de "Messias". Ao contrário, percebemos que é usado para expressar uma dignidade transcedente, equiparável à do Pai (11,25s), estando acima das coisas mais santas (o templo, o sábado...), bem como dos homens mais dignos e privilegiados, e dos próprios anjos!

O mesmo contexto nos leva a essa mesma conclusão. Jesus atribui essa confissão tão explícita de Pedro a uma revelação particular de seu Pai celestial. Por outro lado, até mesmo os inimigos de Cristo entenderam que por seu modo de falar se fazia filho de Deus e, por isso, quiseram condená-lo à morte por blasfêmia (Jo 5,18). Novamente o reprovam como blasfemo em outra ocasião porque, sendo homem, se faz como Deus (Jo 10,33). Finalmente, é julgado como blasfemo, réu de morte por dizer-se Cristo, o Filho de Deus; é a mesma fórmula empregada por São Pedro em sua confissão. Portanto, se foi isso o que os inimigos de Jesus entenderam ao interpretarem suas palavras, presume-se que os seus apóstolos - que conviviam com ele desde os primórdios de sua vida pública e que presenciaram tantos milagres - entenderam muito melhor o que Jesus queria dizer quando chamava a si mesmo de "o Filho".

Naturalmente, esta fé, por auxílio interno da graça ou pela revelação do Pai, foi sedimentando-se na alma dos apóstolos à medida que iam escutando os ensinamentos do Mestre e presenciando o poder absoluto que mostrava sobre todas as coisas, inclusive sobre os demônios.
16,17: "Respondeu-lhe Jesus: 'Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, pois não foi carne e sangue quem to revelou, mas meu Pai que está nos céus.'"

Jesus cumprimenta São Pedro por esta decidida confissão e, para acentuar mais as palavras que seguem, lhe chama por seu nome próprio, Simão, filho de Jonas [=Barjonas], para aludir à troca de nome que havia prometido em seu primeiro contato (Jo 1,42). Porém, o adverte que aquela confissão não se devia ao seu próprio esforço, "à carne e ao sangue" (=expressão bíblica para designar a natureza humana, mortal ou ao homem, frágil por sua natureza, impotente para compreender as coisas divinas), mas à graça concedida pelo Pai, "já que ninguém conhece o Filho senão o Pai" (11,27).

Não é necessário admitir que precisamente naquele momento recebera São Pedro esta revelação, mas sim - como acabamos de insinuar - que poderia ser fruto de todo o ministério de Cristo, que prepara o ânimo do apóstolo para receber aquela graça.

16,18: "'E também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.'"

Às palavras de gratidão pela confissão de seu discípulo, Jesus acrescentará, com expressões solenes, o cumprimento da promessa feita durante a primeira vez que se encontraram. Na língua aramaica em que Cristo pronunciou estas palavras, não há qualquer diferença entre o nome próprio "Pedro" e o [nome] comum "pedra". Ambos se espressam com a mesma palavra, "kephas", e têm o mesmo significado, "rocha". É como se dissesse: "Tu és Rocha e sobre esta rocha edificarei a minha Igreja". Esta metáfora de rocha e fundamento deve ter sido sugerida pelo local onde era possível contemplar aquele templo de mármore pagão, construído sobre rocha duríssima.

A palavra "Igreja" não é encontrada nos demais evangelhos; somente é empregada por São Mateus aqui e, pouco adiante, em 18,17. Na versão grega do Antigo Testamento, chamada de Septuaginta, significa a congregação dos judeus, enquanto formavam o povo de Deus. Cristo quis significar com este nome a congregação daqueles que formam o verdadeiro povo de Deus, isto é, que formam o reino messiânico, abraçando por fé a sua doutrina.

As expressões metafóricas de Cristo tinham um significado fácil de se compreender. Ele é o arquiteto. O edifício que edifica é a Igreja. A base ou fundamento firme e estável, que dará consistência e duração ao edifício é Pedro (cf. 7,24). E, como se trata de um edifício não físico e material, mas sim moral, isto é, de uma sociedade formada por todos os fiéis, sendo portanto necessária uma autoridade suprema, a que todos obedeçam, para dar estabilidade e firmeza a esta sociedade, é simplesmente prometida a São Pedro a autoridade suprema sobre a Igreja, ou, o que dá no mesmo, o primado de jurisdição. As metáforas [das "portas", das "chaves do reino" etc.] que seguem, põem em maior relevo este pensamento.
As "portas" na Sagrada Escritura significam, às vezes, uma fortaleza ou também uma cidade defendida por muralhas (cf. Gên 21,17; 24,60 etc.). Em geral, nas literaturas orientais, é sinônimo do supremo poder em alguma cidade ou estado. O "inferno" ou "sheol" era propriamente a morada dos mortos, que se concebia como uma prisão dotada de fortíssimas portas (cf. Is 38,10); depois, passou a significar o local onde se encontram os repróbos juntamente com os demônios, ou, o que dá no mesmo, o reino do diabo. Conseqüentemente, as "portas do inferno" é uma circunlocução poética que, às vezes, significa o reino ou o poder da morte, e outras vezes - como aqui - o poder infernal. O reino de Satanás estará sempre em luta contra o reino de Cristo - a Igreja - porém nunca o vencerá. É prometida à Igreja, assim, a indefectibilidade. E, como se trata de uma sociedade essencialmente doutrinal, sua indefectibilidade carrega consigo a infalibilidade, já que errar quando se pretende ensinar em nome de Deus equivale a ser derrotado pelo espírito da mentira.

16,19: "'Eu te darei as chaves do reino dos céus; tudo o que ligares na terra, será ligado nos céus; e tudo o que desligares na terra, será desligado nos céus.'"
As "chaves do reino": as chaves, entre os antigos, eram símbolo de poder. A quem se entregavam as chaves de uma cidade, se lhe dava o poder de governá-la. Das a São Pedro as chaves do reino dos céus, isto é, da Igreja, é conferir-lhe o supremo poder de governá-la.

"O que ligares": entre os doutores da Lei, "desligar" era o mesmo que livrar alguém de uma obrigação ou de declarar lícita alguma coisa; "atar", portanto, significaria o contrário. Estes termos jurídicos eram aplicados no terreno disciplinar para condenar alguém à expulsão da sinagoga (excomunhão) ou absolvê-lo; e também para decisões de ordem doutrinal, com o sentido de proibir ou permitir. Pedro, como administrador da casa de Deus, exercitará o poder disciplinar de admitir ou excluirr da Igreja e de tomar as decisões oportunas em matéria de doutrina dogmática ou moral, decisões que serão ratificadas por Deus no céu.
Estas promessas são feitas não apenas à pessoa de Pedro, mas também aos seus sucessores, já que a Igreja deverá durar até o fim do mundo [28,20].
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APÊNDICE: A AUTENTICIDADE DE MT 16,13-20

A interpretação que acabamos de expor desta importante seção é a única aceitável sob qualquer aspecto que se considere.

As antigas interpretações protestantes hoje estão condenadas ao esquecimento - e com razão - pois violentam as palavras do texto e se fundam em preconceitos dogmáticos sobre a Igreja Católica. Porém, já que a interpretação católica se impõe a todo espírito que com serenidade analise o texto, os racionalistas e protestantes de nossos dias tentam encontrar outra maneira de combater a doutrina ensinada nestes versículos: dizem que se trata de uma interpolação feita mais tarde no texto evangélico.
Alguns afirmam que os versículos 17-19 foram interpolados no evangelho pela Igreja romano ao final do séc. II, ou já entre os anos 110-120, ou também no tempo de Adriano (117-138). Harnack crê que foram interpoladas apenas as palavras "e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja", de forma que o texto original diria: "e as portas do inferno não te vencerão"; assim, por tais palavras, era prometida a imortalidade a Pedro. Estas afirmações estão contra todos os códices e versões antiquíssimas dos autores mais antigos da cristandade, que unânimemente lêem o texto como sempre o leu a Igreja. Finalmente, o fortíssimo colorido semítico que possuem estes versículos descaracterizam uma origem romana, como afirmam estes críticos.
Outros autores não têm dificuldades em admitir que efetivamente estas palavras foram escritas por São Mateus, porém, afirmam que não foram ditas por Cristo. Na verdade, elas refletiriam o conceito de que a Igreja primitiva de Jerusalém se formou a partir de São Pedro, bem como sua relação com ela. Com efeito, Pedro - que foi o primeiro a ver Cristo ressuscitado (1Cor 15,5) e o primeiro a pregar a ressurreição (At 2,14ss) - teria, desde o princípio, um lugar privilegiado na mente dos primeiros cristãos, sendo considerado chefe de toda a comunidade. Esta concepção teria sido formada por São Mateus, colocando na boca de Cristo as palavras dirigidas a São Pedro nestes versículos.
Ora, esta teoria, como se vê, torna duvidosa a probidade e a fidelidade histórica de São Mateus, e se baseia em princípios apriorísticos e em hipóteses arbitrárias como é, principalmente, supor sem qualquer motivo uma evolução dos atos e palavras de Cristo ao final de alguns anos, quando ainda viviam testemunhas oculares dos acontecimentos. Supõe ainda, falsamente, que a origem e o progresso da religião e doutrina cristã estava ao arbítrio da fantasia popular e, finalmente, desconsiderando o verdadeiro conceito e valor da tradição apostólica.

Traduzido para o Veritatis Splendor por Carlos Martins Nabeto diretamente da Biblioteca de Autores Cristãos.

FONTE ELETRÔNICA;

Pesquisa aponta que igrejas históricas no Brasil sofrem retração, enquanto as neopentecostais crescem

O crescimento do número de evangélicos no Brasil, apontado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve um grande destaque em todos os meios de comunicação nas últimas semanas. Dentro desse crescimento, uma pesquisa aponta que as igrejas protestantes históricas ou “igrejas evangélicas de missão” estão em retração, enquanto as igrejas de origem pentecostal se expandem.
A pesquisa foi realizada pelo Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã (BEPEC) que analisou os microdados referentes às religiões do Censo demográfico 2010 liberado recentemente pelo IBGE.

De acordo com o estudo, muitas das “igrejas evangélicas de missão” apresentaram uma redução de 10,76% em seu número de fiéis no período analisado (2000 a 2010), entre essas igrejas pode-se destacar a igreja congregacional com diminuição de 26,37%, a Luterana com – 5,9%, a presbiteriana com – 6,10% e metodista com – 0,01%. Apenas algumas das igrejas consideradas históricas apresentaram crescimento no período, como as igrejas batistas com 17,74% e adventistas, com 29,03%.

Em contrapartida as igrejas de origem pentecostal mostraram um crescimento considerável no período, representando a maior parte do crescimento de evangélicos observado pelo IBGE. Com um crescimento total de 44,01% entre as pentecostais, a igreja com maior crescimento foi a igreja Assembleia de Deus com 46,28%, em seguida a Igreja Evangelho Quadrangular com 37,12%, e depois a Igreja Universal do Reino de Deus com 28,37%.
Porém, o diretor do BEPEC, Danilo Fernandes, afirma que apesar dos dados existe a possibilidade que a tendência de retração das igrejas históricas no Brasil sofra uma reversão, devido ao crescente interesse da nova geração de protestantes históricos no aprimoramento do conhecimento teológico e pela produção literária.

De acordo com o The Christian Post, ele destaca também que dissenções e escândalos constantemente apontados nas grandes denominações pentecostais podem fazer com que comece uma tendência de retração nessas igrejas.

- A rota de muitos decepcionados com a igreja, os órfãos das promessas não cumpridas, é a ortodoxia. Esta não é a estrada mais ampla, mas é uma artéria importante, de formadores de opinião – afirmou ele.

- O crescimento deste grupo têm alimentado nos últimos anos as igrejas tradicionais que sofreram sangrias na primeira metade do último decênio.

Eu creio em um retorno – conclui.

E os Super Poderosos!!

“Ei, católicos, vocês adoram imagens!” Ah, tá! Fale com a minha mão!

A estratégia dos nossos acusadores é a da tijolada: pegam uma passagem da Bíblia, tiram ela do seu contexto e a lançam na nossa cabeça, sem dó. Neste caso, o tijolo, isto é, o texto que usam como arma para atacar a nossa fé é o seguinte:

Não terás outros deuses diante de minha face. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto. (Ex 20:3-5)

Explico: o povo que vivenciou o Êxodo era, em grande parte, idólatra. A crença no Deus de Abraão, Isaac e Jacó não os imunizou da influência religiosa dos demais povos. Assim, o culto aos ídolos – primeiramente o bezerro de ouro, e depois os baals – era uma fonte de frequentes aborrecimentos e decepções para o Senhor.

Por isso, havia o grande risco de os hebreus perceberem o Deus da Aliança como mais um deus, o deus que estava “em alta” no momento, e não como O Deus, Único e Verdadeiro. Javé precisava deixar claro o abismo que havia entre os ídolos e Ele: Ele não é produto da mente humana, nem tampouco a Sua doutrina. Ele é o Deus que se revelou, Ele é Aquele que É (“Eu Sou Aquele que Sou” – Ex:3-14). Os ídolos, por sua vez, eram patéticos e impotentes objetos de pau, metal ou pedra, que representavam esquemas religiosos e doutrinas criadas pela imaginação humana.

Assim, foi preciso tomar uma medida educativa: proibir que o povo fizesse qualquer imagem do Senhor, para deixar claro que Ele não era mais um deus inventado, moldado por mãos humanas. Ademais, ninguém conhecia o Seu rosto, e nenhuma imagem poderia ficar à altura da Sua imensa glória:

No dia em que o SENHOR vos falou do meio do fogo no Horeb, não vistes figura alguma. Guardai-vos bem de corromper-vos, fazendo figuras de ídolos de qualquer tipo. (Dt 4, 15-16)

Entendida a razão que originou da proibição do culto às imagens? Então, passemos à segunda parte da história…

“Jingle Bells, jingle Bells!…”. Deus finalmente nos mostrou a Sua face. Todo o poder, o amor, a beleza, a misericórdia e a força de Deus sem rosto e sem nome cabiam agora no corpo de um Menino. Os olhos dos homens finalmente podiam contemplar a FIGURA do Criador: “Quem Me vê, vê também Aquele que Me enviou” (Jo 12:45).

Talvez o nariz ou os olhos fossem parecidos com os de Sua Mãe. Talvez. Mas o certo que os traços do rosto de Jesus não seriam jamais esquecidos ou ignorados pelos cristãos da comunidade primitiva. As paredes das catacumbas estão lá, para quem quiser e puder ver: pinturas de santos – inclusive de Maria, ó que pecado! – e personagens bíblicos para todo o lado.
Assim, não podemos compreender a Bíblia sem considerar a Tradição da Igreja, que, desde os primeiros séculos, entendeu que os ícones que representavam o Senhor, Maria e os santos exprimiam de forma legítima a fé e a esperança do nosso povo. Não custa lembrar o óbvio: a proibição do culto às imagens está diretamente relacionada ao combate à adoração de outros deuses. Por isso, o mandamento que condena a idolatria não se aplica no caso das imagens católicas, já que estas nos remetem à glória do próprio Cristo. Os ícones católicos nos testemunham sobre a vida de personagens reais e históricos (e não imaginários, como os ídolos), que dedicaram sua vida ao Senhor.

A relação dos católicos com as imagens de Jesus e dos santos é comparável à que qualquer pessoa tem com a fotografia das pessoas amadas. Quando olhamos a imagem de alguém importante para nós, a afeição se projeta; trazemos as fotos com carinho na carteira, colocamos em um canto de destaque na sala, beijamos o papel inerte quando a saudade aperta… E ninguém, por mais imbecil que seja, faria algum comentário infeliz aludindo a “idolatria”.

Pra encerrar, digo que este post não tem o objetivo de fornecer munição para que você, católico, possa se justificar quando te “crenticarem”. Não vale a pena gastar a saliva (a não ser nos raros casos em que há a possibilidade de um diálogo honesto e objetivo). O papo aqui é mesmo para nos ajudar a compreender as raízes da nossa própria identidade. Assim, sabendo quem nós somos e porque nós somos, nos tornamos mais capazes de viver a nossa fé de forma alegre, livre e consciente.

Por isso, se alguém vier lhe chamar de idólatra, não discuta. Manda o cara falar com a sua mão!

Fonte: O Catequista

FONTE ELETRÔNICA;



Imagem no Catolicismo: Pecado ou Não?

O que é imagem?
Imagem: palavra de origem latina, imaginare, significa representação de um ser pelo desenho, gravura ou escultura; assim, são imagens, uma escultura, uma pintura, uma fotografia etc.

O que é adorar?

Adorar: também vem do latim, adorare, significa prestar culto Máximo à divindade (latria); amar extremamente e reconhecer Deus como único Criador e Senhor do Universo.

O que é Latria?

Latria é o mesmo que adorar. Idolatria é adorar ídolos.

O que é venerar?

Venerar: igualmente de origem latim, venerare, significa reverenciar, ter em grande consideração, respeitar, honrar. É o culto dado à Virgem Maria e aos santos.

O que é ídolo?

Ídolo é tudo que toma ou ocupa o lugar do verdadeiro Deus (Ex 32,1-5). Os maiores ídolos de hoje são o dinheiro, o prazer, o acúmulo de bens, quando causam injustiça e morte. Na Bíblia, ídolo é igual a nada, é como esterco.

Por que Deus proibiu fazer imagens?

Porque muitos povos vizinhos do Povo de Israel adoravam estátuas de vários deuses (cobra, bezerro, baal, madurc,…). Enquanto o Povo de Deus é chamado a adorar a Javé, o Deus único de Israel.

Por que Deus mandou fazer imagens?

Porque as imagens sagradas não são ídolos e não tomam o lugar de Deus. Elas são representações de pessoas santas que nos ajudam a entrar em comunhão com Deus; são como setas que nos apontam o caminho. (Ex 25,18-22; Ex 37,7-9; Nm 21,4-9).

No templo de Deus, em Jerusalém, havia imagens de escultura?

Sim, o templo de Deus, construído ricamente pelo rei Salomão, tinha muitas imagens, inclusive imagens gigantes. (1Rs 6,23-25; 2Cr 3,10-14).

Quais os textos bíblicos que falam sobre as imagens?

a) Ex 25,18-22; Ez 37,7-9 – Deus mandou fazer imagens de querubins;

b) Nm 7,89; 2Sam 6,2 – Deus fala a Moisés do meio de duas estátuas de querubins;

c) Nm 21,4-9 – Deus manda Moisés fazer uma serpente de bronze;

d) 1Rs 6,23-35; 2Cr 3,10-14; Ez 41, 17-20; Ez 43, 4-6 – O templo de Deus em Jerusalém está cheio de imagens de esculturas de bois, leões, homens, palmeiras e querubins.

e) Jo 3,14 – Jesus reconhece o valor simbólico e religioso da serpente de bronze de Nm 21,4-9 a qual já era prefiguração do Cristo na Cruz.

Por que se usam imagens na Igreja Católica?

Porque a imagem de uma pessoa santa que viveu intensamente a fidelidade ao Evangelho, a Cristo, a Igreja e a sua vocação é um modelo que deve ser imitado por todos os cristãos no seguimento de Jesus. Nesse caso, a imagem não tem nada a ver com um ídolo porque não toma o lugar de Deus, mas aponta para Ele.

O que a Igreja ensina sobre as Imagens Sagradas?

“As santas imagens, quer pintadas, quer esculpidas, sejam expostas, assim como a cruz, nas igrejas, nos vasos sagrados, nas paredes, nas casas, nas ruas, por que isso nos recorda e nos leva a amar a Jesus Cristo, sua mãe, os apóstolos e os santos. Seja-lhes prestada veneração e respeito, mas não adoração que só a natureza divina é devida” (VII Concílio Ecumênico de Nicéia/ ano de 787).

Quando surgiram as imagens da Virgem Maria e dos Santos na Igreja?

Surgiram nos primeiros séculos do cristianismo, sobretudo, na época da perseguição do império romano contra os cristãos, que escondidos nas catacumbas de Roma, pintavam e esculpiam sobre os túmulos dos mártires as imagens de Jesus, Bom Pastor, de Maria, dos apóstolos de cena bíblica e dos próprios mártires, portanto, as imagens fazem parte da riqueza da nossa tradição Cristã e Católica.

“Antigamente, Deus, que não tem corpo nem aparência, não podia em absoluto ser representado por imagem. Mas agora, que se mostrou na carne e viveu com os homens, posso fazer imagem daquilo que vi de Deus (…) com o rosto descoberto contemplamos a glória do Senhor”. (São João Damasceno, IMAG. 1,16-93 – obra citada in CIC nº 1159).

Ter imagem em casa é pecado?

Claro que não, se assim fosse, seria pecado ter a foto da mãe, do irmão etc.

Não ter uma imagem em casa é pecado?

Também não, porque para o cristão católico, o importante não esta numa imagem, mas no coração, porém, é recomendável que se tenha em casa, a cruz e as imagens de Jesus e de Maria como símbolos da nossa fé.

O que é ser Santo?

Só Deus é Santo!(Is 6,3), porém, nós, pela encarnação de Jesus e pela graça do Batismo, participamos da santidade de Deus. Santa é a pessoa que vive com fidelidade o seu compromisso batismal, guiado pelo Espírito Santo, obediente à Palavra de Deus, que põe Deus acima de tudo e vive a sua fé dentro da Igreja!

O próprio Deus nos faz esse convite: “Sejam santos, porque eu, Javé, o Deus de vocês sou santo”. (Lv 19,2; 1Pd 1,13-16).

Segundo a Bíblia, os santos não morrem, mas estão de pé, dia e noite diante do trono de Deus, numa celebração sem fim (Ap 7,9-17).

A igreja nos ensina: “Os santos sejam cultuados na Igreja segundo a tradição. Suas relíquias autênticas e imagens sejam tidas em veneração. Pois, as festas dos santos proclamam as maravilhas de Cristo operadas em seus servos e mostram aos fiéis os exemplos oportunos a serem imitados.”

O que é mais importante para um (a) cristão (ã) da Igreja Católica?

Praticar os mandamentos da lei de Deus;

Participar da Comunidade Eclesial e oferecer o dízimo para sua manutenção;

Ler a Bíblia, praticar e ensinar a Palavra de Deus;

Rezar todos os dias, para viver em comunhão com Deus e com os irmãos e irmãs;

Adorar ao Deus Uno e Trino: Pai, Filho e Espírito Santo, venerar a Virgem Maria e aos Santos;

Ter Jesus Cristo como seu único Senhor e Salvador;

Viver a graça de Cristo pelos sacramentos;

Fazer a caridade, praticar a justiça, amar, acolher e perdoar a todos;

Respeitar a todos, mesmo quando não somos respeitados;

Ser fiel a Deus, seguindo a Jesus Cristo na Igreja de Jesus e dos Apóstolos;

Ser missionário (a), isto é, anunciar Jesus Cristo vivo pelo exemplo e pela palavra.

Fonte: Católicos Via Lumina

SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

I. Da obrigação de evitar as ocasiões perigosas

Um sem número de cristãos se perde por não querer evitar as ocasiões de pecado. Quantas almas lá no inferno não se lastimam e queixam: Infeliz de mim! Se tivesse evitado aquela ocasião, não estaria agora condenado por toda a eternidade!

Falando aqui da ocasião de pecado, temos em vista a ocasião próxima, pois deve-se distinguir entre ocasiões próximas e remotas. Ocasião remota é a que se nos depara em toda a parte e que raramente arrasta o homem ao pecado. Ocasião próxima é a que, por sua natureza, regularmente induz ao pecado. Por exemplo, achar-se-ia em ocasião próxima um jovem que muitas vezes e sem necessidade se entretêm com pessoas levianas de outro sexo. Ocasião próxima para uma certa pessoa é também aquela que já a arrastou muitas vezes ao pecado. Algumas ocasiões consideradas em si não são próximas, mas tornam-se tais, contudo, para uma determinada pessoa que, achando-se em semelhantes circunstâncias, já caiu muitas vezes em pecado em razão de suas más inclinações e hábitos. Portanto, o perigo não é igual nem o mesmo para todos.

O Espírito Santo diz: “Quem ama o perigo nele perecerá” (Ecli 3, 27). Segundo S. Tomás, a razão disso é que Deus nos abandona no perigo quando a ele nos expomos deliberadamente ou dele não nos afastamos. São Bernardino de Sena diz que dentre todos os conselhos de Jesus Cristo, o mais importante e como que a base de toda a religião, é aquele pelo qual nos recomenda a fuga da ocasião de pecado.

Se fores, pois, tentado, e especialmente se te achares em ocasião próxima, acautela-te para não te deixares seduzir pelo tentador. O demônio deseja que se se entretenha com a tentação, porque então torna-se-lhe fácil a vitória. Deves, porém, fugir sem demora, invocar os santos nomes de Jesus e Maria, sem prestar atenção, nem sequer por um instante, ao inimigo que te tenta. S. Pedro nos afirma que o demônio rodeia cada alma para ver se a pode tragar: “Vosso adversário, o demônio, vos rodeia como um leão que ruge, procurando a quem devorar” (I Ped 5, 8). São Cipriano, explicando essas palavras, diz que o demônio espreita uma porta por onde possa entrar na alma; logo que se oferece uma ocasião perigosa, diz consigo mesmo: ‘eis a porta pela qual poderei entrar’, e imediatamente sugere a tentação. Se então a alma se mostrar indolente para fugir da tentação, cairá seguramente, em especial se se tratar de um pecado impuro. É a razão por que ao demônio mais desagradam os propósitos de fugirmos das ocasiões de pecado, que as promessas de nunca mais ofendermos a Deus, porque as ocasiões não evitadas tornam-se como uma faixa que nos venda os olhos para não vermos as verdades eternas, as ilustrações divinas e as promessas feitas a Deus.

Quem estiver, porém, enredado em pecado contra a castidade, deverá, para o futuro, evitar não só a ocasião próxima, mas também a remota, enquanto possível, porque em tal se sentirá muito fraco para resistir. Não nos deixemos enganar pelo pretexto da ocasião ser necessária, como dizem os teólogos, e que por isso não estamos obrigados a evitá-la, pois Jesus Cristo disse: “Se teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o de ti” (Mt 5, 29). Mesmo que seja teu olho direito deverás arrancá-lo e lançar fora de ti, para que não sejas condenado. Logo, deves fugir daquela ocasião, ainda que remota, já que, em razão de tua fraqueza, tornou-se ela uma ocasião próxima para ti.

Antes de tudo devemos estar convencidos que nós, revestidos de carne, não podemos por própria força guardar a castidade; só Deus, em Sua imensa bondade, nos poderá dar força para tanto.

É verdade que Deus atende a quem Lhe suplica, mas não poderá atender à oração daquele que conscientemente se expõe ao perigo e não o deixa, apesar de o conhecer, pois, como diz o Espírito Santo, quem ama o perigo perecerá nele.

Ó Deus, quantos cristãos existem que, apesar de levarem uma vida piedosa, caem finalmente e obstinam-se no pecado, só porque não querem evitar a ocasião próxima do pecado impuro. Por isso nos aconselha S. Paulo (Fil 2, 12): “Com temor e tremor operai a vossa salvação”. Quem não teme e ousa expor-se às ocasiões perigosas, principalmente quando se trata do pecado impuro, dificilmente se salvará.

II. De algumas ocasiões que devemos evitar cuidadosamente

Como queremos salvar nossa alma, é nosso dever fugir da ocasião do pecado. Principalmente devemos abster-nos de contemplar pessoas que nos suscitam maus pensamentos. “Pelos olhos entra a seta do amor impuro e fere a alma”, diz S. Bernardo (De modo bene viv., c. 23), e essa seta, ferindo-a, tira-lhe a vida. O Espírito Santo dá-nos o conselho: “Desviai vossos olhos de uma mulher adornada” (Ecli 9, 8).

Para se livrar de tentações impuras, um antigo filósofo arrancou os olhos. Nós, cristãos, não podemos assim proceder, mas devemos cegar-nos espiritualmente, desviando os olhos de objetos que possam ocasionar-nos tentações. São Luís Gonzaga nunca olhava para uma mulher e, mesmo em conversa com sua própria mãe, tinha os olhos postos no chão. É claro que o mesmo perigo existe para mulheres que cravam seus olhares em homens.

Em segundo lugar, deve-se evitar todas as más companhias e as conversas e entretenimentos em que se divertem homens e mulheres. Com os santos te santificarás e com os perversos te perverterás. Anda com os bons e tornar-te-ás bom, anda com os desonestos e tornar-te-ás desonesto.

O homem toma os hábitos daqueles que convivem com ele, diz São Tomás de Aquino. Se estiveres metido numa conversação perigosa, que não possas abandonar, segue o conselho do Espírito Santo: Cerca teus ouvidos de espinhos para que os pensamentos impuros dos outros não achem neles entrada. Quando São Bernardino de Sena, ainda pequeno, ouvia uma palavra desonesta, sentia o rubor subir à sua face, e por isso seus companheiros tomavam cuidado para não pronunciar tais palavras em sua presença. E Santo Estanislau Kostka sentia tal asco ao ouvir tais palavras, que perdia os sentidos.

Quando ouvires alguém conversando sobre coisas impuras, volta-lhe as costas e foge. Assim costumava proceder São Edmundo. Havendo uma vez abandonado seus companheiros por estarem conversando sobre coisas desonestas, encontrou-se com um jovem extraordinariamente belo, que lhe disse: Deus te abençoe, caríssimo. Ao que o Santo perguntou, admirado: Quem és tu? Ele respondeu: Olha para minha fronte e lerás meu nome. Edmundo levantou os olhos e leu: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Com isso Nosso Senhor desapareceu e o Santo sentiu uma alegria celestial em seu coração.

Achando-te em companhia de rapazes que conversam sobre coisas desonestas e, não podendo retirar-te, não lhes dês atenção, volta-lhes o rosto e dá-lhes a conhecer que tais conversas te desagradam.

Deves também abster-te de considerar quadros menos decentes. São Carlos Borromeu proibiu a todos os pais de família conservarem tais quadros em suas casas. Deves igualmente evitar a leitura de maus livros, revistas e jornais, e não só dos que tratam ostensivamente de coisas imorais, como também dos que tratam de histórias insinuantes, como certos poetas e romancistas.
Vós, pais de famílias, proibi a vossos filhos a leitura de romances: estes causam muitas vezes maiores danos que os livros propriamente imorais, porque deixam nos corações dos jovens certas más impressões que lhes roubam a devoção e os induzem ao pecado. São Boaventura diz (De inst. nov., p. 1 , c. 14): “Leituras vãs produzem pensamentos vãos e destroem a devoção”. Dai a vossos filhos livros espirituais, como a história eclesiástica, ou vidas de santos e semelhantes.

Proibi a vossos filhos representar um papel qualquer em comédia inconveniente e mesmo a assistência a representações imorais. “Quem foi casto para o teatro, de lá volta manchado”, diz São Cipriano. Se para lá se dirigiu aquele jovem ou aquela donzela, em estado de graça, de lá voltam ambos em estado de pecado. Proibi também a vossos filhos a ida a certas festas, que são festas do demônio, nas quais há danças, namoros, canções impudicas, gracejos e divertimentos perigosos. Onde há danças, celebra-se uma festa do demônio, diz Santo Efrém.

Mas que há de ruim quando se graceja?, dirá alguém. Esses tais gracejos não são gracejos, mas crimes, responde São João Crisóstomo, são graves ofensas contra Deus. Um companheiro do padre João Vitellio, contra a vontade deste servo de Deus, se dirigiu uma vez para um tal divertimento em Nórcia. Que lhe aconteceu? Perdeu primeiramente a graça de Deus, entregou-se em seguida a uma vida desregrada e foi finalmente assassinado por seu próprio irmão.

Poderás aqui perguntar-me se é pecado mortal namorar. Responderei a essa pergunta na segunda parte, c. 6, § IV. Aqui só direi que tais namoros tornam-se ocasião próxima do pecado. A experiência ensina que em tais casos só poucos deixam de pecar. Se não pecam já no começo, caem no decorrer do tempo. No princípio se entretêm só por mútua inclinação; esta torna-se, porém, em breve, paixão, e a paixão, uma vez arraigada, cega o espírito e arrasta a muitos pecados de pensamentos, palavras e obras.

III. Fúteis objeções contra as sobreditas verdades

Objetar-me-ás: Mudei duma vez de vida; não tenho nenhuma má intenção, nem mesmo uma tentação quando vou visitar fulana ou sicrana. Respondo: Conta-se que há uma espécie de ursos que caçam macacos: ao avistar o urso, fogem estes para as árvores. Mas que faz o urso? Deita-se debaixo da árvore e faz-se de morto. Descem os macacos com esse engano e então, de um salto, captura-os e devora-os. É o que pratica o demônio: representa a tentação como morta, e assim que desceres, isto é, logo que te expuseres ao perigo, desperta-a de novo, e ela te tragará. Oh! Quantos cristãos, que se davam ao exercício da oração e da comunhão e, mesmo, levavam uma vida santa, não caíram nas garras do demônio, porque se expuseram ao perigo.
A história eclesiástica narra que uma mulher mui piedosa se ocupava em obras de caridade e, em especial, em enterrar os corpos dos Santos Mártires. Encontrando uma vez o corpo de um mártir que ainda dava sinais de vida, levou-o para sua casa, curou-o e o mártir restabeleceu-se. Mas que aconteceu? Por causa da ocasião próxima, esses dois santos – pois esse nome mereciam – primeiramente perderam a graça de Deus e depois a Fé.

Mas a visita àquela casa, a continuação daquela amizade, me traz proveitos, dizes. Sim, porém, se notares que “aquela casa é o caminho para o inferno” (Prov 7, 27), nenhum proveito te trará, e tu a deves deixar se desejas ser feliz. Mesmo que fosse teu olho direito a causa da perdição, deverias arrancá-lo e lançá-lo longe de ti, diz o Senhor. Nota as palavras: lança-o de ti, não deves deixá-lo perto, mas repeli-lo para longe, isto é, deves evitar por completo a ocasião. – Mas daquela pessoa nada tenho a temer, pois ela é tão devota – dizes. A isso responde São Francisco de Assis: O demônio tenta diferentemente os cristãos piedosos que se deram inteiramente a Deus e os que levam uma vida desregrada. Ele não procura prendê-los com uma corda já no princípio; contenta-se com um cabelo, servindo-se então de um fio e, finalmente, de uma corda, arrastando-os ao pecado.

Quem quiser ser preservado deste perigo deve já no começo evitar todos os fios, todas as ocasiões, quer sejam saudações, quer presentes.
Ainda uma observação importante: Um penitente que nunca evitou seriamente as ocasiões perigosas, nas quais tem regularmente caído em pecado mortal, apesar de todas as suas confissões, deverá fazer uma confissão geral, visto terem sido inválidas as confissões feitas em tal estado, em razão da falta de propósito de evitar a ocasião próxima. O mesmo se deve dizer a respeito dos que confessam seus pecados, mas nunca deram sinal de emenda, continuando logo depois da confissão a cometer os mesmos pecados, sem empregar nenhum meio contra a queda. Só uma confissão geral poderá trazer-lhes garantia e tranqüilidade, servindo de base para uma verdadeira emenda; feita a confissão, poderão encetar uma vida nova e perfeita, pois os maiores pecadores, como acima provamos, poderão, com a graça de Deus, alcançar a perfeição.”

Fonte: Santo Afonso Maria de Ligório, Escola da Perfeição Cristã, Compilação de textos do Santo Doutor pelo padre Saint-Omer, CSSR, IV Edição, Editora Vozes, Petrópolis: 1955, páginas 44-48)
DIsponível em: http://reporterdecristo.com/a-fuga-das-ocasioes-de-pecado/

Saiba o como provar a doutrina do Purgatório a um Cristão Evangélico

A palavra purgatório não é mencionada na Bíblia, da mesma forma que termos como ‘encarnação’, ‘Santíssima Trindade’ ou até mesmo a palavra Bíblia, não aparecem nas Escrituras. Isso, no entanto, não é motivo para negarmos a existência de um “lugar de purgação”, o qual de fato é mencionado na Bíblia.
Há várias passagens que nos indicam a existência desse tal lugar de purificação, mas vamos dar uma olhada em 1 Coríntios 3:12-15, que ao contrário de outras referências bíblicas sobre o purgatório, não pode ser refutada por protestantes evangélicos. Vamos analisar um trecho da versão O Livro, uma popular tradução da Bíblia protestante.

12 E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, 13 a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será revelada no fogo, e o fogo testará qual seja a obra de cada um. 14 Se permanecer a obra que alguém sobre ela edificou, esse receberá *galardão. ( s.m. *Recompensa ou prêmio por serviços valiosos prestados. Honra, glória) 15 Se a obra de alguém se queimar, ele sofrerá prejuízo; mas o tal será salvo todavia como que pelo fogo.

Quando lemos essa passagem no contexto do capítulo 3, vamos notar que São Paulo se dirige a uma porção da Igreja de Cristo. Ele repreende os fiéis coríntios sobre suas ações pecaminosas, tais como divisões e ciúme, etc. No capítulo 3, São Paulo não só afirma que nossas obras são recompensadas, mas ele também lida com a qualidade das obras do homem, pelas quais cada um de nós seremos recompensados ou punidos.

O que planta ou o que rega são iguais; cada um receberá a sua recompensa, segundo o seu trabalho. 1 Cor3: 8

Se analisarmos o versículo 15 do mesmo capítulo, temos um exemplo de uma pessoa cujas obras já foram julgadas e queimadas, portanto ela “sofrerá prejuízo”, mas será finalmente salva pelo fogo. A fim de esclarecer o que isso significa, precisamos definir o que “sofrer prejuízo” representa. A expressão “sofrer prejuízo” provém de uma forma da palavra grega Zemio. Lembre-se que o grego é o idioma original dos textos bíblicos. Outras formas dessa mesma palavra grega também aparecem no Antigo Testamento com o significado de “castigo” [Exodus 21:21, Provérbios 17:26 e 19:19, etc ..]. Isso significa que Zemio foi traduzido em 1 Cor 3:15 como “sofrer prejuízo”, mas também quer dizer punição ou castigo. Portanto, a passagem 1 Cor3:12-15 nos dá uma descrição clara do Purgatório, pois é a isso que São Paulo se refere.

São Paulo faz uma analogia sobre a qualidade dos nossos trabalhos usando materiais como ouro, prata, pedras preciosas para representar uma adesão mais perfeita ao Evangelho de Cristo, e madeira, palha e restolho, que serão queimados e, pelos quais o homem “sofrerá prejuízo” ou “punição” mas no fim ele, o homem, será salvo, todavia como que pelo fogo.

Assim, em 1 Coríntios 3:12, a madeira, feno e palha (que são queimados) significam as obras de um homem que morreu em estado de justificação e foi perdoado de qualquer pecado mortal que ele possa ter cometido. Ele é, portanto, salvo, mesmo que não tenha feito reparação por todos seus pecados cometidos depois do batismo.
O senhor se irritou e mandou entregar aquele servo aos carrascos, ATÉ QUE PAGASSE toda a sua dívida. É ASSIM que o meu Pai que está nos céus FARÁ convosco, se cada um não perdoar de coração ao seu irmão.” Mateus 18: 34-35

Procura reconciliar-te com teu adversário, enquanto ele caminha contigo para o tribunal. Senão o adversário te entregará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e tu serás jogado na prisão. Em verdade, te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo. Mateus 5:25-26

Ou seja, em ambas passagens vemos uma referência implícita ao lugar de expiação o qual a Igreja chama Purgatório. Enquanto estamos à caminho do tribunal, uma alusão ao julgamento individual depois da morte, somos obrigados a nos reconciliar, pois adversário ( Satanás, o acusador) nos condenará diante do Juiz (Cristo Nosso Senhor) que por sua vez nos fará justiça, e seremos jogados na prisão (purgatório), até que nossas dívidas (cada pecado cometido e não expiado) sejam pagas. Essas passagens são referências ao purgatório e não ao inferno, como alguns alegam, pois afirmam que uma vez que as dívidas são pagas, o devedor ( pecador) sairá da prisão. Como sabemos, uma vez condenado, ninguém sai do inferno. Enquanto as almas do purgatório, uma vez purificadas, ascendem ao céu.

A Posição da Igreja

Neste contexto se encaixa perfeitamente a doutrina católica sobre o Purgatório. O Concílio Católico de Lyon II, definiu Purgatório da seguinte forma:

Papa Gregório X – Concílio de Lyon II, 1274:
“Porque se eles morrem na caridade verdadeiramente arrependidos antes que eles tenham feito satisfação através de dignos frutos de penitência pelos pecados cometidos e omitidos, suas almas são purificadas depois da morte por punições purgatóriais ou depurantes…” (Denzinger 464)

Um grande exemplo de um homem que foi perdoado de seus pecados graves, mas não fez reparação por eles, é encontrado no caso de Davi. Em 2 Samuel 11 (2 Reis 11 na Douay-Rheims Bíblia católica), lemos que o Rei Davi cometeu adultério com Bate-Seba. David também mandou matar o marido de Bate-Seba. Estes são os pecados mortais. Se Davi tivesse morrido naquele estado, ele teria ido para o inferno, pois 1 Coríntios 6:9 nos mostra que nenhum adúltero ou assassinos entrarão no céu. Mas Davi se arrependeu do seus pecados, quando condenados por Natã, em 2 Samuel 12.

2 Samuel 12:13 – “E disse Davi a Natã: Pequei contra o Senhor. E disse Natã a Davi, o Senhor perdoou de teu pecado, não morrerás.

O Senhor levou o pecado de Davi, e Natã, o disse que não iria morrer. ‘Morrer’ nesse contexto significa que ele não iria morrer eternamente, ou seja, perecer no inferno. A culpa do pecado foi perdoada porque Davi se arrependeu verdadeiramente e se transformou a partir dai. Mas isso significa que tudo foi acertado? Não, pois plena satisfação por seu pecado mortal não tinham sido feitas. Lemos em 2 Samuel 12:14-15 que Davi teve de sofrer a perda de seu próprio filho para fazer satisfação por seu pecado, um pecado que já havia sido perdoado.

2 Samuel 12:14-15 “… Todavia, como desprezaste o Senhor com essa ação, morrerá o filho que te nasceu. E Natã voltou para sua casa. O Senhor feriu o menino que a mulher de Urias tinha dado a Davi, e ele adoeceu gravemente.”

Isto fornece prova inegável de que a culpa de um pecado de um crente pode ser perdoada sem que a completa punição seja levada apenas pelo arrependimento. O Concílio de Trento colocou a questão desta forma:

Papa Júlio III,

Concílio de Trento, sobre o Sacramento da Penitência, Sess. 14, cap. 8, 25 de novembro de 1551 – “… é absolutamente falsa e contrária à Palavra de Deus que a culpa [do pecado] nunca é perdoada pelo Senhor, sem que a devida punição também receba remissão. Pois exemplos claros e ilustres encontram-se nos Escritos Sagrados [cf. Gênesis 3:16 f; Num. 12:14; Nm 20:11; II Reis 12:13 ss; etc].” (Denzinger 904).

Há várias referências à existência do purgatório no Antigo Testamento, bem como outras referências no Novo Testamento, mas, como visto em 1 Coríntios 3:12-15, o conceito de Purgatório é ensinado nas Escrituras e foi aceito pelos primeiros cristãos. Mas por que os antigos cristãos acreditam no purgatório e até oravam para os mortos? Faziam-no, obviamente, porque não se trata de uma doutrina inventada pelos homens, mas de uma noção claramente ensinada nas Escrituras, e também porque esse ensinamento fazia parte da tradição recebida dos Apóstolos.

Por Ellen Cristine Walker – Pertencente ao Apostolado Paraclitus e Criadora do Blog Igreja Militans

FONTE ELETRÔNICA;