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domingo, 6 de maio de 2012

É bom fazer promessas?

Em síntese: O presente artigo analisa a prática das promessas feitas a Deus ou aos santos por pessoas desejosas de obter alguma graça. Tal prática tem fundamentado na própria Bíblia (cf. Gn 28,20-22; 1Sm 1,11). Todavia verifica-se que os autores bíblicos faziam advertências aos fiéis no sentido de não prometerem o que não pudessem cumprir (cf. Ecl 5,4). No Novo Testamento São Paulo quis submeter-se às obrigações do voto do nazireato (cf. At 18,18; 21,24). Estas ponderações mostram que a prática das promessas como tal não é má. É certo, porém, que as promessas não movem o Senhor Deus a nos dar o que Ele não quer dar, pois Deus já decretou desde toda a eternidade dar o que Ele nos dá no tempo, mas as promessas contribuem para afervorar o orante, excitando neste maior amor. Acontece, porém, que muitas vezes os cristãos não têm noção clara do porquê das promessas ou prometem práticas que eles não podem cumprir. Daí surgem duas obrigações para quem tem o encargo de orientar os irmãos: 1) mostre-lhes que as promessas nada têm de mágico ou de mecânico, nem se destinam a dobrar a vontade de Deus, como se o Senhor se pudesse deixar atrair por promessas, à semelhança de um homem; 2) procure incutir a noção de que o cristão é filho do Pai e, por isto, não precisa de prometer ao Pai; o amor filial com que o cristão reze a Deus, é mais eloqüente do que a linguagem das promessas, que podem ter um sabor “comercial” ou muito pouco filial.

Comentário: Entre os fiéis católicos não é raro fazerem-se promessas a Deus ou a algum santo,… promessas de algum ato heróico a ser cumprido caso a pessoa receba a graça que deseja. Em conseqüência, fala-se de “pagar promessas”. Não raro os fiéis que prometem, depois de atendidos, não têm condições físicas, psíquicas ou financeiras para pagar as suas promessas. Sentem-se então angustiados, pois receiam que algo de mau ou um castigo lhes sobrevenha da parte de Deus por não cumprirem as suas “obrigações”. O problema é tormentoso e merece ser analisado desde as suas raízes, ou seja, a partir do conceito mesmo de piedade que os fiéis cristãos devem alimentar. É o que vamos fazer nas páginas subseqüentes, examinando: 1) a fundamentação bíblica, 2) a justificativa teológica das promessas, 3) a casuística ocasionada, 4) uma conclusão final.

1. Fundamentação bíblica

O costume de fazer promessas ou, segundo linguagem mais bíblica, votos tem origem na piedade popular anterior a Cristo. É documentado pela própria Bíblia, que nos mostra como pessoas, em situações difíceis necessitando de um auxílio de Deus, prometeram fazer ou omitir algo, caso fossem ajudadas pelo Senhor. Foi, por exemplo, o que aconteceu com Jacó, que, ao fugir para a Mesopotâmia, exclamou: “Se Deus estiver comigo, se me proteger durante esta viagem, se me der pão para comer e roupa para vestir e se eu regressar em paz à casa de meu pai,… esta pedra… será para mim casa de Deus e pagarei o dízimo de tudo quanto me concederdes” (Gn 28, 20-22). Ana, estéril, mas futura mãe de Samuel, fez a seguinte promessa: “Senhor dos exércitos, se vos dignardes olhar para a aflição da vossa serva e… lhe derdes um filho varão, eu o consagrarei ao Senhor durante todos os dias de sua vida e a navalha não passará sobre a sua cabeça” (1Sm 1,11). Alguns salmos exprimem os votos ou as promessas dos orantes de Israel; assim os de número 65. 66. 116; Jn 2,3-9.

A própria Escritura, porém, dá a entender que, entre os membros do povo de Deus, houve abusos no tocante às promessas: algumas terão sido proferidas impensadamente: “É melhor não fazer promessas do que fazê-las e não as cumprir” (Ecl 5,4). Havia também quem quisesse cumprir as suas promessas oferecendo o que tinha de menos digno ou valioso em vez de levar ao Templo as suas melhores posses; é o que observa o Senhor por meio do profeta Malaquias: “Trazeis o animal roubado, o coxo ou o doente e o ofereceis em sacrifício. Posso eu recebê-lo de vossas mãos com agrado?… Maldito o embusteiro, que tem em seu rebanho um animal macho, mas consagra e sacrifica ao Senhor um animal defeituoso” (Ml 1, 13s). Com o tempo os mestres de Israel procuravam restringir a prática das promessas, pois podiam tornar-se um entrave para a verdadeira piedade. No Evangelho Jesus supõe que certos filhos se subtraiam ao dever de assistir aos pais, alegando que tinham consagrado a Deus todo o dinheiro disponível:

“Vós por que violais o mandamento de Deus por causa da vossa tradição? Com efeito, Deus disse: “Honra teu pai e tua mãe” e “Aquele que maldisser pai ou mãe, certamente deve morrer”. Vós, porém, dizeis: “Aquele que disser ao pai ou à mãe: Aquilo que de mim poderias receber, foi consagrado a Deus, esse não está obrigado a honrar pai ou mãe”. Assim invalidastes a Palavra de Deus por causa da vossa tradição” (Mt 15, 3-6).

Todavia não consta que o Senhor Jesus tenha condenado o costume de fazer promessas como tal; ao contrário, os escritos do Novo Testamento atestam a prática de S. Paulo, que terá sido a dos cristãos da Igreja nascente e posterior:
“Paulo embarcou para a Síria… Ele havia rapado a cabeça em Cencréia por causa de um voto que tinha feito” (At 18,18).

“Disseram os judeus a Paulo: “Temos aqui quatro homens que fizeram um voto… Purificar-te com eles, e encarrega-te das despesas para que possam mandar rapar a cabeça. Assim todos saberão que são falsas as notícias a teu respeito, e que te comportas como observante da Lei” (At 21, 23s).

Em síntese, a praxe das promessas não é má, pois a S. Escritura não a rejeita, mas, ao contrário, torna-se objeto de determinações legais, como se depreende dos textos abaixo:

Lv 7,16: “Se alguém oferecer uma vítima em cumprimento de um voto ou como oferta voluntária, deverá ser consumida no dia em que for oferecida, e o resto poderá ser comido no dia imediato”.

Nm 15,3: “Se oferecerdes ao Senhor alguma oferenda de combustão, holocausto ou sacrifício, em cumprimento de um voto especial ou como oferta espontânea…”.

Nm 30,4-6: “Se uma mulher fizer um voto ao Senhor ou se impuser uma obrigação na casa de seu pai, durante a sua juventude, os seus votos serão válidos, sejam eles quais forem. Se o pai tiver conhecimento do voto ou da obrigação que se impôs a si mesma será válida. Mas, se o pai os desaprovar, no dia em que deles tiver conhecimento, todos os seus votos… ficarão sem valor algum. O Senhor perdoar-lhe-á, porque seu pai se opôs”.

Dt 12,5s: “Só invocareis o Senhor vosso Deus no lugar que Ele escolher entre todas as vossas tribos para aí firmar o seu nome e a sua morada. Apresentareis ali os vossos holocaustos,… os vossos holocaustos,… os vossos votos…”

Verifica-se, porém, que a prática dos votos nem sempre é salutar, merecendo por isto advertências da parte dos autores sagrados.

2. Qual a justificativa das promessas?

É certo que as promessas não são feitas para atrair Deus como se atrairia um homem poderoso, capaz de ser aliciado por dádivas e “pagamentos”; Deus não muda de desígnio; desde toda a eternidade Ele já determinou irreversivelmente dar-nos o que Ele nos concede dia por dia. Todavia, ao determinar que nos daria as graças necessárias, Deus quis incluir no seu desígnio a colaboração do homem que se faz mediante a oração; com outras palavras: Deus quer dar…, e dará…, levando em conta as orações que Lhe fazemos. Sobre este fundo de cena as promessas têm valor não tanto para Deus quanto para nós, orantes; sim, as promessas nos excitam a maior fervor; são o testemunho e o estímulo da nossa devoção; supõe-se que quem promete e cumpre a sua promessa, exercita em seu coração o amor a Deus; ora isto é valioso. Por conseguinte, quem vive a instituição das promessas em tal perspectiva, pode estar fazendo algo de bom, pois concebe mais amor e fervor. Diz o Senhor no Evangelho, referindo-se à pecadora que lhe lavou os pés pecados lhe estão perdoados” (Lc 7,47). Paralelamente diríamos, pode estar-se abrindo mais plenamente à misericórdia e à liberalidade do Senhor Deus.

3. E a casuística das promessas?

Há pessoas que, depois de receber o dom de Deus, se vêem embaraçadas para cumprir as suas promessas, porque não têm condições de saúde, de tempo ou de bens materiais para executar o que prometeram.

Que fazer?

- Antes do mais, afastem a hipótese, às vezes comunicada por religiões não cristãs, de que, se não “pagarem as suas obrigações”, estarão sujeitos a graves desgraças; na verdade, Deus não é vingativo nem é policial que pune contravenções, mas é Pai…, de tal modo que pensar em Deus deve despertar no cristão sentimentos de paz, confiança e alegria. Isto, porém, não quer dizer que o cristão despreocupadamente deixe de cumprir as suas promessas. Quem não as pode executar, procure um sacerdote e peça-lhe que troque a matéria da promessa. Esta solução condiz com os textos bíblicos que, de um lado, exortam a não deixar de cumprir o prometido (cf. Ecl 5,3), e, de outro lado, prevêem a insolvência dos fiéis e a possibilidade de comutação dos votos (ou promessas) por parte dos sacerdotes:

“Se aquele que fizer um voto não puder pagar a avaliação, apresentará a pessoa diante do sacerdote e este fixá-la-á; o valor será fixado pelo sacerdote de acordo com os meios de quem fizer voto” (Lv 27, 8; cf. Lv 27,13s.18.23).

Poderá acontecer que, em certos casos, o padre julgue oportuno dispensar, por completo, de certa promessa o fiel cristão.

A propósito convém incutir que, se alguém quer fazer uma promessa, evite propor certas práticas que são um tanto irracionais (como ocorre na peça “O pagador de promessas”); procure, ao contrário, prometer práticas não somente exeqüíveis e razoáveis, mas também úteis à santificação do próprio sujeito ou ao bem do próximo. Não tem sentido prometer algo que outra pessoa deverá cumprir, como é o caso de pais que prometem vestir o seu filho “de São Sebastião” no dia da festa do Santo; esta prática como tal não fomenta o amor a Deus e ao próximo. Quanto aos ex-voto (cabeças, braços, pernas… de cera), que se oferecem em determinados santuários, podem ter seu significado, pois contribuem para testemunhar a misericórdia de Deus derramada sobre as pessoas agraciadas; assim levarão o povo de Deus a glorificar o Senhor; mas é preciso que as pessoas agraciadas saibam por que oferecem tais objetos de cera, e não o façam por rotina ou de maneira inconsciente. Entre as práticas que mais se podem recomendar, apontam-se as três clássicas que o Evangelho mesmo propõe: a oração, a esmola e o jejum (cf. Mt 6,1-18). Com efeito, a S. Missa é o centro e o manancial, por excelência, da vida cristã, vida cristã que se nutre outrossim mediante a oração; a esmola e a colaboração com o próximo recobrem a multidão dos pecados (cf. 1Pd 4,8; Tg 5,20; Pr 10,12); o jejum e a mortificação purificam e libertam das paixões o ser humano, possibilitando-lhe mais frutuoso encontro com Deus através dos véus desta vida. Se a prática das promessas levar o cristão ao exercício destas boas obras, poderá ser salutar. Requer-se, porém, que os pastores de almas e os catequistas instruam devidamente os fiéis a fim de que compreendam que as promessas nada têm que ver com as “obrigações” dos cultos afro-brasileiros, mas hão de ser expressões do amor filial e devoto dos cristãos ao Senhor Deus.

4. Conclusão

Como se vê, a prática das promessas pode ser fundamentada na própria Bíblia. Verifica-se, porém, que já os autores sagrados lhe faziam certas restrições. Hoje em dia nota-se que freqüentemente alimenta uma mentalidade religiosa “comercial” ou amedrontada e doentia, gerando facilmente o escrúpulo mórbido. Muitas pessoas se sobrecarregam com promessas e mais promessas que elas não conseguem cumprir; em vez de fomentar a vida cristã, as promessas a prejudicam não raras vezes. Por isto é de sugerir que os cristãos reconsiderem tal costume, que de resto parece mais fundado numa concepção antropomórfica de Deus (concebido como o Grande Banqueiro, cuja benevolência é preciso cativar) do que na autêntica visão que o Cristianismo tem de Deus. Este é Pai, Aquele que nos amou primeiro, antes mesmo que O pudéssemos amar (cf. 1Jo 4,19.9s; Rm 5,7s); por conseguinte, somos seus filhos, certos de que o amor do Pai é irreversível ou não volta atrás, cientes também de que, antes que Lhe peçamos alguma coisa, Ele já decretou dar-nos tudo o que seja condizente com o nosso verdadeiro bem; diz São Paulo: “Aquele que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós, como não nos terá dado tudo com Ele?” (Rm 8,32).

Fonte: Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS” Nº 262 – Ano 1982 – Pág. 202.
FONTE ELETRÔNICA:http://www.veritatis.com.br/doutrina/118-a-igreja/1414-e-bom-fazer-promessas



sábado, 5 de maio de 2012

Fragmentos das obras de Pápias de Hierápolis

Sobre

Por Roque Frangiotti e Carlos Martins Nabeto

Pápias escreve, por volta do ano 130, uma obra em cinco volumes, intitulada: Explicações das sentenças do Senhor (Logion Kuriakou Ecsegéseis). Baseado, principalmente, na tradição oral dos discípulos e apóstolos, Pápias apresenta uma coleção de ditos, sentenças e feitos de Jesus e de seus discípulos. Trata ainda da origem dos evangelhos de Mateus e Marcos. Entre estas testemunhas, Pápias menciona Aristão, o "ancião" João e as filhas de Filipe. Destes cinco volumes, restam apenas 13 pequenos fragmentos, conservados nas obras de Ireneu de Lião e de Eusébio de Cesaréia. Mas, em vez de tradição genuína, Pápias parece ter, segundo Altaner, "apenas compilado, prevalentemente, escritos lendários e trechos de apocalípse judaico, tardios, oriundos do ambiente dos presbíteros da Ásia Menor". Ao lado da defesa do milenarismo, esta ausência de sentido crítico na seleção e interpretação das fontes, parece ter sido a razão do juízo severo de Eusébio sobre Pápias.

Apesar destes pontos fracos, os fragmentos que restaram são de inestimável valor porque põe o leitor atual em contato com o ensino oral dos discípulos dos apóstolos. Além disso, trata-se da primeira obra de exegese do Novo Testamento. Pápias foi o primeiro a aplicar a palavra clássica exegese (ecsegéseis), que já há muito tempo significava interpretação ou comentário. É ele também quem nos fornece as mais antigas informações sobre a composição dos evangelhos de Mateus e Marcos, textos sempre procurados por quantos se ocupam da questão das origens e autenticidade dos evangelhos. Seu nome torna-se obrigatório em toda introdução ao Novo Testamento. Segundo ele, pois, Mateus compôs seu evangelho no "dialeto hebraico", afirmação que suscitou muita discussão entro os estudiosos. O evangelho de Marcos não é outra coisa que a interpretação da pregação de Pedro adaptada às várias circunstâncias.

FRAGMENTOS DE EUSÉBIO DE CESARÉIA

Tradução: Ivo Storniolo, Euclides M. Balancin

obs.: as palavras de Papias estão em itálico.

Cinco são o número de escritos que levam o nome de Papias, entitulados "Exposição dos Oráculos do Senhor". Ireneu também menciona essas obras como as únicas escritas por Papias, dizendo: "Isso também atestou por escrito Papias, discípulo de João e companheiro de Policarpo, homem antigo, em seu quarto livro, pois ele redigiu cinco livros."

Este é o testemunho de Ireneu.

Na verdade, já na introdução de seus discursos, Papias não afirma ter sido ouvinte dos santos apóstolos ou tê-los conhecido pessoalmente. Contudo, ele ensina, com as expressões usadas, ter recebido a fé daqueles que foram íntimos dos próprios apóstolos:

"Para ti, não hesitarei em acrescentar às minhas explicações aquilo que outrora ouvi muito bem dos presbíteros, cuja lembrança guardei muito bem, estando seguro de sua verdade. Realmente, não me comprazia - como faz a maioria - com os que falam muito, mas com os que ensinam a verdade. Também não me comprazia com os que recordam mandamentos alheios, mas com os que recordam os mandamentos dados pelos Senhor à fé, nascidos da própria verdade. Se, por acaso, acontecia de chegar algum dos que tinham seguido os presbíteros, eu me informava sobre a palavra dos presbíteros, isto é, o que tinham dito André, Pedro, Filipe, Tomé, Tiago, João, Mateus ou outro discípulo do Senhor. E também o que falam Aristão e João, o presbítero, discípulos do Senhor. Eu não achava que as coisas conhecidas pelos livros pudessem me auxiliar tanto quanto as coisas ouvidas através da palavra viva e permanente".

Vale a pena observar que Papias menciona duas vezes o nome de João. Primeiramente, relaciona-o juntamente com Pedro, Tiago, Mateus e os demais apóstolos, indicando claramente o evangelista. Porém, o segundo João - após cortar a frase - é colocado à parte, alheio ao número dos apóstolos, antepondo a este Aristão, e lhe dá, claramente, o título de presbítero. Dessa forma, também por esse testemunho, se comprova a realidade histórica dos que contam que houve na Ásia duas pessoas com o nome de João e que, em Éfeso, havia duas sepulturas que, ainda hoje, são atribuídas a João. É preciso se atentar para esses fatos, pois é verossímil que o segundo - se este não for o primeiro - foi aquele que viu a revelação transmitida sob o nome de João.

Papias, de quem já falamos, reconhece ter recebido as palavras dos apóstolos diretamente daqueles que os seguiram; por outro lado, diz ter sido ouvinte pessoal de Aristão e João, o presbítero. De fato, ele freqüentemente os menciona pelos nomes em seus escritos, transmitindo a tradição deles.

Não é inútil dizer tais coisas. Vale a pena acrescentar outros relatos às já citadas palavras de Papias, onde narra outros casos extraordinários, informando que chegaram até ele pela tradição:

Já falamos anteriormente sobre a estada do apóstolo Filipe em Hierápolis, juntamente com suas filhas. Notemos, agora, como Papias, que viveu nessa época, cita ter recebido das filhas de Filipe o relato de uma história maravilhosa. Conta ele que, em seu tempo, ocorreu a ressurreição de um morto. Além disso, outro prodígio aconteceu com Justo, cognominado Barsabás: conta-se que teria bebido veneno mortífero e, por graça do Senhor, nada sofreu. Conta-se, segundo o livro dos Atos, que essa mesma pessoa foi colocada pelos santos apóstolos junto com Matias, depois da ascensão do Salvador, quando [os apóstolos] oraram para que a sorte completasse o número deles, substituindo Judas, o traidor: 'E eles colocaram dois homens, José, chamado Barsabás, cognominado Justo, e Matias; e oraram dizendo...'.

O próprio Papias acrescenta outras coisas que teriam chegado até ele através da tradição oral, além de certas parábolas e ensinamentos estranhos do Salvador, além de outras coisas de natureza mais fabulosa.

Entre essas coisas, diz que um milênio se estabelecerá após a ressurreição dos mortos e, a seguir, o reino de Cristo se fixará fisicamente na nossa terra. Creio que essa sua opinião é fruto de uma má interpretação dos ensinamentos dos apóstolos, de forma que ele não compreendeu as coisas que diziam de maneira figurada e simbólica. A verdade é que, pelo que se pode deduzir de seus próprios discursos, Papias parece ser homem de inteligência curta. Assim, ele é o culpado de vários escritores da Igreja que lhe sucederam terem adotado sua opinião, por confiarem em sua antiguidade. Foi isso que aconteceu com Ireneu e outros que pensavam igual a ele.

Papias também transmite em sua obra outras explicações para os discursos do Senhor, segundo o que ouviu do citado Aristão e das tradições de João, o presbítero. Remetemos à essas obras todos aqueles que têm interesse em conhecê-las.

Contudo, achamos necessário acrescentar ao que já dissemos sobre Papias, o que a tradição expõe sobre Marcos, que escreveu o evangelho. Assim se expressou:

"O presbítero também dizia o seguinte: 'Marcos, intérprete de Pedro, fielmente escreveu - embora de forma desordenada - tudo o que recordava sobre as palavras e atos do Senhor. De fato, ele não tinha escutado o Senhor, nem o seguido. Mas, como já dissemos, mais tarde seguiu a Pedro, que o instruía conforme o necessário, mas não compondo um relato ordenado das sentenças do Senhor. Portanto, Marcos em momento algum errou ao escrever as coisas conforme recordava. Sua preocupação era apenas uma: não omitir nada do que havia ouvido, nem falsificar o que transmitia'".

Esse é o relato de Papias sobre Marcos. Sobre Mateus, diz o seguinte:

"Mateus reuniu, de forma ordenada, na língua hebraica, as sentenças [de Jesus] e cada um as interpretava conforme sua capacidade".

Papias também testemunha a primeira epístola de João e, igualmente, a de Pedro. Fora isso, conta outra história a respeito de uma mulher acusada de muitos pecados na frente do Senhor, história essa contida no Evangelho segundo os Hebreus. É preciso que acrescentemos isso ao que já foi dito.

FRAGMENTOS DE IRENEU DE LIÃO

obs.: as palavras de Papias estão em itálico.

Quando também a criação, renovada e liberta, frutificar abundantemente todo tipo de alimento, graças ao orvalho do céu e à fertilidade da terra, da forma como recordam os anciãos que viram João, discípulo do Senhor, ouvindo-o da maneira como o Senhor ensinava a respeito desses tempos:

"Haverá dias em que nascerão vinhas que terão, cada uma, dez mil videiras; cada videira terá dez mil ramos; cada ramo terá mil galhos; cada galho terá dez mil cachos e cada cacho terá dez mil uvas e cada uva espremida renderá vinte e cinco metretes de vinho. E quando um dos santos pegar um dos cachos, o outro cacho gritará: 'pega-me porque sou o melhor e, por meu intermédio, bendize o Senhor'. Da mesma forma, um grão de trigo produzirá dez mil espigas e cada espiga dará dez mil grãos; cada grão dará dez libras de farinha branca e limpa. Também os outros frutos, sementes e ervas produzirão nessa mesma proporção. E todos os animais que se alimentam dos alimentos dessa terra se tornarão pacíficos e viverão em harmonia entre si, submetendo-se aos homens sem qualquer relutância."

Também atestou isso por escrito em seu quarto livro Papias, homem antigo, discípulo de João e companheiro de Policarpo. Na verdade, ele escreveu cinco livros e acrescentou:

"Essas coisas são dignas de fé para os que acreditam. E como disse Judas, o traidor, que não acreditava e perguntou: 'Mas como o Senhor realizará tais coisas?'; e o Senhor respondeu: 'Verão aqueles que chegarem a esses tempos'. Estes, então, serão os tempos preditos pelo profeta Isaías: 'Então o lobo habitará com o cordeiro...'".

OUTROS FRAGMENTOS

obs.: as palavras de Papias estão em itálico.

1. Os primeiros cristãos chamavam de "filhos" àqueles que praticavam inocente justiça, como declarou Papias em seu primeiro livro das Exposições do Senhor e também Clemente Alexandrino em sua obra "O Pedagogo".

2. Judas deixou um triste exemplo de impiedade neste mundo; seu corpo inchou de tal forma que ele não conseguiu passar por um caminho onde uma carruagem facilmente passava, de modo que foi esmagado pela carruagem e suas entranhas se derramaram.

3. (1) Maria, a mãe do Senhor; (2) Maria, a esposa de Cléofas ou Alfeu, que era mãe de Tiago, bispo e apóstolo, de Simão, de Tadeu e de um dos que se chamavam José; (3) Maria Salomé, esposa de Zebedeu, mãe de João, o evangelista, e Tiago; (4) e Maria Madalena. Estas quatro mulheres são encontradas no Evangelho. Tiago, Judas e José são filhos de uma tia do Senhor. Maria, mãe de Tiago, o menor, e José, esposa de Alfeu, era irmã de Maria, mãe do Senhor, e que João liga a Cléofas; eram irmãs por parte de pai, por parte da família do clã ou por outra ligação qualquer. Maria Salomé é chamada simplesmente por Salomé por causa de seu marido ou de seu vilarejo. Alguns afirmam que ela é a mesma pessoa que Maria de Cléofas, já que teria se casado duas vezes.

FONTE ELETRÔNICA;


O crescimento da cristofobia

Ayaan Hirsi Ali publicou na revista Newsweek, de 13 de fevereiro passado, artigo fartamente documentado sobre a guerra que os países islâmicos estão desencadeando contra os cristãos, atingindo sua liberdade de consciência, proibindo-os de manifestarem sua fé e assassinando quem a professa individualmente ou mediante atentados a Igrejas ou locais onde se reúnam.

Lembra que ao menos 24 cristãos foram mortos pelo exército egípcio, em 9 de outubro de 2011; que, no Cairo, no dia 5 de março do mesmo ano, uma igreja foi incendiada, com inúmeros mortos; que, na Nigéria, no dia de Natal de 2011, dezenas de cristãos foram assassinados ou feridos, e que no Paquistão, na Índia e em outros países de minoria cristã a perseguição contra os que acreditam em Cristo tem crescido consideravelmente. Declara a autora que “os ataques terroristas contra cristãos na África, Oriente próximo e Ásia cresceram 309% de 2003 a 2010”. E conclui seu artigo afirmando que, no Ocidente, “em vez de criarem-se histórias fantasiosas sobre uma pretensa “islamofobia”, deveriam tomar uma posição real contra a “Cristofobia”, que principia a se infestar no mundo islâmico. “Tolerância é para todos, exceto para os intolerantes”.

Entre as sugestões que apresenta, está o Ocidente condicionar seu auxílio humanitário, social e econômico a que a tolerância para com os que professam a fé cristã seja também respeitada, como se respeita, na maioria dos países ocidentais a fé islâmica.

Entendo ser o Brasil, neste particular, um país modelo. Respeitamos todos os credos, inclusive aqueles que negam todos os credos, pois a liberdade de expressão é cláusula pétrea na nossa Constituição.

Ocorre, todavia, que as notícias sobre esta “Cristofobia islâmica” são desconhecidas no país, com notas reduzidas sobre atentados contra os cristãos, nos principais jornais que aqui circulam. Um homossexual agredido é manchete de qualquer jornal brasileiro. Já a morte de dezenas de cristãos, em virtude de atos de violência planejados, como expressão de anticristianismo, é solenemente ignorada pela imprensa.

Quando da Hégira, em 622, Maomé lançou o movimento islâmico, que levou à invasão da Europa em 711 com a intenção de eliminar todos os infiéis ao profeta de Alá. Até sua expulsão de Granada — creio que em 1492 — os mulçumanos europeus foram se adaptando à convivência com os cristãos, sendo que a filosofia árabe e católica dos séculos 12 e 13 convergiram, fascinantemente. Filósofos de expressão, como Santo Tomas de Aquino, Bernardo de Claraval, Abelardo, Avicena, Averróes, Alfa-rabi, demonstraram a possibilidade de convivência entre credos e culturas diferentes.

Infelizmente, aquilo que se considerava ultrapassado reaparece em atos terroristas, que não dignificam a natureza humana e separam os homens, que deveriam unir-se na busca de um mundo melhor. Creio que a solução apresentada por Ayaan Hirsi Ali é a melhor forma de combater preconceitos, perseguições e atentados terroristas, ou seja, condicionar ajuda, até mesmo humanitária, ao respeito a todos os credos religiosos (ou à falta deles), como forma de convivência pacífica entre os homens. É a melhor forma de não se incubarem ovos de serpentes, prodigalizando auxílios que possam se voltar contra os benfeitores.

Ives Gandra da Silva Martins é jurista. – ivesgandra@gandramartins.adv.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Fonte: http://www.jb.com.br/sociedade-aberta/noticias/2012/02/22/o-crescimento-da-cristofobia/

terça-feira, 1 de maio de 2012

É permitido músicas protestantes dentro da Santa Missa?

CNBB emite nota sobre a Reforma do Código Penal que poderia legalizar o aborto e a eutanásia no Brasil

BRASILIA, 27 Abr. 12 / 09:52 am (ACI) Segundo informou a CNBB, os bispos reunidos na 50ª Assembleia Geral da entidade, encerrada ontem, 26, no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida em Aparecida (SP) aprovaram a criação de uma comissão para acompanhar o trabalho de reforma do Código penal Brasileiro, que está sendo feito por um grupo de juristas no Senado Federal.

Vale recordar que o Senado brasileiro instituiu em outubro de 2011 uma Comissão para Revisar o Código Penal brasileiro. Na comissão foram colocados juristas que não apenas são a favor da descriminalização do aborto, mas também da eutanásia. Segundo advertiram pró-vidas de diversos grupos no Brasil, o que deveria ser uma reforma do Código Penal para solucionar os problemas de segurança do povo brasileiro está se tornando o mais puro ativismo em favor da legalização do aborto.

"Preocupam-nos algumas propostas que devem ser apresentadas pela referida Comissão, relativas aos capítulos que tratam sobre os crimes contra a vida", afirmam na nota os bispos brasileiros.

Segundo dom Dimas Lara Barbosa, presidente da Comissão Episcopal de Pastoral para a Comunicação da CNBB, como se trata de um tema abrangente e delicado, as questões levantadas por alguns setores preocupam a igreja. "Aqueles que defendem a redução da maioridade penal, a pena de morte, a descriminalização do aborto e alguns outros temas que não levam em conta em primeiro lugar a pessoa humana".

Abaixo publicamos a íntegra da nota dos bispos brasileiros, assinada pela presidência da CNBB constituída de Dom Raymundo Damasceno, Dom José Belisário da Silva, Dom Leonardo Ulrich Steiner, respectivamente presidente, vice-presidente e secretário Geral da conferência episcopal brasileira.

NOTA DA CNBB SOBRE A REFORMA DO CÓDIGO PENAL

"A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por ocasião da reforma do Código Penal, encaminhada pelo Senado Federal através de uma Comissão de Juristas, expressa, por missão e dever, seu interesse em acompanhar o processo em marcha e declarar seu compromisso de corresponsabilidade na consolidação da democracia.

Preocupam-nos algumas propostas que devem ser apresentadas pela referida Comissão, relativas aos capítulos que tratam sobre os crimes contra a vida e contra o patrimônio.

Reconhecemos que, para atender melhor às exigências da sociedade, o Código Penal em vigor, aprovado em 1940, precisa incorporar elementos novos, exigência das grandes transformações, que marcam os tempos atuais, sem prejuízo dos valores perenes como a vida e a família.

A revisão do Código, em conformidade com as conquistas asseguradas pela Constituição Federal de 1988, requer amplo diálogo com a sociedade, porquanto a legislação se torna mais consistente quando conta com efetiva participação de representantes dos diversos segmentos sociais em sua elaboração. Tal prática reforça a democracia e ajuda a população a assimilar melhor as normas jurídicas, que interferem profundamente em sua vida e nos relacionamentos humanos e sociais.

Os redatores do novo Código, de posse das propostas encaminhadas pela Comissão de Juristas, considerem que toda lei deve ser elaborada, a partir do respeito aos direitos humanos, na perspectiva de superação da impunidade e a serviço do bem comum. Deve reconhecer e preservar os princípios éticos e morais bem como os valores culturais que integram a vida quotidiana do povo brasileiro.

A Lei penal deve ser aplicada tendo por base os pressupostos de defesa e promoção da dignidade humana em todas as dimensões, deixando claro que a punição tem como finalidade a reabilitação do infrator, independente de sua condição social, política, econômica, étnica, conforme determinam os artigos 3º e 5º da Constituição.

Esperamos que o sentido de justiça, a serviço do bem maior - a pessoa humana - anime a todos nesta tarefa, inspirados na palavra do Beato João Paulo II: "A justiça sozinha não basta; e pode mesmo chegar a negar-se a si própria, se não se abrir àquela força mais profunda que é o amor" (Mensagem para o Dia Mundial da Paz - 2004).

Que o Espírito Santo ilumine o coração e a mente dos legisladores, Senadores e Deputados Federais, sobre quem invocamos também a proteção de Nossa Senhora Aparecida para que, em comunhão com todos os brasileiros, busquem realizar o que Jesus Cristo nos indica como promessa e tarefa: "Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundancia" (Jo 10,10)".

DATA DA PUBLICAÇÃO: 30/04/2012

FONTE ELETRÔNICA;

A Igreja Católica proibiu a leitura da Bíblia?

É praxe da apologética desonesta protestante, se valer de fatos históricos distorcidos e adulterados, no intuito de angariar alguma prova que incrimine a Igreja Católica de algo. Não é diferente em relação as Sagradas Escrituras, eles se valem de contextos históricos determinados pra dizer que a Igreja Católica proibiu a leitura da Bíblia.

Não há nada mais estúpido do que pensar que algum dia a Igreja já tenha proibido a leitura da bíblia por algum motivo, logo ela que preservou os textos Sagrados até os dias de hoje para que os mesmos protestantes que hoje a carregam debaixo do “suvaco”, venham acusá-la descaradamente.

A Igreja sempre estimou as Sagradas Escrituras como fonte de fé e a reserva um lugar especiacialíssimo. A leitura pública da Bíblia sempre foi usada nas celebrações e nos Sacramentos, especialmente na Missa, tudo na vida da Igreja é voltado para as Sagradas Escrituras juntamente com a Sagrada Tradição, essas duas juntas, formam toda a fonte de fé revelada da Igreja.

O cuidado na leitura da Bíblia

Em determinadas circunstancias históricas as autoridades eclesiásticas tiveram que a vigiar sobre o uso da Bíblia, especialmente na Idade Média.

A heresias dos Cátaros ou Albigenses, que abusavam da Bíblia, obrigou os padres dos concílios regionais de Tolosa (1229) e Tarragona (1234) a proibir provisoriamente aos cristãos a leitura da bíblia, para não serem enganados. Mas isso duro muito pouco tempo e se restringiu a leituras de textos vernáculos que não tivessem aprovações eclesiásticas.

O católico deve estar atento que estes dois concílios são os dois principais usados pelos hereges para dizer que a Igreja proibiu a leitura da bíblia. Devemos ter em mente que estes dois concílios são regionais, logo não tem efeito sobre toda a Igreja e se restringiram as regiões onde foram realizados, ou seja, a leitura na lingua vernácula não foi permitida somente onde estava se propagando a heresia dos cátaros.

Pra refutar esta idéia protestante, vamos a alguns testemunhos de alguns autores protestantes, portanto acima de qualquer suspeita, que derrubam esta falsa tese criada pelo próprio protestatismo:

“O Catolicismo Romano tem um grande respeito pela Escritura como fonte de conhecimento. . . Na verdade, as declarações oficiais da Igreja Católica Romana sobre a inspiração e inerrância das Escrituras satisfariam o mais rigoroso fundamentalista protestante.” [1]

“Nunca houve um momento na história da Igreja ocidental durante a Idade ‘negra’ ou 'Média', que as Escrituras fossem oficialmente rebaixadas. Pelo contrário, eles foram consideradas infalíveis e inerrantes, e foram mantidas na mais alta honra.” [2]

“Da mesma forma que os papas, Concílios, teólogos, sempre recorreram ao argumento bíblico como o realmente fundamental, a prática dos grandes escritores espirituais de todas as épocas atesta o carácter plenamente tradicional de uma devoção baseada na Bíblia. . . O mesmo aconteceu com os grandes mestres da Idade Média. . . Não só eles conheceram a Bíblia, e fizeram uso abundante dela, mas eles se guiaram nela como em um mundo espiritual que formou o universo habitual de todos os seus pensamentos e sentimentos. Para eles, não era simplesmente uma fonte, entre outras, mas a fonte por excelência, em um sentido único. . .

Não só com a aprovação da hierarquia, mas pela insistência positiva e enfática do próprio Papa, houve um retorno geral ao estudo minucioso das Escrituras, que foi restaurada, não só como base, mas como a fonte, de todos os ensinamentos da teologia.” [3]

Caso isso não fosse verdade, qual o interesse desses protestantes em mostrar que a Igreja sempre estimou e sempre insetivou o estudo das Sagradas Escrituras? Mais uma vez mostramos protestantes refutando as próprias mentiras protestantes.

Em 1408 o sínodo regional de Oxford, por causa dos erros de J. Wicleff, proibiu as edições da S. Escritura que não tivesse aprovação eclesiástica por que os hereges estavam novamente deturpavam o texto sagrado.

Fica claro que a Igreja não proibiu a leitura da bíblia, mas a leitura de edições deturpadas da bíblia, como faz ainda hoje. Já postamos algumas matérias aqui no site que podem ser lidas aqui (Sola Scriptura Adulterada), onde mostramos as várias deturpações que ocorrem nas edições protestantes. Se hoje com todas as fontes de informações, facilidades de várias versões, os textos gregos amplamente divulgados, já acontecem essas adulterações e deturpações, imagine em um tempo onde pouquíssimos sabiam ler e poucos ainda sabiam traduzir um texto. Não foi corretíssima essa atitude dos bispos no intuito de preservar os fiéis dessas aberrações?

Estas medidas nunca visaram impedir a propagação das Sagradas Escrituras. Por exemplo, na Alemanha, o primeiro livro a ser impresso da História foi uma Bíblia, que foi impressa por Gutenberg, e foi a bíblia em 2 volumes (1453-1456). Até 1477 saíram cinco edições da bíblia em alemão; de 1477 à 1522 houve nove edições novas (sete em Ausburgo, uma em Nurenberg e uma em Estrasburgo); de 1470 a 1520 apareceram 100 edições de “plenários”, ou seja, livros que continham as epistolas e os evangelhos de cada domingo. Isto mostra de forma claríssima como a Igreja estava longe de querer, a proibição da leitura da bíblia.
Na Itália, houve mais de 40 edições da Bíblia antes da primeira versão protestante aparecer, começando em Veneza em 1471 e 25 delas foram traduzidas em italiano antes de 1500, com a autorização expressa de Roma. Na França haviam 18 edições antes de 1547, a primeira foi impressa em 1478. A Espanha começou a publicar edições no mesmo ano, e emitiu Bíblias com a plena aprovação da Inquisição espanhola (é claro que dificilmente se pode esperar que os protestantes acreditem nisto). Na Hungria, até o ano de 1456, na Boêmia no ano de 1478, na Flandres antes de 1500, e em outras terras, sobre a jurisdiçào de Roma, sabemos que as edições das Sagradas Escrituras tinha sido dadas largamente ao povo. Em suma de 626 edições da Bíblia, 198 eram em lingua vernácula, e haviam sido emitidas a partir da invensão imprensa, com a sanção e aprovação da Igreja, nos países onde ela reinou suprema, antes da primeira versão protestante das Escrituras sonhar em ser traduzida. O que, então, torna-se uma ilusão patética, as argumentações protestantes de que o herege Lutero proporcionou alguma coisa para o mundo em relação a bíblia. (GRAHAM, 1939)

No século XVI, quando Lutero e os seus discípulos fizeram da Escritura a “única fonte de fé”, donde manipulavam e retiravam suas inovações doutrinárias, os bispos da Igreja Católica novamente foram obrigados a tomar medidas necessárias para que o povo católico não fosse enganado pelas novas edições da Bíblia protestante. Por exemplo, Lutero quando traduziu a Bíblia para o Alemão, acrescentou várias palavras que não se encontravam no original grego como em Romanos 3, 28, em que ele diz que o “homem é justificado somente pela fé”: a palavra somente não se encontra no original grego. Esta palavra foi acrescentada para fundamentar os seus delírios e sua incompreensão da obra salvifíca divinda, alterando assim a Palavra de Deus. O texto grego nos mostra:

Λογιζόμεθα οὖν πίστει δικαιοῦσθαι ἄνθρωπον (Rom 3, 28)

Em nenhum lugar vemos a palavra somente, que no grego seria μόνον, presente no texto. De fato o homem é justificado pela fé, mas não somente por ela, São Tiago vem nos mostrar que as boas obras também nos justificam:

“Vedes então que o homem é justificado pelas obras, e não somente pela fé.” (Tiago 2, 24)

A bíblia refuta sumariamente a tradução falsificada de Lutero, bem como a sua doutrina de Justificação somente por fé. Esta mesma passagem de Tiago, levou Lutero rejeitar também este livro por ser incompatível com sua doutrina, assim como ele fez com vários outros livros ao seu bel prazer.

Isto obrigou a Igreja Católica a restringir o uso das versões bíblicas vernáculas não autorizadas. Por isso, o Papa Pio IV, em 24 de Março de 1564, a bula “Dominici grecis” (Regra 4ª), determinou que o uso de traduções vernáculas da Sagrada Escritura ficava reservado aos fiéis a juízo do respectivo bispo ou de algum oficial com o proveito, para a sua fé e piedade. Em Portugal, os reis católicos, fiéis à Igreja, já haviam antecipadamente tomado essas medidas. (AQUINO, 2009)

As restrições eram apenas para as traduções vernáculas, ficando o texto latino da vulgata de uso livre para todos os fiéis. Não há dúvida, no século XVI, período de confusão religiosa e de inovações protestantes, mais ou menos subjetivas, a leitura da bíblia podia construir perigo para os fiéis não preparados.

Após esta fase, os Papas voltaram a estimular a leitura da Bíblia. Pio VI (1775-1799) escreveu ao arcebispo A. Martini, editor de um tradução italiana do texto bíblico, numa época em que os católicos ainda hesitavam sobre a oportunidade de tal obra:

“Vossa excelência procede muito bem recomendando vivamente à leitura dos Livros Sagrados, pois são fontes particularmente ricas, às quais cada um deve ter acesso. ”

São Pio X (1903-1914) em carta ao cardeal Casseta declarou :

“Nós, que tudo queremos instaurar em Cristo, desejamos com o máximo ardor que nossos filhos tomem o costume de ler os Evangelhos, não dizemos freqüentemente, mas todos os dias, pois é principalmente por este livro que se aprende como tudo pode e deve ser instaurado no Cristo… O desejo universalmente esparso de ler o Evangelho, provocado por vosso zelo, deve ser secundado por Vós, na medida em que se aumentar o número dos respectivos exemplares. E Oxalá jamais sejam propalados sem sucesso! Tudo isso será útil para dissipar a opinião de que a Igreja se opõe à leitura da Escritura Sagrada em língua vernácula ou lhe suscita alguma dificuldade” (Revista PR, Nº 11, Ano 1958, Página 452).

Muitas outras citações poderiam ser paqui colocadas. Se o leitor desejar mais algumas provas é convidado a ler o documento do Vaticano II "Revelação Divina", e as encíclicas papais de Leão XIII (1878-1903): "Sobre o estudo da Sagrada Escritura" (Providentissimus Deus - 1893), e Pio XII (1939-1958): "Promoção de Estudos Bíblicos" (Divino afflante Spiritu - 1943). Estes são encontrados às vezes no início de Bíblias católicas, e pode ser facilmente localizados na internet e no site Oficial do Vaticano.

BIBLIOGRAFIA

[1] BROWN, Robert McAfee, The Spirit of Protestantism, Oxford: Oxford Univ. Press, 1961, 172-173

[2] TOON, Peter, Protestants and Catholics, Ann Arbor, MI: Servant Books, 1983, 39)

[3] BOUYER, Louis, The Spirit and Forms of Protestantism, translated by A.V. Littledale, London: Harvill Press, 1956, 164-165

GRAHAM, Henry G. Where We Got the Bible, St. Louis: B. Herder, revised edition: 1939.

ARMSTRONG, Dave. Was the Catholic Church an Avowed Enemy of Scripture in the Middle Ages (or at any other time)? Disponível em : < http://socrates58.blogspot.com.br/2006/08/was-catholic-church-avowed-enemy-of.html> . Acesso em 23/04/2012.

AQUINO, Felipe. Ciência e Fé em Harmonia. São Paulo: Editora Cleofas, 2009.

PARA CITAR

RODRIGUES, Rafael. A Igreja católica proibiu a leitura da Bíblia? Disponível em . Desde 23/04/2012

FONTE ELETRÔNICA;

 

Pedro Foi Bispo de Roma! Testemunho Primitivos

Nesta presente matéria quero apenas elucidar alguns testemunhos patrísticos, por que estou freqüentemente vendo na internet por parte de alguns protestantes a negação que os Pais da Igreja sustentavam que Pedro foi bispo de Roma.

Em minhas outras matérias isto já foi provado, mas como parece que precisaremos de agora por diante colocar notas de Rodapé nos texto falando “aqui eu quero dizer isto, e ali eu quero dizer aquilo”, irei fazer algumas matérias com pontos específicos .

Este texto porá fim as duvidas ou acusações de que os Pais da Igreja não sustentavam que Pedro estava e foi bispo em Roma.

Começaremos por Eusébio de Cesaréia. Muitos protestantes,principalmente adventistas, estão se valendo de algumas afirmações de Eusébio tiradas fora do contexto para afirmar que Pedro não foi Bispo de Roma, estão querendo fazer com a patrística e até com os documentos da Igreja a mesma coisa que já fazem com a bíblia, isolar textos do contexto para dizer algo que os autores nunca quiseram dizer.

A afirmação de Eusébio que comumente usam é a seguinte:

“Depois do martírio de Pedro e Paulo, o primeiro a obter o episcopado na Igreja de Roma foi Lino. Paulo, ao escrever de Roma a Timóteo, cita-o na saudação final da carta [cf. 2Tm 4,21].” (Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,III,2 – 317 d.C).

Então ai segundo eles Eusébio está falando que o primeiro bispo de Roma foi Lino e não Pedro.
Ora pegar unicamente um texto de Eusébio e afirmar algo, sem ler o resto da História eclesiástica é bem interessante. Agora infelizmente aos protestantes que acreditam que estas palavras de Eusébio provam que Lino foi o primeiro Bispo de Roma terão que acreditar e aceitar os outros testemunho de Eusébio na mesma história eclesiástica que eu já tinha citado no meu outro texto, mas parece que muitos se fazem de cegos, Vamos lá:
Veja este magnífico testemunho de Eusébio:

“Pedro, de nacionalidade Galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade.” (Crônicas de Eusébio Página 261 parágrafo 2) [1]

É bem engraçado que afirmem que Eusébio não afirmava que Pedro estava em Roma e que ele não foi bispo, sendo Eusébio afirma que ele foi Bispo de Roma 25 anos. Como já falei na minha outra matéria estes 25 anos não são exatos, é uma data calculada por Eusébio e que também foi sustentada por São Jerônimo.
Vamos a mais testemunho de Eusébio:

“[...]quanto a Lino, cuja presença junto dele [do Apóstolo Paulo] em Roma foi registrada na 2ª carta a Timóteo [cf. 2Tm 4,21], depois de Pedro foi o primeiro a obter ali o episcopado, conforme mencionamos mais acima.” (Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,IV,8 – 317 d.C).

“[...]Alexandre recebeu o episcopado em Roma, sendo o quinto na sucessão de Pedro e Paulo” (Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,IV,1 – 317 d.C).

Note que Eusébio diz que Depois de Pedro Alexandre foi o 5º bispo de Roma ou seja o 6º bispo de Roma:

Pedro -> Lino -> Anacleto -> Clemente -> Evaristo -> Alexandre

Vamos adiante:

“Sob Cláudio [Imperador], Fílon [quande estoriador judeu] em Roma relacionou-se com Pedro, que então pregava aos seus habitantes.” (Eusébio de Cesaréia – HE II,17,1 – 317 d.C)

Este mesmo Cláudio que Eusébio fala é o Cláudio que é citado por Lucas em Atos 11, 28. Logo as datas do cridas no século 3 e 4 da estadia de Pedro em Roma e do Reinado de Cláudio, são as mesmas que os historiadores modernos afirmam.

Bem, penso que está mais do que Provado que Eusébio afirmava veementemente que Pedro Foi bispo e esteve em Roma vários anos.

Saindo de Eusébio vamos para mais testemunho anteriores a Eusébio:

O bispo Dionísio de Corinto, em extrato de uma de suas cartas aos romanos (170) trata da seguinte forma o martírio de Pedro e Paulo:

“Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina do Evangelho. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente.”(Fragmento conservado na História Eclesiástica de Eusébio, II,25,8.)

Gaio, presbítero romano, em 199:

“Nós aqui em Roma temos algo melhor do que o túmulo de Filipe. Possuímos os troféus dos apóstolos fundadores desta Igreja local. Ide à Via Ostiense e lá encontrareis o troféu de Paulo; ide ao Vaticano e lá vereis o troféu de Pedro.“

Gaio dirigiu-se nos seguintes termos a um grupo de hereges: “Posso mostrar-vos os troféus (túmulos) dos Apóstolos. Caso queirais ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, lá encontrareis os troféus daqueles que fundaram esta Igreja.”(Eusébio, História Eclesiástica, 1125, 7.)

Ireneu (130 – 202), Bispo de Lião (nascido em Izmir atual Turquia) referiu:

“Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo.“

E ainda

“Os bem-aventurados Apóstolos portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a Lino o cargo de administrá-la como bispo; a este sucedeu Anacleto; depois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente recebeu o episcopado.“

“Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja.” (L. 3, c. 1, n. 1, v. 4).

Veja que os Testemunhos destes Pais que citei até agora batem corretamente, um concordando com o outro em séculos diferentes.

Como Irineu fala que Pedro Fundou a Igreja, logo quando Paulo se refere a Igreja de Roma ele se refere a uma Igreja já fundada e famosa em toda parte:
Romanos 1,7. “a todos os que estão em Roma, queridos de Deus, chamados a serem santos: a vós, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo!”

Romanos 1, 8. “Primeiramente, dou graças a meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vós, porque em todo o mundo é preconizada a vossa fé.”

E por fim diz que Satanás será esmagado aos pés desta mesma Igreja:

Romanos 16,20 “O Deus da paz em breve não tardará a esmagar Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco!”

Ou seja a Primeira dentre as Igreja instituídas pelos apóstolos, há qual o chefe dos apóstolos instituiu.

Continuemos …
Tertuliano (155-222 d.C.) falou da morte e atividade de Pedro em Roma:

“A Igreja também dos romanos pública – isto é, demonstra por instrumentos públicos e provas – que Clemente foi ordenado por Pedro.“
“Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral!” - e falando da Igreja Romana,“onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor.“

“Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz.” (Scorp. c. 15)

Epifânio (315-403 d.C.), Bispo de Constância :

“A sucessão de Bispos em Roma é nesta ordem: Pedro e Paulo, Lino, Cleto, Clemente etc…” (ii. 27 – Sales, St. Francis de, The Catholic Controverse, Tan Books and Publishers Inc., USA, 1989, pp. 280-282.)

Doroteu de Tiro:

“Lino foi Bispo de Roma após o seu primeiro guia, Pedro.“ (In: Syn.)

Optato de Milevo:
“Você não pode negar que sabe que na cidade de Roma a cadeira episcopal foi primeiro investida por Pedro, na qual Pedro, cabeça dos Apóstolos, a ocupou.” (De Sch. Don. )
Cipriano (martirizado em 258), Bispo de Cartago (norte da África):

“A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal.” (Epístola 55,14.)

Santo Agostinho (354 – 430):

“A Pedro sucedeu Lino.” (Ep. 53, ad. Gen.)

Depois de Todos Estes testemunhos patrísticos comprovando a estadia de Pedro e episcopado em Roma quero ver só se ainda vai me aparecer aqui alguém dizendo que a patrística não sustenta que Pedro foi bispo de Roma.

Infelizmente para os protestantes que antes aceitavam os testemunhos de Eusébio tirados fora do contexto como prova de refutação da Verdade, ou agora acreditam nestes testemunhos que eu citei ou cairão em forte contradição.

BIBLIOGRAFIA
[1] http://www.ccel.org/ccel/pearse/morefathers/files/jerome_chronicle_03_part2.htm

FONTE ELETRÔNICA;