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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

História dos Jesuítas

Podemos dividir a História da Companhia em duas grandes épocas: 1) a Antiga Companhia e 2) a Companhia Restaurada.



1. A Companhia Antiga


(1540-1773)

1.1. Crescimento e Expansão


(1540-1687)

A Companhia de Jesus foi aprovada pelo Papa Paulo III, em 1540. Aquela época estava caracterizada por:

uma situação de divisão e conflito dentro da Igreja (a Reforma Protestante);

a expansão das fronteiras geográficas, com a descoberta da América e a abertura de novas rotas comerciais na Ásia;

uma autêntica revolução, no campo das ciências e das letras.

A Companhia antiga tentou dar uma resposta positiva a esses desafios, atuando em quatro campos:

1.1.1. Serviço ao povo cristão na defesa e promoção da fé

A Igreja do século XVI, sacudida pela Reforma Protestante, tomou consciência do abandono espiritual em que se encontrava o povo cristão. Nesse contexto, os primeiros Jesuítas dedicaram-se aos ministérios sacerdotais tradicionais (pregação, confissões, catequese...), junto com novas iniciativas e estratégias pastorais: os Exercícios Espirituais, as Missões populares, Associações de leigos (Congregações Marianas), e o uso do teatro na pregação, liturgia e catequese.

1.1.2. Propagação da fé nos territórios de Missão

Aproveitando o esforço expansionista dos grandes impérios da época (Espanha e Portugal), os Jesuítas estão presentes, desde a primeira hora, nos novos mundos que se abrem à atividade missionária da época. São Francisco Xavier percorre a Índia, Indonésia, Japão e chega às portas da China; Manoel da Nóbrega e José de Anchieta ajudam a fundar as primeiras cidades do Brasil (Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro); João Nunes Barreto e Andrés de Oviedo empreendem a fracassada missão da Etiópia, etc. Acima das inevitáveis ambigüidades, as missões dos Jesuítas impressionam pelo espírito de inculturação (adaptação à cultura do povo a quem se dirigem). As Reduções do Paraguai e a adoção dos ritos malabares e chineses são os exemplos mais significativos.

1.1.3. A educação da juventude

Imprevista ao nascer a Companhia, a atividade educativa tornou-se logo a principal tarefa dos Jesuítas. A gratuidade do ensino da antiga Companhia favoreceu a expansão dos seus Colégios. Em 1556, à morte de Santo Inácio, eram já 46. No final do século XVI, o número de Colégios elevou-se a 372. A experiência pedagógica dos Jesuítas sintetizou-se num conjunto de normas e estratégias, chamado a "Ratio Studiorum" (Ordem dos Estudos), que visa a formação integral do homem cristão, de acordo com a fé e a cultura daquele tempo.

1.1.4. A ciência e a cultura

Os primeiros Jesuítas participaram ativamente do esforço de renovação teológica da Igreja Católica, frente à Reforma Protestante. No Concílio de Trento, destacaram-se dois companheiros de Santo Inácio (Laínez e Salmerón). Desejando levar a fé a todos os campos do saber, os Jesuítas dedicaram-se às mais diversas ciências e artes: Matemática, Física, Astronomia... Entre os nomes de crateras da Lua há mais de 30 nomes de Jesuítas. No campo do Direito, Suarez e seus discípulos desenvolveram a doutrina da origem popular do poder. Na Arquitetura, destacaram-se muitos Irmãos Jesuítas, combinando o estilo barroco da época com um estilo mais funcional.

1.2. Crise e Supressão


(1687-1773)

A Companhia de Jesus nasceu em meio a uma situação de conflito e nunca esteve alheia aos conflitos históricos. Seu fundador queria que fosse um grupo móvel, disponível para acudir aos lugares em que a necessidade fosse maior. Mas, entre todos os períodos de sua história, o mais dramático foi o que terminou com a supressão da própria Companhia, em 1773, pelo Papa Clemente XIV.

É difícil resumir o complexo de circunstâncias que levaram o Papa àquela decisão extrema. Foi o desfecho de um longo processo de lutas e sofrimentos, que poderíamos reduzir assim:

1.2.1. A luta contra o jansenismo

Jansen ou Jansênio foi um bispo belga que exerceu enorme influência na França do século XVII. Seus seguidores (jansenistas) defendiam de tal modo o papel da graça que chegavam a negar o livre arbítrio. O homem já nascia predestinado à salvação ou à condenação. Na vida cristã eram rigoristas, pregando uma religião de temor e de inflexível disciplina moral. Os Jesuítas opuseram-se a tais idéias, ganhando a odiosidade dos jansenistas. O grande pensador Pascal colocou-se do lado destes, nas célebres "Cartas Provinciais", desmoralizando os Jesuítas. Não adiantou que a Igreja colocasse o livro de Pascal no "Índice de Livros Proíbidos". Na França da época, o gênio literário valia mais do que a autoridade de Roma. Os Jesuítas ganharam fama de intrigantes, "hipócritas", donos de imensas riquezas, etc.

1.2.2. O conflito com as monarquias absolutistas

No século XVIII, os Reis consideravam absoluto o poder do Estado. Na França, o "galicanismo" defendia as liberdades da Igreja Galicana, frente à autoridade do Papa. Os Jesuítas, fiéis defensores deste, eram considerados como "obscurantistas" e "ultramontanos" intolerantes. Um atentado contra o rei de Portugal, José I, foi a desculpa para expulsar todos os Jesuítas de Portugal e suas colônias, incluindo o Brasil (1761). A Companhia de Jesus foi expulsa também da França (1764) e da Espanha e suas colônias (1767). A pressão da casa dos Bourbons, reinantes nesses países, acabaram levando o Papa Clemente XIV a ceder. A Companhia de Jesus foi dissolvida em todo o mundo, menos na Prússia e na Rússia Branca.
1.2.3. Conflitos dentro da própria Igreja

Nem todos compreendiam as tentativas de inculturação e adaptação do Evangelho às culturas asiáticas, empreendidas por Jesuítas competentes e corajosos, como Mateus Ricci (na China) e Roberto De Nobili (na Índia). Os que não entendiam o cristianismo fora das normas culturais ocidentais acusaram os Jesuítas de paganismo, idolatria e superstição. E o Secretariado romano para a Propagação da Fé levou a sério tais acusações.

1.2.4. Os erros dos próprios Jesuítas

Alguns Jesuítas, vítimas de injustas perseguições, como Antônio Vieira ou Gabriel Malagrida, no ambiente luso-brasileiro, são considerados hoje grandes missionários. Outros Jesuítas, porém, contribuíram, com seus erros, para desacreditar a Companhia. Por exemplo, Antoine Lavalette, ecônomo da Missão da Martinica, metido a esperto em operações comerciais, que terminaram endividando a Missão e a Companhia.

O Superior Geral da Companhia na época da extinção, Lourenço Ricci, com 70 anos de idade, ficou preso no Castelo de Sant'Angelo. Antes de morrer, dois anos depois, declarou solenemente que a Companhia de Jesus não tinha dado motivo nem ocasião para sua supressão, e que ele pessoalmente não dera o menor pretexto para ser preso e humilhado.


Os Noviços, Estudantes e Irmãos Jesuítas foram despedidos. Aos Sacerdotes deu-se-lhes a escolher entre viver como Padres diocesanos ou entrar em outras Congregações religiosas.

2. A Companhia Restaurada (1814-1986)

A 7 de agosto de 1814, o Papa Pio VII restaurou a Companhia em todo o mundo. O quadro histórico era bem diferente daquele de 1773. Napoleão acabava de ser derrotado. O Papa retornava a Roma, depois de ter sido exilado pelo Imperador francês. A velha Europa sonhava com voltar às antigas tradições, depois da tormenta revolucionária. O renascimento da Companhia aconteceu num contexto conservador e antiliberal.

2.1. O Século XIX

(até 1914)

A Companhia de Jesus no primeiro século da sua restauração:

reinicia as suas atividades educativas, embora sem a originalidade da Companhia antiga;

desenvolve os grandes movimentos de piedade: os Exercícios Espirituais divulgados entre o clero, religiosos e leigos; a devoção ao Sagrado Coração de Jesus; o Apostolado da Oração; as Missões populares; as Congregações Marianas;

insere-se na Pastoral Operária, embora com os métodos da época, hoje considerados paternalistas (círculos operários, obras sociais, escolas populares);

continua o esforço de pesquisa e publicação em todos os campos das ciências e letras;

participa da nova atividade missionária da Igreja. Ao Brasil chegam, a partir de 1842, Jesuítas espanhóis, italianos e alemães.

Na política do século passado, alternavam-se governos conservadores e liberais. A maioria dos católicos identificavam sua fé com o antigo regime (monárquico). Muitos Jesuítas participavam dessa mentalidade. Assim, em época de governos conservadores, os Jesuítas eram chamados e exaltados; mas quando os liberais subiam ao poder, os Jesuítas eram novamente perseguidos e expulsos. Não deixa de ser uma ironia da História o fato de que a maioria dos Jesuítas do século passado tivessem saudade do antigo regime, que no século XVIII os tinha perseguido e dissolvido.

2.2. O Século XX

Durante o longo generalato do P. W. Ledochowski (1915-1942), a Companhia cresceu em número de membros (até chegar a 26.000) e na qualidade das suas obras (aos colégios unem-se numerosas Universidades, nos Estados Unidos, América Latina e nas Missões). Neste período e no seguinte (P. Janssens, 1946-1964), a Companhia acompanhou de perto os grandes conflitos internacionais: duas guerras mundiais, a revolução russa e sua expansão nos países da Europa oriental, que abalou dez Províncias ou vice-Províncias da Companhia; o triunfo de Mao-Tsé-Tung, na China, arrasou a estrutura missionária construída durante um século de trabalho; o nacionalismo dos povos da África e Ásia, lutando contra as potências colonizadoras, cria dificuldades para os missionários estrangeiros.


2.3. O Concílio Vaticano II

(de 1965 até o presente)

Alguns Jesuítas foram precursores no esforço de reconciliar a fé cristã com o mundo contemporâneo. O P. Teilhard de Chardin intuiu e defendeu que a idéia da evolução biológica, antes defendida apenas por cientistas descrentes, era perfeitamente compatível com a fé na Criação. Mas os livros do Pe. Teilhard só foram publicados e estimados depois de sua morte.

A Grande mudança de clima, na Igreja do nosso século, aconteceu em torno do Concílio Vaticano II (1962-1965). Dele participaram muitos Jesuítas, como bispos de regiões missionárias (uns 50) ou como teólogos (alguns de grande prestígio, como Danielou, De Lubac, Karl Rahner). A Congregação Geral 31a., levou à Companhia de Jesus este novo espírito eclesial. Nela foi eleito superior geral o P. Pedro Arrupe, que governou a Companhia nos anos difíceis do pós-Concílio. Durante seu generalato, o número de Jesuítas diminuiu de 36.000 para 26.000.

Para enfrentar os desafios do nosso tempo, a Companhia tem revitalizado os princípios espirituais das suas origens (prática dos Exercícios Espirituais; criação de um Centro Inaciano de Espiritualidade, em Roma). Seguindo o espírito do Concílio, tem prestado especial atenção aos problemas do diálogo com o mundo (relação entre ciência e fé; estudo do ateísmo e indiferença religiosa, a pedido do Papa Paulo VI). Querendo adaptar o seu apostolado aos grandes problemas do mundo de hoje, a Companhia assume, hoje, o compromisso com os pobres e a luta contra as estruturas injustas. Isso tem atraído sobre muitos dos seus membros novas perseguições. Na América Latina, diversos Jesuítas foram assassinados, por estarem levando à prática as opções do Episcopado latino-americano, nas Conferências de Medellin (1968) e Puebla (1979): João Bosco Penido Burnier (Brasil, 1976), Rutílio Grande (El Salvador, 1977), Luis Espinal (Bolívia, 1980), Carlos Alonso (Guatemala, 1981).

A Congregação Geral 32a. revisou, em 1975, a caminhada da Companhia nestes anos do pós-Concílio, e enfatizou o objetivo prioritário da Companhia: "Comprometer-se, sob o estandarte da Cruz, na luta crucial do nosso tempo: a luta pela Fé e a luta pela Justiça, que a fé exige". "Serviço da fé e promoção da justiça" é a expressão mais atual do carisma inaciano.

2.4. A Companhia nos anos 80

A 7 de agosto de 1981, uma trombose cerebral incapacitou o P. Pedro Arrupe de continuar à frente da Companhia. Dois meses depois, o Papa João Paulo II nomeou o P. Paolo Dezza como Delegado Pontifício para o governo provisório da Companhia, até a convocação de uma Congregação Geral, que elegeria o novo Superior Geral. A intervenção do Papa no governo da Companhia foi de caráter extraordinário. O Delegado Pontifício cumpriu sua tarefa com muita discrição, convocando a Congregação Geral 33a. Reunida em Roma, nos meses de setembro-outubro de 1983, a Congregação aceitou a renúncia do P. Arrupe e elegeu seu sucessor, P. Peter-Hans Kolvenbach, atual Superior Geral da Companhia.

O principal decreto da Congregação Geral 33a. intitulado "Companheiros de Jesus, enviados ao mundo de hoje", está escrito "sob o signo da continuidade e da esperança".

"Nos últimos anos surgiu em toda a Companhia uma nova consciência da nossa vida religiosa. Os decretos das CC. GG. 31a. e 32a., bem como os escritos do P. Arrupe, desenvolveram um ensinamento espiritual solidamente baseado no Evangelho e nas fontes de nossa tradição, capaz de responder aos desafios de nosso tempo. Esta renovação se manifesta sobretudo no novo impulso dado aos Exercícios Espirituais e ao discernimento apostólico. O compromisso pela fé e pela justiça, o serviço dos pobres e a participação em sua vida constituíram-se em apelo a todo o corpo da Companhia para assumir um modo de vida mais evangélico".
"Reconheçemos, por outro lado, deficiências na maneira de viver a nossa vocação. As dificuldades resultam muitas vezes do excesso de trabalho, da rotina na prática religiosa, da falta de dinamismo espiritual de nossas comunidades. Tudo isso enfraquece o nosso relacionamento com Deus. Importa, pois, redobrar os nossos esforços para perceber mais a fundo o sentido de nossa vida, que consiste em buscar a maior glória de Deus e o serviço dos homens". (CG 33a., decreto 1º, nº 10)

Um claro sinal de esperança é o aumento das vocações à Companhia. No ano de 1972, havia, em toda a Companhia 706 Noviços; em 1985, os Noviços eram 1154. Se o número de Padres e Irmãos formados ainda está diminuindo, o número de Jesuítas em formação aumenta: de 1984 a 1985 houve um aumento de 106 Noviços escolares e 15 Noviços coadjutores.

FONTE:


Existe destino?

A cada dia temos uma chance para recomeçar e escrever um novo

Estamos destinados à vida eterna, esse é o motivo pelo qual o Senhor nos criou. E para se cumprir esse desígnio, Deus traça um plano a respeito de cada um dos seres humanos; esse projeto é o que firma um sentido para tudo em nossas vidas. Porém, pelo uso da liberdade, podemos escolher não corresponder à pedagogia que o Altíssimo traçou para que, desta terra, alcancemos o Céu. “Os anjos e os homens, criaturas inteligentes e livres, devem caminhar para seu destino último por opção livre e amor preferencial. Podem, no entanto, desviar-se” (cf. Catecismo da Igreja Católica, art. nº 311).

O Senhor determina a ordem e o tempo dos eventos necessários para essa escalada à vida eterna. “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus” (Ecle 3, 1). Dessa verdade, algumas pessoas intuem erroneamente que os fatos da vida estão predeterminados. Assim, vestem a definição de destino com uma roupagem fantasiosa, como se tudo já estivesse escrito e não fosse mais possível decidir algo por si mesmo. Muitos até se iludem que é possível prever e saber sobre seu futuro.

Ouvimos, em diversas situações, as pessoas interpretarem destino com tons de um romantismo equivocado: "Estávamos predestinados"; "Deus te fez para mim"; "Um amor escrito nas estrelas". Ou então, quando acontece uma fatalidade, dá-se uma concepção de mistério amargo: "Foi Deus quem quis assim"; "Quando chega a hora nada pode impedir". Essas fórmulas de destino não são verdadeiras. O que o Altíssimo nos preparou é conforme Sua vontade, mas o interagir d'Ele conosco se faz sempre na forma de propostas.

A nenhum dos homens e mulheres bíblicos, Deus impôs Sua vontade. Todos consentiram, fazendo uso da própria liberdade. Até mesmo, a maior vocação, na qual continha o maior projeto para um ser humano, que foi dar à luz o Salvador, Deus inclinou-se, propondo, e só deu andamento ao Seu plano após ouvir o 'SIM' da Virgem Maria! (cf. Lc 1, 26 ss).


O que existe como verdade de fé, não é destino, mas a Divina Providência, que tudo encaminha “para uma perfeição última a ser atingida, para qual Deus a destinou” (cf. Catecismo da Igreja Católica, art. nº 302). Somos todos livres até para correspondermos ou não ao que é nossa essência, nossa identidade, naquilo que o Senhor nos constituiu e a Sua Providência. Por isso, somos nós que escrevemos nossa história.


Se alguém resolve tomar uma atitude neste exato momento, ainda que contrária às promessas que o Senhor lhe fez, provavelmente conseguirá. Até Jesus foi tentado, pelo demônio, a saltar do alto do templo, para pôr à prova a Palavra de Deus (cf. Lc 4, 9). O Mestre respondeu, conciliando a promessa divina, que foi citada pelo diabo (cf. Sl 91, 11-12), com a ordem bíblica de não tentar a Deus (cf. Dt 6, 16), mostrando assim que, Sua vida contava com a proteção do Alto, detinha um propósito, mas que Seu destino dependeu também de Suas escolhas.

É preciso ter em mente que o ser humano assume sua parte, por livre iniciativa, quando responde positiva ou negativamente a uma vocação, quando é entronizado num sacramento e até quanto às consequências de seus atos, para o bem ou para o mal. Como por exemplo, um acidente com vítimas por motivo de embriaguez ou displicência no volante. Isso, de modo algum, era o destino dessas vítimas.

Assumimos a profissão que queremos, ainda que as situações da vida no-las tenham imposto por um tempo e seja difícil desdenhá-la hoje, mas ninguém está sujeito a sucumbir até seus últimos dias no mesmo ofício. Nós mesmos escolhemos com quem nos casaremos. O Senhor não decidirá por nós. A Providência Divina pode até indicar uma pessoa como a ideal, mas não seria única opção de sua vida. Caso contrário, se não houvesse nenhuma pessoa mais no mundo capaz de contrair o matrimônio com você, lhe seria tirada a liberdade de decidir por alguém. Por acaso José foi obrigado a aceitar Maria como esposa? Foi num sonho que o anjo, enviado a ele por Deus, solicita que ele não tenha medo de recebê-la por esposa (cf. Mt 1, 20).

Tudo é proposto pelo Senhor e não imposto. Deus é bondade, e como um Pai amoroso, Ele nos cerca de várias opções, de muitas possibilidades, para que cumpramos nesta vida e na futura nossa finalidade última. Ele não impõe, mas propõe, para que o homem também seja responsável pela sua escolha, aprenda a amar o que o Senhor lhe oferece e invista todas as suas forças naquilo, pois esse ser humano vê ali também o desejo do seu próprio coração, ainda que o plano seja divino. De outra forma, poderíamos nos lamuriar e culpar o Senhor pelos sofrimentos e responsabilidades de aderir a Sua proposta. Já imaginou alguém decepcionado com seu casamento, atribuindo a Deus o fardo de ter sido obrigado a estar com tal pessoa?

Para sermos totalmente livres, é preciso que tudo façamos por opção de amor, em todas as variantes de nossa existência. “Pelo livre-arbítrio, cada qual se dispõe sobre si mesmo” (cf. Catecismo da Igreja Católica, art. nº 1731). Liberdade é isso.


A cada dia temos uma chance para recomeçar e escrever um novo. O sol é o mesmo, mas a cada manhã, os raios de luz trazem a novidade de um tempo que é único. Mesmo os dias nublados possuem sua claridade. Deus está no comando da sua vida, mas Seu amor indica um leque de possibilidades para sermos felizes. Se for preciso, recomece tudo outra vez.


Deus abençoe!


Sandro Ap. Arquejada - Missionário Canção Nova

blog.cancaonova.com/sandro



quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

As seitas: empresas religiosas

A Religião como assunto público

Antigamente cada povo tinha "sua" religião. Esta representava a alma do povo e expressava seus valores mais profundos, seus enigmas e aspirações. Qualquer atentado contra a religião era considerado atentado contra o mesmo povo e, portanto, o culpado se fazia merecedor dos maiores castigos.

Na Grécia, por exemplo, o grande filósofo Sócrates foi condenado à morte por um motivo religioso. Ao ensinar os jovens a pensar, os fazia "duvidar" de certas crenças religiosas, o que lhe fez merecer a morte.

Perseguição

Roma considerava-se tolerante no campo religioso para com todos os povos submetidos. A estes era permitido seguir seus "deuses" desde que aceitassem a superioridade da religião romana, na qual a mesma Roma era considerada divindade suprema.

Quando o general Pompeu (63 dC) anexou a Roma a província da Judéia, apresentou-se o problema religioso, já que os judeus se recusavam a reconhecer outro Deus além de Javé. Contudo, o problema foi logo resolvido pois os judeus não eram proselitistas, sentindo-se satisfeitos por ser apenas eles o "povo eleito". Por essa razão Roma, com facilidade, lhes permitiu que prosseguissem com suas crenças religiosas uma vez que não representavam qualquer perigo para os demais. O problema se tornou complicado quando surgiu o Cristianismo, com uma força missionária considerável. Pareceu para Roma que o Cristianismo poderia representar um sério perigo para o Império já que a nova religião mexia com o fundamento do Estado, representado por sua religião. Assim, respondeu com uma feroz perseguição que durou aproximadamente trezentos anos, com contínuos altos e baixos.

Religião Oficial

Finalmente, no ano 313 dC, o imperador Constantino decretou a liberdade de culto ao constatar a inutulidade da perseguição, visto que de todos os modos a nova religião prosperava cada dia mais e que transformava seus cidadãos em pessoas honestas e trabalhadoras, patriotas e colaboradoras do progresso.

Tamanho foi o entusiasmo por fazer-se cristão que, em pouco tempo, quase todos os cidadãos romanos se integraram à Igreja, restando poucos seguidores do antigo culto. Estes normalmente habitavam em pequenos povoados afastados da civilização, razão pela qual passou-se a usar a palavra "pagão" (do lat. "pagus" = "aldeia") com o sentido de "não cristão".

Considerando esta nova realidade, logo o Catolicismo foi considerado como a religião oficial do Império. Ruindo este (476 dC), surgiram outros reinos em seu lugar, todos eles adotando o Catolicismo como religião oficial.

Baseando-se no antigo costume de considerar a religião como um assunto público e não privado, pouco a pouco chegou-se a formular o seguinte princípio jurídico: "Cuius regio, eius religio" (=a religião da região será a mesma de quem a governa), segundo o qual o súdito estava obrigado a adotar a religião do rei. Onde o rei era católico, todos estavam obrigados a serem católicos; onde o rei era luterano, todos estavam obrigados a serem luteranos; onde o rei era anglicano, todos estavam obrigados a serem anglicanos etc. Para os que não queriam obedecer, aplicava-se a pena de morte.

Liberdade Religiosa

Nas regiões católicas, normalmente não houve maiores problemas a respeito. Houve sim grandes problemas nos países regidos por reis protestantes ou anglicanos. Seguindo o princípio luterano da livre interpretação da Bíblia, logo começaram a surgir grupos de crentes inconformados com a religião oficial, provocando uma forte repressão por parte do governo.

Para escapar à perseguição e poder viver sua fé em paz, muitos emigraram para as colônias inglesas da América do Norte. Estando ali gente que, em geral, estava fugindo da perseguição religiosa, estabeleceram o princípio da liberdade religiosa que, ao se tornar independente os Estados Unidos com relação à Inglaterra, tornou-se lei.

Na Europa, muitos pensadores estavam lutando pela mesma causa. Desta maneira, pouco a pouco o princípio da liberdade religiosa foi se expandindo até se transformar em princípio universal, com raras exceções, especialmente nas regiões muçulmanas.
Explosão das seitas

Até aqui, tudo parece lógico e positivo. O problema surgiu quando passou-se a considerar a religião como qualquer outro "negócio": uma empresa comercial, segundo a oferta e a procura, utilizando técnicas de mercado e tendo o "lucro" como elemento determinante.
Já não importa o sentido da fidelidade à Cristo, ao seu Evangelho e à sua Igreja. O que importa é aumentar o número de fiéis, conquistar o povo e arrecadar o máximo possível de bens.

Obviamente, como em qualquer assunto, não faltam pessoas sérias, que buscam a Deus sinceramente. No entanto, a impressão geral que se tem dos fundadores e dirigentes de seitas é a de que parecem mais empresários do que profetas, mais especializados em psicologia e oratória do que em Bíblia e ascética.

Regresso ao sagrado

Após o fracasso das ideologias e desencantamento causado pela busca insaciável do prazer, estamos assistindo a um fenômeno geral de seguir o sagrado e o espiritual. Contudo, tal regresso não está se realizando através das igrejas históricas, que se apegam ao racional e revelado, mas vem como resposta do próprio homem a seu anseio de segurança e busca do sentido da vida, em todas as fontes, desde a Bíblia até as religiões orientais, o paganismo, o esoterismo, o ocultismo, a gnose, a psicologia etc.

Por isso, hoje em dia o católico precisa ser mais crítico quanto ao fenômeno religioso, tomando consciência dos riscos que implicam aproximar-se de tal fenômeno sem uma preparação específica a respeito. O fato é que muitos, que a princípio pareciam bem tolerantes no campo religioso, depois de aderirem ingenuamente a algum destes novos grupos, tornaram-se extremamente sectários, fanáticos e ferozmente anticatólicos.

O que teria acontecido se, antes de se envolver cegamente com algum destes novos sistemas religiosos, tivesse conhecido algo a mais sobre a sua própria Igreja? Sem dúvida, não se teria deixado converter-se tão facilmente.

Conclusão

As seitas não são tão boas quanto parecem à primeira vista ou nos querem dar a entender. Nelas há de tudo: boa fé, busca do sentido da vida, espiritualidade, superação de certas atitudes negativas... porém, ao mesmo tempo, há também o engano, a exploração, a alienação e a busca do poder. Portanto, se realmente estamos comprometidos com o homem concreto, não podemos deixar de fazer uma atenta análise quanto a este fenômeno que, sob o manto de uma profunda religiosidade, esconde os interesses mais variados, às vezes totalmente contrários aos ideais proclamados por suas próprias palavras.

Autor: Pe. Flaviano Amatulli Valente

Fonte: Site - Apologetica.Org

Tradução: Carlos Martins Nabeto



Os Mortos nos Falam?

Certas correntes de pensamento afirmam haver a possibilidade de comunicarmos com os mortos. Dizem mesmo existir fitas magnéticas registram a locução de espíritos desencarnados; haveria também fotografias de espíritos que se materializam. A Igreja estaria proibindo o intercâmbio com os mortos; isso, porém, não significaria que o fenômeno não existe realidade, segundo dizem A esse propósito, faremos quatro observações.
1. Não nos precipitemos!

Ao ouvirem notícias de coisas novas e extraordinárias, muitos são propensos a lhes dar crédito imediato. Ora, isso é desaconselhado; é preciso averiguar os fundamentos das "novidades", principalmente quando se trata de ciências humanas. Nos últimos decênios, os estudos de psicologia e parapsicologia têm progredido tanto, que muitos fenômenos outrora atribuídos ao além são explicados pela atividade do próprio psiquismo.

O psiquismo humano é complexo e surpreendentemente rico em potencialidades, que vão sendo mais e mais descobertas, de modo a dissipar as teorias do espiritismo e do falso misticismo. Aderir às explicações espíritas significa, muitas vezes, não estar em dia com as mais recentes pesquisas científicas, por mais que os espíritas aleguem estar apoiados na ciência moderna.
A Igreja é sábia quando rejeita a dita "comunicação com os mortos" provocada por médiuns. Seria superstição, freqüentemente condenada pela Sagrada Escritura (Ver Lv 19,31; 20,6.27; Dt 18,11; Is 8,19...). A condenação não se deve à suposição de que os mortos evocados são incomodados pelos vivos, mas à evidência de que se trata de crença errônea, sem fundamento na realidade, como veremos a seguir.

De resto, há diferença grande entre a evocação dos mortos, praticada pelo espiritismo, e a invocação dos santos, usual no catolicismo. A evocação se faz mediante artes próprias, tidas como "certeiras"; ao contrário, a invoca­ção dos santos é espontânea e não tem garantia de eficácia mágica. As aparições de santos reconhecidas pelo catolicismo nada têm de previsto e provocado, mas são totalmente inesperadas e esporádicas.

2. As "vozes do além"

A tônica de algumas publicações recentes é a notícia de que os espíritos desencarnados emitem sua linguagem (recorrendo a diversos idiomas), que pode ser gravada em fita magnética. A propósito, observemos o seguinte: o fenômeno das vozes gravadas se reduz ao que se chama de "psicofonia", isto é, linguajar proveniente do psiquismo do próprio médium. Pode haver duas explicações para a produção de tais vozes:

a) Notemos, logo de início, que há pessoas capazes de modificar a sua voz, imitando qualquer ancião ou criança, homem ou mulher; basta lhes ter ouvido uma única vez tais pessoas falarem.

Ora, a imitação de voz alheia pode também ser obtida pela ventriloquia: sem mexer os lábios nem a língua, sem mesmo ter consciên­cia do que faz, o ventrí­loquo emite sons por sua laringe, com toda a variedade de tons e entonações.
A sua voz se modula de tal modo, que parece provir de lugares estranhos ou distantes: de sob um móvel, de trás de uma janela fechada, de uma porta fechada, como se pudesse se infiltrar através de paredes ou obstáculos.

A ventriloquia supõe, da parte do médium ou experimentador, a suges­tão. Com efeito, o médium, crendo na possibilidade de ouvir vozes do além, concentra-se, faz silêncio, esquece o mundo que o cerca; exprime de si para si o desejo de entrar em contato com o além, e formula perguntas concretas a familiares ou personagens já falecidos. Tais perguntas exigem respostas; estas são tiradas do inconsciente do próprio operador; que tem sua pantomnésia ou memória de tudo (o inconsciente nada esquece).

O ventríloquo pode dizer coisas que nunca diria conscientemente, por­que contrárias ao seu habitual modo de pensar. Isso se explica pelos fenôme­nos parapsicológicos de cisão da personalidade (o indivíduo nutre em si tendências opostas, das quais uma é habitualmente reprimida, mas nele existe realmente) ou de prosopopéia (o indivíduo se identifica com uma personalidade que ele admira ou que ele tem em mira consciente ou incons­cientemente). Assim, o ventríloquo se revela bem diferente do que ele costu­ma ser, não porque tenha incorporado um espírito do além, mas porque tira do seu inconsciente sentimentos e imagens latentes.

b) Outra maneira - mais rara - de explicar tal fenômeno se chama "ventriloquia subliminar". Ei-la: ensinam os parapsicólogos que o ser huma­no emite o que se chama "telergia", ou seja, uma energia que atua à distância, fora do corpo humano; tal energia pode mover copos, móveis, quadros, etc, produzindo a telecinésia, como também pode provocar pancadas e batidas (o que se chama "'tiptologia"). Ora, a telergia pode se condensar em ectoplasma, ou seja, em massa que toma a configuração de imagens que o indivíduo tem em sua mente: assim já se produziu um papagaio ectoplasmático; produzi­ram-se também muitos outros fantasmas ou corpos resultantes da condensação de energia e moldados segundo as imagens da mente do respectivo médium.

Admitamos, então, que determinado médium produza uma laringe ectoplasmática dotada de cordas vocais; estas poderão vibrar como vibra uma laringe natural, emitindo sons, desde que um sopro passe por elas... Admitamos também que o médium emita um ectoplasma configurado à imagem de um morto de que se recorda esse médium. Poderá fazer passar por tal ectoplasma os sons que, consciente ou inconscientemente, ele, mé­dium, profere.

Notemos, ainda, que a linguagem procedente do "morto" ou do ectoplasma configurado ao morto parece diferir muito do modo de pensar habitual do médium (o que dá a entender que não é o médium que está falando). Ora, isso se explica, como dito, pela cisão de personalidade ou pela capacidade que temos de representar duas ou três personalidades sucessivas. O próprio médium, portanto, emitiria através do ectoplasma os sons correspondentes a tendências latentes dentro dele, destoantes das suas costumeiras tendências.
Mais: a telergia possui certo tipo de magnetismo; em conseqüência pode produzir efeitos que o gravador registra. Assim se explicam as fitas gravadas, portadoras de "vozes do além". Deve-se, porém, observar que gravações são geralmente muito fracas ou quase imperceptíveis; requer gravadores de boa qualidade. Mesmo assim, parece que não chegam a pressionar o ouvido em condições normais; são muito curtas, nunca excedendo o total de dez sílabas. Os próprios médiuns espiritas reconhecem que uma gravação de dez minutos pode levar dez horas para ser devidamente decifrada e analisada.

Além disso, os sons gravados só se tornam inteligíveis caso se supor que procedem de idiomas diversos, pois é preciso procurar em línguas diferentes os vocábulos que correspondem a tais ou tais sons. O estilo desses dizeres, por vezes, nem sequer é o de um telegrama, no qual, apesar brevidade, há sempre um nexo lógico.

3. As "fotografias de defuntos"
Por "escotografia" se entende a arte de fotografar objetos invisíveis que, apesar de incapazes de impressionar nossa retina, deixariam seus vestígios nas chapas fotográficas. Geralmente, esses seres invisíveis são identificados com os mortos - o que torna o assunto muito sensacional.

Que dizer a respeito? Na verdade, nos são mostradas, em livros e revistas, numerosas fotografias de "espíritos desencarnados", que parecem provar a existência da escotografia.

Antes do mais, devemos dizer que foram verificados muitos casos de truque e fraudulência na produção de tais fotografias. Imaginemos que o mistificador quer conseguir a imagem de um morto ao lado da fotografia de uma pessoa real: ele pode fotografar a pessoa em foco sobre o fundo de cortinas dotadas de algum artifício (é fácil pintar ou desenhar nas cortinas silhuetas com soluções de sulfato de quinino, de fluoresceína ou poções de marrão da Índia, de frexo...). Invisíveis ao olho nu, as silhuetas aparecem sobre o filme fotográfico, se se coloca o clichê sob a luz do flash ou (antigamente) de um cartucho de magnésio.

Pode também o fotógrafo utilizar um filme no qual já esteja gravada alguma imagem misteriosa, que o público identificará com a fotografia de tal ou tal defunto (muitas vezes, são imagens tão vagas que podem ser identificadas com o pai, o irmão, o cunhado... de quem as analisar).

Todavia, nem todos os casos são de truque. Com efeito, falamos de telergia; esta pode se condensar e se exteriorizar, dirigida pela imaginação pela vontade do respectivo indivíduo. Ora, quando alguém é fotografado pode estar consciente ou inconscientemente pensando em outra pessoa ou em algum objeto; esse pensamento se configura pela telergia num ectoplasma que é invisível a olho nu, mas que aparecerá na chapa fotográfica. O ectoplasma volta a ser absorvido pela pessoa que o emitiu.

Digamos, a propósito, que existem coisas totalmente invisíveis a olho nu que podem ser fotografadas. Por exemplo, num quarto ao qual têm acesso os raios ultravioletas do espectro solar, uma fotografia pode ser tirada por meio dessa "luz escura". Num quarto assim iluminado, os objetos são claramente visíveis para a lente da câmera escura; podem ser reproduzidos num clichê sensível, sem que a mínima claridade seja percebida pelo olho humano.

Eis dois casos relatados por Antônio Elegido, na Revista de Parapsicologia, n° 17, págs. 19s: "O agricultor Filipe tinha uma pequena plantação na cidade de Santa Helena (GO), onde vivia com sua esposa Marta e seu filho Eduardo, de cinco anos de idade. Apaixonou-se, porem, por uma mulher de nome Laura, com a qual começou a ter relações. Por influência desta, Filipe sua esposa e o filho, enterrando-os no jardim de sua própria casa; oficialmente, dizia Filipe aos seus vizinhos que ele fora abandonado pela esposa legítima e pelo filho. O caso foi comentado pelos amigos, mas sem conseqüências; Filipe passou a viver abertamente com Laura e se transferiu para outra cidade.

Certo domingo, porém, Filipe quis levar Laura ao povoado de origem, onde posaram para uma fotografia. Na quarta-feira seguinte, quando Filipe voltou para procurar o retrato, levou grande susto. Com efeito, além do casal viam-se duas figuras transparentes; Filipe fixou o olhar sobre a fotografia e reconheceu sua esposa e o filho que ele assassinara. Logo caiu de joelhos confessou o crime. Laura teve tempo de fugir. Mas Filipe enlouqueceu".

Outro caso: "Sebastião Sá Barreto, ex-diretor da equipe de futebol Leão XIII, de Recife (PE), morreu em 1969 em conseqüência de trombose. Em 1970 sua filha se casou e, como se compreende, foram tiradas fotografias da cerimônia. Ora, nessas fotos apareceu a imagem de Sebastião. Parentes, amigos e colegas o identificaram pelo corte de cabelo, pelas orelhas muito abertas e pela maneira relaxada de se sentar. Como explicar o fato, já que Sebastião não pertencia mais ao mundo dos terrestres? Todos os participantes da cerimônia reconheceram que, no decorrer desta, seus pensamentos estavam voltados para o pai da noiva, recém-falecido. O pensamento se concretizou num ectoplasma ou numa ideoplastia, que representava o vulto do falecido!"
Acrescentam os estudiosos que as faculdades parapsicológicas perten­cem ao inconsciente do nosso psiquismo. Por isso, o consciente não pode utilizar essas faculdades a não ser de modo excepcional ou rudimentar. É mais fácil que apareçam na escotografia as imagens inconscientes do que as conscientes.

4. A "experiência da senha"

Em suma, a refutação da tese de que os mortos nos falam pode ser obtida mediante a famosa experiência da senha. Com efeito, tem acontecido que certas pessoas, em vida terrestre, indicam a seus familiares ou amigos uma determinada senha (= sinal) que utilizarão para se identificar quando voltarem à terra depois de "desencarnados". Ora, nenhum desses casos foi bem sucedido; nunca se viu a utilização da referida senha por parte do falecido.

Eis famoso exemplo: o romancista José Bento Monteiro Lobato, antes de sua morte, ocorrida em 1948, deixou duas senhas em envelopes lacrados uma com Dra. Ruth Fontoura, filha do proprietário dos Laboratórios Farma­cêuticos Fontoura de São Paulo; e outra, com o juiz Dr. José Godofredo de Moura Rangel, também romancista e grande amigo de Monteiro Lobato.

O psicógrafo Chico (Francisco Cândido) Xavier afirma receber mensa­gens de Monteiro Lobato, que ele psicografa. Ora, tais escritos psicografados não mencionam nenhuma das duas senhas deixadas aos amigos, a tal ponto que no catálogo de escritos de Chico Xavier; confeccionado pela Comissão de Divulgação do Livro Espírita, não foi citado Monteiro Lobato entre as cente­nas de nomes de espíritos que estariam escrevendo pelas mãos de Chico Xavier.

Em particular, a não utilização da senha deixada ao Dr. Godofredo Rangel é atestada pelo Dr. Cecílio Karam, diretor de publicidade do jornal federal A Noite, de São Paulo: "Tendo sido amigo do saudoso Monteiro Lobato e seu companheiro na luta do petróleo, e tendo conhecimento do pacto entre ele e Godofredo Rangel, desejo dar o meu testemunho em relação a este acon­tecimento. Realmente, houve o acordo entre ambos, e ficou assentado que o primeiro entre eles que morresse, enviaria do além uma mensagem ao sobrevivente.

Combinaram estabelecer cada qual uma senha, para evitar possíveis fraudes; as senhas foram guardadas em envelopes lacrados e encerradas em cofre. Falecido Lobato e sendo algum tempo depois publicada uma mensagem atribuída a ele, recebida por Chico Xavier, apressou-se Godofredo a examiná-la. Declarou, a seguir, à imprensa: 'Não é o estilo de Monteiro Lobato, e a senha combinada não foi utilizada'. Os jornais fizeram comentários" (Ver Revista da Parapsicologia, n° 29, págs. 29-32).

Eis como se dissipam as ilusões de comunicação com os mortos.

FONTE:

Eubiose

Revista : "PERGUNTE E RESPONDEREMOS"

D. Estevão Bettencourt, osb


Nº 356 - Ano: 1992 - p. 34

A Eubiose é uma forma recente de Teosofia, que pretende fazer da cidade de São Lourenço (MG) a capital espiritual do mundo. O fundador dessa escola é o Prof. Henrique José de Souza, o mais novo avatar ou a mais recente manifestação da Divindade (como dizem os seus escritos). Professa o panteísmo, a reencarnação, a história do mundo em ciclos sucessivos. Estaríamos para deixar o ciclo de Peixe, regido por Jesus Cristo, para entrar no ciclo de Aquário, que terá sua irrupção no Brasil, cujo idioma é o mais sagrado do mundo.

Vê-se que tal mensagem é altamente fantasiosa, além de ideológica o panteísmo, que é sua doutrina de fundo, não resiste à crítica da razão, visto que identifica o volúvel e o imutável, o temporário e o Eterno, o relativo e o Absoluto, identificando a Divindade com o mundo e o homem.

1. Eubiose: que diz?

A Eubiose é uma corrente de pensamento sincretista, cuja fonte principal é o pensamento hinduísta. Este é reformado por Henrique José de Souza, sob forma de uma filosofia religiosa que pretende ser a nova e única da humanidade. São palavras do fundador.

O pensamento da Sociedade de Eubiose é o panteísmo hinduísta, segundo o qual o mundo e o homem são manifestações da Divindade - realidade básica de tudo que existe. A Divindade se torna mais explícita periodicamente em certas figuras humanas ditas "avatares", das quais Henrique José de Souza seria a mais recente. A história da humanidade decorre em ciclos, que se sucedem num ritmo de ascensão e declínio. O ser humano está sujeito à lei do karma e das reencarnações; deve tender à definitiva desencarnação mediante o contínuo aperfeiçoamento moral de si mesmo. A princípio a humanidade constava de andróginos, isto é, seres humanos bissexuais, tais como os conceberam o filósofo grego Platão (+ 347 a.C.) e a tradição esotérica antiga (cf. "Eubiose", p. 20).

O Brasil, e de modo especial a cidade de São Lourenço (MG), será a sede da nova irrupção da Divindade, portadora de nova civilização ou Era de Aquário (cf. ib., p. 320). São Lourenço deve tornar-se "a capital espiritual do mundo por ser o Centro (ligado à Agartha-Shamballah) de irradiações espirituais para esse mesmo mundo" (ib. p. 270).

De acordo com o seu pensamento eclético, a Eubiose crê nas profecias de Nostradamus, como também professa a existência de continentes desaparecidos, como seriam a Atlântida e a Lemúria, "sem falar nos dois anteriores, cujas raças, de humanas, nem sequer tinham a forma ..." (ib. p. 313). Como se compreende, H.J. de Souza admite que os habitantes desses continentes tenham desfrutado de uma sabedoria que foi recolhida pela Eubiose.

domingo, 26 de dezembro de 2010

O que é a Igreja Brasileira, ou Igreja Católica Brasileira?

A Igreja Católica Apostólica Brasileira ou “Igrejas Católicas Apostólicas Brasileiras” (ICAB), têm lançado confusão no público, pois pretendem guardar a aparência de Igreja Católica e facilitam a praxe religiosa dos seus seguidores. – Daí a conveniência de uma análise precisa do fenômeno.

1. Origem da ICAB

A “Igreja Católica Apostólica Brasileira” (ICAB) tem como fundador D. Carlos Duarte Costa. Este nasceu aos 21 de julho de 1888 no Rio de Janeiro e recebeu a ordenação sacerdotal a 1º de abril de 1911. Aos 4 de julho de 1924 foi nomeado bispo de Botucatu (SP). Pouco feliz foi o governo do novo prelado, que se viu envolvido em questões de mística desorientada (devoções pouco condizentes com a reta fé); também enfrentou problemas de administração financeira e de embates políticos. Em conseqüência foi afastado de sua diocese e nomeado bispo titular de Maura (na Mauritânia, África Ocidental); fixou então residência no Rio de Janeiro. Em breve, porém, D. Carlos viu-se a braços com novas lutas: em 1942 o Brasil entrou em guerra contra o nazi-fascismo; nessa ocasião o bispo apelou publicamente para o Presidente da República a fim de que interviesse na Igreja e expulsasse bispos e sacerdotes “fascistas, nazistas e falangistas”; acusou a Ação Católica de espionagem em favor do totalitarismo da direita; prefaciou elogiosamente o livro “O Poder Soviético” de Hewlet Johnson e atacou por escrito as Forças Armadas do Brasil. Em conseqüência, foi preso como comunista e enviado a uma cidade de Minas Gerais, onde permaneceu na qualidade de hóspede.

Diante dos rumores que se propagavam em torno da pessoa de D. Carlos, as autoridades eclesiásticas procuraram apaziguá-lo. Como isto não desse resultado, D. Carlos em 1944 foi suspenso de ordens, isto é, perdeu a autorização para exercer as funções do sagrado ministério. Esta medida de nada serviu; por isto D. Carlos foi excomungado aos 6 de julho de 1945; neste mesmo dia resolveu fundar a sua Igreja, dita “Igreja Católica Apostólica Brasileira”. Em vista desta atitude, o Santo Ofício declarou D. Carlos excomungado vitandus (= a ser evitado) aos 3 de julho de 1946.

Um dos primeiros atos públicos da ICAB foi a fundação do “Partido Socialista Cristão”, sob a orientação de D. Carlos. Este chegou a apresentar um candidato à presidência da República, o qual, porém, se desentendeu em breve, ficando fracassado o novo Partido.

D. Carlos promoveu direta ou indiretamente a ordenação de numerosos “bispos” e “presbíteros”, cuja formação doutrinária e cultural era precária. O infeliz prelado veio a falecer aos 26 de março de 1961; terminou a vida de maneira desvairada, obcecado por paixões, que se exprimiam em injúrias através do seu jornal “LUTA”. Todavia um Concílio Nacional da ICAB, aos 6 de julho de 1970, chegou a atribuir-lhe o título de “Santo”: “São Carlos Duarte”!

2. Doutrina e atuação da ICAB

Em matéria de doutrina, a ICAB procura reproduzir a da Igreja Católica, excluindo (como se compreende) o primado de Pedro… A sua mensagem teológica é muito diluída, visão que os seus orientadores pouco estudam. Vários destes são homens que tentaram chegar ao sacerdócio na Igreja Católica, mas, por um motivo ou outro, não o conseguiram; então passaram-se para a ICAB, onde o estudo e o acesso às ordens sagradas lhes foram extremamente facilitados. Infelizmente nota-se nos membros da hierarquia e nos fiéis da ICAB certo oportunismo, ou seja, a procura de atender a interesses pessoais: ordenação “sacerdotal” ou “episcopal”, lucros financeiros mediante celebração do culto, “casamento” facilitado em favor de pessoas já casadas, “batizados” sem preparação dos pais e padrinhos… Dir-se-ia que a ICAB procura adeptos a todo e qualquer preço; lê-se, por exemplo, na Lista Telefônica de assinantes classificados do Rio de Janeiro:

“ICAB, Igreja Católica Apostólica Brasileira, Paróquia São Jorge: casamento com ou sem efeito civil de pessoas solteiras, desquitadas e divorciadas. Crismas. Consagrações. Também em residências ou Clubes Realengo, Piraquara”.

Dado que a ICAB se adapta às diversas oportunidades de crescer, há atualmente muitos ramos da mesma independentes uns dos outros, o que sugere a denominação “Igrejas Católicas Apostólicas Brasileiras” em vez de “Igreja Brasileira”.

O que dá certo êxito a essa corrente religiosa, são os dois seguintes fatores:

1) A reprodução dos ritos e a conservação dos símbolos (inclusive da linguagem) da Igreja Católica. Muitas pessoas não conseguem distinguir entre a Igreja Católica e a Igreja Brasileira. Parece haver a intenção de guardar em tudo as aparências da Igreja Católica entre os responsáveis das Igrejas Brasileiras.

2) O procedimento facilitário e oportunista dos mentores da ICAB. Esta não apresenta normas definidas de Direito Eclesiástico, de modo que os seus ministros são capazes de “legitimar” religiosamente qualquer situação ilegal daqueles que os procuram. Este comportamento facilitário é, naturalmente, fonte de dinheiro, pois a ICAB sabe prevalecer-se da generosidade dos fiéis. A exploração se torna ainda mais fácil em virtude da ignorãncia religiosa de muitos cidadãos brasileiros.

A falta de estrutura doutrinária e disciplinar das Igrejas Brasileiras lhes tira a coesão desejável e faz que não tenham quase significado no cenário público do Brasil; apesar disto, conseguem penetrar dentro da população desprevenida da nossa Pátria, favorecendo o ecleticismo e solapando a vitalidade religiosa de muitos católicos.

A propósito pergunta-se:

3. Qual a validade dos ritos da ICAB?

Respondemos em três etapas:

3.1. A eficácia dos Sacramentos

a) Um sacramento é um rito mediante o qual Cristo comunica as graças da Redenção ex opere operato, ou seja, desde que o ministro respectivo aplique a matéria (água, pão, vinho, óleo) e a forma devida (as palavras que indicam o efeito da matéria).

b) Os sacramentos não são eficazes ou não conferem a graça em virtude da santidade do homem (sacerdote, bispo) que os administra mas sim por ação do próprio Cristo, que se serve do homem como instrumento de sua obra redentora. Todavia, para a validade do sacramento, requer-se que:

- O ministro tenha sido validamente ordenado padre ou bispo;

- Tenha, ao administrar o sacramento, a intenção de fazer o que Cristo queria que fosse feito, ou a intenção de se identificar com as intenções de Cristo, Sumo Sacerdote.

3.2. Que diz a ICAB?

Os adeptos da ICAB afirmam que

- Seus ministros foram validamente ordenados padres e bispos, pois receberam a sucessão apostólica das mãos de D. Carlos Duarte Costa, que foi verdadeiro bispo da Igreja Católica, sagrado por D. Sebastião Leme. Embora Dom Carlos se tenha separado da Igreja Católica, conservou o caráter episcopal perenemente impresso em sua alma

- D. Carlos e os bispos que ele ordenou sempre fizeram questão de transmitir as ordens sacras segundo o ritual exato adotado pela Igreja Católica (usando mesmo o latim em algumas ocasiões);

- As missas, os batizados e outros ritos ocorrentes nas cerimônias de culto da ICAB obedecem estritamente à essência do Ritual sempre vigente na Igreja Católica.

Por conseguinte, concluem os ministros da ICAB, a Igreja Brasileira possui autênticos bispos e presbíteros, e ministra validamente os sacramentos.

3.3. E que diz a Igreja Católica?

a) Embora os ministros da Igreja Brasileira apliquem exatamente a matéria e a forma de cada sacramento, falta-lhes algo de essencial para que seus sacramentos sejam válidos, isto é, a intenção de fazer o que Cristo quis fosse feito. Na verdade, os ministros da ICAB, mediante os seus ritos, intencionam criar e desenvolver uma “Igreja” separada da única Igreja fundada por Cristo; tal “Igreja” nova já não professa as verdades do Credo Apostólico, mas se entrega ao ecleticismo religioso: protestantes, espíritas, maçons e comunistas podem ser igualmente membros da ICAB. Sim; a revista “A Patena”, revista da “diocese da Baixada Fluminense” da ICAB, em seu nº 3 de 1971, 4ª capa, diz que a Igreja Brasileira “religiosamente é católica, porque aceita em seu grêmio cristãos de qualquer mentalidade, sem repelir os que sejam ou se digam protestantes, espíritas, maçons, católicos-romanos etc.”. Isto significa que a Igreja Brasileira vem a ser uma sociedade filantrópica, humanitária, mas já não tem a mensagem religiosa definida que o Cristo confiou ao mundo e que o Símbolo de fé apostólico professa.

Donde se vê que a ação dos ministros da ICAB carece daquela intenção que é essencial para a validade dos sacramentos: a intenção de fazer o que Cristo faz mediante os sacramentos.

b) Já que a ICAB se ramificou, dando origem a múltiplas “Igrejas”, Ordens e Irmandades independentes, já não se pode saber até que ponto nas denominações “católico-brasileiras” se conserva a fidelidade aos ritos sacramentais; com o tempo as arbitrariedades e os desvios facilmente se introduzem nas pequenas comunidades. Em conseqüência, a Igreja Católica não reconhece as ordenações conferidas pela ICAB, muito menos reconhece a autenticidade das Missas e dos sacramentos celebrados pela ICAB.

4. Observações Finais

A Igreja fundada por Cristo (cf. Mt 16,16-19) é Católica (aberta a todos os homens), Apostólica (baseada sobre a ação missionária dos doze Apóstolos) e Romana, isto é, governada visivelmente por Pedro e seus sucessores, que têm sede em Roma (como poderiam ter em Jerusalém, Antioquia, Alexandria… se a Providência Divina tivesse encaminhado Pedro e os acontecimentos iniciais da história da Igreja em rumo diverso do que realmente ocorreu).

O título de “Romana” portanto não significa que a Igreja de Cristo esteja presa aos interesses políticos da cidade de Roma ou da nação italiana; nem implica subordinação dos fiéis católicos do Brasil a uma potência estrangeira, mas apenas indica que essa Santa Igreja tem seu chefe visível, instituido por Cristo, na cidade de Roma.

Os fatos atrás apontados evidenciam a urgência de sólida catequese para o povo de Deus no Brasil.

D. Estevão Bettencourt.

FONTE ELETRÔNICA: