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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Os símbolos do Advento

O que é o Estado Pontifício?

Anfibologia perniciosa

Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho*
Em manchete, com destaque, jornal de grande circulação noticiou dia 13 de janeiro último que "Cientistas querem saber se fé alivia a dor", destacando ainda que " cientistas britânicos vão "torturar" voluntários em laboratório para descobrir como a crença religiosa se manifesta no cérebro dos que são submetidos a sofrimento físico" (sic). Em primeiro lugar cumpre analisar a ambigüidade do termo referente à fé. Esta, na sua essência, é um ato da inteligência, a adesão prestada a uma verdade revelada. Não raro é empregado o termo fé como sinônimo de confiança, de exaltação interior, de abandono às emoções que nascem do sentimento das realidades espirituais. Não se pode esvaziar o termo fé de seu conteúdo intelectual para acentuar-lhe a tonalidade afetiva como focaliza a referida notícia. Além do mais, o domínio da fé é o campo sobrenatural que ultrapassa inteiramente qualquer experimentação científica. Alguns astronautas ateus com uma ingenuidade alarmante chegaram a afirmar: "Não vimos Deus no espaço!" A palavra emoção se aplica em psicologia a uma reação afetiva de grande intensidade, dependente de centros diencefálicos e comportando normalmente manifestações de ordem vegetativa. Emoções fortes incluem alegria, a dor, o medo, a cólera, o amor a repugnância e outras manifestações corpóreas. Estão na esfera psicossomática. Não se pode, porém, instrumentalizar a fé, transformando-a num passo de mágica. É diferente, bem diferente, o caso de tantos que ante uma dor permitida por Deus a suportam corajosamente, dando-lhe uma aplicação transcendental e a superando. O tema é complexo não terá respostas nos laboratórios. Com efeito, o que médicos já verificaram é que doentes em estado de graça, ou seja, portanto, com a consciência inteiramente em paz com Deus, tendo a graça santificante na alma, estão muito mais aptos a recuperar a cura, possibilitando uma ação mais rápida dos medicamentos. Agora, se pretender fazer uma série de experiências com voluntários, para testar sua fé é uma tolice.
Diz o jornal: "Numa das experiências será esfregado um gel à base de pimenta na pele das pessoas que serão convidadas a buscar diferentes meios para aliviar a sensação de ardência. Para as pessoas com forte convicção religiosa, entre essas saídas estará a fé"! (sic). Não há dúvida de que a medicina tem um liame profundo com a Teologia da Graça. A ciência moderna reencontrou a alma, exulada pelas ciências positivas. Nos anais do progresso científico rebrilha a psicopatologia e a medicina psicossomática com um prestígio dantes desconhecido, projetando suas conquistas beneméritas para a humanidade. Por entre as luminosas conclusões, nas veredas da psicologia, surge um outro elemento cuja presença inefável, até então olvidada, envolve o corpo e a alma e traz ao ser humano, na sua irrecusável atuação e benéfico influxo, uma harmonia profunda, causando-lhe a mais sublime eutimia. Elemento sobrenatural, a Graça, que é a participação na vida divina, recebida no Batismo e, se perdida pelo pecado, recuperada no Sacramento da Penitência. Grupo de sábios médicos italianos sob a presidência do Dr. E.M. Fondi, debruçou-se sobre o estudo desta fonte de energia obliterada. Ela opera eficazmente no homem ainda que considerada sob o ponto de vista meramente biológico. Inquiriram os grandes médicos: "É um fato que a Graça tem agido sobre milhões de homens, num modo ordinário e às vezes extraordinário, com fenômenos que a ciência não sabe explicar.

Ora, é lícito perguntar se a Graça não é, a seu modo, medicina para o corpo além de o ser para a alma. Para procurar uma resposta é necessário remontar às causas da doença". É certo que os estados de espírito podem produzir verdadeiras alterações orgânicas. Diagnosticadas úlceras gástricas como resultado de preocupações não vencidas, a angina pectoris como fruto de ansiedades não superadas e demonstrado que uma artrite pode ter causa psíquica, a conclusão óbvia é esta: "Aquilo que trabalha beneficamente sobre a alma pode e deve influir salutarmente sobre o corpo". É então que aparece o papel relevante da Graça, pois "a Graça de Deus coloca o indivíduo em tal situação espiritual que o leva a vencer as dificuldades morais e a enfrentar circunstâncias e embaraços, após os quais seria impossível haver o equilíbrio, a paz, a tranqüilidade". É toda uma germinação espiritual que afasta o peso das coações materiais na vida psíquica. É a harmonia íntima que permite a plena edificação do homem. É o retorno ao contato com o sobrenatural que leva a superar as misérias orgânicas e fisiológicas. Como se percebe a questão é colocada em termos bem diferentes dos propostos na referida notícia de médicos britânicos.

* Professor no Seminário de Mariana - MG


fonte:



Cristãos são presos no Irã por evangelizar

ROMA, 21 Dez. 10 / 01:33 pm (ACI).- Segundo informou hoje a Rádio Vaticano, nove cristãos estão presos no Irã há três meses sem que tenham sido feitas acusações precisas contra eles. A notícia foi divulgada pela agência AsiaNews. No dia da detenção, 19 de setembro, a TV estatal informou: "Um grupo de nove cristãos foi preso em Hamadan sob a acusação de atividade de evangelização".

Fontes locais divulgaram declarações dos serviços de segurança, segundo as quais a finalidade do grupo era destruir a República Islâmica do Irã. Segundo a RV texto se referiu várias vezes aos nove definindo-os "Sionistas cristãos".

Os nomes de quatro deles (cinco de identidade desconhecida) são Vahik Abrahamian e sua esposa Sonia Keshish Avanessian (armênio-iraniano), e Arash Kermanjany e Arezou Teimour, iranianos de língua farsi. As forças de segurança de acordo com a reportagem da TV invadiram a casa de Abrahamian e o prenderam, junto com sua esposa e outros dois cristãos convertidos que eram seus hóspedes.

A casa foi revistada e oficiais recolheram vários objetos pessoais. Mais tarde, o grupo foi levado para um local desconhecido. Outros cristãos convertidos foram presos e interrogados em Karaj, Teerã e Hamadan, e alguns deles foram libertados depois de terem assegurado que não continuariam com a obra de evangelização.

Os quatro presos em Hamad, ao invés, foram levados para a prisão de Hamadan. Todos foram colocados em isolamento durante quarenta dias antes de serem transferidos, e nesse período não puderam ser contatados pelas famílias. Entretanto, as autoridades judiciais ainda não explicaram por que eles foram presos, nem fizeram acusações específicas contra eles.

fonte:

Católicos idolatras? Dossiê bíblico

Corpo e Alma ou Corpo, Alma e Espírito?

John Lennon J. da Silva .

Muitos protestantes defendem que o homem é formado por corpo, alma e espírito. Um erro que cometeram inúmeros hereges semipelagianos¹, esta crença da tricotomia é atribuída por muitos estudiosos a Apolinário de Laodicéa, que viveu de 310-390 D.C. Tal doutrina encontrou ressurgimento e apogeu com alguns teólogos protestantes na Alemanha no período moderno, ao afirmarem a tricotomia, muitos julgaram que além da alma e do corpo, o homem possui uma partícula divina, a que chamam de espírito (pneuma em grego). Baseados em dois versículos bíblicos que iramos citar.
A teologia católica entende que o homem é formado de Corpo e Alma, sendo assim um ser material e espiritual, a exemplo das elucidações das Sagradas Escrituras como durante a narração da criação do homem por Deus, “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e inspirou-lhe nas narinas um sopro de vida e o homem se tornou um ser vivente.” Gen 2,7; vale observarmos que Deus formou o Homem do barro, ou seja, trata-se do corpo e inspirou nele sopro de vida que o fez ser vivente, ou seja a alma que anima o corpo.
Bem só há dois versículos nas sagradas Escrituras que são utilizados pelos defensores da tricotomia, a primeira delas em I Tess 5,23: “O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!” aqui como analisam ligeiramente muitos protestantes sem tanta profundidade, tiram eles a conclusão de que o homem é tri-partidario, basta nos um breve explicação:
O texto de São Paulo citado acima “Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses, 5, 23) ou, mais ainda na carta aos Hebreus (IV,12), é explicado pelos exegetas católicos, como por exemplo o Pe. J.M. Bover S.J., em seu livro Teologia de San Pablo, como uma distinção que o Apóstolo faz de dois aspectos da mesma alma: enquanto princípio de animação do corpo e enquanto elemento puramente espiritual que sobrepassa e sobrevive ao corpo, sob forma de inteligência e vontade utilizando o termo “espírito” como refletido por São Tomas de Aquino em sua Suma Teológica.

Também os Padres da Igreja já tinha concebido a ideia de dicotomia entre eles Santo Agostinho no séc. IV. Voltando ao versículo o termo “espírito, a alma e o corpo” preparado para a vinda de Nosso Senhor, tem por finalidade e significa uma entrega total do homem inteiro “de todo o ser”, como diz o mesmo Apóstolo, sem reserva alguma, a Deus Nosso Senhor.

O uso dos termos, alma e espírito aparecem também em outros lugares da Escritura, como no caso do Cântico de Nossa Senhora, “Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria” (São Lucas, 1, 46-47), é um modo enfático de dizer que todo o ser se engaja, se entrega, exulta, com a ação de Deus.

Vejamos o que as Sagradas Escrituras falam em plenitude sobre a confirmação da dicotomia (duas partes), como aceito na Igreja Católica:

“antes que a poeira retorne à terra para se tornar o que era; e antes que o sopro de vida retorne a Deus que o deu” Ecle 12,7. alusão ao destino do corpo que é a terra, e o sopro de vida, a alma ou espírito como é interpretado por muitos exegetas, que volta para Deus.

“seja esse homem entregue a Satanás, para mortificação do seu corpo, a fim de que a sua alma seja salva no dia do Senhor Jesus.” I Cor 5, 5:
“A mesma diferença existe com a mulher solteira ou a virgem. Aquela que não é casada cuida das coisas do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito; mas a casada cuida das coisas do mundo, procurando agradar ao marido” I Cor 7, 34. O espírito aqui é alma como tratado acima.

“Depositários de tais promessas, caríssimos, purifiquemo-nos de toda imundície da carne e do espírito, realizando plenamente nossa santificação no temor de Deus.” II Cor 7, 1: mas uma vez o Espírito aqui é a racionalidade ou a mente podemos colocar inteligência, à vontade caracteres da alma.

Há muitos outros versículos que refletem esta realidade. Os protestantes se assegura-se em dois versículos e acabam por esquecer as demais obras que integram o Cânon bíblico, (Tg 2, 25). (1 Sm 1, 10); (Is 54, 6); (Jo 12, 27); (Jo 13, 21); (At 17, 16); (I Pd 2, 8). (Lc 1, 46-47); (Mc 12, 30). (Tg 1, 21); (Gn 35, 18); (1 Rs 17, 21); (Mt 10.28); (Sl 31, 5); (Mt 27, 50); (Lc 8, 55); “Então Jesus clamou em alta voz: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” (Lc 23, 46); (At 7, 59) (Mt 10, 28): (Ap 6, 9); (Hb 12, 23); (I Pd 3, 18-20).
Nota:
semipelagianos¹: Teoria herética que entre alguns pontos tratava da salvação individual, foi condenada pela Igreja no século IV; especificamente nos Sínodos de Orange em (441 e 539) na França [em 431 o Concilio de Éfeso já havia condenado a doutrina de Pelágio, donde deriva o pensamento semipelagianista].
Referencias:

[1] VILAC, José Luiz. Alma e espírito. Revista Catolicismo. Disponível em: www.catolicismo.com.br Acesso em 19 abril 2009.

[2] BRODBECK, Rafael. Leitor pergunta sobre diferença entre alma e espírito. Apostolado Veritatis Splendor. Disponível em: www.veritatis.com.br Acesso em 22 maio 2009.

[3] HANKO, Ronald. Corpo e Alma ou Corpo, Alma e Espírito? [tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto]. Disponível em: http://www.cprf.co.uk/languages/portuguese_bodysoulspirit.htm Acesso em: 03 agosto 2010.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Se "Fora da Igreja não há Salvação", o que é o Ecumenismo?

Infelizmente esta é uma confusão muito comum, especialmente em certos meios ditos "progressistas"; esta confusão, na verdade, é fruto do chamado "relativismo", uma heresia já condenada pela Igreja muitas e muitas vezes.
Antes de mais nada, vejamos o que é o ecumenismo verdadeiro (não o da LBV...):

A palavra "ecumênico" sempre foi usada no sentido de uma reunião do conjunto dos bispos da Igreja. Assim, por exemplo, um Concílio que reúna os bispos do mundo todo é um concílio ecumênico, mesmo (e especialmente!) se não houver nenhum não-católico presente.

Infelizmente esta palavra começou a ser usada no fim do século passado para definir um movimento surgido nos meios protestantes, que busca fazer uma reunião meramente jurídica de todas as seitas protestantes (não devemos nos esquecer que na eclesiologia protestante a Igreja, com "I" maiúsculo, não existe visivelmente, sendo composta por uma união invisível de todas as seitas); assim este movimento pseudo-ecumênico, expresso por exemplo no Conselho Mundial de Igrejas, deseja fazer com que as seitas aceitem a validade, por exemplo, dos Sacramentos ministrados por outras seitas. No caso de seitas que não acreditem em sacramentos, o objetivo do movimento seria fazer com que admitissem que as seitas que acreditam são verdadeiramente "cristãs" no mesmo sentido que o são os membros de sua seita própria.
Ora, esta visão é incompatível com a Fé cristã. O protestantismo prega que a fé apenas salva, mas não se preocupa com a questão que evidentemente surge em decorrência desta crença: fé em quê? Para um protestante, trata-se de uma aceitação subjetiva de um "jesus" salvador, não de uma aceitação real d'O Jesus Salvador. Digo isso por uma razão simples de perceber: se cada um interpreta diferentemente a Escritura e acredita que o que Ele pede é uma coisa diferente do que outro protestante (por vezes na mesma seita!) acredita, não se está aceitando Jesus, mas sim inventando um "jesus" pessoal, um "jesus" que corresponde na verdade apenas às ânsias e preconceitos do "crente".

Assim Monique Evans e Tiazinha, por exemplo, crêem em um "jesus" que não vê absolutamente problema nenhum na difusão de pornografia, "jesus" esse radicalmente diferente, por exemplo, do "jesus" de uma senhora da "Assembléia de Deus", que não tira suas saias longas e não corta o cabelo.

Do mesmo modo o "pastor" Caio Fábio acredita em um "jesus" que permite o divórcio (em frontal contradição com as próprias palavras de Cristo registradas no Evangelho!), mas preocupa-se principalmente com problemas sócio-policiais da população favelada...

Para Monique Evans e Tiazinha, entretanto, Caio Fábio é certamente um cristão, e presumivelmente o contrário também é verdade.

Este é o "espírito ecumênico" do Conselho Mundial de Igrejas, que aliás já está tendo problemas graves devido a, por exemplo, a pregação pró-homossexualismo de algumas seitas que dele fazem parte, pregação essa que já provocou a saída de vários grupos deste Conselho.

A mensagem do falso ecumenismo é "tolerância", compreendida como na verdade mero indiferentismo: não importa em que "jesus" é a fé do "crente", importa que ele tenha fé.

O "ecumenismo" da LBV é aparentemente o paroxismo deste tipo de mentalidade indiferentista, mas na verdade o é apenas para consumo externo. Nas creches e escolas da LBV, por exemplo, as crianças são indoutrinadas na doutrina própria desta seita, que entre outras coisas ensina o reencarnacionismo, as várias revelação sucessivas (incluindo aí Allan Kardec e o próprio fundador da LBV), a inexistência do Espírito Santo (visto como uma reunião de "espíritos evoluídos"), etc.

Assim eles consideram que todas as religiões são aceitáveis, mas a verdade seria a pregada por eles. Como são reencarnacionistas, não vêem necessidade de confronto; afinal se o sujeito for um bom protestante, ou católico, ou macumbeiro, na "próxima encarnação" ele poderá ter acesso à verdade LBVista...

Estes falsos ecumenismos são totalmente diferentes da noção católica de ecumenismo. Já vimos que a palavra "ecumênico" sempre teve na Igreja a conotação de algo relativo a uma reunião de toda a Igreja, não de uma reunião interreligiosa. Vimos igualmente que o relativismo é algo totalmente contrário à fé cristã.

Como então se coloca o afã "ecumênico" da Igreja, no que diz respeito ao diálogo com os protestantes e cismáticos orientais?

Trata-se de, como Cristo, ir buscar à ovelha que está afastada, trazer para a Igreja aqueles que estão fora dela, quer formal quer materialmente. O Concílio Vaticano II pede, como norma pastoral, que isto seja feito partindo-se do que já é de conhecimento ou uso do herege ou cismático. Nisto o texto conciliar corrobora a imortal sabedoria do Doutor Angélico, S. Tomás de Aquino, que já dizia: "Ao debater com pagãos, uso a Razão; com judeus, o Antigo Testamento; com hereges, toda a Escritura".

Assim devemos perceber os reflexos da verdadeira Fé cristã que estão contidos em cada seita ou crença pessoal, para a partir destes reflexos incentivar o herege ao estudo para que ele perceba os erros e incoerências da falsa fé que tem.

"Ora", diria o indiferentista, "e os 'elementos de santificação' que existem nas seitas?" Respondo que eles existem, como podemos ver nos próprios documentos do Concílio, apenas em função da Igreja. Trata-se de, para usar uma parábola evangélica, migalhas que caem da mesa. Um batismo válido ministrado por uma seita protestante não é válido por ter sido ministrado por esta seita, mas sim apesar disto!

Assim um batismo válido ministrado por, digamos, uma seita pentecostal faz com que a pessoa que foi batizada torne-se não pentecostal, mas católica. Alguém que morra logo após um batismo válido ministrado por uma seita pentecostal morre como católico, e como tal é salvo.

Este pertencer invisível à Igreja, entretanto, não é garantia de salvação. Muito pelo contrário, aliás. Alguém que tenha nascido em um ambiente protestante, nunca tenha tido contacto algum com a verdadeira fé (situação evidentemente impossível no Brasil...) e siga a falsa fé em que foi educado após um batismo válido pode ser salvo, se, e somente se, ele nunca abandonar a Graça de Deus infusa pelo batismo.

Ora, como é abandonada esta graça? Pelo pecado mortal (pecado cometido deliberada e conscientemente em matéria grave). Assim a chance de um protestante se salvar está em não pecar nunca mortalmente após um batismo válido (e batismo é só uma vez: se ele foi batizado em criança é este o batismo válido; se o foi em adulto, não adianta reiterar o batismo: o segundo vale apenas por um banho sem sabonete...), seguindo assim sempre a sua consciência de forma irrepreensível e aceitando todas as graças dadas por Deus.

Ora, será que isso é comum? Será que é comum que uma pessoa, mais ainda, uma pessoa sem acesso ao Santíssimo Sacramento e fechada em um ambiente de mentiras e heresias, consiga sempre corresponder à graça de Deus de tal maneira que nunca, jamais peque mortalmente? Certamente que não.

Tal acontecimento é evidentemente raríssimo, mas pode existir. Devido a sua raridade e, mais ainda, à presunção em que implicaria confiar que ocorra tal comportamento, é um dever de caridade de todo católico buscar trazer à Igreja este pobre protestante, para que, tendo acesso aos Sacramentos e à Verdade, possa evitar as chamas eternas do Inferno.

A única outra chance que um protestante hipotético, nascido e criado sem contacto algum com a Igreja, poderia ter de salvar-se é uma perfeita contrição na hora da morte. O que é uma perfeita contrição? É um arrependimento completo de seus pecados, movido por um amor absoluto e perfeito a Deus. Por Deus vem o horror aos pecados, e Deus não deixaria de perdoar alguém que estivesse tão perfeitamente arrependido de seus pecados e a buscar a união com Ele.

Ora, o protestantismo desincentiva a contrição, vista por eles como demonstração de falta de fé. Afinal, eles acreditam que o pecado do homem é encoberto por Jesus, mas continua existindo; eles não acreditam em santificação do homem, mas acham que Cristo mente a Deus Pai, dizendo que o homem está sem pecado, para que ele possa entrar no Céu. Assim preocupar-se por um pecado cometido seria uma demonstração de falta de fé no "pistolão" celestial que os faria entrar no Céu mesmo sendo sempre pecadores. E é apenas, nesta heresia, a falta de fé que pode fazer com que alguém não seja salvo...

No caso de um católico que apostate e venha a ser, digamos, batista ou pentecostal, a situação é muito mais grave, assim como é gravíssima a situação de um protestante nascido em país católico (e que assim teve contacto com a Verdade). Isto ocorre por uma razão muito simples: a Verdade atrai quem a busca, e a graça da conversão é sempre dada por Deus a todos, mesmo os piores pecadores.

O próprio fato de um católico apostatar da Verdadeira Fé e unir-se a uma seita é na verdade um ato de afastamento de Deus, de negação de Sua Graça. O nosso protestante hipotético que nunca tivesse conhecido a Igreja nem cometido pecado mortal, por exemplo, seria indubitavelmente alguém que, pela oração, pela caridade, pelos meios que estivessem a seu dispor, procurara sempre aceitar a graça de Deus. Este protestante hipotético, caso tivesse qualquer chance de contacto com a Igreja (nem que fosse pela TV ou pela Net), aceitaria a graça que Deus sempre está a oferecer a todos os pecadores e hereges e se converteria.

Assim um protestante em país católico ou, pior ainda, um católico que se tornou protestante é alguém que se negou a aceitar uma graça dada por Deus, escolhendo separar-se de Deus. Vemos assim como é perigosa esta situação. A pessoa escolheu, movido provavelmente por interesses outros (possibilidade de segundas núpcias, desejo de ser o árbitro final do certo e do errado - a exemplo de Adão e Eva no Paraíso...), abandonar a Cristo e inventar seu próprio "jesus", negando-se assim a aceitar aquilo que Deus pede dele e para o quê Ele oferece a cada instante os meios (a graça da conversão).

Mesmo que esta pessoa tenha cometido este ato (negar-se a aceitar a graça) sem ter consciência de seu erro, isto não deixou de ser um ato de separação de Deus. Trata-se de ao mesmo tempo a comprovação de uma negação provavelmente habitual da graça (posto que se ele estivesse habitualmente disposto a aceitar as graças dadas por Deus não teria negado a mais importante!) e uma decisão de não mais aceitar a reconciliação com Deus (feita pelo Sacramento que Cristo instituiu) após um pecado mortal que ele venha a cometer.

Além disso, provavelmente não durará muito para ele cometer um pecado mortal, visto o seu fechamento, doravante habitual, para a graça. Não podemos esquecer que é apenas pela graça de Deus livremente aceita que podemos não pecar; a nossa natureza sozinha nos leva a pecar. "Abyssus abyssum invocat", o abismo atrai abismo. Quanto mais a pessoa peca, quanto mais ela se afasta da graça de Deus, mais fácil se torna pecar.

O dogma (um dogma é algo que é Verdade Revelada, que deve ser crida por todo cristão; um exemplo disso é a Santíssima Trindade, Três Pessoas e Um Só Deus) nos afirma claramente que "Fora da Igreja não Há Salvação". Não é possível salvar-se fora da Igreja, que é a Comunhão dos Santos. Não é possível salvar-se em estado de pecado mortal, não é possível salvar-se em uma seita herética.

A eventual salvação de um herege vem de sua conversão ou, no caso de alguém que nunca, jamais, tenha tido acesso à Igreja, pela aceitação de todas as graças dadas por Deus, o que levaria a uma conversão caso ele tivesse a oportunidade; é a isto que se refere o documento *Diálogo e Anúncio* do Pontifício

Conselho para o Diálogo Inter-religioso: "Em muitos casos, eles já podem ter

respondido implicitamente à oferta de Deus de salvação em Jesus Cristo; um

sinal disto pode ser a prática sincera das próprias tradições religiosas, à

medida que elas contêm autênticos valores religiosos. Podem já ter sido

atingidos pelo Espírito e, de certo modo, estar associados, sem o saberem,

ao Mistério Pascal de Jesus Cristo (cf. GS 22)."

É o caso de alguém nascido protestante ou até pagão, sem jamais ter tido contacto com a Fé Cristã verdadeira, que tenha sempre, ao longo de sua vida, respondido "sim" a tudo o que Deus dele pediu, praticando sinceramente as práticas religiosas de sua comunidade, no que elas contém de conforme à Lei Natural. Assim alguém que tenha sido criado, digamos, em uma comunidade de adoradores de ídolos que fazem sacrifícios humanos não poderia jamais tomar parte nos ditos sacrifícios, abomináveis à luz da Lei Natural que todos nós já temos inscrita em nosso coração e que não precisamos aprender de fontes externas.

A associação deste hipotético pagão ou protestante com a Igreja, Corpo Místico de Cristo, ocorreria sem que ele o soubesse; sua resposta habitual de aceitação das graças dadas por Deus corresponderia, na Infinita Misericórdia do Senhor, a uma aceitação da oferta de Deus de Salvação no Cristo Jesus. Esta oferta só não foi aceita de forma explícita por não ter sido conhecida, pelo fato deste protestante ou pagão hipotético nunca ter visto um só católico em toda a sua vida.

Esta pessoa está assim unida de forma invisível à Igreja; ela está materialmente na Igreja, mas não formalmente, e só não está formalmente na Igreja por falta de oportunidade. Enquanto ela se mantiver dentro da Igreja, ainda que desta forma invisível, ela pode ser salva. Se um dia, porém, ela deixar de aceitar as graças dadas por Deus e pecar consciente e deliberadamente em matéria grave, ela só poderá voltar à Igreja se tiver uma perfeita contrição, já que não tem acesso ao Sacramento da Confissão.

Assim, portanto, é o dever de todo católico unir-se ao afã ecumênico da Igreja, buscando a conversão dos hereges e cismáticos, buscando trazê-los de volta à Igreja, fora da qual não há Salvação.

O Santo Padre João Paulo II, através de organizações com este objetivo, trata desta nobre missão no âmbito mais amplo, buscando fazer com que seitas e grupos cismáticos voltem à Igreja em bloco. Até agora já foram vários grupos a abandonar seus erros e voltar à fidelidade e obediência ao Romano Pontífice, condição necessária (ao menos implicitamente) para a salvação.

A nós cabe fazê-lo no âmbito individual, trazendo pessoas (amigos, conhecidos, vizinhos...) de volta à Igreja, de volta a Cristo, de volta à possibilidade de Salvação.

Sugiro, para facilitar este diálogo, especialmente com os protestantes, uma visita à página de meu programa de rádio, A Hora de São Jerônimo, onde podem ser encontrados argumentos para iniciar um debate que faça com que o herege perceba os erros de sua seita. Sugiro fortemente que o primeiro programa a ser ouvido seja o sobre a Bíblia, que explica o erro de base do protestantismo.

Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo.

Autor: Carlos Ramalhete