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terça-feira, 2 de novembro de 2010

O NOME DE DEUS

Muitas vezes somos abordados pelos chamados "Testemunhas de Jeová". Eles procuram nos convencer de que o Nome de Deus é Jeová, e que é muito importante tratá-l'O por este nome. Além disso, eles têm outras doutrinas exóticas, que não cabe neste artigo tratar; entre outras coisas, eles dizem que Jesus não é Deus...

De onde veio este nome, "Jeová"?

Quando Deus Se revelou a Moisés, este perguntou a Ele qual o Seu nome. Deus respondeu: Eu sou O que sou (tradução da Vulgata pelo Pe. Mattos Soares). Este nome, traduzido como "Eu sou O que sou", é uma tradução do hebraico, do chamado Tetragrama, o Nome Inefável de Deus. É uma palavra hebraica com quatro letras: Yud-Hei-Vav-Hei. Esta palavra é uma forma arcaica do verbo "Ser" em hebraico. Devemos notar que o hebraico normalmente não apresenta o verbo "ser" no presente, já que apenas Deus É. Assim, em hebraico, dizemos "eu brasileiro", não "eu sou brasileiro", "Maria linda moça", não "Maria é uma linda moça".
Os judeus sempre tiveram um saudável respeito ao nome de Deus. O Tetragrama nunca é pronunciado pelos judeus; apenas o Sumo-Sacerdote, uma vez por ano (no dia de Yom Kippur), entrava no Santo dos Santos do Templo e sussurrava o nome. Isto era visto como algo extremamente perigoso, e na verdade o era. O Sumo-Sacerdote entrava no Santo dos Santos com uma corda amarrada no pé, para ser puxado para fora em caso de morrer lá dentro, o que certamente ocorreria se ele estivesse impuro. Foi esse aliás o fim de muitos Sumo-Sacerdotes judeus.
Para evitar pronunciar o nome de Deus, os judeus, ao lerem as Escrituras, pronunciam no lugar do Tetragrama a palavra "Adonai", que significa "Senhor". Aliás esta também é a Tradição católica; qualquer tradução católica mais antiga da Bíblia usará "O Senhor" quando no texto hebraico encontramos o Tetragrama, e "Deus" quando encontramos o Nome "Elohim" (outro nome de Deus, designando a Sua Misericórdia, como o Tetragrama designa a Sua Justiça).
Mas o respeito dos judeus vai mais longe; eles não usam a palavra "Adonai", ou sequer a palavra "Elohim" ao falar de Deus fora da oração. Se for necessário traçar a diferença entre uma e outra (como ao comentar a oração ou um texto bíblico), eles dizem "Adokai" ou "Elokim". Ao tratar de Deus em outras ocasiões, normalmente são usadas as expressões "Cadoch Barurrú" (que pode ser traduzida como "O Santo, louvado seja Ele") ou simplesmente "Rachem", que significa "O Nome". Estas pronúncias são transliterações para o sotaque carioca, com "R" soando aspirado, como o "H" em inglês.
O resultado disso é simples: a verdadeira pronúncia do Nome de Deus foi perdida. Como a língua hebraica não tem vogais (elas são escritas apenas em textos bíblicos, não em jornais ou livros, e são sinais parecidos com nossos acentos, colocados embaixo, em cima e ao lado das letras), qualquer tentativa de pronunciar o Nome de Deus é apenas uma suposição. Pode ser uma suposição educada, lendo-se o Tetragrama como normalmente seriam lidas as sílabas que o compõem em outras palavras, mas será sempre uma suposição.

Para evitar que alguém lesse por engano o Nome de Deus na oração (ao invés de substituí-lo por "Adonai"), os judeus normalmente escrevem as vogais da palavra "Adonai" com as consoantes do Tetragrama. Assim, o Tetragrama aparece cercado por sinais que são as vogais de "Adonai".

O heresiarca Martinho Lutero, ao fazer a sua tradução da Bíblia no século XVI, pegou um texto hebraico que continha justamente estas vogais em torno das consoantes do Tetragrama, e criou uma palavra que é na verdade composta pelas vogais de "Adonai" combinadas com as consoantes do Tetragrama: Jeová.

Assim, pela ignorância dos costumes judeus, foi introduzido como sendo o nome de Deus algo que na verdade é apenas uma mistura de duas palavras, sendo uma delas o Nome de Deus e a outra uma expressão que significa "O Senhor". Lutero foi o fundador do protestantismo, e seus discípulos diretos e indiretos levaram adiante este nome falso, que acabou por ser aceito por muitos como sendo a pronúncia correta do Nome de Deus. Os "Testemunhas de Jeová" são simplesmente um ramo do protestantismo que levou às últimas consequências este engano, e dedica-se a propagar pelo mundo este erro de tradução.

Surge então a questão: como deveria ser pronunciado o Nome de Deus?

Se procurarmos a suposição mais bem fundada, pronunciaríamos "Iavé", ou "Javé" (a maior parte das palavras que começam com um som de "I" em hebraico têm som de "J" em outras línguas, como "Irruchaláim", em português Jerusalém). Mas o melhor mesmo é nos atermos à tradição da Igreja e dizer sempre "O Senhor", ou, melhor ainda, Jesus, o Nome acima de qualquer outro nome.

O importante não é pronunciarmos corretamente O Nome, mas sim O glorificarmos por nossos atos e palavras:

Pai Nosso, que estás no Céu,

Santificado seja o Vosso Nome...

Autor: Carlos Ramalhete

CRISTO NA CRUZ?

1. Se podemos cultuar o Cristo ressuscitado, vivo, por que tambem cultuar o Cristo morto?

Porque Ele morreu por nós. Nós esperamos ressuscitar com Ele, mas não podemos nos esquecer de que Ele morreu por nós.

Não se pode ressuscitar sem morrer, e isto é evidente.

Mas porque lembrar-se da Cruz?

Porque a Cruz era a forma usada pelos romanos para matar os piores criminosos. Porque a morte de cruz, no judaísmo, equivale a uma terrível maldição.

Jesus é Deus que se fez homem por nós, e por nós morreu uma morte horrível e ignominiosa.

O Sacrifício da Missa é o mesmo Sacrifício feito por Cristo na Cruz.

No Templo dos judeus, eram feitos sacrifícios cruentos, sacrifícios sanguinolentos de animais vivos.

Os sacrifícios tinham simultaneamente função expiatória (limpar-se das impurezas, do pecado) e de louvor.

As mulheres judias, quando nascia um filho , sacrificavam dois cordeiros (ou dois passarinhos para quem não tinha dinheiro, como a Sagrada Família). Um era um sacrifício de ação de graças pelo nascimento da criança. O outro era um sacrifício expiatório, para anular a promessa inconsciente de nunca mais ter outro filho ,feita pela mulher entre as dores do parto.

Nossa Senhora, para não ser motivo de escândalo, fez o segundo sacrifício também.

Jesus é o Cordeiro de Deus. O Cordeiro é o animal sacrificial por excelência, substituto de Isaac no sacrifício de Abraão.

Cristo foi condenado pelos sumos-sacerdotes do Templo, e morreu no monte Calvário, que segundo o Rolo do Templo (vou explicar embaixo, como nota de pé de página, o que é o Rolo do Templo) faz parte do Templo, da área em que um sacrifício seria válido.

O Sacrifício de Cristo na Cruz foi o último sacrifício necessário da Antiga Aliança - poucos anos depois do Sacrifício de Cristo, o Templo foi destruído (na mesma data em que fora destruído o Primeiro Templo e os judeus foram, mais tarde, expulsos de Espanha) e o sacrifício cruento cessou até hoje, ainda que o bezerro vermelho que nasceu em Israel leve a temer uma séria conflagração em breve (no fim da msg vou falar do bezerro vermelho), causada pelo retorno da possibilidade sacrificial judaica. Hoje muçulmanos (ismaelitas) ocupam aquele espaço, e eles não deixam os judeus sequer rezar no Monte do Templo, que dirá sacrificar animais.
O Sacrifício de Cristo na Cruz é até hoje perpetuado realmente e de maneira incruenta (sem mortes, sem derramamento de sangue e fogo) na Missa.

Quando o padre diz o "Per Ipsum" ("Por Cristo, Com Cristo e em Cristo, a vós Deus Pai Todo-Poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda Honra e toda a Glória, agora e para sempre, amém"), ele está agindo "in persona Christi", na pessoa de Cristo.

Ele *é* Cristo, oferecendo-se em sacrifício na Cruz por todos nós.

É fácil imaginarmos cenas alegres e pastoris com Cristo chamando as criancinhas, e é fácil e agradável tê-las em torno de si.

Mas ao vermos diante de nós a imagem de Nosso Senhor agonizando na Cruz, vemos por que caro preço fomos comprados, e buscamos ser dignos, com o Seu auxílio, de recebê-lo em nossa casa.

Sabemos que nossos pecados Lhe são dolorosos, e sabemos que somos pecadores.

Sabemos que temos que suportar nossas cruzes com amor, e temos que ajudá-lo como o Cirineu o ajudou.

Sabemos que Ele abraçou a Sua Cruz, mas no caminho por três vezes caiu. Assim sabemos que devemos ajudar nossos irmãos que caem, e sabemos que podemos sempre nos levantar mais uma vez.
Sabemos que a Ele devemos nossas alegrias, e a Ele dedicamos nossas tristezas.

A Cruz é o caminho do cristão. A ressurreição é a recompensa final, mas antes dela temos nossas cruzes a carregar. Se refugarmos as nossas cruzes, colocamo-nos entre aqueles que diziam "crucifiquem-no, crucifiquem-no!"...

2. Os bracos abertos, para receber todos aqueles que o buscam... "Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados, que eu vos aliviarei" (Mateus 11.28), partem do Cristo na cruz ou do Cristo que não está mais lá, pois ressuscitou?

Do Cristo, Eterno Filho do Pai. Jesus falou isso antes de morrer na Cruz, diga-se de passagem, e pouco antes ele lembra da necessidade de penitência (Mt 11,20-24). Além disso, Deus não está sujeito ao tempo.

Jesus na Cruz suporta os nossos pecados. Jesus na Cruz agoniza por nossos orgulhos e por nossas desonestidades.

Cristo ressuscitou e nos mostrou para onde devemos ir. Devemos segui-lo, a Ele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Devemos segui-lo e buscar a Cruz.

3. A cruz demonstra o Cristo vencido ou o Cristo vitorioso? Afinal, não foi para isso que Ele veio?

A Cruz mostra o Cristo vencendo, e mostra como vencer. Pela Cruz.

4. Creio que e' melhor cultuar ao Deus que venceu e propicia a nos, como disse Paulo, sermos mais do que vencedores!

Engraçado...

Parece que para você estamos falando de dois Jesuses diferentes. Um deles seria o Jesus da Cruz, um Jesus perdedor, de quem temos que ter vergonha. O outro Jesus Ressuscitado, motivo de júbilo.

Jesus é um só. Ele só ressuscitou porque havia morrido na Cruz.

O Deus que venceu venceu na Cruz. A aceitação da Cruz é o caminho para a vitória.

Os cristãos sabemos que Jesus na Cruz é Jesus vitorioso.

"Cristo, nosso Deus e Senhor ofereceu-se a sim mesmo a Deus Pai uma vez por todas, morrendo como intercessor sobre o altar da cruz, a fim de realizar por eles (os homens) uma redenção eterna. Todavia, como a sua morte não deveria pôr fim ao seu sacerdócio (Hb 7,24.27), na Última ceia, 'na noite em que foi entregue'(1Cor 11,13), quis deixar à Igreja, sua esposa muito amada, um sacrifício visível (como o reclama a natureza humana) em que seria feito presente o sacrifício cruento que ia realizar-se uma vez por todas uma única vez na cruz, sacrifício este cuja memória haveria de perpetuar-se até o fim dos séculos (1 Cor 11,23) e cuja virtude salutar haveria de aplicar-se à redenção dos pecados que cometemos cada dia."

(Concílio de Trento, DS 1740)
"O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício: é uma só e a mema vítima, é o mesmo que oferece agora pelo ministério dos sacerdotes, que se ofereceu a si mesmo na cruz. Apenas a maneira de oferecer difere': 'Neste divino sacrifício que se realiza na Missa, este mesmo Cristo, que se ofereceu a si mesmo uma vez de maneira cruenta no altar da cruz, está contido e é imolado de maneira incruenta."

(idem, DS1743, in CIC 1367)

5. Devemos estar cientes, sim, do Seu sofrimento, para nos arrependermos e voltarmos ao Caminho, que é Ele mesmo. Aí, não é mais necessário cultuar a um Deus morto, mas, "há festa no ceu pelo pecador que se arrepende". E, se há festa no ceu, por que não haver festa também na terra?

Que Deus morto, cara pálida? :)

Jesus, o único Jesus, morreu e ressuscitou. Mas a Sua vitória sobre o pecado não consiste em Sua ressureição, mas sim em Seu sacrifício na Cruz. É pelos méritos da Cruz que podemos ter nossos pecados perdoados (Jesus deu aos Apóstolos o poder de perdoar pecados apenas depois de Sua ressureição), é pelos méritos da Cruz que o mundo foi re-criado.

O caminho do cristão nesse mundo é a Cruz; apenas pela Cruz podemos aspirar à ressurreição.

A imagem de Cristo na Cruz é ao mesmo tempo o símbolo da vitória contra o pecado (que foi vencido por Seu sacrifício, como antes era aparentemente redimido pelos sacrifícios do Templo) e uma lembrança de que neste vale de lágrimas o caminho do cristão é o sofrimento.

Ao representarmos apenas um Senhor Ressuscitado, um Senhor Pascal, estaríamos ignorando a mensagem da Cruz. Estaríamos ignorando o valor salvífico do sofrimento, estaríamos ignorando nossa tarefa de corredenção.

6. Não vamos ressuscitar com Cristo, pois Ele já ressuscitou. Vamos ressuscitar, sim, para Ele.

Vamos ressuscitar por Cristo (por Seus méritos e nossa aceitação de Sua graça), com Cristo (já que estaremos finalmente em Sua presença), em Cristo (já que a nossa vida eterna é n'Ele) e, porque não, para Ele.

7. Você diz que o Sacrificio da Missa é o mesmo Sacrificio feito por Cristo na Cruz; para que mais sacrificio? Por que vamos à Igreja, para assistir sacrificios ou para manter comunhão com os irmãos?

Não há "mais" sacrifício, posto que é o mesmíssimo sacrifício. Vamos à Igreja para oferecer sacrifício, como iam os Judeus ao Templo. A diferença é que funciona, como escreveu S. Paulo aos Hebreus...
Deste sacrifício tomamos força para combater os pecados e por intermédio deste sacrifício somos livrados das consequências temporais de nossos pecados. Do mesmo modo, ainda que indiretamente, pelos méritos do mesmo sacrifício temos perdoadas (na absolvição sacerdotal) as consequências eternas de nossos pecados.

Para o sacrifício. Pode haver sacrifício apenas com o padre presente oferecendo-(se-)o.

A comunhão entre os irmãos ocorre indiretamente, por comerem todos da Carne e do Sangue de Nosso Senhor. Comunhão é uma coisa, bate-papo e amizade são outra totalmente diferente.

Como já disse, não há "mais sacrifício", na medida em que se trata do Sacrifício de Cristo perpetuado. Sem o sacrifício eucarístico, não haveria o Corpo e o Sangue do Senhor, que quem não comer não terá a Vida eterna.

Note-se, inclusive, que quando os judeus interpelaram Nosso Senhor sobre estas palavras, ele as repetiu, usando um verbo que significa "mastigar, triturar com os dentes". A Eucaristia não é simbólica. Ali está Nosso Senhor Jesus Cristo, Cordeiro de Deus imolado por nós.

10. Será que não reconhecemos o sacrifício de Cristo? Não se ofereceu Ele por sacrifício definitivo, a Si mesmo, de uma vez por todas?

Parece que realmente você não o reconhece, uma vez que não aceita a sua presença hodierna...

E realmente Ele ofereceu-se. E nós somos chamados, por Ele a comer do Seu Corpo e beber do Seu Sangue.

11. Se Cristo é eterno, e eu creio que é, porque receber o abraco de um Cristo pregado na cruz, se posso receber o abraco do Cristo ressuscitado, Todo Poderoso, vencedor?

Porque se você não aceita o Cristo pregado na Cruz, você não aceita a Cruz. Se você não aceita a Cruz, você não é cristão.
O Cristo na Cruz nos mostra o caminho, e o Cristo Pascal nos mostra a meta, o fim da corrida. Em nosso caminho temos que nos lembrar da Cruz, temos que aceitá-la e abraçá-la. Ao fim do caminho teremos a Páscoa, se a buscarmos sempre.

E, diga-se de passsagem, o abraço do Cristo Ressuscitado teremos apenas se, como dizia São Paulo, "chegarmos ao fim da corrida".

Muitas seitas hoje em dia conseguem prosélitos ao afirmar para eles que podem estar salvos de antemão. Sabemos, entretanto, que a Salvação não pode ser contada como certa até a hora da morte.

Ao mostrarmos apenas o Cristo Pascal, estamos sonegando uma informação importantíssima: antes da Páscoa, vem a Quaresma...

Ao nos apegarmos apenas ao Cristo Pascal, estamos querendo ter a recompensa daqueles que "chegam ao fim da corrida", sem que sequer a tenhamos iniciado.

12. Se Jesus é um só, e é claro que é... por que um grupo estaria rezando diante do Cristo na Cruz e outro rezando diante do Cristo Ressurreto? Por que adorá-lo em duas formas diferentes como se Ele ainda estivesse morto e não "apenas" ressuscitado?

Peraí... Então a sua pergunta é de ordem, digamos, cronológica? Você considera que devemos adorar a Jesus em Sua situação atual, não na Cruz, já que Ele não mais está na Cruz?!

As respostas que eu enviei antes buscavam mostrar a importância do Sacrifício e de sua perpetuação. Para mim a Cruz é o Sacrifício de Cristo, tornado presente na Eucaristia. É o centro de minha fé.
Você acima diz que haveria dois grupos adorando dois tipos de Jesus, e isso seria absurdo. Não sei se compreendi bem o seu questionamento, mas vou tentar responder.

A nossa percepção, videntemente, nunca abrangeria Jesus por completo. Vêmo-lo sempre apenas por uma faceta. Do mesmo modo como os escravos tratavam seus mestre de "Vossa Mercê" (vossa misericórdia - foi dar no "você"atual), apelando assim ao "lado bom" do senhor escravagista, nós pensamos em Jesus e em Nossa Senhora em termos de momentos de suas vidas na terra e no céu. Assim nós temos Nossa Senhora do Bom Parto, que é Nossa Senhora no momento de dar a luz (sem dor), Nossa Senhora das Dores (vendo o Filho na Cruz), Nossa Senhora da Imaculada Conceição (sendo concebida sem a mancha do pecado original)...
Temos também Jesus visto como São Salvador, como o Senhor Morto (na procissão de Sexta-feira Santa), como o Senhor do Bomfim... Vêmo-lo assim por vários lados, nenhum deles completo e todos eles tendo muito a nos ensinar.

Toda a história da passagem de Jesus pelo mundo nos tem a ensinar, mas o momento mais importante dela é a Cruz.

Jesus, quando está físicamente presente entre nós (na Eucaristia), é Jesus na Cruz. Jesus na Cruz é o "lado", a "faceta" de Jesus que nos é dado ver, conhecer, mastigar.
Jesus Ressuscitado, o Jesus Pascal, é a esperança que temos. Esperamos um dia estar junto dele, de Sua Mãe e de todos os Santos.

Mas nosso companheiro de caminhada, Aquele que alimenta (crisma, eucaristia, ordem, matrimônio) e cura nossas feridas (batismo, eucaristia, reconciliação), é Jesus na Cruz.
Segue trecho da homilia feita pelo Santo Padre em 30 de junho de 1980, na Missa que celebrou na catedral de Brasília.

"Símbolo da Fé, a Cruz é também o símbolo do sofrimento que leva à glória, da paixão que conduz à ressurreição. 'Per crucem ad lucem'- pela cruz chegar à luz: este ditado profundamente evangélico nos diz que, vivida em sua verdadeira significação, a cruz do cristão é sempre uma cruz pascal.

Neste sentido, sempre que celebramos, como quisemos fazê-lo hoje, o mistério da cruz, cresce em nós, à luz da fé, a certeza de que o tempo do sacrifício e da renúncia pode bem ser princípio de tempos novos de realização e de plenitude. Isto vale para as pessoas. Vale também para as coletividades. pode valer para todo um povo, para um País. Diante da cruz, duas atitudes revelam-se possíveis, ambas perigosas. A primeira consiste em procurar na cruz o que nela é oprimente e penoso a ponto de deleitar-se na dor e no sofrimento como se ele tivessem valor em si mesmos. A segunda atitude é a de quem, talvez por reação à precedente, recusa a cruz e sucumbe à mística do hedonismo ou da glória, do prazer ou do poder. Um grande autor espiritual, Fulton Sheen, falava, a este propósito, daqueles que aderem a uma cruz sem Cristo, em oposição aos que parecem querer um Cristo sem cruz. Ora, o cristão sabe que o redentor dos homens é um Cristo na Cruz e portanto só é redentora a cruz com Cristo!

Assim sendo, a cruz se torna também símbolo de esperança. De instrumento de castigo ela se faz imagem de vida nova, de um mundo novo.

Desejo dizer-vos que a Cruz é o sinal da esperança para o homem de todos os tempos. Nela Deus revelou ao homem qual é a dignidade que ele traz em si, depois que foi assinalado com a missão de Seu filho.

Por isso, olhai para a Cruz! Nela sois chamados a uma só esperança da vossa vocação (Cf. Ef. 4,4)

Olhai para a Cruz! Ela é o sinal do novo princípio que o homem, sempre e em toda parte, encontra em Deus."
O Rolo do Templo:

No ano 68 depois de Cristo, os monges da seita judaica dos "essênios" (referidos no Evangelho como "aqueles que se dizem Filhos da Luz", título que se davam), temendo pelo futuro de sua comunidade diante da guerra com os romanos, decidiram esconder a sua biblioteca em uma caverna.
Esta caverna ficava em local de difícil acesso, em um wadi (cânion cavado por um rio sazonal) perto do mosteiro, às margens do Mar Morto.
Os romanos acabaram chegando lá e matando todos os monges, em 70 d.C.

A biblioteca deles ficou perdida durante séculos, até que um pastor de cabras, tentando atrair uma cabra perdida para longe do penhasco, atirou um pedregulho nela, errou e ouviu um som oco, quando o pedregulho bateu em uma garrafa de barro dentro da caverna.

As garrafas continham a biblioteca dos essênios.

Quando os nativos descobriram que os pesquisadores pagavam muito pelos documentos, picaram todos em pedacinhos do tamanho de confetes para vender no varejo e ganhar mais.
Mesmo assim, muito pôde ser recuperado, inclusive uma Bíblia Judaica inteira e um pedaço do Evangelho segundo São Mateus (o chamado fragmento 7Q5). O Rolo do Templo era um dos documentos que compunham a bíblia dos essênios. Ele completa uma lacuna interessantíssima. Muitas e minuciosas são as descrições de como deve ser feito o sacrifício do Templo na Bíblia, mas praticamente não se fala de como o Templo deve ser. Pelo contrário, em várias passagens tem-se a impressão de que há alusões a um outro texto, onde seria descrito o Templo.
O Rolo do Templo é exatamente isso: um livro, escrito em hebraico bíblico anterior a Cristo, com instruções minuciosas de como deve ser construído o Templo. Este livro era considerado inspirado e canônico pela seita essênia, que não reconhecia a legitimidade do Templo de Jerusalém por não serem os seus sacerdotes legítimos descendentes de Zadok (apesar de dizerem-se saduceus).

Neste livro vê-se um Templo cuja área seria muito maior que a do Templo original, cobrindo a maior parte da atual Cidade Velha de Jerusalém. Posso assim dizer que eu já morei *dentro* do Templo.
Todo o sacrifício de Cristo, desde sua prisão, flagelação, coroação com espinhos, caminhada do Calvário e crucifixão, tudo isso ocorreu dentro do que deveria ser o Templo segundo este livro.

Isto é interessante porque um argumento frequentemente usado por apologetas judeus contra a validade do sacrifício de Cristo é justamente o fato de ter sido feito fora dos recintos do Segundo Templo.
O bezerro vermelho:

Os maiores problemas para que seja reiniciado o sacrifício cruento no Templo em Jerusalém eram:

1 - A falta de definição de quem é um cohen (sacerdote) legítimo. Acaba de ser descoberta uma maneira de determinar geneticamente se a pessoa é ou não de dinastia sacerdotal (saiu um artigo na revista científica inglesa "Nature").

2 - A necessidade de purificação prévia do sacerdote antes de adentrar o recinto do sacrifício. Esta purificação só poderia ser feita com as cinzas de um bezerro vermelho de três anos de idade, sem mancha nem defeitos e nascido na Terra Santa, o que não ocorria em Israel há quase dois mil anos (Cf. Nm 19).

Desde a independência do Estado de Israel, fazendeiros e rabinos têm procurado, por cruzamentos e cuidados, fazer com que nascesse um bezerro vermelho. Nasceu há dois anos um bezerro vermelho, mas graças ao bom Senhor Deus o bichinho apareceu com três pelos brancos, exatamente o suficiente para invalidá-lo como animal sacrificial e o perigo de um sacerdote judeu ser purificado e ser feita uma ofensiva para reconquistar o Templo (atualmente em mãos dos muçulmanos) foi adiado. Deus é pai, não é padrasto...

Autor: Carlos Ramalhete

A Bíblia e a idolatria

O que é idolatria? Idolatria é prestar a uma criatura honras que são devidas ao Criador apenas, considerá-la igual ou superior a Deus.

É comum vermos protestantes acusando católicos de idolatria, devido ao culto aos Santos. Isso ocorre por uma razão muito simples: os protestantes não adoram a Deus, mas O veneram. Os católicos adoram a Deus e veneram Seus Santos. Assim, ao ver um católico venerando um Santo, o protestante - que venera a Deus - acha que o católico está prestando a um Santo uma homenagem que só compete a Deus.

A veneração é aquilo que os filhos têm para com seus pais: eles pedem ao pai e à mãe, eles agradecem e eles louvam seus pais. A adoração é aquilo que um macumbeiro faz com seus orixás (oferecendo-lhes sacrifícios de bichos) e um católico faz de maneira incruenta e infinitamente superior para Deus (no Sacrifício único e perfeito de Cristo, tornado novamente presente em cada Missa).
O protestante presta a Deus um culto de veneração, reunindo-se com outros protestantes para cantar louvores a Deus, pedir-Lhe graças e agradecer as graças concedidas por Sua Misericórdia. Ao ver assim um católico prestando culto de veneração a um Santo, reunindo-se com outros católicos para cantar louvores ao que um Santo fez pela graça de Deus, para pedir ao Santo que peça a Deus graças e para agradecer as raças concedidas por Deus em resposta ao pedido feito pelo Santo, o protestante acha imediatamente que o católico estaria dando a um Santo - uma criatura, que não é Deus - o que é devido a Deus. É um lamentável engano. O mais engraçado, porém, neste engano é ver que os protestantes fazem exatamente a mesma coisa que os católicos, mas em referência a pessoas que ainda estão aqui na terra, pessoas que ainda podem cair em pecado e afastar-se de Deus. O protestante pede aos amigos que orem por ele a Deus, como um católico pede a um Santo; o protestante agradece aos amigos que intercederam por ele junto a Deus quando suas orações são atendidas; o protestante louva o que é feito por outro protestante e que ele acha ser devido à graça de Deus.

Apesar de acusar injustamente os católicos de idolatria, porém, o protestante parece não perceber que quem aponta um dedo para alguém está apontando três para si mesmo: os protestantes vivem e pregam a idolatria.

Como assim?
Ora, Nosso Senhor Jesus Cristo disse e fez muitíssimas coisas que não estão na Bíblia. São João afirma isto com todas as letras no fim de seu Evangelho (Jo 20,30; Jo 21,35). Do mesmo modo, vemos por exemplo Nosso Senhor explicando no caminho de Emaús (Lc 24,27) as profecias do Antigo Testamento referentes à Sua Paixão e Ressurreição; a explicação dada por Ele, porém, não está escrita na Bíblia, do mesmo modo como muitíssimas pregações e explicações que fez aos Apóstolos. Ora, Ele disse para os Apóstolos ensinarem *tudo* o que Ele ensinou a eles (Mt 28,20).
O protestante, porém, afirma que o que não está na Bíblia não interessa, esquecendo-se de que não só não está escrito na Bíblia que só vale o que lá está, quanto que não está escrito na Bíblia que Nosso Senhor mandou escrever Bíblia alguma.
A Bíblia, esquece ele, é porém uma mera criatura de Deus. Criatura santa, inspirada e boa, mas criatura. Ao dar maior importância à criatura (a Bíblia) que ao Criador (os atos e palavras de Cristo que não estão contidos na Bíblia e que Ele mandou que fossem ensinados), o protestante está caindo em idolatria. Ele coloca a criatura (a Bíblia) como sendo mais importante que o Criador.

Esta idolatria torna-se ainda mais negra quando percebemos que os protestantes na verdade colocam acima da própria Bíblia a sua idéia particular do significado da Bíblia. Assim, por exemplo, apesar das claríssimas palavras do próprio Senhor (Jo 6,32-59)- corroboradas por São Paulo, aliás (1Cor 11,23-29) -, os protestantes negam que Seu Corpo e Seu Sangue sejam verdadeira comida e bebida, sem a qual ninguém terá a vida eterna, assim como negam, contra as palavras de Cristo (Jo 20,23) que o pecado que não for perdoado por um homem que recebeu de Cristo este poder não será perdoado...

Temos portanto que:

Idolatria é colocar criaturas acima do Criador

Ora, os protestantes colocam criaturas (a Bíblia e suas interpretações pessoais da Bíblia) acima do Criador.

Logo, os protestantes são idólatras.

Autor: Carlos Ramalhete

Verdade Irrefutável

O Purgatório

Como ser um católico bem formado?

Por: Prof. Felipe de Aquino

Fonte: Canção Nova.com

Quanto mais conhecemos a Igreja, mais a amamos

O autor da Carta aos Hebreus escreveu: “Ora, quem se alimenta de leite não é capaz de compreender uma doutrina profunda, porque é ainda criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que a experiência já exercitou na distinção do bem e do mal” (Hb 5, 13-14). Sem esse “alimento sólido”, que a Igreja chama de “fidei depositum” (o depósito da fé), ninguém poderá ser verdadeiramente católico e autêntico seguidor de Jesus Cristo.

Não há dúvida de que a maior necessidade do povo católico hoje é a formação na doutrina. Por não a conhecer bem, esse mesmo povo, muitas vezes, vive sua espiritualidade, mas acaba procedendo como não católico, aceitando e vivendo, por vezes, de maneira diferente do que a Igreja ensina, especialmente na moral. E o pior de tudo é que se deixa enganar pelas seitas, igrejinhas e superstições.

Em sua recente viagem à África, que começou em 17 de maio de 2009, o Papa Bento XVI deixou claro que a formação é o antídoto para as seitas e para o relativismo religioso e moral. Em Yaoundé, em Camarões, o Sumo Pontífice disse que “a expansão das seitas e a difusão do relativismo – ideologia segundo a qual não há verdades absolutas –, tem um mesmo antídoto, segundo Bento XVI: a formação”. Afirmando que: «O desenvolvimento das seitas e movimentos esotéricos, assim como a crescente influência de uma religiosidade supersticiosa e do relativismo, são um convite importante a dar um renovado impulso à formação de jovens e adultos, especialmente no âmbito universitário e intelectual». E o Santo Padre pediu «encarecidamente» aos bispos que perseverem em seus esforços por oferecer aos leigos «uma sólida formação cristã, que lhes permita desenvolver plenamente seu papel de animação cristã da ordem temporal (política, cultural, econômica, social), que é compromisso característico da vocação secular do laicado».
Desde o começo da Igreja os Apóstolos se esmeraram na formação do povo. São Paulo, ao escrever a S. Tito e a S. Timóteo, os primeiros bispos que sagrou e colocou em Creta e Éfeso, respectivamente, recomendou todo cuidado com a “sã doutrina”. Veja algumas exortações do Apóstolo dos Gentios; a Tito ele recomenda: seja “firmemente apegado à doutrina da fé tal como foi ensinada, para poder exortar segundo a sã doutrina e rebater os que a contradizem” (Tt 1, 9). “O teu ensinamento, porém, seja conforme à sã doutrina” (Tt 2,1).
A Timóteo ele recomenda: “Torno a lembrar-te a recomendação que te dei, quando parti para a Macedônia: devias permanecer em Éfeso para impedir que certas pessoas andassem a ensinar doutrinas extravagantes, e a preocupar-se com fábulas e genealogias” (Tm 1, 3-4). E “Recomenda esta doutrina aos irmãos, e serás bom ministro de Jesus Cristo, alimentado com as palavras da fé e da sã doutrina que até agora seguiste com exatidão” (1Tm 4,6). São Paulo ensina que Deus “quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2, 4).

Sem a verdade não há salvação. E essa verdade foi confiada à Igreja: “Todavia, se eu tardar, quero que saibas como deves portar-te na casa de Deus, que é a Igreja de Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15). Jesus garantiu aos Apóstolos na Última Ceia que o Espírito Santo “ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16, 13) e “relembrar-vos-á tudo o que lhe ensinei” (Jo 14, 25). Portanto, se o povo não conhecer esta “verdade que salva”, ensinada pela Igreja, não poderá vivê-la. Mas importa que essa mesma verdade não seja falsificada, que seja ensinada como recomenda o Magistério da Igreja, que recebeu de Cristo a infalibilidade para ensinar as verdades da fé (cf. Catecismo da Igreja Católica § 981).

Já no primeiro século do Cristianismo os Apóstolos tiveram que combater as heresias, de modo especial o gnosticismo dualista; e isso foi feito com muita formação. São Paulo lembra a Timóteo que: “O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas, de hipócritas e impostores [...]” (1Tm 4,1-2).
A Igreja, em todos os tempos, se preocupou com a formação do povo. Os grandes bispos e padres da Igreja como S. Agostinho, S. Ambrósio, S. Atanásio, S. Irineu, e tantos outros gigantes dos primeiros séculos, eram os catequistas do povo de Deus. Suas cartas, sermões e homilias deixam claro o quanto trabalharam na formação dos fiéis.

Hoje, o melhor roteiro que Deus nos oferece para uma boa formação é o Catecismo da Igreja Católica, aprovado em 1992 pelo saudoso Papa João Paulo II. Em sua apresentação, na Constituição Apostólica “Fidei Depositum”, ele declarou:

“ O Catecismo da Igreja Católica [...] é uma exposição da fé da Igreja e da doutrina católica, testemunhadas ou iluminadas pela Sagrada Escritura, pela Tradição apostólica e pelo Magistério da Igreja. Vejo-o como um instrumento válido e legítimo a serviço da comunhão eclesial e como uma norma segura para o ensino da fé”. E pede: “Peço, portanto, aos Pastores da Igreja e aos fiéis que acolham este Catecismo em espírito de comunhão e que o usem assiduamente ao cumprirem a sua missão de anunciar a fé e de apelar para a vida evangélica. Este Catecismo lhes é dado a fim de que sirva como texto de referência, seguro e autêntico, para o ensino da doutrina católica […]. O "Catecismo da Igreja Católica", por fim, é oferecido a todo o homem que nos pergunte a razão da nossa esperança (cf. lPd 3,15) e queira conhecer aquilo em que a Igreja Católica crê”.

Essas palavras do Papa João Paulo II mostram a importância do Catecismo para a formação do povo católico. Sem isso, esse povo continuará sendo vítima das seitas, enganado por falsos pastores e por falsas doutrinas.

Mais do que nunca a Igreja confia hoje nos leigos, abre-lhes cada vez mais a porta para evangelizar; então, precisamos fazer isso com seriedade e responsabilidade. Ninguém pode ensinar aquilo que quer, o que “acha certo”; não, somos obrigados a ensinar o que ensina a Igreja, pois só ela recebeu de Deus o carisma da infalibilidade. Ninguém é catequista e missionário por própria conta, mas é um enviado da Igreja. Sem a fidelidade a ela, tudo pode ser perdido. Portanto, é preciso estar preparado, estudar, conhecer a Igreja, a doutrina, a sua História, o Catecismo, os documentos importantes, a liturgia, entre outros. Quanto mais conhecemos a Igreja e todo o tesouro que ela traz em seu coração, tanto mais a amamos.

Proibidos de casar ou castos por opção?

Juliana Fragetti Ribeiro Lima

Um dos argumentos protestantes mais usados contra o celibato é que ele seria algo imposto, que os sacerdotes, religiosas etc., seriam proibidos de se casar e – portanto, alegam – o celibato seria antibíblico. Num fórum de discussão, um protestante alegou: “Paulo não era casado, por opção dele ...e não porque era proibido. no catolicismo è proibido”
Será isso verdade? Ou isso não passaria de mais um sofisma protestante? Por acaso o protestante supracitado sabe o que vem a ser o celibato evangélico, como proposto por S. Paulo e por Cristo? Parece que não. Inclusive, se soubesse, saberia que nos ritos orientais os sacerdotes podem ser ordenados se forem casados. Se acaso não se ordenam casados, serão celibatários dali em diante. Afinal, Nosso Senhor pede que a todos quantos o forem seguir que nada podemos amar mais que Ele, seja pai, mãe ou esposa/marido (Mt 10, 37-38).
O primeiro a propor o celibato, veja que coisa, foi Jesus! Sim, é isso mesmo: foi Cristo quem propôs pela primeira vez o celibato. Veja as palavras de N. Senhor:
"Respondeu ele: Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado. Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda." (S. Mateus 19, 11 e 12)

Então, Jesus fala aí que muitos se fazem eunucos por amor ao Reino dos Céus. Uma coisa importante: o texto fala em 3 tipos de eunucos. O primeiro seria os que “são desde o ventre” de suas mães, são pessoas que nascem com alguma disfunção que lhes tolhe a função sexual. O segundo tipo falado por Cristo são os que foram tornados eunucos “pela mão dos homens”, ou seja, eram pessoas castradas, que eram feitas assim para vigiar haréns, fazer tarefas domésticas ou servir como espiões e por fim há os que são descritos por Cristo, como pessoas que a “si mesmo se fizeram eunucos”, por amor ao Reino. O que isso significa?

Quando Cristo fala de SE FAZEREM eunucos pelo Reino, Ele evoca o celibato, pois embora eles não sejam fisicamente eunucos, eles abrem mão do prazer sexual e - consequentemente - do casamento, já que o sexo fora do casamento não é permitido na moral cristã. Se fazer eunuco – portanto – é a mesma coisa que falar de celibato: renunciar ao casamento e ao sexo, por consequência.
Depois, São Paulo fala a mesma coisa com outras palavras, veja:

"Pois quereria que todos fossem como eu; mas cada um tem de Deus um dom particular: uns este, outros aquele. Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu. Mas, se não podem guardar a continência, casem-se. É melhor casar do que abrasar-se." (1Coríntios 7,7-9)

Ele começa o capítulo 7 falando de como os casados devem proceder (versículos 2 a 6) e aí emenda algo que ele tinha só feito menção no início do capítulo:

"Agora, a respeito das coisas que me escrevestes. Penso que seria bom ao homem não tocar mulher alguma." (1Coríntios 7,1)
Ele fez menção breve como vc viu, no começo do capítulo e foi para como os casados devem proceder. Aí ele fala que gostaria que todos fossem como ele (Paulo era celibatário), mas ele reconhece ser um dom de Deus tanto um - o celibato - como o outro (casamento). Ao falar dos solteiros e das viúvas, ele os encoraja fortemente a viverem a castidade e a manterem-se celibatários: " Aos solteiros... é bom se permanecerem assim". E ainda fala que ele também o faz ("como eu"). Mas, logo ele adverte, que se não conseguir guardar a continência sexual, que se case, pois é "melhor casar que abrasar-se", segundo o próprio S. Paulo.
São Paulo ainda explica o motivo de ele recomendar expressa e vivamente o celibato:
“Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa. A mesma diferença existe com a mulher solteira ou a virgem. Aquela que não é casada cuida das coisas do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito; mas a casada cuida das coisas do mundo, procurando agradar ao marido” (1 Coríntíos 7, 32-34)

Então, aí está o motivo pelo qual S. Paulo recomendava vivamente o celibato: o solteiro, o celibatário e a virgem estão livres para dedicar-se de modo integral ao Reino de Deus enquanto os casados tem outras preocupações: o marido ou a mulher, filhos, etc. E é por esse mesmo motivo que a Igreja pede que os sacerdotes, religiosos e religiosas sejam celibatários: para serem livres para servirem a Deus. Afinal, eles não terão outra preocupação além do Reino. E quando se abraça a vida sacerdotal ou religiosa, supõe-se que a pessoa em questão o faz para servir a Deus, dedicar-se ao Seu serviço. Nada mais coerente, então, que essa pessoa abdique de coisas santas e lícitas (o casamento, por ex.) para que ela possa ter dedicação total ao seu chamado.

Veja, então, que isso é - ao contrário do que muitos pensam - um dom de Deus. Não é para todos, claro, o próprio S. Paulo o reconhece. E não é - como o protestante citado afirma - uma imposição, antes a vocação sacerdotal ou religiosa é uma opção e uma opção consciente. Aliás, a bem da verdade, não só a vida sacerdotal e religiosa são celibatárias, mas muitos leigos o são celibatários por opção também. Desfazendo, assim, a suposta oposição entre o que diz S. Paulo e o que a Igreja faz. Na verdade, como vimos, a Igreja nada mais faz do que obedecer a São Paulo. Mas a bem da verdade as pessoas que são contrárias ao celibato deveriam ter esses fatores acima citados em mente. Ou correm o sério risco de faltar com a verdade dos fatos.

FONTE: