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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Para entender o protestantismo

Dom Estevão Bettencourt-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------
O Protestantismo partiu, no século XVI, de uma intuição muito válida e oportuna: restaurar a estima e o culto da Palavra de Deus, com todo o seu poder de santificação. Se tivessem tirado as conseqüências lógicas deste princípio, os reformadores teriam corroborado e abrilhantado a única Igreja de Cristo. Pois a Palavra de Deus na Bíblia remete constantemente à Palavra viva da Tradição oral, que na Igreja, assistida por Cristo, passa de geração em geração; é a Palavra oral o critério abalizado para se entender e interpretar a Bíblia. Admitindo a Igreja como depositária e intérprete da Palavra, os protestantes teriam admitido outrossim a autoridade da Igreja para santificar ou recriar o homem mediante a Palavra de Deus, pois esta é não apenas ensinamento para a inteligência mas força viva que restaura o homem. A Palavra de Deus desenvolve toda a sua eficácia quando se torna não apenas audível, mas visível nos sacramentos (água batismal, pão e vinho eucarísticos, óleo sagrado...); assim os sacramentos, como a própria Igreja, estão implícitos na revalorização da Palavra de Deus apregoada pelos reformadores do século XVI.
Infelizmente, porém, estes deixaram-se influenciar por teses da filosofia nominalista e do subjetivismo dos séculos XV/XVI. Arrancaram a Bíblia do seu berço e do seu ambiente co-natural, que é a Palavra de Deus oral; assim a Bíblia foi paradoxalmente desvalorizada, porque feita letra morta, sujeita ao arbítrio tanto de "profetas" fantasiosos como de estudiosos racionalistas liberais.
Lembrar estas verdades é aplainar o caminho para a reunião dos cristãos; os protestantes afirmam um princípio muito válido, que eles não devem renegar, mas apenas desenvolver segundo a lógica exigida por essa premissa mesma.
0 fenômeno protestante, com as suas diversas afirmações, vai-se impondo à atenção do público, especialmente dos católicos. Variado como é, exige que distingamos entre o Protestantismo clássico, dito "histórico" ou "tradicional", que é o de Lutero, Calvino, Knox (século XVI) e o Protestantismo recente, oriundo principalmente dos Estados Unidos da América (pentecostais, mórmons, adventistas, e suas subdivisões...). É mais difícil dialogar com o Protestantismo moderno, pois este se torna cada vez mais distante das fontes do Cristianismo: os mórmons têm uma "nova Bíblia" (o Livro de Mórmon); os adventistas e as testemunhas de Jeová retornam ao Antigo Testamento, com detrimento da mensagem propriamente cristã; os pentecostais enfatizam unilateralmente os fenômenos extraordinários, os estados psicológicos e a ação do demônio, seguindo muitas vezes as emoções mais do que o raciocínio e a fé esclarecida... Ao contrário, o diálogo com o Protestantismo clássico tem sido efetuado entre teólogos num clima sereno, que permite remover atitudes passionais e favorece a compreensão mútua.
Entre os nomes que mais se destacam nesse diálogo, está o do francês Louis Bouyer, que foi fervoroso ministro protestante; guiado pelo estudo objetivo, tornou-se católico e hoje é sacerdote oratoriano, muito interessado em fomentar a aproximação de católicos e protestantes. L. Bouyer escreveu diversas obras sobre o seu itinerário espiritual, das quais merecem destaque "Du Protestantisme à VEglise" (Paris 1954) e "Parole, Eglise et Sacrements dans le Protestantisme et le Catholicisme" (traduzido com o título "Palavra, Igreja e Sacramentos no Protestantismo e no Catolicismo", São Paulo, Ed. Flamboyant 1962). Este último livro é especialmente significativo; daí o propósito de apresentarmos o seu conteúdo nas linhas que se seguem, focalizando precisamente os três pontos em que Protestantismo e Catolicismo mais parecem divergir entre si.
Bouyer frisa sempre que, para compreender o Protestantismo e aplainar o caminho de re-união, os católicos não o devem considerar apenas como um conjunto de heresias, mas, sim, como a afirmação de certos princípios autenticamente cristãos, que necessitavam de ser re-enfatizados no século XVI, mas que infelizmente foram desenvolvidos de maneira heterogênea por influência da filosofia nominalista (o Nominalismo é uma escola que, entre outras coisas, depreciava a razão ou a inteligência humana) dos séculos XV-XVI.
É na base desta observância que Bouyer elabora suas condições, que vamos acompanhar sucintamente.
1. A Palavra
No Protestantismo
A estima da Bíblia é o que de mais típico se encontra na espiritualidade e na teologia protestantes; foi precisamente lendo a epístola aos Romanos que Lutero descobriu a verdade mais fundamental da Revelação cristã: não somos nós os primeiros a amar a Deus, mas é Deus que nos ama primeira e gratuitamente, sem mérito da nossa parte (cf. Rm 5,6-10; 1Cor 4,10-19); não é o homem que toma a iniciativa de procurar a Deus, mas é Deus quem começa por procurar o homem (cf. Rm 9,16).
Em conseqüência, o culto protestante consiste em leituras bíblicas, entre as quais se inserem cantos e orações, e que têm no sermão subseqüente a sua atualização concreta. Após este encontro com a Palavra, o crente procura responder-lhe em seu coração e traduz sua resposta numa conduta de vida adequada.
Mais precisamente: o protestante clássico coloca-se diante da Palavra de Deus como o pecador necessitado de salvação, e ouve a mensagem de que só a graça o salva; isto o leva a uma atitude de confiança no dom de Deus; a Este, e não a si mesmo, o crente atribui a sua purificação interior; a Deus só, e não a si (homem), o protestante tributa a glória.
Além disto, o Protestantismo guardou a consciência - já existente entre os judeus do Antigo Testamento / de que a Palavra de Deus é criadora eficaz; é tão viva que realiza o que ela anuncia (cf. Gn 1,3s; Si 32,9; Is 48,13; Jo 1,3). Abraçando essa Palavra pela fé, o crente se julga renovado interiormente ou "uma nova criatura" (cf. 2Cor 5,17).
Examinemos agora a posição católica frente à Palavra.
No Catolicismo
As afirmações da teologia protestante atrás mencionadas nada têm que se oponham à tradição católica.
Com efeito. 0 culto cristão, desde as suas origens, sempre incluiu a leitura da Palavra de Deus acompanhada de cantos e orações; a Eucaristia antigamente era, não raro, celebrada na madrugada do domingo após uma noite de vigília em contato com a Bíblia. Nunca até hoje a Missa foi celebrada em circunstâncias normais sem a Liturgia da Palavra, a tal ponto que o Concílio do Vaticano II fala da mesa da Palavra e do Corpo do Senhor. ´Verdade é´ que o uso do latim, devido a circunstâncias contingentes, e hoje ultrapassadas, dificultou o entendimento da Bíblia durante séculos; mas hoje se acha removido, de modo a possibilitar a compreensão dos fiéis interpelados pela S. Escritura.
Na piedade pessoal antiga, a S. Escritura ocupava lugar primacial; S. Jerônimo (421) foi um dos grandes mestres que incutiram aos discípulos o recurso às Escrituras; é este doutor que afirma: "Ignorar as Escrituras é ignorar o Cristo". Para São João Crisóstomo (407), como para Lutero, o conhecimento íntimo das epístolas de São Paulo é a entrada obrigatória para a compreensão mais profunda do Cristianismo. Nos mosteiros, a lectio divina (leitura meditada das coisas de Deus) versava sobre a Bíblia, como alimento de oração e união com Deus.
É também clássica na Tradição cristã a afirmação de que a Palavra de Deus é viva, eficaz ou, em linguagem católica, um sacramental: santifica não apenas na medida da compreensão que dessa Palavra temos, mas também na proporção da fé e do amor com que a lemos.
Por conseguinte, as afirmações protestantes a respeito da Palavra de Deus procedem do coração de um vasto movimento de retorno às fontes que se iniciou no século XV e que no século XVI teve protagonistas entre os próprios católicos: Ambrósio Traversari (1439), John Colet (1519) e Tomás Moro (1535), o Cardeal Ximánez de Cisneros (1517)... 0 próprio Cardeal Caetano de Vio (1534), um dos mais firmes adversários de Lutero, considerava que o único meio eficaz para renovar a Igreja no século XVI seria a restauração bíblica, no seio da qual a Reforma protestante ia surgindo. Não é, portanto, o amor à Bíblia uma característica exclusiva do Luteranismo.
Acontece, porém, que a Bíblia, por motivos independentes dela mesma, veio a ser utilizada no século XVI como arsenal de heresias propaladas pelos Reformadores. Foi isto que tornou as Escrituras um livro suspeito aos olhos dos católicos. Diante dos variados arautos de "novos Cristianismos" pretensamente deduzidos da Bíblia traduzida para o vernáculo e diante da confusão assim instaurada, a Igreja julgou oportuno, naquela época, proibir aos fiéis o uso das Escrituras traduzidas para o vernáculo; esta atitude certamente marcou a piedade católica nos tempos subseqüentes. Hoje em dia, porém, verifica-se que as medidas drásticas tomadas no século XVI já não são necessárias nem convenientes.
Pergunta/se então: por que a volta à Bíblia, tão sadia e autêntica como era no século XVI, degenerou entre os Protestantes em fonte de heresias ou de doutrinas contrárias à própria Tradição cristã, a tal ponto que hoje algumas denominações oriundas do Protestantismo, conservando a Bíblia nas mãos, já não são cristãs (tenham-se em vista as Testemunhas de Jeová, os Mórmons...)?
Em resposta, dir-se-á que o Protestantismo, na sua estima à Palavra de Deus escrita, esqueceu que esta tem seu berço na Palavra de Deus oral; o Senhor no Antigo e no Novo Testamento falou e não escreveu; a Palavra escrita é a cristalização ocasional da Palavra de modo que, para entender autenticamente a Escritura, se requer a fiei ausculta da Palavra oral. Se arrancamos a Escritura da Tradição oral, que é o seu ambiente anterior e concomitante, temos uma Palavra que já não se explicita por si mesma; é letra que perde a sua vitalidade e fica sujeita a todo tipo de interpretação que os seus leitores lhe queiram dar. Ora a Tradição oral não é algo de vago e indefinido; ela continua viva na Igreja, que fala pelo seu magistério assistido pelo Senhor Jesus (cf. Mt 16,16/19; Lc 22,31s; Jo 14,26; 16,13s).
Em outros termos: para salvaguardar a autoridade da Bíblia, não é necessário negar a autoridade da Igreja; não há oposição, mas, sim, complementação entre uma e outra. Quem realiza essa separação, deixa de reconhecer aos poucos a autoridade da própria Escritura, pois cada intérprete faz a Bíblia dizer aquilo que ele subjetivamente concebe ou pensa; esse subjetivismo redunda em manipulação ou distorção da Palavra de Deus, donde resulta a fragmentação e o esfacelamento do Protestantismo; este se desmembra em correntes que se opõem umas às outras, baseando-se em textos arrancados do seu contexto. 0 individualismo dos intérpretes protestantes, desligados da Tradição oral viva na Igreja e no seu magistério, chegou a produzir (além das denominações não cristãs já citadas) as teorias liberais e racionalistas de Rudolf BuItmann e de escolas congêneres; estes vêem na Bíblia um aglomerado de mitos ou um discurso mítico do qual só se pode depreender um apelo à conversão ou a exortação a que passemos de uma vida não autêntica para uma vida autêntica; tem-se assim a morte da Palavra sagrada e do próprio Cristianismo que ela veio anunciar.
A experiência do Protestantismo é, pois, suficiente para nos dizer que nenhum texto bíblico, tomado a sós, fora do seu contexto oral originário, é capaz de se defender contra as interpretações subjetivas e arbitrárias que tendem progressivamente a minimizar a autoridade da Escritura, embora a proclamem soberana.
0 Catolicismo responde a esta problemática, afirmando que não há que acrescentar uma autoridade humana à autoridade divina das Escrituras, mas é necessário reconhecer que o próprio Deus, ao entregar-nos a sua Palavra, quis que ela fosse proclamada, lida e interpretada na caudal da Tradição oral, da qual é autêntica intérprete a Igreja, Corpo de Cristo, vivificado pelo Espírito Santo. A autoridade da Igreja está, portanto, incluída no desígnio divino de entregar a Palavra aos homens, de tal modo que esta permaneça incólume em meio às efusões do subjetivismo humano: o Senhor nunca pensou em deixar-nos sua Palavra abandonada ao mero bom senso ou fervor dos homens; Ele mesmo, vivo na Igreja, quis garantir a transmissão autêntica da sua Revelação.
Esta temática leva-nos a considerar diretamente a questão da Igreja no Protestantismo e no Catolicismo.
2. A Igreja
No Protestantismo
A grande dificuldade dos protestantes em relação à Igreja Católica é a autoridade doutrinária que ela reivindica. Julgam que tudo o que se conceda à autoridade da Igreja, é subtraído à autoridade da Palavra de Deus na Bíblia.
A autoridade da Igreja poderia também, segundo eles, ser considerada uma forma de opressão das consciências individuais.
Por que os protestantes da primeira geração assim pensavam?
Porque confundiam certas interpretações subjetivas e errôneas da Palavra de Deus com a própria Palavra de Deus. Em conseqüência, a Igreja, ciosa de conservar o autêntico sentido da Palavra, qual depositária responsável, só podia parecer-lhes um estorvo. Mais: a fobia da autoridade da Igreja facilmente se transformou em fobia de toda autoridade doutrinária no protestantismo liberal e racionalista dos séculos XIX-XX.
Cedo os próprios reformadores protestantes e seus sucessores perceberam que, rejeitando a autoridade da Igreja, estavam dando ocasião à anarquia doutrinal. Procuraram então um substitutivo para aquela, substitutivo que tomou cinco modalidades principais:
1. Lutero partiu da idéia de que, a religião sendo religião do Estado (como fora o Cristianismo desde o Imperador Romano Teodósio, (+395), o Estado deveria zelar pela incólume preservação das verdades da fé ou pela autoridade da Bíblia tal como Lutero a interpretava. 0 príncipe civil seria como que o "bispo supremo". Este princípio não podia deixar de ocasionar arbitrariedades ou o predomínio de interesses políticos sobre os religiosos.
2. Na Renânia foi estipulado que magistrados eleitos pelo povo luterano teriam a incumbência de defender a autoridade da Palavra de Deus. Verificou-se, porém, que a solução era precária, pois os magistrados de uma cidade ou região não diziam a mesma coisa que os de outra cidade.
3. Calvino procurou uma fórmula mais bíblica: verificou que São Paulo, ao evangelizar as cidades da Ásia Menor, constituía em cada qual um colégio de presbíteros ou anciãos, que ficavam responsáveis pela respectiva comunidade sob a jurisdição do Apóstolo (cf. At 14,23; ver também At 11,30; Tt 1,5). Calvino resolveu, pois, instituir presbíteros ou anciãos nas comunidades calvinistas, encarregados de tutelar a autoridade das Escrituras e a organização eclesial.
4. Na Inglaterra e na Nova Inglaterra, a autoridade foi confiada à própria congregação dos crentes: estes não poderiam desfazer-se dela em benefício de pessoa alguma. Assim teve origem o Congregacionalismo, segundo o qual os fiéis, de comum acordo, devem submeter-se à autoridade da S. Escritura e dela tirar as diretrizes concretas, dia por dia, para a vida da Igreja.
5. Algumas comunidades protestantes conservam o episcopado; tais foram as da Prússia e da Escandinávia (Luteranas) e as anglicanas (episcopaliarias). A autoridade de tais prelados nunca foi bem definida: ou seriam simples funcionários da Coroa, incumbidos principalmente de aplicar as decisões do "supremo bispo" (=o monarca) ou seriam moderadores de Concílios ou assembléias, representando o conjunto dos crentes ou grupos destes.
Na verdade, nenhuma destas soluções substitutivas do magistério da Igreja foi capaz de garantir a conservação intacta e fiel da Palavra de Deus; mas esta foi sendo, no decorrer dos quase cinco séculos de protestantismo, mais e mais estraçalhada mediante centenas e centenas de interpretações diferentes, que deram origem a centenas e centenas de ramos do protestantismo.
Pergunta-se: era necessário chegar a esse impasse do protestantismo? Como precisamente o Catolicismo considera a autoridade da Igreja diante da Palavra de Deus?
No Catolicismo
6. A Igreja Católica atribui a si uma autoridade doutrinária pelo fato de ser a Igreja instituída por Cristo sobre o fundamento dos Apóstolos.
Que significa isto exatamente?
Jesus Cristo se apresentou como o enviado do Pai e, por sua vez, enviou os Apóstolos a continuar a sua missão:
"Como o Pai me enviou, também eu vos envio" (Jo 20,21).
"Como Tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo" (Jo 17,18).
"Quem vos recebe, a mim recebe, e quem me recebe, recebe aquele que me enviou" (Mt 10,40; cf. Lc 9,48; Mc 9,37).
"Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos despreza, a mim despreza; e quem me despreza, despreza aquele que me enviou" (Lc 10,16).
"Quem crê em mim, não é em mim que ele crê, mas naquele que me enviou" (Jo 12,44; cf. Jo 13,20).
Donde se vê que a Boa-Nova cristã procede do Pai; passa por Cristo e é confiada aos Apóstolos para que a difundam no mundo inteiro. Mais: Jesus prometeu aos Apóstolos sua assistência infalível até o fim dos séculos; onde haja a continuidade da sucessão apostólica, existe a certeza da presença atuante de Cristo na sua Igreja; disse o Senhor aos Apóstolos:
"Toda autoridade no céu e na terra me foi entregue. Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei. Eis que estou convosco todos os dias até a consumação dos séculos" (Mt 28,18-20).
Depreende/se, pois, que a autoridade dos Apóstolos e, conseqüentemente, a da Igreja é a autoridade do próprio Cristo, que se serve de instrumentos e os adapta à sua obra, recorrendo a critérios objetivos: a apostolicidade ou a sucessão apostólica através dos séculos. Vê-se também que a autoridade da Igreja assim instituída não se restringe ao campo doutrinal, mas se estende à vida e à configuração espiritual dos cristãos; a Palavra de Deus proferida pelos Apóstolos e seus sucessores não tem valor apenas acadêmico, mas é eficiente e restauradora. Diz o Senhor Jesus:
"Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, serão retidos" (Jo 20,22s).
"Tudo o que ligardes na terra, será ligado no céu; tudo o que desligardes na terra, será desligado no céu" (Mt 18,18).
Os Apóstolos recebem, pois, o Espírito do Pai, que é também de Cristo, e, assim habilitados, têm o poder de recriar o homem.
7. A esta altura, porém, coloca-se uma objeção, formulada pelo famoso exegeta protestante Oscar Cullmann: dado que os Apóstolos e, em especial, Pedro tinham o poder de ligar e desligar de maneira autêntica, é de crer que essa autoridade era intransferível; não passou para os sucessores dos Apóstolos. Sim; os Apóstolos eram, após Cristo, os fundadores da Igreja; ora tal função não se podia repetir. Após os Apóstolos, toca à Igreja tão somente permanecer na doutrina dos Apóstolos, fixada por eles nos livros do Novo Testamento; por isto a Igreja pós-apostólica não precisa de uma autoridade que continue a dos Apóstolos e a de São Pedro em particular; bastam-lhe os livros sagrados que os Apóstolos lhe entregaram.
Que responder a isto?
A Igreja não afirma que os bispos e os Papas sejam outros Apóstolos no sentido de fundadores da Igreja, independentes da primeira geração. Os bispos e o Papa são apenas guardiães e transmissores, credenciados por Cristo, do depósito sagrado que receberam dos Apóstolos. A fé da Igreja é simplesmente a fé dos Apóstolos; a Palavra que os seus bispos anunciam, há de ser aquela que os Apóstolos ensinaram por primeiro. Não se criam novos dogmas mas explicita-se o que está contido no depósito sagrado ou no tesouro ´´do qual se tiram coisas novas e velhas´´ (Mt 13,52). A autoridade dos bispos, assim entendida, pode manter viva a Palavra que os Apóstolos trouxeram à Igreja primitiva, com uma vida tão pujante quanto a tinha naquele tempo.
Ademais, no tocante a Pedro em particular, pode-se observar o seguinte: se Cristo o constituiu fundamento visível da sua Igreja (cf. Mt 16,16-19) e se a Igreja deve perdurar indefinidamente apesar das invectivas adversárias, é lógico que o fundamento Pedro há de perdurar em seus sucessores; em caso contrário, o edifício, sem fundamento, cairia por terra.
Aliás, notamos: através de toda a história da Igreja jamais em documento algum aparece a idéia de que a autoridade, após os Apóstolos, passou a residir unicamente nos Livros Sagrados. Todos os dizeres dos doutores e escritores antigos e medievais professam que a verdade do Evangelho continua presente na Igreja por uma tradição viva, que passou do Pai a Cristo, de Cristo aos Apóstolos, dos Apóstolos aos seus primeiros sucessores, e depois de bispo para bispo, iluminando os escritos sagrados que procederam dessa tradição oral.
A inegável continuidade histórica da Igreja Católica com a Igreja primitiva é a base desta afirmação. Se alguém precisa de provar sua origem divino-apostólica, não é a Igreja Católica. "É, pelo contrário, a tese tardia e despojada de precedentes, segundo a qual, com a morte do derradeiro Apóstolo, a verdade da Palavra de Deus, na Igreja, teria deixado de ser confiada a um grupo de responsáveis, revestidos da autoridade do seu Mestre; teria também deixado de ser a verdade de um livro" (L. Bouyer, livro citado, pp. 14s). A Igreja afirma que a verdade da Palavra de Deus está sujeita a ser deteriorada e alterada se é apenas a verdade de um Livro, entregue tão somente ao fervor ou ao acume dos seus leitores, sem que haja mandatários dotados do carisma da verdade para transmitir e interpretar autenticamente essa Palavra.
É nestes termos que, a partir da própria S. Escritura, tão cara aos protestantes, se pode demonstrar a necessidade e a existência real da Igreja com seu magistério assistido por Cristo. Os reformadores, se fossem conseqüentes consigo mesmos, não teriam abandonado a Igreja fundada por Cristo para garantir a incolumidade da Palavra; dizendo "não" à Igreja, expuseram as Escrituras à perda de sua vitalidade e ao arbítrio dos homens.
3. Os Sacramentos
No Catolicismo os sacramentos são os sete ritos pelos quais a graça do Pai, feita presente em Cristo e na Igreja, é aplicada a cada indivíduo desde o nascer até a morte. Ser cristão não é apenas ser discípulo do Mestre Jesus Cristo, mas é ser ramo do tronco de videira (cf. Jo 15,1-5) e membro do Corpo de Cristo (cf. 1Cor 12,12-27), o que significa: comungar com a vida mesma do Tronco ou da Cabeça... com a vida de Cristo e, mediante Cristo, com a vida do Pai.
No protestantismo
1. Ora os protestantes rejeitam a maneira como os católicos entendem os sacramentos. Aliás, guardaram apenas o do Batismo e o da Eucaristia; o matrimônio no protestantismo é um contrato que o ministro ou pastor abençoa sem lhe atribuir o valor de sacramento.
Mesmo em relação ao Batismo e à Santa Ceia os protestantes têm conceitos um tanto vagos: apontam a ordem explícita do Salvador (cf. Mt 28,18-20; Jo 3,3; Mt 26,26-29...), mas explicam de diversas maneiras o significado desse rito.
0 Batismo, por exemplo, em algumas denominações, só é ministrado a jovens e adultos que "se tenham convertido"; é um testemunho da fé e da mudança de vida já existentes naquele que recebe o Batismo; é, portanto, mais um gesto do homem para Deus e a comunidade do que um gesto de Deus em favor do homem. Os luteranos e as denominações mais antigas conservaram um conceito mais tradicional ou mais próximo do Catolicismo com relação a este sacramento.
A Santa Ceia, em caso nenhum, para os protestantes, é a perpetuação do sacrifício do Calvário. Lutero ainda admitiu a empanação ou a presença de Cristo dentro do pão consagrado; Calvino condicionou essa real presença à fé do comungante. Zwínglio, porém, rejeitou-a por completo. A Santa Ceia geralmente no protestantismo é a memória ou a recordação simbólica da última refeição de Cristo, mediante a qual os crentes em sua fé e seu amor se unem a Cristo.
2. Pergunta-se: por que assumem os protestantes posição tão distante da católica?
Podem-se apontar dois motivos:
a) a piedade do fim da Idade Média se apegara demais às coisas ou aos sinais concretos: relíquias, medalhas e outros sacramentais eram objeto de estima por vezes excessiva, ao passo que o sentido da Eucaristia era menos compreendido e vivido pela piedade popular; as práticas religiosas assumiam caráter mecânico, desligadas que eram de uma perspectiva teológica mais profunda;
b) o conceito de opus operatum escandalizava os reformadores. Na teologia católica, opus operatum é toda ação sagrada eficaz pela realização do próprio rito, independentemente dos méritos daquele que a efetua. Assim são os sete sacramentos: algo de objetivo através deles se processa, desde que os sinais sagrados (água, pão, vinho, óleo e palavras) sejam aplicados aos fiéis por um ministro devidamente instituído, mesmo que este não tenha as qualidades morais desejáveis; explica a teologia que em tais casos é Cristo quem opera os efeitos de santificação mediante o ministro, que é mero instrumento. É sempre Cristo quem batiza, quem consagra o pão e o vinho no seu corpo e no seu sangue, quem absolve os pecados... Por isto é que num hospital, quando uma criança está para morrer sem Batismo, qualquer pessoa (mesmo um ateu) pode batizá-la, desde que tenha a intenção de fazer o que Cristo e a Igreja fazem no caso, e aplique água natural com as palavras: "Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Assim, os sete sacramentos não são obra nossa, mas obra de Deus nas mãos dos homens; são os mais belos dons da misericórdia divina.
Do opus operatum distingue-se o opus operantis, que é uma ação sagrada cuja eficácia é condicionada ao fervor da Igreja ou, mais precisamente, do fiel que a executa: assim a leitura da Bíblia é um sacramental, cuja eficácia dependerá não só da compreensão do leitor, mas também, e principalmente, da fé e do amor com que lê.
Ora os reformadores não entenderam o conceito de opus operatum; identificaram-no, antes com ato mágico, pelo qual o homem tenta obrigar Deus a agir como a criatura deseja; seria um "truque" para dominar a Onipotência Divina. É claro que esta interpretação equivale a um mal-entendido, que faz dos sacramentos precisamente o contrário daquilo que eles são: pura graça soberana de Deus, que se dá aos homens sem que o homem possa dizer que o mereceu.
Vejamos agora a resposta que o Catolicismo dá a esta posição protestante.
No Catolicismo
3. 0 Catolicismo julga que os reformadores protestantes afirmaram duas grandes verdades que, se tivessem sido autenticamente desenvolvidas, teriam levado os protestantes ao reconhecimento dos sacramentos depurados das deformações e contrafacções que a piedade popular dos séculos XV-XVI lhes impusera. Com efeito, os reformadores enfatizaram:
a) o valor comunitário do culto católico. Apesar do individualismo que os afetava, proclamaram a índole pública da piedade e dos ritos litúrgicos, que se obscurecera no fim da Idade Média. A Santa Ceia seria celebração da assembléia, cujos membros participariam todos do símbolo sagrado;
b) o conceito de verbum Dei visibile (palavra visível de Deus), conceito formulado por S. Agostinho e muito valorizado por Lutero e Calvino. Como entender tal conceito?
Para os reformadores, a Palavra de Deus não é simples vocábulo, mas acontecimento ("diabhar", em hebraico) ou intervenção de Deus em nossa vida, que ela transforma pela sua eficácia criadora. Ora a noção de Palavra visível de Deus vem a coincidir com a de sacramento no sentido católico; este é palavra associada à matéria (água, pão, vinho, óleo...),... matéria que torna visível o conteúdo da Palavra e, ao mesmo tempo, realiza o que a Palavra significa. 0 pão de trigo sobre o qual Cristo, por meio do seu legítimo ministro, diga: "Isto é o meu corpo", torna visível tal palavra, pois vem a ser o Corpo de Cristo. Da mesma forma o vinho de uva sobre o qual se diga: "Isto é o meu sangue", torna visível tal palavra, pois vem a ser o sangue de Cristo. Nos sacramentos a Palavra de Deus toca o homem por meio de sinais concretos para enxertar-lhe a vida de Cristo, que é a vida do País.
Infelizmente os reformadores não chegaram a esta conclusão, embora estivesse na lógica das suas premissas. Ao contrário, entenderam verbum Dei visíbile no sentido meramente intelectual, como se fosse uma palavra de menor valor, destinada aos iletrados, que só podem compreender mediante imagens ou através do sistema audio-visual. Conseqüentemente os templos protestantes foram mais e mais assumindo o aspecto de salas de aula, em que se ministram ensinamentos mediante palavras e gestos, mas em que falta o complemento lógico da Palavra que é o sacramento (=sinal eficaz de graça).
Desta forma a Palavra de Deus, tão legítima e oportunamente exaltada pelos reformadores, foi-se paradoxalmente depauperando contra toda lógica.
Chamar a atenção para estas verdades é abrir o melhor caminho para que o protestantismo possa recuperar a clássica doutrina relativa aos sacramentos.
4. Positivamente, a Igreja Católica ensina: nos sacramentos fala-nos e atua em nós a Palavra anunciada por aqueles que Cristo enviou, como se fosse Ele em pessoa que a anunciasse. Não são os nossos méritos nem a nossa fé que podem efetuar tão grandes coisas, como a comunhão com Cristo pelo Batismo, a Eucaristia, a Penitência..., mas é unicamente Deus, que falou uma vez por todas em Cristo,... em Cristo que continua a falar nos seus Apóstolos e na Igreja Apostólica que os prolonga. Ainda os sacramentos recebem toda a sua eficácia da Palavra de Deus, Palavra que os instituiu durante a vida terrestre de Cristo, Palavra que Cristo transmitiu aos seus Apóstolos e, depois destes, aos que lhes sucedem, de tal maneira que, onde quer que eles falem em nome de Cristo, repetindo o que Cristo disse, é sempre o Senhor Jesus quem fala e, falando, realiza o que Ele diz.
Vê-se, pois, que as palavras do Batismo, da consagração da Eucaristia, da absolvição dos pecados nada têm de mágico ou de "truque", mas são eficazes unicamente porque Jesus Cristo, mediante os Apóstolos e seus sucessores, continua presente e atuante na sua Igreja. Esta presença é perpetuada naqueles que Jesus escolheu como seus ministros, para falar em Seu Nome, através dos séculos, comprometendo-se a dar à sua Palavra nos lábios deles a mesma força que ela tinha nos lábios de Cristo. Pois, naqueles que Ele enviou, é Ele que está presente, fala e age, para manter sempre atuante o mistério da sua Cruz e Ressurreição, o mistério da sua Igreja e dos sacramentos,... mistério que é a derradeira Palavra que a Palavra de Deus tinha a nos dar.
4. Conclusão
O percurso traçado nas linhas anteriores pode ser assim compendiado:
Os reformadores (Lutero, Calvino... ) no século XVI partiram de uma intuição genial: restaurar a estima e o culto da Palavra de Deus, com todos os predicados de santificação que ela possui. Procederam muito bem, pois as Escrituras Sagradas vinham sendo empalidecidas por mentalidade fantasiosa e por escolas filosóficas decadentes no fim da Idade Média.
Se tivessem tirado as conclusões contidas neste seu princípio básico, só teriam reforçado e abrilhantado a única Igreja fundada por Cristo, pois afirmavam algo de genuinamente cristão e eclesial. Infelizmente, porém, arrancaram a Palavra de Deus escrita do seu berço anterior e do seu ambiente concomitante, que é a Palavra de Deus proferida oralmente, único critério adequado para se interpretar a Palavra escrita ou a Bíblia. Em conseqüência, esta perdeu sua vida, sua eloqüência própria e ficou sujeita às interpretações dos homens, animados, sem dúvida, de fé e fervor, mas marcados pela falibilidade e o subjetivismo; daí o paradoxal depauperamento da Palavra de Deus, que por último tem sido julgada (em vez de julgar) por intuições imaginosas do protestantismo moderno (mórmons, pentecostais, adventistas...) ou pelos princípios racionalistas do protestantismo liberal.
Ao invés desta caminhada, pode-se propor outra trilha: quem lê objetivamente as Escrituras, verifica que elas remetem constantemente o fiel à Palavra oral que a antecedeu e que a explica (2Ts 2,15; 3,6; lTs 3,4; 4,16; lCor 11,23-25...). Essa Palavra ou Tradição oral não perece, mas continua viva através dos séculos na Igreja, que não é mera sociedade humana, e sim o Corpo de Cristo prolongado; a este o Senhor concede sua assistência infalível desde que se guarde a sucessão apostólica (cf. Mt 28,18-20).
A autoridade da Igreja, portanto, credenciada pelas Escrituras não derroga à autoridade da Bíblia, mas serve a esta. Mais: é autoridade não apenas para ensinar, pois a Palavra de Deus não ensina apenas (como numa escola), mas é autoridade também para transformar o homem, comunicando-lhe a vida de Deus, pois a finalidade da obra de Cristo não é simplesmente ensinar, e sim levar à comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo (cf. lJo 1,1-3). Por isto, o Senhor dizia aos Apóstolos: "Fazei que todas as nações se tornem discípulos, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19). Nem a palavra da pregação vale sem o rito sacramental, nem o sacramento sem a pregação...
Em conseqüência, a Igreja, na qual Cristo vive e atua, tem a missão de oferecer aos homens não só a Palavra audível, mas também a Palavra visível de Deus ou a Palavra cujo significado é corroborado por sinais sagrados, de modo a transmitir através destes a vida de Deus; tais são os sacramentos. Sem estes, estaria incompleta a obra de Cristo e da Igreja; seria truncada a eficácia da Palavra de Deus.
Quem aceita a Igreja como Corpo Místico de Cristo dotada de autoridade doutrinal e eficácia santificadora garantidas por Cristo, aceitará conseqüentemente tudo o que daí decorre ou tudo o que a Igreja ensina como verdades de fé deduzidas da Palavra de Deus: o purgatório, a veneração dos santos e das suas imagens, o Papado, as indulgências, a Confissão auricular, etc. Cada um destes temas se prende à Palavra de Deus escrita, lida e explicitada pela Tradição oral.
Assim se vê que o protestantismo parte de afirmações positivas, às quais ele não deve renunciar; importa-lhe, porém, renunciar a princípios filosóficos que os séculos XV e seguintes lhe comunicaram, deturpando sua intuição inicial. Oxalá isto possa acontecer nesta época, em que o diálogo ecumênico vem sendo carinhosamente cultivado! Para tanto, toca grande responsabilidade aos fiéis católicos: requer-se que se despojem não só de toda imperfeição moral, mas também de toda mescla de doutrinas e atitudes heterogêneas, que empalideçam o brilho do Cristianismo tal como nos foi entregue através dos séculos pela Palavra de Deus escrita e oral.
Notas:
1. 0 Anglicanismo ou Episcopalianismo apresenta dois ramos: a "High Church" (Alta Igreja), próxima do Catolicismo, e a "Low Church" (Baixa Igreja), mais sujeita às influências dos Reformadores do século XVI... Os anglícanos descontentes com a índole "católica" da Igreja oficial, emigraram para os Estados Unidos, onde têm sido vítimas de subjetivismo crescente, que vai esfacelando o bloco protestante: multiplicam-se os fundadores de "igrejas" na base de intuições pessoais; essas diversas "igrejas" têm sua ascensão e seu declínío, dando lugar a um reavivamento (´revival´), que por sua vez declina e, conseqüentemente, ocasiona outro reavivamento...
2. As objeções dos protestantes contra as imagens e os Santos, o purgatório, a S. Escritura, o Santo Sacrifício da Missa, o Papado... decorrem da posição assumida por eles no tocante à Palavra, à Igreja e aos sacramentos. Feito o acordo sobre estes três pontos, os demais deixarão de causar dificuldades.
"A Igreja sempre venerou as divinas Escrituras, da mesma forma como o próprio Corpo do Senhor, já que, principalmente na Sagrada Liturgia, sem cessar toma da mesa tanto da Palavra de Deus quanto do Corpo de Cristo o pão da vida, e o distribui aos fiéis" (Constituição Dei Verbum no 21). Ver Presbyterorum Ordinís no 18, Perfectae Caritatis nº 6.
3. Podemos lembrar que, durante as disputas políticas que se seguiram ao brado reformador de Lutero, ficou estabelecido que cada território alemão teria oficialmente a religião do seu governante: "Cuius regio, eius refigio".
4. Quando se diz que a Igreja é "una, santa, católica e apostólica", não se entende diretamente a índole missionária da Igreja, mas o fato de que ela está fundada sobre Cristo e, necessariamente mediante os Apóstolos, chega até nós... Em conseqüência, percebe-se que a Igreja fundada por Cristo não pode ser recomeçada, por mais evidente que seja a fragilidade dos seus membros. Quem rompe com a Igreja de Cristo e funda "sua Igreja" (luterana, calvinista, wesleyana... adventista, batista...) perde a garantia da presença indefectível do Senhor prometida aos Apóstolos e seus sucessores até o fim dos tempos (cf. Mt 28,18-20). Institui uma sociedade que só tem o valor e a eficácia dos homens que a compõem e que, portanto, está sujeita a ser substituída por outra sociedade humana, devida a outro ´fundador´, sempre em condições muito precárias. São tantas e tantas as "igrejas" protestantes, umas derivadas das outras!

OMITIDORES DO CACP "ATIRAM NO PRÓPRIO PÉ

MinistérioCACP
"...exortando-vos a batalhar pela Fé, que uma vez foi dada aos Santos." (Jd 3) É O SITE QUE ESCREVEU TODA A MATERIA ABAIXO QUE FOI MAIS UMA VEZ DESMASCARADA SUA MENTIRA.ESTES PROTESTANTES FAZEM DE TUDO PARA SEREM A VERDEIRA IGREJA DE CRISTO,MAS NÃO SÃO.
Caríssimos,Salve Maria!Encontra-se no CACP um artigo contando a história de Johann Gutenberg inventor da imprensa.Diz o artigo:Johann Gutenberg (1397-1468)Inventor da imprensa desenvolveu durante anos - discretamente e trabalhando até 16 horas por dia - o seu projeto da “arte da escrita artificial”. Ourives de profissão, ele aplicou seu conhecimento sobre metais e fundição para criar um molde tipográfico ajustável, ponto principal de sua invenção. Tratava-se de uma placa formada por centenas de letras soltas, feitas de uma liga de estanho e chumbo. As letras eram arrumadas em uma espécie de estojo, de acordo com o que se queria escrever em cada página. Depois disso, recebiam tinta e eram encaixadas na prensa para “carimbar” o papel ou pergaminho. Para reproduzir a página seguinte, bastava reorganizar a placa, arrumando novamente as letras no estojo.A primeira obra a ser impressa foi uma magnífica edição da Bíblia. O texto era da Vulgata Latina de Jerônimo e foi publicada em Moguncia entre 1450 e 1456. Desde então nenhuma Bíblia tem sido mais estudada que a Bíblia de Gutenberg. Cada volume, página, linha e letra dessa Bíblia - considerada não somente o mais antigo, como também o mais belo livro impresso com tipos móveis - tem sido minuciosamente examinado por estudiosos e colecionadores. Por ser tão rara e preciosa, a Bíblia de Gutenberg tem sido desmembrada em páginas, que são vendidas a colecionadores.

A importância desta invenção foi crucial para a reforma no cristianismo. Não se passaram dez anos da publicação da primeira Bíblia e o vernáculo já constituía o texto mais difundido dos livros publicados, e isso sem dúvida contribuiu para conferir uma consciência religiosa diferente culminando no surgimento que levaria à Reforma Protestante. Não demorou a que os gráficos alemães levassem a invenção para a Itália (1467), França (1470) e Espanha (1474). De fato, O invento de Gutemberg, produziu as mais transcendentais conseqüências para a cultura e as civilizações ocidentais.Dessa época em diante puderam ser reproduzidas cópias e livros mais rápida e economicamente e com um grau de perfeição até então nunca alcançado.Hoje, o processo inventado por Gutenberg pode parecer lento. Mas, quando comparado ao método utilizado na época, em que os textos eram copiados à mão, significou um grande avanço. http://www.cacp.org.br/historia/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=1095&menu=13&submenu=5

Mas, uma parte importante da magnífica obra de Gutenberg é omitida pelo autor, pois divulgar tal informação seria "atirar no próprio pé"!Os omitidores do CACP escondem um pequeno e gloriosos detalhe: A Bíblia imprimida por Johann Gutenberg CONTINHA OS DEUTEROCANÔNICOS, que o próprio CACP acusa que foram adicionados no Concílio de Trento.Diz o falso centro apologético "cristão" em um outro artigo:.A MENTIRA:Poucos sabem que em 1546, no Concílio de Trento, o clero católico adicionou à Bíblia sete livros apócrifos. Eles já vinham fazendo isso desde o século V, contudo, o reconhecimento oficial e definitivo desses livros por parte da Igreja Católica se deu a partir do século XVI.http://www.cacp.org.br/catolicismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=108&menu=2&submenu=10A VERDADE DOCUMENTAL:

Esse site é uma piada mesmo, todas as refutações feitas pelo Veritatis nunca foram publicadas lá, por quê será?Esta é uma delas: http://www.veritatis.com.br/article/4112

A bíblia impressa por Gutenberg é uma versão anterior ao Concílio de Trento, a citadaedição contém os deteurocanônicos. Vejam a Bíblia de Gutenberg no link abaixo: http://www.hrc.utexas.edu/exhibitions/permanent/gutenberg/web/pgsdbl560/2_297298_143v144r.htmlMas, para tentarem se esquivar os caluniadores dizem acima:Eles já vinham fazendo isso desde o século V, contudo, o reconhecimento oficial e definitivo desses livros por parte da Igreja Católica se deu a partir do século XVI.Mas a trágica argumentação acima é facilmente desmascarada pelo Codex Sinaiticus, do Séc. IV que também contém os Deteurocanônicos. Vejam o seguinte artigo: http://caiafarsa.wordpress.com/deuterocanonicos-e-o-codex-sinaiticus/Assim provamos e mostramos a mentira e a omissão do CACP, que neste artigo conta uma meia verdade, pois admitir a verdade total seria desastroso para eles.Por Jefferson NóbregaPax et Bonvs.
AQUI A PARTE QUE JUSTIFICA A MENTIRA PROTESTANTE
CONTRA FACTUM, NON EST ARGUMENTUM !
Em debate com protestantes sempre que o assunto era cânon bíblico, recebíamos os mesmos ataques, sempre os já refutados argumentos. Pois bem, venho aqui tratar de um em especial, um dos argumentos usados contra os deteurocanônicos. Constantemente é dito nos meios heréticos protestantes que a Igreja Católica adicionou os deteurocanônicos a bíblia no Concílio de Trento em 1546, essa adição seria para dar suporte bíblico às doutrinas Católicas que agora a rebelião diabólica liderada por Lutero considerava heréticas. É claro que tal acusação já foi refutada há tempos, com os testemunhos dos Santos Padres dos primeiros séculos, com a Bíblia de Gutemberg e com vários outros sólidos argumentos.
No entanto, os seres que se auto-intitulam “evangélicos” são uma espécie com algum entrave mental que não permite que enxerguem a verdade tão clara e nítida, por isso alguns continuam sustentando veementemente essa mentira, continuam gritando e enganando os menos instruídos, dizendo a todos que os deteurocanônicos foram ADICIONADOS na bíblia pela Igreja no ano 1546 e que estes não eram usados pela Igreja Primitiva.
Vejamos alguns exemplos:
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A MENTIRA:
“Poucos sabem que em 1546, no Concílio de Trento, o clero católico adicionou à Bíblia sete livros apócrifos. Eles já vinham fazendo isso desde o século V, contudo, o reconhecimento oficial e definitivo desses livros por parte da Igreja Católica se deu a partir do século XVI.”
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ONDE SE ENCONTRA A MENTIRA:
http://www.cacp.org.br/catolicismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=108&menu=2&submenu=10
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É hora então de quebrar de vez os argumentos dos hereges!
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A VERDADE DOCUMENTAL:
Eu poderia expor aqui todos os argumentos já usados contra essa calúnia, no entanto, como diz o ditado “uma imagem vale mais que mil palavras”.
A Igreja adicionou os deteurocanônicos ao cânon bíblico no de 1546?
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CONTRA FACTUM NOS EST ARGUMENTUM!
Apresento-vos então caros hereges, imagens do manuscrito Codex Sinaiticus, que é simplesmente o exemplar mais antigo da bíblia datado do Séc. IV, com uma surpresa nada agradável para vocês.
O link abaixo mostra páginas do LIVRO DE MACABEUS que malandramente os protestantes acusam ter sido um dos livros adicionados no Concílio de Trento:
http://www.codexsinaiticus.org/en/manuscript.aspx?book=12
E se derem uma olhada encontrará ainda outros livros como o de Tobias!
Então protestantes como fica agora? Temos acima um livro deteurocanônico em uma bíblia do Séc. IV!
Portanto, fica provado mais uma vez que os protestantes além de mutilarem a bíblia ainda firmam-se em calúnias e mentiras para nos atacar e justificar suas doutrinas heréticas.
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Diante do que foi exposto gostaria que os protestantes respondessem:
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E agora quem mutilou a bíblia? Nós adicionamos ou os senhores retiraram?
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” Eu declaro a todos aqueles que ouvirem as palavras da profecia deste livro: se alguém lhes ajuntar alguma coisa, Deus ajuntará sobre ele as pragas descritas neste livro; E se alguém dele tirar qualquer coisa, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, descritas neste livro.” (Apoc. 22,18-19).
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Por Jefferson Nóbrega
Pax et Bonvs.
Cai A Farsa!
Pages

Igreja Primitiva x Protestantes

A confusão e incoerência protestante.Leiam:”Os apóstolos usaram a Septuaginta?”Tudo parece indicar que sim. Muitas passagens do Velho Testamento citadas pelos autores do Novo Testamento seguem de perto a Septuaginta ao invés do texto hebraico.Isto é fácil de constatar, pois embora ofereça exatamente em forma e substância o verdadeiro sentido dos Livros Sagrados, difere consideravelmente do texto hebraico”.“A fim de evitar suspeitas e más interpretações, era imperativo que os apóstolos e evangelistas permanecessem fiéis à Septuaginta em sua pregação e ensino, tanto na forma oral como na escrita”. http://www.c a c p.org.br/movimentos/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=805&menu=12&submenu=6*** apenas retire os espaços de cacp.
Na Igreja Primitiva as escrituras judaicas eram conhecidas, não emhebraico, mas numa tradução grega chamada Septuaginta, dos setenta(Septuaginta) anciãos que a tradição judaica ensina haver realizado a obra de tradução.Este Velho Testamento grego possuía os trinta e nove livros da Bíblia hebraicanoutra ordem, no todo diferente da ordem hebraica.Um aspecto da plataforma pela qual os cristãos romanos agora procuravamunir as igrejas era a posse de uma escritura cristã definida, lado a ladocom o Velho Testamento.Edgar L. Goodspeed – protestante - prof. de Bíblia - "Como veio a Bíblia"“Assim que a igreja primitiva passou a utilizar a Septuaginta como AntigoTestamento, a comunidade judaica perdeu o interesse em sua preservação,”
http://www.jesusvoltara.com.br/biblia/Septuag.htm

Ora , se os próprio protestantes reconhecem o uso da Septuaginta pela Igreja desde o seu início, como Lutero poderia retira-los ?Afinal , isso significa atribuir erro aos apóstolos e sucessores.Será que o Espírito Santo, alma da Igreja, permitiria que ela errasse em umassunto tão importante, usando livros não-inspirados (segundo os protestantes) ??Afinal estamos falando da palavra de Deus !.Isso significa atribuir erro na chamada “Igreja primitiva”.E como fica neste caso a questão da Sola Scriptura ??Se os primeiros usavam livros “não-inspirados”, isto coloca em cheque a afirmação do Lutero.Igreja primitiva x Lutero - Quem está certo ??É óbvio, a Igreja.Lutero errou e o protestantismo tropeça nas suas próprias afirmações.

Se as pesquisas com células-tronco são tão boas, por quê a Igreja é contra?

Antes de mais nada a Igreja não é contra a pesquisa com células-tronco, pelo contrário, a Academia Pontifícia para as Ciências considera essas pesquisas benéficas à humanidade e certamente as estimula. Entretanto há de se considerar que há duas modalidades de pesquisa com células-tronco atualmente: pesquisas com células-tronco adultas e com células-tronco embrionárias. A Igreja é frontalmente contrária a pesquisa com células-tronco embrionárias, vamos entender porque:
Mas antes, afinal o que são células-tronco?
Resposta: “É um tipo de célula que pode se diferenciar (modificar-se, transformar-se) e constituir diferentes tecidos no organismo. Esta é uma capacidade especial, porque as demais células geralmente só podem fazer parte de um tecido específico (por exemplo: células da pele só podem constituir a pele). Outra capacidade especial das células-tronco é a auto-replicação, ou seja, elas podem gerar cópias idênticas de si mesmas.
Por causa destas duas capacidades, as células-tronco são objeto de intensas pesquisas hoje, pois poderiam no futuro funcionar como células substitutas em tecidos lesionados ou doentes, como nos casos de Alzheimer, Parkinson e doenças neuromusculares em geral, ou ainda no lugar de células que o organismo deixa de produzir por alguma deficiência, como no caso de diabetes.” - Mayana Zatz, professora titular de Genética, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano.
As células-tronco adultas estão presentes na medula óssea, sangue, fígado, cordão umbilical e etc., mas até o momento as pesquisas não avançaram o suficiente para que já se saiba em quais tipos de células as células-tronco adultas podem se transformar. Sabe-se da sua capacidade de replicação, mas desconhece-se quais são suas limitações quanto a transplantes e quanto a doenças genéticas. Ou seja, serão necessários esforços de pesquisa mais prolongados e investimentos de longo prazo até que uma terapia eficaz com essas células apresente resultados. Mas em se tratando de pesquisa científica, qualquer fato novo, qualquer nova descoberta pode modificar completamente o quadro atual, e muitas etapas poderão ser superadas num curto espaço de tempo.
Já as células-tronco embrionárias podem transformar-se em qualquer tecido humano, e as pesquisas por enquanto acontecem apenas em países que permitem esse tipo de estudo, principalmente na Coréia, mas permanece proibida em maior parte do mundo. A razão é clara: células-tronco embrionárias só podem ser obtidas com a utilização de embriões humanos.
Países com EUA, Inglaterra, Alemanha vivem hoje sob acaloradas discussões em torno da liberação das pesquisas com células-tronco embrionárias. A utilização de embriões humanos em pesquisas vai além de uma questão ética e abarca questões jurídicas e sociais.
Vários governos se vêem pressionados por organismos científicos e grandes corporações farmacêuticas a modificar suas leis no sentido de permitir a pesquisa, utilização e comercialização das terapias utilizando células-tronco embrionárias. Além do obvio avanço científico e da cura de várias doenças, estamos falando de um mercado de bilhões de Dólares, onde, há muitos interesses econômicos envolvidos.
Muito por preconceito contra as posições corajosas assumidas pela Igreja em defesa da vida, a imprensa mundial alardeou a falsa versão de que “mais uma vez “ a Igreja estaria sendo contrária ao desenvolvimento científico ao “tentar atravancar uma das maiores descobertas da ciência de nosso tempo”. É uma versão que se revela no mínimo falsa quando desconsidera integralmente as razões que motivam a Igreja a assumir essa posição, e pior, colocam que a Igreja é contrária a pesquisa como um todo, o que não é um fato, haja vista a Igreja é contrária tão somente à destruição de embriões humanos para a pesquisa. Vejamos abaixo as razões da Igreja em seu comunicado à ONU pedindo que a pesquisa com embriões seja proibida em todo o mundo:
1. A Santa Sé está convencida de que é necessário apoiar e promover as pesquisas científicas em benefício da humanidade. Por isso, a Santa Sé encoraja as pesquisas que estão sendo realizadas nos campos da medicina e da biologia com o objetivo de curar doenças e melhorar a qualidade de vida de todos, contanto que sejam respeitosas para com a dignidade do ser humano. Esse respeito exige que toda pesquisa que for incompatível com a dignidade do ser humano seja excluída por razões morais.
2. Há duas possíveis fontes de células-tronco para a pesquisa humana; em primeiro lugar, as células-tronco “adultas”, que são obtidas a partir do sangue do cordão umbilical, a partir da medula óssea e a partir de outros tecidos, e, em segundo lugar, as células-tronco “embrionárias”, que são obtidas pela destruição de embriões humanos. A Santa Sé opõe-se à clonagem de embriões humanos com o propósito de destruí-los para coletar suas células-tronco, ainda que por um objetivo nobre, pois isso é incompatível com o fundamento e os motivos da investigação biomédica humana, ou seja, o respeito da dignidade do ser humano. Por outro lado, a Santa Sé aplaude e encoraja a pesquisa com células-tronco adultas, pois é completamente compatível com o respeito pela dignidade dos seres humanos. A plasticidade inesperada das células-tronco adultas possibilitou o uso bem-sucedido desse tipo de células indiferenciadas e que se auto-renovam para curar vários tecidos e órgãos humanos (1), especialmente as lesões cardíacas depois de um enfarto do miocárdio (2). Os múltiplos avanços terapêuticos demonstrados utilizando células-tronco adultas e a promessa que contêm para outras enfermidades, como desordens neurodegenerativas e diabetes, fazem as iniciativas de apoio a esta frutífera linha de pesquisa adquirirem um caráter urgente (3). Acima de tudo, é consenso universal que o uso de células-tronco adultas não acarreta nenhum problema ético.
3. Em contraste, a pesquisa com células-tronco embrionárias humanas tem sido atravancada por importantes dificuldades técnicas (4). Os experimentos com células-tronco embrionárias ainda não produziram nem um único êxito terapêutico indiscutível, nem sequer em modelos animais (5). Ademais, as células-tronco embrionárias causaram tumores em modelos animais (6) e podem provocar câncer se administradas em pacientes humanos (7). A menos que esses graves riscos sejam eliminados, os experimentos com células-tronco embrionárias não terão nenhuma aplicação clínica (8). Sem contar os problemas técnicos, a necessidade de extrair essas células de embriões humanos vivos levanta problemas éticos da mais alta ordem.
4. A chamada “clonagem terapêutica”, que na verdade deveria chamar-se “clonagem para fins de pesquisa” pois ainda está longe de ter aplicações terapêuticas, foi proposta para evitar a possível rejeição imunológica de células-tronco embrionárias obtidas de um doador que não seja o próprio receptor. Entretanto, o uso de células-tronco embrionárias clonadas envolve um alto risco de introduzir células de embriões anormais nos pacientes. Está bem estabelecido que a maioria dos embriões não-humanos produzidos mediante a clonagem por transferência nuclear são anormais, com deficiências em vários dos genes (marcados ou não marcados) necessários para o desenvolvimento das primeiras fases do embrião (9). As células-tronco embrionárias recolhidas de embriões anormais e inadequados manterão seus “defeitos epigenéticos” e transmitirão ao menos parte deles a suas células filhas. Portanto, a transferência dessas células-tronco de embriões clonados a um paciente seria extremamente perigosa; essas células poderiam provocar enfermidades genéticas, ou causar leucemia ou outros tipos de neoplasia. Além disso, ainda não foi elaborado um modelo de clonagem em primatas, que seria necessário para realizar experimentos a fim de garantir segurança antes de tentar experimentos terapêuticos em seres humanos (10).
5. Os benefícios para a saúde que a clonagem terapêutica traria são hipotéticos, uma vez que o próprio método continua sendo basicamente uma hipótese. Portanto, o crescendo de declarações hiperbólicas enaltecendo como esse tipo de pesquisa é promissor pode acabar minando a própria causa a que pretende servir (11). De fato, inclusive deixando de lado considerações éticas fundamentais para além das expectativas dos pacientes, o estado atual da “clonagem terapêutica” exclui, seja agora ou num futuro próximo, qualquer aplicação clínica.
6. Os cientistas, filósofos, políticos e humanistas estão de acordo quanto à necessidade de uma proibição internacional da clonagem com fins reprodutivos. De um ponto de vista biológico, o nascimento de seres humanos a partir de embriões clonados seria perigoso para a espécie humana. Essa forma assexuada de reprodução não incluiria a “mescla” usual de genes, que faz com que cada indivíduo tenha um genoma único, e fixaria arbitrariamente o genótipo numa configuração determinada (12), com conseqüências genéticas negativas previsíveis para o conjunto dos genes da humanidade. Ademais, seria proibitivamente perigoso para o clone individual (13). De um ponto de vista antropológico, as pessoas em sua maioria reconhecem que a clonagem é ofensiva para a dignidade humana. A clonagem sem dúvida criaria uma pessoa, mas mediante uma manipulação de laboratório da ordem da pura zootecnologia. Essa pessoa chegaria ao mundo como uma “cópia” (ainda que seja uma cópia apenas biológica) de outro ser. Se bem que essa pessoa seria ontologicamente única e digna de respeito, o modo como um ser humano clonado chega ao mundo marcaria essa pessoa mais como um artefato que como um ser humano, como um substituto em vez de um indivíduo único, um instrumento da vontade de outro em vez de um fim em si mesmo, um bem de consumo substituível em vez de um evento irrepetível na história humana. Portanto, a falta de respeito à dignidade da pessoa humana é inerente à clonagem.
7. Contudo, alguns desejariam que a proibição internacional proposta não incluísse a “clonagem terapêutica”, como se esta fosse um processo diferente do da clonagem com fins reprodutivos. A verdade é que a clonagem reprodutiva e a clonagem “terapêutica” ou “para pesquisa” não são dois tipos diferentes de clonagem: ambas envolvem o mesmo processo técnico de clonagem e se distinguem somente nos objetivos procurados. Na clonagem reprodutiva, o objetivo é implantar o embrião clonado no útero da mãe substituta a fim de “produzir” um filho; na clonagem “para pesquisa” o objetivo é utilizar imediatamente o embrião clonado, sem permitir que se desenvolva, eliminando-o, assim, durante o processo. Inclusive, pode-se afirmar que toda e qualquer modalidade de clonagem é “reprodutiva” em seu primeiro estágio, pois tem de produzir, mediante o processo de clonagem, um organismo novo autônomo e individual, dotado de uma identidade específica e única, antes que seja feita qualquer outra operação com o embrião.
8. A “clonagem terapêutica” não é eticamente neutra. De fato, do ponto de vista ético, esta seria ainda pior que a “clonagem reprodutiva”. Na clonagem “reprodutiva”, ao menos é dada ao ser humano recém-produzido, inocente de sua origem, a oportunidade de desenvolver-se e nascer. Na clonagem “terapêutica”, o novo ser humano é utilizado como mero material de laboratório. Tal uso instrumental de um ser humano é uma ofensa grave à dignidade humana e à humanidade. O termo “dignidade”, utilizado nesta Declaração de Posição e na Carta das Nações Unidas, não se refere a um conceito de valor baseado nas habilidades e capacidades dos indivíduos e na avaliação que os outros possam fazer deles, avaliação esta que podemos chamar de “dignidade atribuída”. A noção de dignidade atribuída permite juízos hierárquicos, desiguais, arbitrários e mesmo discriminatórios. Aqui a dignidade significa o valor intrínseco que é compartilhado de maneira comum e igual por todos os seres humanos, não importa quais sejam suas condições sociais, intelectuais ou físicas. É essa dignidade que obriga a todos nós respeitar todos os seres humanos, independentemente de sua condição, sobretudo se necessitarem de proteção ou cuidados. A dignidade é a base de todos os direitos humanos. Somos obrigados a respeitar os direitos dos outros porque primeiro reconhecemos sua dignidade.
9. A honestidade sugere que, se um rumo particular de pesquisa já demonstrou ter condições de sucesso e não suscita problemas éticos, deve ser seguido antes que seja começado outro rumo que demonstrou poucas perspectivas de êxito e que envolve preocupações éticas. Os recursos para pesquisas biológicas são limitados. A “clonagem terapêutica” é uma teoria não comprovada que pode muito bem acabar sendo uma enorme perda de tempo e dinheiro. O bom senso e a necessidade de realizar pesquisas fundamentais sérias e orientadas para objetivos determinados, portanto, convocam a comunidade biomédica mundial a dedicar os fundos necessários para a pesquisa utilizando células-tronco “adultas”.
10. O mundo não pode tomar dois caminhos diferentes: o caminho daqueles que estão dispostos a sacrificar ou comercializar seres humanos em prol de uns poucos privilegiados, e o caminho daqueles que não podem aceitar esse abuso. Para o seu próprio bem, a humanidade precisa de uma base comum, uma compreensão comum da humanidade e das bases fundamentais das quais dependem todas as nossas idéias sobre os direitos humanos. Cabe às Nações Unidas exercer todos os esforços na procura dessa base, para que os seres humanos sejam respeitados tais como são. Fazer avançar o projeto de uma proibição mundial da clonagem humana é parte dessa missão e dever das Nações Unidas.

As seitas evangélicas e suas superstições



O Brasil é um país supersticioso. Na Bahia há um dito popular que exemplifica isso de forma jocosa e muito bem humorada: “80% são católicos, 15% são protestantes, 5% pertencem a outras religiões e 100% vestem branco às sextas-feiras”. A superstição está tão engendrada em nossa sociedade que chega a independer do nível sócio-econômico ou cultural. Entretanto, há quem se aproveite do espírito supersticioso do brasileiro de forma torpe e irresponsável, em questão, diversas seitas evangélicas.
Todos nós já escutamos nos meios de comunicação chamadas como: “dia do descarrego”; “meia-noite da libertação”; “noite da quebra de feitiços”, “dia do óleo santo de Israel”; “corrente dos empresários”; “culto da sexta-feira 13”. E alguns mais hilários como: “sexta-feira forte, desencapetamento total” ou “venha receber seu shampoo sagrado”. Este último, por sinal, quem vos escreve teve oportunidade de escutar.
Não raro, em programas de rádio ou TV dessas seitas, os “pastores” que apresentam tais programas, quando perguntados por ouvintes sobre as razões de seus infortúnios, respondem sem pestanejar: “Foi um feitiço, um trabalho, uma maldição que jogaram em você! Compareça a nossa igreja...”. Já se estabelece nesse curto contato uma relação de sugestionador e sugestionado, entre o pretenso "pastor" e sua vítima em potencial.
Termos como “descarrego” sempre estiveram tradicionalmente relacionados ao fetichismo e à magia, temas que sempre foram objeto de repúdio por parte do cristianismo. Qual seria então a justificativa para a venda de falsos objetos sagrados e da utilização de elementos da superstição popular por parte de seitas evangélicas em pleno século XXI? As respostas são várias, mas orbitam em torno de uma única motivação: dinheiro. Soma-se ainda uma tática covarde: a submissão da consciência dos fiéis a uma ótica atávica. Ou seja, ao invés de libertar mentes de crenças ancestrais que subjugam a verdadeira espiritualidade libertária do cristianismo, essas seitas perpetuam e disseminam a crença em supertições e fetiches, além de escravizar, inexoravelmente, seus membros a uma permanente relativização de sua relação com Deus.
Essa verdadeira escravização de mentes, é em parte responsável pelo esplêndido crescimento dessas seitas. Não há uma explícita negação daquilo que pode ser classificado como crendice popular e superstição. O fiel não precisa rever seus conceitos motivado por uma doutrina que o conduza a uma reflexão acerca de suas crenças anteriores, simplesmente não é preciso abandonar nada, não é preciso modificar sua ótica em relação ao que recebeu como herança do seu folclore e cultura. O fiel é conduzido a permanecer na ignorância, a mesma ignorância que justifica para esse mesmo fiel que basta ter fé para salvar-se, ou seja, um caminho religioso pavimentado por aparentes facilidades. O fiel permanece arraigado a superstições, e é estimulado diuturnamente pela seita a continuar nessa mesma situação de voluntária escravidão. Afinal, permanecer dentro da seita é a garantia de “corpo fechado”, de proteção.
O “pastor”, por sua vez, ocupa uma posição bastante similar a de um curandeiro, dententor de uma "magia boa”, antídoto que protege o fiel de toda uma miríade de riscos espirituais aos quais o mesmo está exposto fora da seita. E a seita ocupa grande parte de sua pregação em solidificar esses conceitos em seus fiéis, basta adentrar qualquer desses templos e o que se notará é uma sequência de pregações e testemunhos reforçando dia após dia a imagem de um mundo ancestralmente cheio de superstições. Serão pastores falando de feitiços, magias, bruxarias e demônios, e testemunhos de fiéis falando que foram libertados exatamente dessas coisas. Com tanta repetição, qualquer mentira passa virtualmente por verdade.
Por mais absurdo que pareça, a observação comprova essa relação de sujeição dos fiéis motivada pelo medo e ignorância, da mesma forma que atesta o comportamento vicioso dos pretensos pastores, o que os coloca no mesmo calibre dos curandeiros, feiticeiros e passistas que dizem combater.
Em geral, com os fiéis incentivados a relacionar sua fé cristã a fetichismos e crendices, não ocorre uma verdadeira conversão, não há um momento de íntima descoberta e encontro com o Cristo. Muito embora o slogan “encontrei Jesus” seja o mais repetido pelos adeptos de tais seitas, Jesus, nesse contexto, é tão somente um elemento a mais nesse processo de aprisionamento, e não o motor de uma grande mudança de vida. A mensagem cristã que lhes chega é bastante distante da real. E o "jesus'' que lhes é oferecido é tão somente aquele dos milagres e dos exorcismos, deixam de fora o real Jesus, que também exige uma verdadeira revolução moral na vida do fiel. Não importa QUEM é Jesus, mas o que Ele pode proporcionar.
Sob esse aspecto, inclusive, cabe fazer uma censura peremptória àqueles que se identificam como católicos e apegam-se a sincretismos, comportando-se da mesma maneira que os fiéis evangélicos que mencionamos. O sincretismo é um elemento estranho à fé católica, e o pretenso católico que o pratica está em grave estado de pecado. Não se pode ser católico e espiritista ou fetichista ao mesmo tempo. Não se pode servir a dois senhores. Entretanto, cabe lembrar, que ao contrário das seitas que aqui abordamos, a Igreja Católica condena e reprova de todas as formas tanto o pensamento quanto a manifestação supersticiosa. Fé católica e crendice são elementos amplamente dissociados, e não há espaço para contemporizações a esse respeito.
Ao recorrer a símbolos de magia, a seitas evangélicas contribuem para a solidificação de princípios amplamente contrários a fé cristã. E para maioria das pessoas que integram tais seitas, uma sessão de “descarrego” ou ir ao templo à meia-noite de uma sexta-feira 13 é algo que faz parte da fé cristã. Idéia que contraria frontalmente os fundamentos do cristianismo, que em sua origem e doutrina , é completamente avesso à crendice e ao fetichismo; a qualquer forma de relativização do poder de Deus. Se nem mesmo uma flor nasce sem a permissão do altíssimo, é absurdo imaginar então que mal-olhado é suficiente para lançar a vida de qualquer pessoa na falência, mas é isso que a seita ensina, mesmo que a biblia, a tradição e a patrística cristã afirme o contrário. Dessa forma, a seita envangélica distancia-se de tal forma da fé cristã, que em relação a ela guarda pouca ou nenhuma consonância.
Ao conduzir o fiel a acreditar que as práticas da seita referentes a “proteção” contra maldições é suficiente garantia de sua paz e integridade, o fiel é na verdade conduzido a colocar Deus como mero coadjuvante do poder da seita. Ou seja, Deus, apenas, não seria suficiente à sua necessidade de proteção. Uma prova bastante nítida desse processo de alienação religiosa, é a forma pródiga como essas seitas exploram pseudo exorcismos e testemunhos de fiéis que livraram-se de "feitiços, trabalhos e maldições" através da seita. Para o fiel, Deus, sem a seita "não surte efeito".
Em resumo, para essas seitas e seus pobres e enganados fiéis, sem as correntes, sem a falsa água do rio Jordão, sem o óleo de Israel fabricado no quintal, sem os descarregos teatrais, e para não deixar de citar, sem o “fantástico” shampoo sagrado, o cristianismo não acontece.

Significado de alguns símbolos pascais

INCENSO
O incenso de "incendere", "incender", é uma das resinas que produz um agradável aroma ao arder. Esta palavra latina dá também origem ao termo "incensário" (instrumento metálico para incensar), enquanto a raíz grega "tus", que também significa incenso, explica a palavra "turíbulo" (incensário) e "turiferário"(o que carrega o turíbulo).
O incenso se dá principalmente no Oriente, e já desde antigamente no Egito, antes de os israelitas chegarem era usado em cerimônias religiosas, por seu fácil simbolismo de perfume e festa, de sinal de honra e respeito ou de sacrifício aos deuses. Já antes em torno da Arca da Aliança, mas sobretudo no templo de Jerusalém era clássico o rito do incenso (Ex. 30). A rainha de Sabá trouxe entre outros presentes grande quantidade de aromas a Salomão (1Rs.10). Os cristãos no século IV introduziram o incenso na linguagem simbólica de suas celebrações, quando se considerou superado o perigo anterior de confusão com os ritos idolátricos do culto romano.
Atualmente, se incensa na missa, quando se quer ressaltar a festividade do dia, o altar, as imagens da Cruz ou da Virgem, o livro do evangelho, as oferendas sobre o altar, os ministros e o povo cristão no ofertório, o Santíssimo depois da consagração ou nas celebrações de culto eucarístico. Com isso se quer significar às vezes um gesto de honra (ao Santíssimo, ao corpo do defunto nas exéquias), ou símbolo de oferenda sacrificial (no ofertório, tanto o pão e o vinho como as pessoas).
JEJUM
Chamamos "jejum" (latim "ieunium") à privação voluntária de comida durante algum tempo por motivo religioso, como ato de culto perante Deus.
Na Bíblia no jejum pode ser sinal de penitênica, expiação dos pecados, oração intensa ou vontade firme de conseguir algo.
Outras vezes, como nos quarenta dias de Moisés no monte ou de Elias no deserto ou de Jesus antes de começar sua missão, marca a preparação intensa para um acontecimento importante.O jejum Eucarístico tem uma tradição milenária; como preparação para este sacramento, o cristão se abstém antes de outros alimentos.
É na Quaresma, desde o século IV, que sempre teve mais sentido aos cristãos o jejum como privação voluntária da que existem em outras culturas religiosas ou por motivos religiosos.
O jejum junto com a oração e a caridade, tem sido desde muito tempo uma "prática quaresmal" como sinal de conversão interior aos valores fundamentais do evangelho de Cristo. Atualmente nos abstemos de carne todas as sextas-feiras de Quaresma que não coincidem com alguma solenidade; fazemos abstinência e além do jejum (uma só refeição ao dia) na quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa.

CÍRIO PASCAL
A palavra "círio" vem do latim "cereus", de cera, o produto das abelhas. Ao falar das "candeias" , aludíamos ao uso humano e ao sentido simbólico da luz que os círios produzem.
O círio mais importante é o que se acende na Vigília Pascal como símbolo de Cristo - Luz, e que fica sobre uma elegante coluna ou candelabro adornado.
O Círio Pascal é já desde os primeiros séculos um dos símbolos mais expressivos da vigília. Em meio à escuridão (toda a celebração é feita à noite e começa com as luzes apagadas), de uma fogueira previamente preparada se acende o Círio, que tem um inscrição em forma de cruz, acompanhada da data do ano e das letras alfa e Ômega, a primeira e a última letra do alfabeto grego, para indicar que a posição de Cristo, princípio e fim do tempo e da eternidade, nos alcança com força sempre nova no ano concreto em que vivemos.
O Círio estará aceso em todas as celebrações durante cinqüenta dias, ao lado do ambão da Palavra, até a tarde do domingo de Pentecóstes. Uma vez concluído o Tempo Pascal, convém que o Círio seja conservado dignamente no batistério, e não no presbitério.
QUINTA - FEIRA SANTA
A quinta - feira santa é o último dia da Quaresma e por sua vez, a partir da missa vespertina, a inauguração do Tríduo Pascal. Em latim seu nome clássico é "feria V in Coena Domini". É um dia íntimo para o povo cristão, certamente a quinta - feira mais importante do ano, principamente desde que a da Ascensão e do Corpus Christi são celebrados no domingo.
É o dia em que Cristo, em sua ceia de despedida antes da morte, instituiu a Eucaristia, deu a grande lição de humilde serviço lavando os pés dos seus apóstolos, e os constituiu sacerdotes mediadores de sua Palavra, de seus sacraementos e de sua salvação.
CEIA DO SENHOR
O nome que, junto ao de "fração do pão", o dá por exemplo São Paulo em 1Cor 11,20 ao que logo se chamou "Eucaristia" ou "Missa": "Kyriakon deipnon", ceia senhoril, do Senhor Jesus. É também o nome que se dá a Missa atual: "Missa ou Ceia do Senhor" (IGMR 2 e 7)
Na Quinta-feira Santa a Eucaristia com que se dá início ao Tríduo Pascal é a "Missa in Coena Domini", porque é a que mais intimamente recorda a instituição desde sacramento por Jesus em sua última ceia, adiantando assim sacramentalmente sua entrega na Cruz.

Religião e Lavagem Cerebral - Técnicas de persuasão utilizadas por seitas religiosas

Muitas vezes, somos surpreendidos por notícias de que adeptos de determinada seita religiosa cometeram suicídio coletivo ou que são conduzidos a desfazer-se de seus bens, renegarem suas famílias, odiar minorias e perseguir membros de outras denominações religiosas. Ou ainda, eleger um credo religioso como inimigo de suas crenças - em geral, o catolicismo. Em todos esses doentios desvios de comportamento está um componente perigoso quando usado para subjugar a consciência individual: a doutrinação religiosa, que é o primeiro degrau do fanatismo.

Todo o processo de doutrinação dessas seitas é, em grande parte, dirigido por técnicas de persuasão que já estão diretamente ligadas à forma de conquistar as pessoas alcançadas por sua mensagem e, principalmente, manter sob controle os seus adeptos, de tal forma que, mesmo inconscientemente, tais técnicas já fazem parte da identidade dessas organizações.

Em se tratando do Brasil, que se tornou um verdadeiro paraíso para a disseminação de novas seitas a cada dia, os fundadores dessas seitas levam para suas denominações toda a ideologia persuasiva dos credos dos quais se desligaram, formando um ciclo vicioso de persuasão e fanatismo. São fanáticos que geram mais fanáticos, que por sua vez produzem mais e mais fanáticos.

Entre as técnicas existentes, as mais comuns são:

1. Uso de Estereótipos (generalizações)

2. Substituição de Nomes

3. Seleção e Indução

4. Distorções e Falsidade

5. Repetição

6. Escolha de Um Inimigo

7. A Doutrina do Medo

Cada um destes tópicos está explicado abaixo:

1. Uso de Estereótipos

O doutrinador utiliza estereótipos para criar impressões fixas sobre determinado grupo de pessoas ou povos. Os indivíduos que compõem estes povos não recebem julgamento em base individual, suas ações são interpretadas de acordo com as expectativas da imagem estereotipada aplicada sobre eles (1) (2). A propaganda incentiva o estereótipo, seja com conotações positivas ou negativas, para angariar simpatia à mensagem propagada e criar ou aprofundar a hostilidade a outras idéias. Como exemplos de povos quase sempre estereotipados podemos citar os judeus (sovinas), os japoneses (só pensam em trabalho), os árabes - em geral os muçulmanos - (terroristas), os católicos em geral (papistas, mariólatras, idólatras) entre outros.

A mais poderosa arma psicológica usada pelas seitas para incrementar o preconceito é criar estereótipos tanto para si mesma, e seus adeptos, quanto para seus rivais. Os líderes das seitas costumam apresentar as outras organizações religiosas cristãs sob a pior luz possível, de acordo com sua própria interpretação particular da Bíblia, além de uma seletiva interpretação de fatos históricos. Esmeram-se em criar estereótipos desfavoráveis com o objetivo de degradar o cristianismo praticado por outras religiões, selecionando aspectos negativos de determinados grupos cristãos durante a história, tal como o conflito entre católicos e protestantes na Irlanda e as Cruzadas. E generaliza suas conclusões aplicando ao todo das religiões cristãs – no presente e no passado – as características negativas específicas de grupos locais ou de determinada época. Devido ao estereótipo das demais religiões cristãs, cultivado com imagens negativas selecionadas.

Não há surpresa em verificar que os líderes dessas seitas minimizam e desprezam qualquer boa ação da parte de cristãos individuais de outros grupos religiosos. Para essas seitas, as demais denominações cristãs são todas igualmente más e fazem parte de "Babilônia, a grande", o império mundial da religião falsa, nome extraído do livro bíblico do Apocalipse 18:2. Somente elas possuem a verdade "verdadeira" e devem divulgá-la aos falsos cristãos das outras denominações religiosas, para encontrar entre eles as ovelhas perdidas, os que "amam a Deus", livrá-los da idolatria, da infidelidade literal à Bíblia, da veneração aos santos e a Maria.

Ainda conforme os estereótipos criados por essas seitas na mente de seus adeptos, o ensinamento e as publicações da seita são os verdadeiros alimentos espirituais providos por Deus. Todas as demais fontes de informação resumem-se a filosofias e pensamentos de homens, devendo ser tratadas como tal. Estes estereótipos inseridos nas mentes dos seus seguidores são baseados exclusivamente em informações tendenciosas, preparadas de maneira a justificar a ascendência da seita sobre eles e assim conduzi-los a compartilhar das mesmas conclusões propostas pelos seus líderes. Dando a impressão de que existem "provas" apontando que sua seita e, por conseguinte, que seus membros são os únicos "portadores da verdade".

2. Substituição de Nomes

A substituição de nomes é uma prática comum do doutrinador. Ao criar a mensagem, o doutrinador substituirá algumas palavras por outras, que produzirão uma impressão diversa do sentido original, com objetivo de realçar ou diminuir emoções e assim conquistar a aceitação da mensagem pelo público-alvo. Exemplificando, para os defensores da legalização do aborto, o bebê que a mulher grávida carrega na barriga torna-se um "feto", pois é evidente que a morte de alguma coisa chamada feto choca muito menos que a de um bebê. Da mesma forma, para seus defensores, o capitalismo feroz transforma-se num singelo "livre empreendimento" (2).

Essas seitas fazem exatamente o mesmo em suas abordagens de forma a conseguir a aceitação de seus ensinamentos por parte daqueles que são alcançados por sua mensagem. Desta maneira, as demais religiões são reunidas em designações depreciativas que as designe: Os católicos são tratados por "papistas ou idólatras"; os adeptos do candomblé ou espíritas, por "feiticeiros". A depender da linha protestante, os estereótipos podem ser ainda mais abrangentes: "os pentecostais", os "neo-pentecostais", os "renovados", os "conservadores" e etc. Mais interessante é o fato dessas seitas estarem inclusas, em sua maioria, entre os últimos quatro grupos citados, e ainda assim criarem substituições entre si.

A forma pejorativa visa, naturalmente, diminuir ou eliminar qualquer base de respeitabilidade de tais denominações religiosas. Qualquer um que não seja membro da seita é chamado simplesmente de "mundano" e aqueles que abandonam a denominação recebem o rótulo negativo de "apóstata". Similarmente, porém com sentido positivo, os integrantes da seita são chamados constantemente de "cristãos", "ungidos", "povo de Deus", "escolhidos", "rebanho", "crentes", "escravo fiel e discreto", identificando-os com passagens bíblicas. Estes termos, que são definidos como linguagem descritiva, provocam reações emocionais instantâneas, com julgamentos positivos ou negativos, cada vez que as palavras ou frases são verbalizadas ou lidas.

3. Seleção e Indução

Na técnica de "Seleção", o doutrinador seleciona cuidadosamente a informação para que os pontos destacados estimulem os leitores ou ouvintes para as conclusões que, espera-se, eles atinjam (2). Informações são cuidadosamente omitidas quando são inúteis para influenciar a conclusão final, pois do "fiel" é esperado um julgamento baseado única e exclusivamente nas indicações e dados fornecidos. Freqüentemente, o "fiel" não tem conhecimento da existência de outras informações que possam contradizer a conclusão que dele se espera. A seleção cuidadosa das evidências limita a possibilidade do leitor questionar as afirmações e conclusões do doutrinador, isto é deliberadamente planejado para evitar ou desestimular raciocínios pessoais e avaliações independentes (2).

Similar a esta é a técnica de "indução". Indução é uma forma de argumentação onde toda a evidência (verdadeira ou falsa) é simbolicamente empilhada, em ordem, de modo que sejam lidas ou ditas uma a uma, em seqüência, fazendo com que no final a única conclusão, possível, seja aquela que o doutrinador quer ver aceita. É freqüente nesta técnica a comparação das idéias do doutrinador com as idéias dos opositores, porém é feita de tal maneira que o ponto de vista do primeiro parece ser sempre a idéia correta.

Não raro ao sermos abordados por um membro de uma seita, o mesmo utiliza desse recurso (mesmo que inconscientemente, já que sua formação nele se baseou), habitualmente faz perguntas fechadas, por sinal, perguntam muito e respondem muito pouco, e tentam conduzir as conclusões do interlocutor aos seus objetivos. Por exemplo:

- Você crê na Bíblia, crê que ela seja a palavra de Deus? – pergunta o adepto da seita.

- Sim, claro que creio – responde o católico desinformado.

- Bem, se você crê na Bíblia, crê que ela seja a palavra de Deus, logo, você crê que tudo o que esteja fora dela não vem de Deus.

- Sim, parece lógico. – responde o católico desinformado.

- Então a veneração aos santos, a existência de um purgatório, os pronunciamentos de seus padres e bispos são anti-bíblicos e, por conseguinte, contrários a Deus. – vaticina o adepto da seita.

- É né... Parece que é isso mesmo. – responde o católico que jamais leu o catecismo, desconhece os pilares da sua própria doutrina, nada sabe da Bíblia e foi fisgado por uma argumentação "indutiva" das mais fajutas.

As literaturas e pregações dessas seitas são altamente seletivas no material apresentado aos seus adeptos. Muitas informações a respeito da Igreja Católica, mesmo de caráter histórico como o período da inquisição e as cruzadas, ou a respeito de erros e crimes cometidos por prelados católicos, ou mesmo por fiéis católicos, são descritas de forma a conduzir os adeptos dessas seitas a concluir que a Igreja é má, e, por conseguinte, "do mal" provém o seu ensinamento, que pelo comportamento de seus sacerdotes e leigos se pode inferir a dignidade do catolicismo. Não especificações, mas generalizações, não há contexto, mas pretexto em tudo o que se transmita.

Uma pessoa desinformada, bombardeada por esta saraivada de informações e evidências apresentadas por essas seitas, provavelmente concordará com o ponto de vista das mesmas. Contudo, assim como em toda informação prestada por essas seitas, existe sempre um outro lado que está ausente, que não foi apresentado ou foi apresentado fora do contexto, deslocado do objetivo original, mutilado e editado. O destinatário da mensagem dessa seita é induzido a concluir que a opinião dela (da seita) é a única solução viável. De uma coisa é preciso estar bem ciente: a seita e seus doutrinadores usarão somente informações - mesmo sendo questionada no contexto original - que apontem na direção de suas conclusões e ignorará ou desconsiderará qualquer outra informação que possa levar alguém a uma outra conclusão diferente.

4. Distorções e Falsidade

A falsidade é um método comumente usado pelos doutrinadores (2). Fabricando, torcendo, esticando ou omitindo evidências utilizadas na doutrinação obtendo resultados eficazes. Histórias falsas de atrocidades têm sido usadas nas Cruzadas, na inquisição e em todos os períodos negros da história da Igreja, isso sem considerar que os fatos reais ocorridos nesses períodos falam por si. Mas, é necessário para essas seitas dramatizar situações, ressaltar ou inventar fatos tendo em vista a despertar a ira e o desprezo de seus adeptos pela Igreja Católica e seus fiéis, e isso tem sido feito com grande eficácia. Exemplo:

´A 500 anos atrás o Papa mandou ´matar´ Galileu só porque ele disse que a terra é redonda. A 2.700 anos atrás a Bíblia já dizia que a terra é redonda (Isaías 40:22)´.
Fonte: Do livro "Será Mesmo Cristão o Catolicismo Romano?" - Hough P. Jeter.Estas frases contêm várias imprecisões, próprias de quem fala sem saber ao certo o que diz: · Galileu faleceu em 1642, portanto há pouco mais de 350 anos - e não há 500 anos; faleceu de morte natural, não foi assassinado a mando de nenhum papa. Foi perseguido pela inquisição? Sim foi, mas por defender o heliocentrismo - o sol como centro do universo - e não que a terra era redonda. E Isaías (Is 40´55) profetizou durante o exílio (587´538 aC), ou seja, há 2.500 anos aproximadamente; ao falor do ´ciclo da terra´, não se pode dizer que tinha em vista a esfericidade da terra, já que ciclo refere-se a conjunto de tudo o que havia no mundo conhecido, e não necessariamente a forma arredondada do globo.
Ou seja, quem vier a ler esse texto tomará uma mentira por uma verdade, pior, o autor cita fontes em seu livro, entre elas, documentos da própria Igreja Católica que não cita em nenhuma de suas linhas qualquer referência à mentira descrita. Ou seja, não há a intenção de informar, mas confundir.
Em suma, não há limite ético ou moral nesse recurso, deseja-se apenas que o membro da seita acredite na mentira que lhe é passada, afinal, não dispondo de informações que contradigam os argumentos da seita, fatalmente o adepto não discutirá as fontes e nem a procedência da informação, principalmente quando vê citadas tantas fontes aparentemente fidedignas como enciclopédias e documentos da própria Igreja Católica. Ademais, qualquer mínima contestação coloca o adepto e não a seita sob suspeição, o adepto passará a ser visto como uma "ovelha negra" no meio do rebanho, e passará a ser coagido e vigiado de todas as formas. O objetivo final não é passar uma informação, mas desenvolver no adepto uma atitude hostil frente à Igreja Católica e seus fiéis, se o caminho para isso é lícito ou não, pelo exemplo acima é bastante fácil chegar a uma conclusão.
É interessante lembrar que todos os documentos da Igreja Católica estão disponíveis ao grande público, é possível consulta-los na Internet ou adquiri-los em qualquer livraria católica ou leiga. E que a Igreja não proíbe seus fiéis de ler textos históricos a respeito da própria Igreja, pouca gente sabe que, o que foi conservado acerca das cruzadas ou da inquisição, ou mesmo dos antipapas, o foi pela própria Igreja, muitos de nossos mosteiros ainda conservam esses documentos e os coloca á disposição de quem se interesse em lê-los. Ou seja, nem mesmo a própria Igreja teme seu passado, pelo contrário, o coloca à vista de todos, para que os erros do passado não voltem a ser cometidos. E para que ninguém afirme o que jamais aconteceu, mas mesmo isso não é suficiente aos seus opositores.



5. Repetição

O doutrinador usa a repetição para gravar a mensagem nas mentes da audiência. Joseph Goebbles, ministro da propaganda de Adolf Hitler, sustentava: "Se uma mentira for repetida mil vezes, sempre com convicção, tornar-se-á uma verdade". Portanto, se uma palavra ou frase for usada repetidas vezes, depois de algum tempo será aceita, tendo significado verdadeiro ou não (2).

As seitas usam muito esta técnica e repetem exaustivamente muitas palavras, e tais palavras ganham a conotação mental de um estigma. Ao referir-se a católicos dizem exaustivamente palavras como "idólatras", "papistas" ou ainda "romanistas". A mais recentemente utilizada com amplitude é "mariólatras" ou "adoradores de Maria". A utilização repetitiva desses termos automaticamente remontam às substituições de nomes que tratamos neste artigo, provocam a imediata associação de tais termos a negatividades, a coisas que devem ser combatidas, coisas que devem ser evitadas ou subjugadas.

Por outro lado, utilizam da mesma técnica quando desejam atribuir a si próprios uma conotação diferente quando se referem ao universo de religiões. Habitualmente chamam a si próprios de "cristãos" numa referência exclusivista, ou ainda atribuem à palavra "irmão" apenas àqueles que compartilham de seu credo, colocando inclusive laços consangüíneos apartados dessa definição. Atribuem a todos os demais seres humanos da terra a definição "do mundo", como se estivessem à parte do necessário bom convívio humano. Enfim, repetem, repetem e repetem, até que essas palavras repetidas ganhem uma conotação automática. Os adeptos não são apenas doutrinados com a repetição de palavras, mas com o uso repetido das mesmas associadas ao estigma aplicado a elas, ora positivo, ora negativo.

6. Escolha de um Inimigo

O doutrinador terá sempre um inimigo. A mensagem "não é somente PARA algo mas também CONTRA algo, um inimigo real ou imaginário que tenta frustrar a suposta vontade de sua audiência" (2). Dois efeitos são observados: 1. A agressividade é direcionada para outros e não para as causas defendidas pelo doutrinador; 2. Ajuda consolidar a lealdade dos que estão dentro do grupo. O doutrinador descreve com imagens estereotipadas e diabólicas o inimigo identificado. Quanto mais forte o inimigo, mais forte será a unificação do grupo à causa, uma unificação que é baseada no medo e no ódio.

As seitas, em geral, sempre foram bem sucedidas em criar imagens temíveis de inimigos maléficos para incutir medo e suspeita nos seus adeptos. Instilou também a imagem de que Deus protege aqueles que mantêm a obediência dentro da organização e os que estão fora dela serão fatalmente destruídos por Deus. Toda e qualquer crítica dirigida à seita, ou mesmo ao que ela acredita, será maximizado como uma perseguição declarada, e como crêem ser os únicos detentores da verdade, essa imaginária perseguição afeta diretamente o estabelecimento do Reino de Deus, e todos os seus adeptos têm por obrigação assumir a defesa desse "reino" personificado nessa seita. Ou seja, a seita será sempre uma vítima e todos os demais são inimigos em potencial quando se contrapõem a ela.

Da mesma forma, eleger um inimigo facilita bastante as coisas. É com base nesse inimigo que a doutrinação encontrará seu ápice. Não são poucas as denominações religiosas que fazem da Igreja Católica o centro de sua existência. "Se há algo a combater, vamos combater aquela a quem todas as outras seitas combatem", pensa o doutrinador. Esse é o único pensamento no qual há consenso entre as diversas seitas existentes. Se há algo a comparar negativamente, compara-se com a Igreja Católica. Se houve uma reforma nas instalações do templo, o doutrinador dirá: "Vejam como ficou belo o nosso templo... e sem precisar de qualquer imagem". Se houvesse a mínima possibilidade da Igreja Católica sucumbir, certamente que futuro dessas seitas seria muito curto.

7. A Doutrina do Medo

Por fim, temos o mais terrível estágio da doutrinação: o medo que a própria seita infunde no indivíduo, e que tem graves desdobramentos e, não raro, conduz a graves danos psicológicos e morais.

O adepto é conduzido a ter medo da própria seita, não de forma direta, mas através de vários conceitos que lhe são impostos. A seita, a todo o tempo, se ocupa de manter sob seu controle os membros já conquistados. Para isso, utiliza de todos os recursos de persuasão antes citados, mas aplica-os de forma perspicaz entre seus adeptos.

Não raro, vários membros dessas seitas são conduzidos a ver naqueles que não professam a sua crença um oponente. Pouco importando se esse oponente imaginário seja alguém de seu convívio mais próximo ou um parente que não comungue da mesma crença. Famílias são destruídas por conta dessa linha doutrinária, casamentos são desfeitos, filhos são abandonados, relações estáveis de amizade são rompidas. A seita incutiu no adepto a noção de que ele faz parte da "luz", é um "filho da luz" pelo fato de integrar a seita, e todos os demais são "trevas", e a luz não se deve misturar com as trevas. Incute, ainda, outro temor que impede o livre pensar do adepto: o de que ele - o adepto - caso se desligue da seita passará a fazer parte desse reino de trevas. Muitas vezes o adepto sente-se motivado a abandonar a seita, mas permanece fiel por medo de ver-se segregado pelos amigos e parentes.

Um outro aspecto da doutrina do medo se reflete nos graves danos psicológicos provocados naqueles que se desligam da seita. Perdem o convívio dos amigos e da família, perdem suas casas, sua identidade social, muitas vezes perdem seus empregos ou oportunidades de trabalho, além de não mais conseguirem se ajustar socialmente a qualquer outro grupo.

Não raro, sentimentos de culpa passam a permear a vida do ex-adepto, ele passa a sentir-se culpado pela ruptura familiar, tem sobre si a impressão de falência existencial. Tudo isso somado ao pior dos frutos: o ceticismo. A religião e a fé se tornaram fonte de sofrimento, ou seja, a seita que não escraviza; indiferentiza. Cria um ser humano onde a fé, antes fecunda, se verteu em indiferentismo e ceticismo. Isso é facilmente explicável: o deus de uma seita, é ela mesma.

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Bibliografia: (1) Myers, D.G. Exploring Psychology Third Edition (New York, NY: Worth Publishers, 1996)
(2) Brown, J.A.C. Techniques of Persuasion: From Propaganda to Brainwashing (Middlesex, UK: Penguin Books, 1963)
"A Study of the Persuation Techniques Used by Jehovah's Witnesses and the Watchtower" - NATHAN CHARLES BEEL.